galette de caqui

Todo ano eu exagero na catação de caqui. Este ano não foi exceção. Primeiro comprei alguns, depois ganhei uma bacia do meu chefe e no final fui colher duas sacolas na fazenda do azeite. Então tem tido caqui em tudo por aqui—na aveia do café da manhã, de sobremesa no almoço, na salada do jantar, sequei uma boa quantidade no desidratador e tenho feito algumas sobremesas com eles. Galettes são um coringa, fáceis de fazer e deliciosas, agradam à todos! Nessa galette aproveitei também pra usar amêndoas que tinha ganhado de uma amiga. O resultado ficou bem interessante. Usei a mesma massa de torta veganizada que faço sempre e improvisei no resto.

para a massa:
1 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de farinha de espelta [*pode ser integral]
2 colheres de sopa de açúcar
1/4 colher de chá de sal kosher
1/2 xícara de manteiga fria cortada em pequenos cubos [*usei a manteiga vegana da Earth Balance]
1/4 xícara de água gelada
2 colheres de chá de vinagre de maçã

Misture as farinhas, o açúcar e o sal em uma tigela grande. Adicione a manteiga e use um cortador de massa ou duas facas para cortar a manteiga na farinha, até que os pedaços de manteiga que você tem na mistura sejam do tamanho de ervilhas. Eu faço colocando usando o processador de alimentos, pois acho mais prático. Adicione a água gelada e o vinagre. A massa tem que ficar nem muito molhada nem muito farinhenta. Adicione mais água se precisar. Pra mim não precisou. Faça uma bola, pressione num círculo, embrulhe em filme plástico e leve à geladeira por pelo menos 1 hora.

para o recheio:
2 xícaras de amêndoas
1/4 xícara de açúcar
3 caquis
3 colheres de sopa de açúcar
1 laranja [raspas da casca]
1 dose de Grand Marnier [*ou outro licor]

Pra fazer o queijo de amêndoas, coloque as amêndoas de molho por 24 horas [pode ser menos tempo]. Remova a pele, coloque num liquidificador com o açúcar e bata até formar um creme. Adicione um pouco de água filtrada aos poucos, não deixe ficar muito liquido. Pode adicionar um pouco de suco de limão.

Descasque os caquis e corte em fatias. Misture 3 colheres de sopa de açúcar com raspas da casca de uma laranja e uma dose de Grand Marnier. Misture as fatias de caqui nessa mistura de açúcar. Abra a massa sobre uma folha de papel vegetal, espalhe o queijo de amêndoa no centro. Por cima coloque as fatias de caqui. Se tiver caldo do açúcar com o Grand Marnier, despeje por cima. Dobre a massa por cima do caqui, pincele com leite de amêndoa [ou outro leite vegetal] e salpique com açúcar cristal. Pré-aqueça o forno a 375°F/ 200°C. Leve a galette ao forno e asse por 40 a 50 minutos ou até que a crosta fique com um tom dourado. Remova do forno e deixe esfriar completamente antes de servir. Pode servir com uma bola de sorvete [vegano] ou o creme chantily de coco. Pra mim não precisou dessa parte, só a galette já ficou bem robusta e doce.

milho e trigo em grão cozidos no leite de coco

Fiz essa receita diferentona no final de agosto para um pequeno encontro com uma amiga. Ficou muito interessante e me surpreendeu. Todo mundo adorou. Resolvi refazer a receita na próxima semana para um potluck de final de ano no trabalho. Foi então que percebi que não tinha publicado e estou consertando essa falha. Para a festa da próxima semana vou usar arroz vermelho ao invés do trigo, porque temos uma colega com doença celíaca e todos estão tentando adaptar receitas para ela também poder comer.

2 espigas de milho
1 colher de sopa de azeite de oliva extra-virgem
1 pimenta jalapeño ou serrano cortada em fatias finas
1 pedaço de gengibre fresco descascado e cortado em palitos
2 dentes de alho cortados em fatias finas
1 cebolinha picada [*omiti porque não tinha]
1/4 de colher de chá de curcuma em pó
1/2 xícara de grãos de trigo cozidos
[*pode usar outro grão, como farro, arroz integral ou quinoa]
1/2 xícara de leite de coco
Sal Kosher
2 colheres de sopa de cebolas crocantes
[* dessas compradas prontas, como Lars Own, French’s ou Maesri]
Fatias de limão para servir

Remova os grãos de milho com uma faca e reserve.

Aqueça o óleo em uma frigideira grande em fogo médio. Adicione a pimenta, o gengibre, o alho e a cebolinha picada, vá mexendo até tudo ficar macio e perfumado, 1-2 minutos. Adicione a curcuma e cozinhe, mexendo por cerca de 30 segundos. Adicione o milho e aumente o fogo para médio-alto. Cozinhe, mexendo ocasionalmente, até o milho começar a dourar levemente, por cerca de 3 minutos. Adicione os grãos de trigo e cozinhe, mexendo sempre, até começar a ficar crocante nas bordas, cerca de 2 minutos. Adicione 1/2 xícara de leite de coco, tempere com sal a gosto. Deixe ferver e cozinhe por cerca de 3 minutos.

Transfira a mistura de milho para um prato. Regue com mais leite de coco se precisar, decore com ca ebola crocante e cebolinha picadinha. Eu decorei com folhas de manjericão. Sirva com fatias de limão ao lado para espremer na hora de comer. Na foto não aparece a cebola crocante, mas eu servi separado.

Tabule de erva-doce

Um amigo libanês tem compartilhado muitas receitas típicas comigo. No Thanksgiving preparei essa versão do tabule feito com erva-doce. Ele também é chamado tabule de lentilha e é preparado exclusivamente nas aldeias de Saidoun e Hidab Rimat e na Caza de Jezzine, sul do Líbano. Na receita original vai lentilha amarela, mas não coloquei porque tinha que deixar de molho. Mas só com a erva-doce já ficou delicioso. Usei o trigo bulgur bem fininho, por isso não deixei de molho. Mas se usar o trigo mais grosso, deixe uns minutos de molho e escorra bem antes de adicionar na salada.

1 bulbo de erva-doce com as folhas, tudo picado fininho
1 xícara de lentilha amarela, deixada de molho durante a noite [*omiti]
1/2 xícara de trigo bulgur fino
1 xícara de hortelã fresca picada
2 cebolinhas verdes picadas
Suco de 2 limões
1/4 de xícara de azeite extra-virgem
Sal e pimenta do reino moída na hora

Em uma tigela, adicione na seguinte ordem o bulgur, as lentilhas [se usar], a cebolinha e a pimento do reino. Adicione a hortelã fresca e a erva-doce. Prepare o molho em uma tigela separada: misture o suco de limão, o óleo e o sal. Adicione o molho à salada e misture bem. Servir.

barrinhas de cranberries [versão vegana]

Achei essa receita do The Kitchn perfeita para ser a sobremesa do jantar de Thanksgiving. Achei que iria ser fácil veganizá-la e a adaptação foi um sucesso. Adoramos o resultado e acho que mesmo se e tivesse ovos teria optado por essa versão, pois o sabor ficou muito leve e delicado.

para a crosta:
1 xícara de nozes
1 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de açúcar
1/2 colher de chá de canela em pó
1/2 colher de chá de sal
8 colheres de sopa de manteiga sem sal em temperatura ambiente cortada em pedacinhos [*usei a manteiga vegana]

para o creme de cranberries
6 xícaras de cranberries frescas ou congeladas [*usei frescas]
1 xícara de água
1/2 xícara de açúcar
2 colheres de sopa de suco de limão espremido na hora (de 1/2 limão)
1/4 colher de chá de sal
1/2 xícara de amido de milho
4 colheres de sopa de manteiga vegana sem sal
Açúcar de confeiteiro para polvilhar

Faça a crosta: forre uma assadeira de 9×13 polegadas [22×33 cm] com papel vegetal deixando ma aba em dois lados. Unte o papel com um pouco de óleo vegeta. Reserve.

Coloque as nozes nm processador de alimentos e pulse 15 vezes. Adicione a farinha, o açúcar, a canela e o sal e pulse até ficar bem moído, cerca de 10 pulsos. coloque a manteiga por cima da mistura de farinha e nozes e pulse por 25 vezes até formar uma massa úmida.

Transfira a massa para a assadeira e pressione bem com as mãos ou com o fundo de um copo medidor enfarinhado, deixando a massa o mais uniforme possível. Leve a forma com a massa à geladeira por pelo menos 30 minutos. Pre-aqueça o forno a 356°F/180°C.

Asse a massa até começar a dourar nas bordas, cerca de 20. Enquanto isso, prepare o creme de cranberry.

Coloque as cranberries e a água em uma panela média em fogo médio e deixe ferver em fogo médio-alto. Continue cozinhando, mexendo ocasionalmente, até que todos as cranberries se abram e fiquem moles, cerca de 5 minutos. Enquanto isso, coloque uma peneira de malha fina sobre uma tigela grande. Eu usei um food mill [passe-vite], pois achei mais fácil,

Despeje a mistura de cranberry na peneira e pressione o purê de cranberry usando uma espátula separando a polpa do purê. Meça 4 xícaras de liquido, se precisar acrescente um pouco de água. Separe um pouco do purê e dissolva nele o amido de milho. Numa panela coloque o purê de cranberries, o suco de limão, o açúcar, o sal e leve ao fogo baixo. Adicione a mistura de amido dissolvido no purê e cozinhe mexendo bem com um batedor de arame até engrossar. Desligue o fogo, adicione a manteiga e mexa bem até derreter tudo.

Despeje o creme de cranberries sobre a massa e espalhe em uma camada uniforme.

Leve de volta ao forno e asse por 10 a 15 minutos. Remova do forno, deixe esfriar completamente e leve à geladeira até gelar, pelo menos 2 horas e até 1 dia.

Remova a massa com o creme da forma puxando pelas abas do papel, coloque numa superfície plana e corte em barrinhas com uma faca. Polvilhe com açúcar de confeiteiro e decore com raspas da casca de limão.

Bolo alemão de maçã—Apfelkuchen [versão vegana]

Só vou dizer que comprei muitas maças neste outono e ainda ganhei mais um monte de um amigo com macieira ultra produtiva no quintal. Temos comido as maças puras mesmo, de sobremesa, mas deu vontade de comer um bolo. Achei essa receita e gostamos muito. como faz um bolo pequeno, não vou ter que fazer “doações”. Minha versão não ficou tão bonita como a original, ainda tenho que melhorar muito nesse quesito de fotogenidade das receitas que faço.

para o bolo:
2 maçãs de tamanho médio, descascadas, sem caroço e cortadas longitudinalmente em fatias [*fiquei com preguiça de descascar, foi com casca mesmo]
1/2 xícara de óleo vegetal
1/2 xícara de açúcar
2 colheres de sopa de farinha de linhaça + 4 colheres de sopa de água, misturadas [*ao invés da farinha, triturei as sementes de linhaça inteiras num moedor]
1/4 xícara de leite de amêndoa
1/2 colher de chá de extrato de amêndoa
1 1/4 xícaras de farinha de espelta [*se não tiver espelta, usa a integral]
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de gengibre em pó

para a cobertura
2 colheres de sopa de açúcar [usei o de coco]
1/2 colher de chá de canela em pó

Pré-aqueça o forno a 375F/200C. Unte levemente com óleo uma forma redonda de 20 cm e forre com papel vegetal. Reserve. Misture a farinha de linhaça e a água e deixe descansar por 5 minutos.

Em uma tigela grande misture o óleo vegetal, o açúcar, o leite de amêndoa, o extrato de amêndoa e a mistura de linhaça. Em uma tigela pequena peneire a farinha, o fermento e o gengibre em pó. Adicione os ingredientes secos aos ingredientes úmidos e misture com uma espátula apenas até combinar.

Espalhe a massa uniformemente na forma preparada e organize as fatias de maçã por cima. As minhas não ficaram muito bonitas, prometo ser mais artística quando refizer essa receita. Misture o açúcar e a canela em uma tigela pequena e polvilhe sobre o bolo, cobrindo toda a superfície.

Asse o bolo no forno pré-aquecido por aproximadamente 45-50 minutos ou até que o centro esteja cozido. Deixe o bolo repousar por 10 minutos antes de desenformar. Deixe esfriar completamente antes de servir.

celebrando!

Toda vez que me perguntam como vai o meu blog, a resposta é sempre: vai indo. Essa resposta pode a principio parecer uma afirmação desanimada, mas pensando bem, o fato de que este blog ainda está indo depois de quatorze anos bem vividos é realmente uma façanha!

Quatorze anos em anos de blog deve equivaler à uns 89 em vida humana, então estamos indo muito bem, na verdade estamos indo excelentemente bem. Poucos posts, menos conversa jogada fora, menos encheção de linguiça e papo furado e mais auto-cuidado e introspecção. Com o tempo minha maneira de ver o mundo mudou, minha rotina também.

Acho que devo cozinhar hoje muito mais do que já cozinhei antes, mesmo durante os áureos tempos de publicar coisas aqui diariamente. Os arquivos são super úteis e volto sempre em receitas boas, que faço, refaço, modifico. Com minha mudança de estilo de vida, removendo os produtos animais, a dinâmica de todo o resto também teve que se ajustar. Não me interesso mais por qualquer livro, não sigo mais tanta gente, nem leio tanta revista, não visito tantos websites. Estou sempre buscando por coisas novas, mas a direção do meu olhar mudou, as paisagens mudaram.

Hoje quero deixar algo escrito aqui, só para lembrar que nesta casa se cozinha muito, que só não escrevo mais tanto [a a tecla U do meu laptop está emperrada!], mas quem quiser chegar e entrar para tomar um chá e bater um papinho, por favor fique à vontade!

berinjela japonesa com missô e limão

No auge da temporada das berinjelas, pude experimentar com receitas diferentes. Cruzei com uma ideia de temperar as berinjelas japonesas com missô, fiz a receita e depois não conseguia encontrá-la para refazer. Nhé. Fiz então da minha própria cabeça, de como lembrava, vagamente. Deve dar pra fazer com berinjela comum, mas a receita original usa as berinjelas japonesas, compridas e finas.

Corte as berinjelas ao meio e depois em partes de uns 6 cms cada. Numa vasilha misture missô branco [tenho usado o de grão de bico], suco de limão tahiti, shoyo ou coconut aminos, óleo de amendoim ou de gergelim, um pouco de mirim ou vinagre de arroz. Tempera as berinjelas com esse molho. Deixa marinar por umas horas ou de um dia para o outro na geladeira. Depois é só grelhar ou assar. Eu faço grelhada na churrasqueira, mas pode grelhar na frigideira ou assar no forno. Na hora de servir salpica ervinhas frescas a gosto e eu gosto sempre de jogar umas sementes, essas de girassol germinadas e tostadas. Sirva frio ou quente. Eu servi quente e com arroz japonês. Voalá!