torta pudim de maçã
[com molho de caramelo]

Outro dia visitei uma fazenda de produtores de pera e maçã. Voltei com duas sacolas cheias de maçãs e peras fresquinhas. Coincidentemente minha cunhada tinha me contado que tinha feito uma torta de maçã deliciosa. Eu pedi a receita e ela mandou um link do Buzzfeed/Tasty Demais. Não sou muito fã desses sites que compilam material de outros. Mas fiz a receita, com algumas alterações. A receita faz o caramelo no microondas em 2 minutos e é claro que não dá certo. Tem que ser feito do jeito tradicional, na panel e no fogão. A temperatura do forno também era pra forno convection, mais comum na Europa. Fiquei um pouco tensa, achando que essa receita iria ser um desastre. Mas deu tudo certo e ficou bem gostoso. Com calda de caramelo, como pode não ser bom?

para o pudim:
450g de maçã
2 ovos caipiras
1/2 xícara de açúcar
1/2 xícara de leite
1 colher de chá de extrato puro de baunilha
1 colher de sopa de manteiga derretida
3/4 xícara de farinha de trigo
Amêndoas laminadas a gosto

para a calda:
1/2 xícara de açúcar
1 colher de sopa de manteiga
1/2 xícara de creme de leite

Preaqueça o forno a 356ºF/180ºC. Unte uma forma de pão com óleo vegetal e forre com uma folha de papel vegetal ou manteiga. Deixe uma aba sobrando dos dois lados, pra poder puxar o pudim na hora de desenformar. Fica mais fácil.

Descasque as maçãs e remova o miolinho e cabinhos. Corte em fatias bem finas [use um mandoline, se tiver]. Em uma tigela bata os ovos e o açúcar com um batedor de arame até a mistura ficar bem clara. Acrescente o leite e a manteiga derretida e misture bem. Peneire a farinha sobre a mistura de ovos e bata até incorporar. Acrescente as maçãs em fatias e mexa com uma espátula até todas as fatias de maçã ficarem cobertas de massa.

Salpique uma camada de amêndoas no fundo da forma preparada. Despeje a massa por cima e cubra com mais lâminas de amêndoas. Leve ao forno e asse por 40 minutos. Remova do forno, deixe esfriar e desenforme, passando uma faca pelos lados da forma e puxando o papel pelas abas. Coloque numa travessa.

Faça a cobertura. Numa panela coloque o açúcar e a manteiga. Leve ao fogo médio e deixe o açúcar derreter. Vá mexendo a panela devagarzinho, pro açúcar e a manteiga derreterem uniformemente. Quando o açúcar estiver todo derretido e com uma cor dourada, desligue o fogo, acrescente o creme de leite e mexa bem com um batedor de arame. Coloque essa cobertura sobre o pudim. O restante coloque numa jarrinha para quem quiser se servir de caramelo extra.

salada [simples] de lentilha verde com cenoura

green lentil salad

Ando sem muita vontade de cozinhar, mas me recuso a comprar comida pronta ou comer fora. Quero comer minhas comidinhas caseiras, mas ando bem desanimada. O que fazer? Sem alternativa, tenho preparado muitas coisas simples. Essa salada de lentilha é um exemplo. Tenho feito muita lentilha, em salada principalmente. Gosto do fato de que ela cozinha super rápido e qualquer prato com ela fica substancioso. Pra essa salada cozinhei a lentilha verde, que não desmancha depois de cozida, fica ótima em saladas. Dai cortei uma cenoura em cubinhos— pode ralar ou branquear rapidamente, pra ficar mais macia. Juntei cebola roxa cortada em fatias finíssimas [use um mandoline, se tiver] e bastante salsinha fresca. Temperei com um molho feito com limão Tahiti, mel, sal, pimenta vermelha em flocos e bastante azeite. Misture e sirva. Essa salada guarda bem na geladeira e faz uma excelente {{{ M A R M I T A!! }}}.

tomates recheados com quinoa & pesto de pistache

stuffed tomato

Fique de olho nas ofertas que a Amazon faz dos livros pra Kindle e ficará surpreso com a quantidade de livros excepcionais que poderá comprar por bagatelas de até $0.9! Tenho comprado muitos por $1.99, $2.99, um pouquinho menos, um pouquinho mais. Com esses preços dá pra arriscar comprar livros que normalmente não se compraria ou tentar algo novo ou de autores não tão conhecidos [pelo menos pra mim]. O The New Persian Kitchen da autora Louisa Shafia foi um desses livros que comprei porque estava uma bagatela. Fui surpreendida com as receitas maravilhosas e agora estou meio desesperada tentando organizar a lista imensa das que quero testar. Fiz essa com os tomates fora de série que estão chegando no Farmers Market de Woodland. Só mudei a maneira de cozinhá-los, grelhando na churrasqueira pois estava muito quente pra ligar o forno. Na foto eles estão prontos pra serem grelhados. Não consegui tirar foto dos tomates prontos porque uma série de infortúnios aconteceram—eu queimei a mão horrivelmente em dois lugares e o gás da churrasqueira acabou no meio do cozimento [e o Uriel estar tomando banho]. Isso somado à fome que eu estava sentindo, depois de ter acordado cedo e nadado por uma hora, não teve chance nenhuma de eu tirar foto quando os tomates finalmente ficaram prontos. Eles cozinharam muito bem na churrasqueira e soltaram a pele, que desceu como uma saia caindo [hahaha, isso mesmo], ficaram deliciosos!

4 tomates médios [tipo beefsteak]
1/3 xícara de pistache
4 cebolinhas inteiras picadas
1 xícara de salsinha picada
Casca ralada e suco de 1 limão [*usei o Tahiti]
Sal marinho a gosto
3 colheres de sopa de óleo de semente de uva ou outro óleo vegetal
3 dentes de alho picados
1 xícara de quinoa cozida
1/2 xícara de feijão branco cozido e escorrido
150 gr de queijo de cabra [*usei o feta]
Pimenta do reino moída na hora
Sumac para decorar e servir

Pré-aqueça o forno em 425ºF/218ºC. Corte uma tampa em cada tomate, com cuidado remova as sementes [guarde para fazer molho]. Coloque os tomates numa assadeira.

No processador de alimentos coloque os pistache, as cebolinhas, salsinha, as raspas da casca e o suco do limão e 1 colher de chá de sal. Pulse até formar uma farofa grossa.

Numa panela aqueça 2 colheres de sopa de óleo e junte o alho picado. Cozinhe por um minuto, então adicione a quinoa cozida e o feijão cozido e escoado. Cozinhe em fogo baixo, mexendo sempre, por uns 10 minutos. Junte o pesto e cozinhe por maios uns 5 minutos. Tempere com sal e pimenta do reino. Desligue o fogo e junte o queijo. Misture bem. Recheie os tomates com essa mistura. Regue com a restante 1 colher de sopa de óleo e leve ao forno por 25 minutos. Com cuidado transfira os tomates para uma travessa, decore com sumac e sirva.

stuffed tomato stuffed tomato

Dinner with Georgia O’Keeffe

Tenho comprado muitos livros em versão eletrônica, muito mais do que versões em papel. Mas este tinha que ser adquirido em publicação tradicional, porque pra mim ele equivale a um livro de arte. Depois de publicar o maravilhoso Dinner with Jackson Pollock, a fotógrafa Robyn Lea escolheu Georgia O’Keeffe, outro ícone norte-americano com uma ligação com receitas, ingredientes e cozinha. Eu não conhecia muitos detalhes da vida e obra da Georgia O’Keeffe, mas depois desse livro fui atrás de conhecer tudo. Vi até um filme sobre a relação dela com o marido, o fotógrafo Alfred Stieglitz—com a atriz Joan Allen fazendo a pintora e o Jeremy Irons fazendo o fotógrafo. Que vida maravilhosa, longa e fascinante. As receitas, pescadas do acervo pessoal da artista, são todas simples, coloridas e empolgantes. Já estou animadíssima pra fazer um monte delas. O’Keeffe tinha uma relação espiritual com na natureza e os alimentos. Ela acreditava em alimentação saudável e era adepta de muitas ideias naturalistas. Ela mantinha uma horta, no sítio em que vivia no Novo México, que abastecia a cozinha com ingredientes para as suas receitas. Esse livro é tão lindo e delicado que fui folheando delicadamente, virando as páginas com as pontas dos dedos, tomando cuidado pra não fazer nenhum movimento brusco e perturbar a harmonia das fotos, cores, receitas e histórias.

peixe com crosta de pistachio & molho de creme e limão em conserva

peixe-pistacho

O Yotam Ottolenghi recomendou e eu comprei esse livro de culinária turca e cipriota da chefe Selin Kiazim, do restaurante londrino Oklava. Olha, que livro absolutamente maravilhoso! Comprei a versão para kindle, já que desencanei total dos livros de papel [acho que é devido ao fato de que não tenho mais espaço pra eles] e estou adorando a rapidez e a praticidade de ter livros de receitas em todos os meus devices eletrônicos. Fiz essa receita com um peixe que recebi da minha CSF. É super rápida de preparar e fica o fino da bossa. Uma amiga estava hospedada em casa naquela semana e esse peixe fez um sucesso absoluto. Enquanto devorava às garfadas grandes, ela dizia—isso é comida de restaurante fino! E vou concordar que é mesmo.

4 postas de peixe [usei bacalhau fresco]
para a crosta
100 gr de pistachios, descascados e torrados
15 gr de farinha de pão [usei panko integral]
70 gr de manteiga sem sal amolecida
para o molho
1 limão preservado em sal [fiz o meu, com limão siciliano, usando essa receita, mas pode usar o comprado pronto]
150 ml de creme de leite fresco
75 gr de manteiga sem sal gelada cortada em cubinhos
cebolinha picada

Faça a crosta colocando todos os ingredientes num processador de alimentos e pulse até obter uma farofa. Tempere o peixe com sal. Coloque uma camada da massa de pistachio por cima de cada posta. Coloque na geladeira. Pré-aqueça o forno em 450ºF/232ºC. Faça o molho, remova a polpa do limão com uma colher e coloque numa panela junto com o creme de leite. Deixe ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar em fogo baixo até o molho reduzir em 1/3. Pique bem a casca do limão. Remova o creme do fogo e adicione a manteiga, batendo bem com um batedor de arame. Passe o creme por uma peneira, adicione a casca picada do limão, cubra com um plástico e reserve. Coloque o peixe numa assadeira e leve ao forno por 10 minutos, até o peixe cozinhar e a crosta ficar dourada. Coloque a cebolinha picada no molho, coloque uma porção em pratos individuais, coloque o peixe no centro e sirva imediatamente.

dei um pulo [no hemisfério sul]

Saímos de uma onda de calor fenomenal e embarcamos rumo ao inverno no hemisfério sul para ver toda a família e participar do casamento da nossa sobrinha. Foi uma viagem rápida e a agenda ficou lotada, com muitos eventos com as duas famílias e alguns reencontros de amigos. Não fiz muito, além de comer e conversar. Minha mãe achou muitos desenhos e rascunhos de pinturas do meu pai e eu trouxe alguns comigo. Me apego à coisas que me lembram da presença dele. Ele tinha muitas câmeras fotográficas e de filmagem, equipamento de imagem, muitas fotos, slides, filmes, CDS, K7s, livros, discos, um mundo de coisas, tudo muito bem organizadas. Trouxe comigo uma das maletas de fotógrafo dele, com câmera, lentes, flash, geringonça de fazer fotos com timer. Tudo muito bem arranjado dentro da maletinha de couro. Revi minha amiga de infância, que não via há 20 anos. Revi outra amiga de longa data. E o resto foi só família e comilança. Me esbaldei e comi tudo o que vi pela frente. Ganhei três quilos, mas valeu a pena! Comi maracujá, atemoia, muita banana, goiaba, carambolas docinhas, uva Niágara [fora de época, mas mesmo assim boa!], bala de coco, bananinha, beliscão, biscoito de polvilho, sequilhos, pipoca doce, bolo de fubá, pamonha, bolinho de bacalhau, mandioca frita, coxinha feita em casa, pudim, manjar, picanha, bacalhau, tutu de feijão, pão de queijo, palmito, empadinha, esfirra, nhoque de mandioca, macarronada e feijoada! Cheguei cansada e detonada por uma gripe. De volta para o verão tórrido, pros pêssegos e tomates, vamos retomar de onde parei.

✹ the heat storm ✹

Todo verão é sempre a mesma ladainha, eu reclamando do calor, nunca falha. No ano passado tivemos um verão estável. Começou a fazer mais de 30ºC em maio e só melhorou em setembro. Este ano, depois de um inverno bem molhado [graçasauscéus!] o verão está um pouco diferente. Tivemos um dia com chuva e 19ºC e uma semana depois estava 42ºC. E a previsão dali pra frente foi de arrepiar os cabelos. Tivemos um evento climático chamado de “heat storm”––quando uma onda de calor intenso, com temperaturas acima dos 38ºC, dura muitos dias e atinge uma área bem grande. Foi uma semana de temperaturas tórridas, chegamos a 44ºC. Foi terrível, foi desanimador, foi chocante. Quando isso acontece todas as atividades outdoors ficam proibitivas, perigosas, impossível. Passei praticamente uma semana enfurnada em ambientes fechados e climatizados, exceto pelas minhas caminhadas às 6am e as nadadas na piscina. Nesses dias calorentos me deu um branco, perdi toda a vontade de cozinhar, improvisei muito, fiz inúmeras saladas, comi pão, fiz queijo com iogurte grego, sanduíche de pão com ovo, comi fora também com minhas amigas e com minha família. No dia dos país, num domingo ridiculamente quente, fiz salada, arroz com ervilhas e o Uriel grelhou rapidamente umas fatias de picanha. Consumimos muito chá gelado, kombucha, shrub, e água, água, muita água, além de um pouco de vinho branco gelado. Agora as temperaturas estão baixando aos poucos, ontem 39º, hoje 37º e até terça-feira vai estar 31ºC e todos sairão às ruas, felizes, dançando, se abraçando e sorrindo! O picnic do farmers market de Davis na quarta vai lotar de gente enlouquecida pelos dias tórridos! E é bem na quarta que me despedirei do calorão por agora, pois estarei voando rumo ao hemisfério sul, onde espero poder apreciar temperaturas decentes, uma brisa, uma chuvinha, e poder beber vinho sem gelo.