köftes — bolinhos turcos de lentilha vermelha

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Essa foi a primeira receita que marquei pra fazer no livro Oklava: Recipes from a Turkish-Cypriot kitchen da chefe Selin Kiazim. Fui até Sacramento, nos mercados mediterrâneos, para comprar a pasta picante de pimentão e o trigo bulgur fininho. No final fiz essa receita de peixe primeiro, porque sou assim enrolada. Os köftes me lembraram os kibes, porque a autora diz que pode ser feito com carne de carneiro. Mas eles não são fritos, são servidos assim só modelado. As lentilhas vermelhas são cozidas com os temperos, imagino que a carne de carneiro também. Fica um prato maravilhoso para se servir em dias super quentes de verão, como entrada ou prato principal naqueles dias que não dá vontade de comer nada. Achei os bolinhos incrivelmente saborosos, mas fiz só metade dessa receita, porque achei de 30 bolinhos iriam ser demais. Pra nós dois metade da receita deu bem e sobrou para “já te vis”. Substitua a pasta de pimentão por outra pasta de pimenta se não achar a turca. Se não encontrar o bulgur fino, moa o mais grosso, para obter um trigo mais delicado.

faz de 25 a 30 bolinhos
200 ml de azeite
2 cebolas picadas
1 colher de chá de cominho em pó
1 colher de chá de páprica doce defumada
2 colheres de sopa de pasta picante de pimentão [um ingrediente turco chamado açi biber salçasi substitua por outro tipo de pasta de pimenta]
450 gr de lentilha vermelha lavada com água fria
275 gr de trigo bulgur moído fino [se não achar o fino, moa o grosso num moedor de café ou no processador de alimentos]
1 e 1/2 maços de cebolinha fatiadas bem fino
1 maço de salsinha fresca picada
1 maço de alface Romaine
Sal a gosto

Aqueça o azeite numa panela, adicione a cebola e cozinhe por uns 10 minutos, até que elas fiquem translúcidas. Adicione o cominho, a páprica e a pasta picante de pimentão e cozinhe por mais 1 minuto. Adicione as lentilhas lavadas e escorridas, misture bem. Cubra com água até 2 cm acima das lentilhas. Deixe ferver, reduza para fogo baixo e cozinhe por uns 20 minutos. Desligue o fogo e adicione o trigo bulgur. Misture bem tampe a panela. Deixe descansar por 30 minutos.

Corte 3 ramos de cebolinha em diagonal e deixe de molho em água fria. Coloque a mistura de lentilhas e bulgur numa vasilha grande, deixe esfriar um pouco e tempere com sal. Pique o resto das cebolinhas e a salsinha e coloque na mistura. Sove a mistura por uns 10 minutos ou coloque numa batedeira com a pá e bata até formar uma bola. Forme bolinhos com essa massa. Arrume numa travessa com as folhas de alface, as cebolinhas cortadas na transversal [escorra da água gelada], folhas de salsinha e fatias de limão. Sirva, usando as folhas de alface para enrolar os bolinhos, salpique com as ervas, pingue suco de limão e aproveite!

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pasta com farinha de espelta germinada [e molho pesto]

Tenho experimentado fazer massas cm farinhas diferentes. Comprei umas dessas farinhas orgânicas e fiz macarrão com a integral germinada—usando ovos de pata e de perua, que às vezes vem na minha dúzia de ovos semanais. Com a farinha integral foi super tranquilo, fiz a substituição 1X1 da farinha branca pela integral na receita da minha bisavó: 100 gr de farinha e 1 ovo por pessoa. Na de farinha de espelta não quis arriscar e peguei essa receita do Farm Fresh to You, daqui no Capay valley. O resultado ficou uma delícia, mas não foi fácil sovar e abrir essa massa. Minha Kitchen Aid não conseguiu, tive que pedir pro meu marido fazer a sova no muque. E ele suou! Passar na máquina também me deu uma ensuvacação, mas valeu a pena pelo resultado. Ficou uma pasta bem rústica e combinou muitíssimo bem com um molho pesto meio pedaçudo.

Para a massa:
2 xícaras de farinha de espelta [* usei essa germinada]
3 ovos caipiras em temperatura ambiente
1/4 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de azeite

Misture todos os ingredientes da massa, até formar uma bola. Sove bastante até a massa ficar bem lisa. Embrulhe numa folha de plástico ou pano de prato e leve à geladeira. Deixe a massa descansar e gelar por 20 minutos. Abra a massa como quiser, no rolo ou na máquina. Corte no formato da sua preferência. Cozinhe até ficar al dente numa panela com bastante água salgada. Tempere com o pesto, se precisar misture um pouco da água do cozimento. Sirva.

Para o pesto:
Bata no processador folhas de manjericão fresco, nozes, pedacinhos e queijo parmesão ou outro queijo duro, sal, pimenta do reino moída na hora e bastante azeite até dar um ponto. Pode por um dente de alho também, se quiser. Eu não coloquei.

Grace Higgens na cozinha de Charleston

Grace-Higgens

Assisti Life in Squares, uma série britânica sobre as irmãs do grupo Bloomsbury, Vanessa Bell e Virginia Woolf. Sempre achei a vida dessas duas artistas fascinante. Em especial a Vanessa Bell, que teve uma vida muito peculiar, fez as pinturas mais lindas e decorou com elas as casas onde viveu. Numa dessas pinturas ela retrata Grace, a empregada-governanta que trabalhou com ela por muitos anos.

Grace tinha 16 anos quando foi contratada em junho de 1920 para trabalhar como criada na Gordon Square, a casa de Vanessa Bell. Ela permaneceu com a família por mais de 50 anos como empregada doméstica, enfermeira, cozinheira e, finalmente, governanta em Charleston, a casa de campo isolada onde a família Bell passou os últimos anos da grande guerra. A propriedade não tinha eletricidade, apenas aquecedores de carvão, lâmpadas de óleo e velas, e a água era bombeada diariamente à mão. Grace era uma mulher alto astral, com um senso de humor robusto. Sem ter tido uma educação formal, tudo o que ela aprendeu foi lendo. Grace era bonita e muitas vezes posou para Vanessa Bell e seu companheiro Duncan Grant. Após a morte de Vanessa Bell, Grace permaneceu em Charleston, jardinando, limpando e cozinhando para Duncan Grant até 1971, quando se aposentou.

Grace foi imortalizada em 1943, no auge da juventude, neste quadro da Vanessa Bell. Na pintura ela está na cozinha com as mãos numa tigela; cenouras e maçãs no primeiro plano; alho e cebolas penduradas no teto. Grace Higgens morreu em 1983.

tagine de abóbora com grão de bico, conserva de limão & harissa

tagine

Sirocco —fabulous flavours from the Middle East da autora Sabrina Ghayour é outro dos muitos livros que tenho comprado na versão pra kindle por uma bagatela. Essa receita ficou super gostosa, adicionei também uma batata doce. Fica picante e cítrico, muito diferente. Servi com couscous.

1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1 colher de chá de cominho em pó
1/2 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de curcuma
1 butternut squash [abóbora de pescoço, ou outra abóbora] cortada em cubos
1 batata doce pequena cortada em cubos
1 colher de sopa de harissa
1 e 1/2 colher de sopa de mel
1 lata de tomate em lata [*usei uns 5 tomates frescos picados]
1 lata de grão de bico cozido
150 gr de damascos secos
2 limões conservados no sal [*usei o meu feito em casa, essa receita, mas feita com limões sicilianos]
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto
Salsinha fresca pra decorar

Numa panela grande coloque azeite suficiente para cobrir toda a superfície. Adicione a cebola e o alho e refogue por uns minutos. Adicione o cominho, a canela e a curcuma e misture bem, cozinhando as especiarias por alguns minutos. Adicione a abóbora e a batata doce se for usar, misture bem. Cozinhe por uns minutos mexendo sempre. Adicione a harissa e o mel, misturando sempre. Adicione os tomates. Se for usar os tomates em lata, adicione a água também. Se for usar o tomate fresco, adicione um pouquinho de água. Tempere com sal e pimenta do reino moída na hora. adicione os grãos de bico com a água, mexa bem e deixe cozinhar por 30 minutos, mexendo de vez em quando. Adicione então os damascos secos e os limões em conserva, misture e deixe cozinhar por mais 20 minutos. Decore com salsinha fresca picada e sirva com couscous.

salada de ovo

Nã gosto muito de ovo, mas adoro salada de ovo, que só faço quando tenho um surplus de ovos da fazenda. Não acontece sempre, mas neste verão aconteceu duas vezes. Faço uma receita bem simples e improvisada. Cozinho os ovos, pico, junto salsão picadinho, um tipo de picles qualquer [nesse usei o pepperoncini de vidro cortado em fatias], bastante salsinha fresca, tempera com sal, pimenta do reino, um pouco de mostarda, um pouco de iogurte ou sour cream, polvilha com páprica picante e serve. Eu uso também pra rechear sanduíches.

Green Gulch Farm Zen Center

Fomos fazer nosso picnic anual na praia e eu escolhi a Muir Beach, por ser a mais perto, menos tempo de carro. Nunca tínhamos ido à essa praia, que é bem pequena, fechada numa encosta. Na ida, bem perto já da praia, passamos por uma comunidade budista e eu falei—na volta, vamos parar. E assim fizemos. Descemos com o carro por uma estradinha apertada num barranco, tivemos que encostar quase despencando para dois carros que estavam subindo passarem. Chegamos no Green Gulch Farm e não sabíamos exatamente onde ir. Um casal que estava chegando também nos guiou. Ele era voluntário no local e nos fez um resumo, de que eles são parte do famoso San Francisco Zen Center, de como eles aceitam hóspedes, tem meditação, dharma talk nos domingos de manhã, e têm lugares pra retiro, o templo e a fazenda. Passamos por umas residências do pessoal que mora lá. O casal abriu um portão, nos deixou no jardim e seguiu em frente em direção à praia. Quando avistei o jardim, fiquei sem fôlego. Nunca tinha visto tantas cores juntas, tantas flores, as dálias eram predominante e eram absolutamente maravilhosas! Fiquei um tempão zanzando entre as flores e tirando fotos. São vários jardins para meditação e hortas uma atrás da outra. Fomos caminhando até o final, onde tinha mais um portão que dava para uma trilha em direção à praia. As hortas, todas com produção orgânica, eram uma pintura. As folhas verdes, que devem gostar muito do clima fresco do litoral, pareciam de plástico tal a perfeição. Ficamos muito tempo caminhando e olhando tudo, voltamos pra área dos jardins, das flores, do templo, até chegar no caminho rodeado de eucaliptos e voltar para o nosso carro estacionado. Fiquei tão extasiada com aquela visita, não parei de falar um minuto que queria voltar, que queria voluntariar, que queria trabalhar na cozinha deles, que queria morar lá! Até disse—nesse nosso passeio, acho que gostei mais desse lugar do que da praia. Não estava mentindo.