bolo de laranja kinkan
[com azeite & iogurte]

kumquat_cake

foraged_kumquats

Entre o Natal e o Ano Novo eu fui buscar as laranjinhas kinkans nas árvores de ninguém dentro do campus da UC Davis. Todo ano eu cato essas laranjinhas e faço receitas com elas. Este ano, com tanta chuva, as árvores estão particularmente produtivas. Peguei uma cesta cheia dessas delícias e tenho usado, cortadas em fatias finas, imersas nos molhos de salada, além de comê-las in natura, como se fossem pipoca. Sem querer dei de cara com essa receita, que a principio achei que fazia um molhinho com as kinkas pra cobrir o bolo. Quando li direito as instruções percebi que as kinkan,s maceradas no açúcar, eram incluídas na massa do bolo. Adoro bolos assim, com frutas dentro! Fiz a receita e posso dizer que ficou sensacional! Também adoro bolos feitos com azeite. Levei fatias para amigos no trabalho e os aplausos foram unânimes. Pretendo refazer esse bolo, porque ainda tenho muitas kinkans.

para as kinkans maceradas:
2 xícaras de laranjinhas kinkans, lavadas e secas
1 colher de sopa de água ou de rum claro [*usei rum]
1/2 xícara de açúcar

para o bolo de iogurte:
1 e 1/2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de chá de fermento em pó
3/4 colher de chá de sal kosher
As laranjinhas kinkans previamente maceradas
1/2 xícara de açúcar
3/4 xícara de iogurte integral
1/2 xícara de azeite extra virgem
2 ovos caipiras grandes
1 colher de chá de extrato de baunilha

Corte as kinkans em fatias removendo as sementes. Combine as kinkans fatiados com a água ou o rum e 1/2 xícara de açúcar em uma tigela pequena. Deixar repousar em temperatura ambiente durante por pelo menos uma hora.

Pré-aqueça o forno a 350°F/176°C. Untar uma forma padrão de assar pão com azeite. Numa tigela média misture a farinha, o fermento e o sal.Numa tigela grande misture as kinkans marinadas [com o líquido que se formar] e a 1/2 xícara de açúcar. Misture bem. Adicione o iogurte, óleo, os ovos e extrato de baunilha e bata bem para combinar. Junte os ingredientes secos e misture com uma espátula. Despeje a massa na forma de pão untada. Leve ao forno e asse por cerca de 55 minutos. Remova do forno e deixe esfriar por 15 minutos antes de desenformar. Deixar esfriar completamente antes de cortar.

geléia de limão rosa

Uma coisa é você crescer vendo todo mundo ao seu redor fazer algo na cozinha. Outra coisa é você tentar fazer algo sem nunca ter visto ninguém fazer. Minha amiga, uma budista nascida e criada numa fazenda no Idaho, me deu um vidro de geléia de limão feita por ela. Quando eu pedi a receita, ela disse, ah é muito fácil! É só cortar os limões, remover as sementes, deixar tudo misturado na geladeira de um dia pro outro, depois cozinhar até o termómetro chegar em 220ºF e tchan dan! Ela me mandou o link para uma receita similar, depois me trouxe o livro de onde ela tirou a receita que fez. Eu comprei uma versão pra mim, e como tinha uma sacola cheia de limões rosa doados por um colega, decidi que faria a marmalade. Não foi tão simples assim. Primeiro fiquei mais de 1 hora em pé na cozinha cortando os limões, separando as membranas e as sementes. Depois rodei  cidade debaixo de chuva pra achar um termômetro. Comprei um que não era o ideal. Daí inventei de fazer a geléia enquanto fazia o almoço de domingo. Cozinhar pode ser estressante se você não tiver certeza do que está fazendo. Como a minha amiga do Idaho, que cresceu vendo a mãe, a avó, as tias, as vizinhas fazendo geléia, eu cresci vendo a minha mãe fazer macarrão. Na massa de macarrão sou craque, porque sei todos os passos e como tudo deve se comportar.  Mas geléia, só mesmo aquelas improvisadas de cozinhar a banana ou o morango com qualquer quantidade de açúcar ou inventar moda. Nunca fiz nada do jeito certo, nunca fiz o processo de esterilizar e  vedar os vidros. Sei que tem uma técnica, só não sei qual é.  No domingo fiz malabarismos com várias tarefas, preparei o almoço, fiz macarrão. E fiz a geléia, que cozinhou, cozinhou e,  naquele minuto em que me distraí, passou do ponto. Achei que tinha dado tudo errado, chorei pitangas me achando um fracasso, reclamei muito, me dei chicotadas morais, mas quando fui olhar, tinha ficado mais ou menos como deveria ficar. A geléia ficou um pouco escura, queimou um pouco no fundo, cozinhou uns minutos além da conta, mas solidificou e até que ficou gostosa. Farei de novo? Sim. Mas desta vez, com a experiência de quem aprendeu algumas lições com os erros. A licão mais importante é que não se deve fazer geléia ao mesmo tempo em que prepara o frango, faz o molho de tomate, faz a massa pro macarrão, faz a salada, assobia e chupa cana.

Adaptado da receita de Meyer Lemon Marmalade do livro Food in Jars da Marisa McClellan. Essa receita é bacana porque usa a pectina natural do limão, contida nas membranas e sementes, para engrossar a geléia. E ela fica bem firme, parece até que se usou gelatina. E só tem realmente limão! Como toda marmalade, o resultado fica um pouquinho amarguinho. O limão rosa é muito mais acido que o meyer, mas eu mantive a mesma quantidade de açúcar. Achei que ficou perfeito.

1 e 1/2 quilos de limões orgânicos [*usei o limão rosa]
860 gr de açúcar

Lave bem os limões e seque. Com uma faca afiada corte as extremidades de cada limão. Corte ao meio e em gomos, remova a medula interna e as sementes e reserve numa tigela. Corte cada gomo de limão em fatias finas. Eu segui o conselho da minha amiga Amanda e coloquei os gomos com a lâmina de fatiar do processador de alimentos. Se quiser fatias maiores, faça a mão com a faca. Em uma tigela grande combine as fatias de limão e 400 gr de açúcar. Mexa bem. Faça um “pacote de pectina” usando um pedaço de gaze ou cheese cloth. Coloque no centro as membranas brancas, partes cortadas das pontas e as sementes que foram removidas dos limões. Amarre as pontas para fazer um saquinho. Adicione este pacote de pectina na tigela com as fatias de limão e o açúcar. Leve à geladeira por um período mínimo de 6 horas ou até 48 horas.

Remova a tigela da geladeira e coloque em uma panela grande, juntamente com o pacote de pectina. Adicione os 460 gr de açúcar restante e junte  1 litro de água.  Leve para ferver em fogo alto, mexendo sempre com uma espátula antiaderente. Deixe ferver por 30 a 50 minutos e use um termômetro para verificar quando a geléia atingir 220ºF/105ºC. Quando a geléia chegar a essa temperatura e se mantiver assim por um minuto, mesmo se for mexida, desligue o fogo. Coloque a geléia nos vidros, fazendo a esterilização de acordo. Eu não fiz. Usei algumas jarras Weck, que são boas pra manter conservas na geladeira, e congelei outros dois vidros. Da próxima vez vou tentar aprender a vedar os vidros da maneira certa. Será minha meta pra 2017!

galette de batata & alho-poró
[com massa de pistache]

galette-potato-leek

Fiz essa receita para receber minhas amigas num almoço antes do Ano Novo. Fiz duas galettes ao invés de quatro. Ficou muito gostoso, servi acompanhado por uma salada de folhas verdes.

para a massa:
1/2 xícara de pistache cru
2 e 1/2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de sal kosher
1 colher de chá de açúcar
1 xícara de manteiga sem sal gelada e cortada em cubinhos
para o recheio:
1 colher de sopa de azeite
1 alho-poró grande cortado longitudinalmente e depois em fatias finas
120 gr de queijo de cabra fresco
5 colheres de sopa de creme de leite fresco
2 dentes de alho finamente picados [*omiti]
Sal Kosher e pimenta do reino moída na hora
4 colheres de sopa de endro picado
2 batatas grandes tipo Yukon Gold, cortadas em fatias finas

Pulse o pistache em um processador de alimentos até ficar grosseiramente moído. Adicione a farinha, sal, açúcar e pulse para combinar. Adicione a manteiga e pulse até formar uma farofa grossa. Com o motor funcionando, gradualmente adicione 1/2 xícara de água gelada e o processo até formar uma massa. Transfira a massa para uma superfície de trabalho, forme um disco, cubra com filme plástico e leve à geladeira pelo menos 30 minutos.

Aqueça 1 colher de sopa de azeite em uma frigideira pequena em fogo médio-baixo. Cozinhe o alho-poró, mexendo ocasionalmente, até ficar macio, cerca de 5 minutos. Transfira para um prato. Misture o queijo de cabra, creme e o alho em uma tigela. Tempere com sal e pimenta do reino.

Pré-aqueça o forno a 400ºF/205ºC. Divida a massa em 2 partes. Estenda uma parte da massa sobre uma superfície polvilhada com farinha de trigo. Transfira para uma assadeira forrada com papel vegetal. Usando uma espátula espalhe por cima da massa metade da mistura de queijo de cabra, deixando uma borda de uns 3cm. Espalhe 1 colher de sopa de endro e em seguida cubra com uma fina camada de fatias de batata. Regue com azeite e tempere com sal. Espalhe metade do alho-poró sobre batatas. Dobre as bordas da massa sobre o recheio, deixando o centro aberto. Repita com a segunda parte da massa, fazendo outra galette. Pincele as bordas com uma mistura de ovo ou água, ou com mostarda diluída em água [que é o que eu faço].

Leve as galettes ao forno pré-aquecido e asse até que a massa fique dourada, uns 30-40 minutos. Regue com mel e cubra com raminhos de endro. Polvilhe com pimenta rosa moída, se quiser.

calzoni di ceci
[pasteizinhos de grão-de-bico]

No Natal eu quis quis refazer algumas comidas que eu comia na casa dos meus pais. Era inevitavelmente um carneiro assado e uma panela de cabrito à caçadora. Falei com a minha mãe sobre isso e fui atrás de uma receita pro cabrito. Foi então que tive o choque da minha vida—o cabrito é o filhote da cabra, um baby goat! Era isso que comíamos no Natal, um bebê! Fiquei tão aparvalhada, não conseguia me conformar. Alguém me disse que alguns cabritos são malvadinhos e que tinha certeza de que eu tinha comido um deles e não um dos fofinhos. Na verdade eu mal comia o cabrito, eu gostava mesmo era do molho, com tomate e vinho, onde eu molhava o pão. As recordações dessas comidas ficarão, mas a realidade é que não posso mais com isso de comer esses bichos fofinhos. Acabei fazendo um prato com bacalhau, que nunca foi uma tradição na minha família. Mas para os doces não tinha nenhum animal envolvido. Nós sempre tínhamos as crispelas—flores feitas de massinha, fritas e cobertas com açúcar de confeiteiro e mel; e os pasteizinhos recheados de grão-de-bico, que eram os meus favoritos. Fui buscar receitas, tinha que ser uma tradicional da Basilicata, a região na Itália de onde veio toda a família da minha mãe. Procurei muito e achei essa aqui que se encaixou mais ou menos no que eu queria. Na receita da minha mãe não ia chocolate derretido, apenas chocolate em pó [usávamos aquele da caixinha dos Frades]. Como vi muitas, mas muitas receitas de todos os cantos da Itália, percebi que algumas usavam castanhas portuguesas outras grão-de-bico. Talvez a versão com o grão-de-bico fosse a mais barata.  É uma ideia genial e fica gostoso demais. Fiz mais de cem pasteizinhos, dei um pouco para as minhas vizinhas, outro pouco pro Gabriel, eu e o Uriel comemos a beça e eu pude matar as lombrigas que me atormentavam há dezenas de anos!

para a massa:
400 gr de farinha de trigo
1 xícara de azeite de oliva
1 xícara de vinho branco [*usei o anisete, licor de anis]
50 gr de açúcar
1 ovo caipira

para o recheio:
1 quilo de grão-de-bico.
500 gr de chocolate meio-amargo
50 gr de cacau em pó
1/2 xícara de anis ou vermute [*usei anis]
1 xícara de mel.
1 colher de chá de extrato de baunilha.

Coloque todos os ingredientes para a massa numa vasilha e misture bem até obter uma massa bem homogênea e macia. Pode usar a batedeira com a pá. Deixe a massa descansar por uma hora.

Cozinhe o grão-de-bico que foi deixado previamente de molho até ficarem macios. Ou use os de lata ou caixa, já cozidos. Coloque o grão-de-bico no processador de alimentos e pule até obter uma massa. Derreta o chocolate em banho-maria e adicione ao grão-de-bico, juntamente com o cacau em pó, o licor, o mel e a baunilha. Pulse para incorporar.

Abra a massa com um rolo, corte discos usando a borda de um copo e coloque em cada disco um pouquinho do recheio. Dobre a massa e feche selando as bordas com os dentes de um garfo. Frite os pasteizinhos em bastante óleo quente. Decore com açúcar de confeiteiro ou com gotas de mel. Guarde um um recipiente com tampa.

torta de ricota e polenta

Queria fazer uma sobremesa italiana de ricota para receber minhas amigas num almoço. Escolhi essa receita, mas acho que errei na quantidade de alguma coisa [talvez a farinha de amêndoa], porque essa torta ficou mais como um bolo, nada cremoso, bem mais seco. Não teve problema, nós comemos do mesmo jeito, acompanhado de caquis cortados em cubinhos e regados com suco de limão.

1/2 xícara de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1/2 xícara de mel
Raspas da casca de 3 limões orgânicos
1/2 colher de chá de extrato de baunilha
4 ovos caipiras, gemas e claras separadas
1 e 1/4 xícaras de farinha de amêndoa
1 xícara de farinha de polenta
1 xícara de ricota fresca
1/2 xícara de fatias de amêndoas

Pré-aqueça o forno a 325°F/163°C. Forre uma forma de fundo removível com com papel vegetal e reserve. Coloque a manteiga, metade do mel, as raspas de limão e baunilha na batedeira e bata até ficar cremoso. Adicione as gemas e continue a bater por um minuto a mais. Adicione a farinha de amêndoa, a polenta e a ricota e misture bem. Bata as claras em uma tigela separada. Adicione o restante mel e continue batendo até obter picos firmes. Misture as claras com cuidado na mistura de bolo usando uma espátula. Coloque a mistura na forma preparada e polvilhe as amêndoas por cima. Leve ao forno e asse por 40 a 50 minutos. O centro do bolo pode parecer um pouco mole, mas firmará depois de frio. Deixe esfriar completamente antes de retirar da forma.