ainda era inverno
[nos pomares de amêndoas]

pomar de amendoas
pomar de amendoas pomar de amendoas
pomar de amendoas
pomar de amendoas pomar de amendoas

Saímos para dar um rolê pelas fazendas de amêndoas da minha região, porque eu achava que à esta altura as árvores já estariam floridas. Durante o inverno todos os pomares de amêndoas, nozes, castanhas e pistaches ficam com essa cara de desolação acinzentada. Mas quando as árvores começam a florir, é um espetáculo. Infelizmente fizemos esse passeio com uma semana de antecedência e foi só isso que encontramos—corredores e mais corredores quase infinitos de galhos cinzas. Bem diferente dos mesmos pomares no final do verão, próximo da colheita, quando as árvores ficam abarrotadas de frutos.

Levei minha câmera, mas quando vi que não havia nenhuma florzinha no horizonte, desanimei e fiz esses cliques com o celular mesmo. Tenho que admitir que ando usando pouquíssimo a câmera, encantada que estou com as inúmeras possibilidades de interatividade que o celular me proporciona. Virei uma iPhone Photo Junkie e nem vou mentir.

bolinho de limão & tomilho

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Estes deliciosos bolinhos foi a primeira receita da Pioneer Woman que eu coloquei em prática, apesar de ter várias dela enfileiradas naquela lista infinita de receitas por fazer. Gosto das receitas da Ree Drummond, porque ela explica tudo nos micro-detalhes com fotografias. Muito difícil errar, a não ser que você desvie muito e não siga o passo-a-passo. Adorei a idéia de misturar limão com uma erva tão simpática como o tomilho e ainda a adição do azeite. Neste caso eu recomendo fortemente que se faça o glacê. Eu dei uma desequilibrada na receita, usando mais suco de limão do que açúcar. O glacê faz a diferença, acrescentando um toque citrico muito delicioso aos bolinhos. E ainda tem o plus que tudo é feito no liquidificador, hooray! Levei alguns para meus colegas no trabalho e eles desapareceram da bancada rapidamente. Ganhei de presente um elogio do meu chefe, que disse enquanto dava uma mordida animada num dos bolinhos—eu aprovei!

olive oil cakes with lemon and thyme
1 colher de sopa de manteiga derretida
1 1/3 xícara de açúcar
2 colheres de sopa de raspinhas da casca de um limão
2 ovos
1/4 xícara de azeite
2/3 xícara de leite
1 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal
1 colher de sopa de tomilho fresco picadinho
para o glacê
1 xícara de açúcar de confeiteiro
2 colheres de sopa de manteiga derretida
4 ou mais colheres de sopa de suco de limão

Pré-aqueça o forno em 350ºF/ 176ºC. Unte formas para muffin com a manteiga derretida e polvilhe com um pouco de farinha de trigo. Coloque o açúcar e as raspas da casca do limão no copo do liquidificador e pulse até misturar. Adicione os ovos, um de cada vez, continue pulsando e adicione o azeite e o leite. Pulse por apenas uns 30 segundos.

Numa outra vasilha coloque a farinha, o fermento, o sal e o tomilho e misture bem com um batedor de arame. Adicione essa mistura e farinha no copo do liquidificador em duas porções, vá pulsando até a mistura ficar bem misturada na massa. Coloque a mistura nas forminhas untadas e enfarinhadas e leve ao forno por uns 25 minutos.

Faça o glacê, misturando os três ingredientes com um batedor de arame. Remova os bolinhos da forma, espere esfriar uns minutos e mergulhe a parte superior de cada um no glacê, depois decore com folhinhas de tomilho.

gelatina cremosa de cereja

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A cremosidade dessa gelatina era o objetivo final para essa receita, mas vacilei um pouco na adição do leite e ela ficou menos cremosa do que eu gostaria. Vou refazer usando outra fruta e vou ousar mais no creme, aumentando um pouco a quantidade de leite. Essa delicia refrescante foi feita com o agar-agar, a gelatina japonesa de algas marinhas. Usei uma forma bundt pequena para moldar. O legal do agar-agar, além de ser uma opção vegana, é que ela solidifica muito rápido e tem uma textura muito mais compacta do que a gelatina comum. Para fazer essa receita, usei um suco puríssimo de cerejas negras. Eu leio sempre os rótulos dos produtos que compro e deixo de comprar se tiver muita coisarada na lista de ingredientes. Esse suco era apenas suco de cereja, sem preservante, conservante, corante e todos aqueles eteceterás ininteligíveis. Use o suco do sabor que você quiser.

Numa panela ferva 2 xícaras do suco de fruta com dois envelopinhos de 4gr cada de agar-agar. Quando ferver, remova a panela do fogo e adicione mais 2 xícaras de suco. Como eu queria uma gelatina cremosa, usei na segunda fase 1 2/3 xícara de suco e 1/3 de xícara de leite integral. Mas da próxima vez vou aumentar a quantidade do leite pra 1/2 xícara e diminuir o suco para 1 1/2 xícara. Adoce a gosto. Eu usei o nectar do agave. Coloque numa forma molhada e leve à geladeira. Quando solidificar desenforme e sirva.

torta de verdura

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Fiquei sem geladeira por três dias. A dita cuja parou de funcionar provavelmente na quinta à noite, mas eu só fui perceber que algo estava errado na sexta pela manhã, quando vi o chão da cozinha todo alagado. Mas como só pude pensar no assunto quando cheguei do trabalho no final do dia, perdi algumas coisas que estavam no freezer. O que salvou a patria foi a geladeira velhusca e feia que tenho dentro da garagem. Ela alojou a maioria das comidas, até a visita do técnico, que só aconteceu na segunda-feira. Com esse bafafá todo, tive que usar algumas coisas na correria. As frutas descongeladas que não foram pro lixo, viraram geléia. E as folhas verdes, que eu não quis passar pra geladeira da garagem, acabaram virando uma torta deliciosa. A receita original, publicada na edição de fevereiro de 2009 da revista Everyday Food pedia swiss chard, mas eu usei três tipos diferentes de folhas e metade de um repolho, fatiado fininho. Essa torta me lembrou uma torta de escarola que minha mãe costumava fazer. Com certeza dá pra fazer usando qualquer outra verdura, como escarola, chicória, mostarda ou acelga. A massa é simplesmente o fino da bossa—fácil de fazer e de abrir. Já refiz essa mesma massa, para uma torta de frango. E vou fazer ainda mais uma vez, usando um recheio de palmito. Uma receita & mil e uma variações.

recheio de verdura
2 colheres de sopa de azeite
1 cebola media picada
4 dentes de alho picados
1 quilo de folhas verdes [*swiss chard na receita original, mas eu usei uma mistura de três tipos diferentes de folhas verdes, mais metade de um repolho pequeno]
3/4 colher de chá de flocos de pimenta vermelha
Sal a gosto
1/2 xícara de queijo parmesão ralado
3 colheres de sopa de farinha de trigo
raspas da casca de 1 limão grande
1 colher de sopa de suco de limão

Numa panela, adicione o azeite e refogue ali a cebola e o alho ate ficarem macios. Adicione as folhas verdes picadas, caules também e a pimenta vermelha e o sal. Refogue por uns 4 minutos, com o fogo baixo e a panela tampada. Destampe e cozinhe por mais uns minutos, mexendo de vez em qdo. Se formar água, escorra. Adicione o queijo, a farinha, as raspas e suco de limão. Acerte o sal e coloque o recheio na forma forrada com a massa.

massa de azeite
Numa vasilha coloque 2 1/2 xícaras de farinha de trigo, 1/3 xícara de azeite extra virgem, 1/2 xícara de água gelada, 3/4 colher de chá de sal marinho grosso. Misture bem com um garfo, depois amasse com as mãos e sove por um minuto. Faça uma bola, cubra com plástico ou pano de prato e deixe descansar por meia hora em temperatura ambiente.
Para abrir, divida a massa em 2/3 e 1/3. Abra a parte maior e forre uma forma de fundo removível de 20 cm. Coloque o recheio, cubra com a outra parte menor da massa, pincele com uma mistura de ovo e água, faça quatro cortes na massa para sair o vapor e leve ao forno pré-aquecido em 400ºF/ 205ºC por 1 1/2 hora.

A torta já montada pode ser congelada crua, dentro da forma e embrulhada em plástico e papel alumínio. Coloque ela desembrulhada no freezer por 30 minutos. Embrulhe e guarde por até 2 meses. Quando for assar, pode fazer com ela ainda congelada.

365

Só porque eu quase não tenho o que fazer, né? Três blogs, uma casa, um marido, dois gatos, um emprego período integral. Mas eu já tava de olho em algumas pessoas que praticavam o projeto chamado 365—isto é, publicar uma foto por dia, nos 365 dias do ano. Estava praticamente fazendo isso diáriamente no meu Twitter, usando o Twitpic, um dos inúmeros álbuns disponíveis por lá. Mas o problema desse espaço é que fica tudo engolido na falação e se você não acessa o Twitter, não acompanha nada e fica meio sem um caminho de acesso.
Daí que então, inspirada e incentivada pela Mariana Newlands, que é uma das pessoas mais criativas e talentosas que eu conheço e que tem um 365 dias lindo, resolvi fazer o meu. E combinei de iniciar os meus dias em fotos, junto com outra talentosa querida que também decidiu fazer o dela—a Dadivosa e os seus (quase) 365 dias.
Estou adorando esse meu novo projeto, publicando uma foto de celular por dia, nos meus 365.

as flores, as cores

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Apesar de ainda estarmos no inverno, a floração de muitas árvores já começou por aqui. É um espetáculo de cair o queixo, um deleite para os olhos. Eu não consigo passar batido sem fazer alguns cliques, mesmo sabendo que eles ficam basicamente iguais. Entrando no Co-op para fazer minhas comprinhas semanais, vi esse arbusto todo enfeitado com essas flores de cor tão impressionante. Com o celular mesmo, fiz uns cliques.

from Toscana?

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E não é que parece? Como se eu tivesse ido até a Toscana, comprado esse lindo pratão [ele tem uns 60 cm de diametro] e me rebolado para trazê-lo na bagagem de mão, orgulhosa da aquisição fabulosa. Pois a verdade, mes amis, é que dirigi alguns blocos até a thrift store do SPCA daqui de Davis, estacionei na frente, entrei e vi esse pratão dando sopa no meio da bagunça geral, contínua e patente naquela loja, agarrei rapidinho, paguei algumas patacas por ele no caixa pilotado por um mocinho ouvindo David Bowie na boombox de K7 e saí da loja com um sorriso retangular do gato da Alice colado na cara. Nem precisei ir até a Toscana, mas posso até fingir que fui.

pasta de chocolate & avelã
[ou nutella pra cabra macho]

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Quando vi esta receita no David Lebovitz dei até um pulinho na cadeira, de tanta animação. Eu tinha todos os ingredientes para fazer essa receita super fácil e deveras intrigante. Seria uma nutella rústica? Precisei provar para tirar minhas conclusões. Pensei na utilidade de publicar a receita aqui, sendo que as cocoa nibs e o óleo de avelãs não são ingredientes ordinários que podem ser encontrados em qualquer mercearia da esquina. Optei por publicar, para assim também poder registrar as minhas impressões. Como explicado pelo Lebovitz na receita original, a pasta realmente endurece depois de um tempo e para reusar precisa dar uma esquentadinha, no microondas ou num banho maria. Nós achamos o resultado EXTREMAMENTE FORTE. Com tudo isso concluí e reafirmo—essa pasta é realmente uma nutella bem rústica, chocolatudíssima, coisa mesmo pra cabra macho. Mas como existem os fracos, existem também os fortes. Enquanto que eu e o Uriel comemos a pasta com aquela relutância natural de gente acostumada a passar apenas mel e manteiga no pão; os amigos pra quem ofereci a nutella caseira, numa tentativa de desovar as sobras, não só adoraram, como devoraram nacos inteiros solidificados, como se fossem pedaços de chocolate comum. Ganharam todo o meu respeito!

chocolate-hazelnut spread
faz 2/3 xícara [150 gr]
1 xícara [120 gr] de cocoa nibs torradas
[* usei as da marca Scharffen]
2 colheres de sopa de açúcar tipo demerara
[mais 1 1/2 colheres de chá extra para finalizar]
2 to 3 colheres de chá de óleo puro de avelãs
Sal marinho grosso ou em flocos

Toste as cocoa nibs numa frigideira, por uns 3 minutos, até elas ficarem bem aromáticas. Coloque as nibs no processador e junte as 2 colheres de sopa de açúcar, o óleo de avelãs e uma pitada de sal. Moa tudo muito bem, parando uma vez ou outra para raspar as bordas com uma espátula para que a mistura fique homogênea. A pasta deverá ficar bem brilhante, mas ainda um pouquinho crocante. Remova a pasta do processador e adicione a mão o restante 1 1/2 colheres de chá de açúcar. Sirva sobre fatias de pão e salpique um pouquinho de sal marinho por cima, se quiser.