bolo turco de figos

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Fiz esse bolo publicado pela querida Ameixinha, não somente porque ainda não tinha feito nenhuma gostosura com os figos frescos que estavam abundantes; mas também porque fiquei absolutamente comovida quando li a história dos meus gatos contada tão poeticamente por ela, nos antecedentes da receita. [♥] Usei o dobro de figos que a receita original pedia. O meu bolo ficou mais com cara e textura de pudim, mas incrivelmente saboroso.

4 ovos, clara e gemas separadas
1/2 xícara de açúcar
3 colheres de sopa de farinha de trigo peneirada
1 e 1/2 xícara de iogurte grego natural
raspa da casca e suco de 1 limão
1 1/2 colher de chá de água de flor de laranjeira
8 figos frescos cortados ao meio

Pré-aqueça o forno em 355ºF/ 180ºC. Numa tigela bata as gemas com o açúcar até ficar cremoso e leve. Adicione a farinha e misture. Junte o iogurte, as raspas e o suco de limão mexendo até combinar. Adicione a água de flor de laranjeira. Bata as claras em neve e envolva gentilmente à massa, usando uma espátula. Unte uma forma de 20 cm de diâmetro com manteiga. Coloque a massa na forma e as fatias de figo por cima. Leve ao forno por 50 minutos ou até o topo ficar dourado. Deixe esfriar bem e sirva.

figos assados
[com mel e alecrim]

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Neste ano ainda não consegui fazer absolutamente nenhuma receita especial com os figos frescos da estação, embora esteja comendo dezenas deles, apenas abocanhando um por um, com casca e tudo. Outro dia comprei os figos mais impressionantes de uma fazendeira no Farmers Market de Woodland. Ela é engraçada, veste macacão de jeans listrado, bandana amarrada no pescoço, tem um sotaque de mulher da roça, mas demostra um bom gosto de cosmopolita sofisticada nos produtos que vende. Já me empenhei em firmar uma amizade com ela, fazendo elogios e mil perguntas, anotando o nome das coisas diferentes e interessante que ela traz da fazenda. Tenho uma obsessão pelos heirloom, ela me disse outro dia, apontando um vidro cheio até a borda com grãos de bico negros e uma cesta cheia de favas rajadas. Foi dela que comprei dois grapefruits gigantes e rosados que pareciam adoçados com mel. E outro dia enchi um saquinho de peras minúsculas, sem falar nos figos deliciosos, que ela sempre tem dos roxos e verdes. Escolhendo os mais lindos pra levar pra casa, levantei um enorme, tão maduro que estava rachado parecendo uma flor, e comentei:

—meu deuso, que figo mais lindo!
—ninguém compra figo assim, pensando que está estragado.
—azar o deles, perdem de provar o melhor!
—se você não fosse comprar esse figo, eu comeria ele eu mesma!
—hahaha! desculpa, mas esse é meu!

Levei um saco cheio dos figos explodindo de maduros, que servi para os meus amigos Bia e LC, num jantar de despedida que fiz para eles. Para consumir um figo desses, less is more, e iria ser exagero emperequetar uma fruta que já estava simplesmente perfeita. Resolvi fazer um sorvete de mel de castanhas para servir com os figos al natural. Misturei 1 xícara de creme de leite fresco, 1 xícara de leite integral [ambos orgânicos da Straus Creamery] e 1/2 xícara de mel espanhol de castanha portuguesa, que é um mel de sabor bem forte. Juntei uma colher de sopa de vodka, coloquei tudo na sorveteira e depois no congelador até a hora de servir. Ficou um sorvete bem cremoso, com um sabor bem forte de mel e fez uma combinação incrível com os figos frescos.

Mas a história dos figos não termina aqui, porque é nessa época que eu sou tomada por uma onda de loucura—the fig season insanity. Passo a curta temporada dessa fruta comprando, pegando e comendo o máximo que puder. Passo por todas as bancas do Farmers Market vendendo figos e compro duas ou três cestinhas e ainda vou numa árvore de ninguém, dentro de um dos campos experimentais da UC Davis, e volto carregada. Os figos que eu mesma colhi, comi metade e fiz a outra metade assada, para acompanhar um clássico sorvete de baunilha. Esses figos verdes são da variedade calimyrna, bons pra fazer figo seco, mas também muito gostosos frescos. Juntei um punhado deles cortados ao meio e ajeitei num refratário. Reguei com um fiozinho de mel e salpiquei com folhinhas tenras de alecrim. Assei em 365ºF/ 185ºC por uns 30 minutos e servi com bolas de sorvete de baunilha.

colhemos uns figos

 

capay organic farm
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Estamos rodeados de fazendas e agora estou mais próxima de uma das maiores fazendas orgânicas da região—Capay Organic Farm. Já sabia que eles abrem para o público e escolas, que pode-se fazer tours e visitar. Desta vez eles abriram para a colheita, na parte onde ficam as figueiras para que o público pudesse colher as frutas. “Queremos que as pessoas conheçam e se acostumem com eles”—me disse uma das fazendeiras. Eu respondi que os figos já são meus velhos conhecidos e que eu espero o ano inteiro pela oportunidade de comer os figos californianos frescos. Acredito que a Califórnia seja o único estado do país que produz figos comercialmente. Quando chegamos, estacionamos ao lado das árvores de pistache, que estavam carregadíssimas. Mas eles ainda não estavam prontos para consumo. A colheita do pistache acontece somente pro final de setembro e começo de outubro, quando as casquinhas externas racham avisando que já é hora.

Ficamos pouco tempo na fazenda, porque não tínhamos almoçado e eu tinha nadado, estava bem faminta. E eles nao ofereciam nada, além de legumes e frutas numa feirinha e bebidas geladas. E estava calor, o Uriel esqueceu de levar chapéu e todas as sombras estavam ocupadas por famílias fazendo picnic enquando uma bandinha tocava um animado bluegrass. Fomos colher os figos, que estavam maduríssimos. Eles tinham muitas árvores do maravilhoso candy stripes figs, que infelizmente ainda não estavam no ponto. Saímos da Capay com as botas sujas de lama e paramos para um hamburguer tradicional com batatas fritas na cidade vizinha de Esparto e depois engatamos em toda velocidade em direção à cidade de Napa, onde passamos o resto da tarde.

[houve uma vez um verão]

Eu tenho uma certa tendência para o exagero. E com relação às frutas que adoro, não apenas o exagero, mas também a cobiça e a ganância. Quando vejo a abundância de certas frutas, simplesmente me descontrolo. E foi exatamente isso o que aconteceu no final do verão do ano passado, quando comprei todo o figo que pude carregar, mas que obviamente não consegui comer. Lembro de um dia em que comprei houve-verao-figo_3Sfigos em três bancas diferentes no Farmers Market. Numa delas, vendo figos e mais figos empilhados na minha cestinha, a mocinha vendedora comentou desoladamente—ah, você já comprou figos? E eu heróicamente resolvi levar mais duas cestinhas dela, pra não fazer desfeita, nem causar constrangimentos, usando uma justificação perfeita—vou fazer geléia. E foi o que fiz, não só porque queria mesmo fazer uma geléia, mas porque precisei fazer a tal geléia para não desperdiçar tanta fruta deliciosa. Não lembro exatamente se cozinhei os figos com limão ou com baunilha, só sei que rendeu bastante e um pote da geléia de figo ainda estava na geladeira enquanto eu arrumava as malas para viajar para o Brasil em outubro. Como nunca nessa vida eu iria correr o risco de deixar uma geléia caseira feita com figos frescos e orgânicos acabasse criando mofo dentro da geladeira, passei rapidamente o pote para o freezer. Viajei e esqueci.

Outro dia, dando uma geral no meu freezer—porque você sabe que mesmo congelados tem prazo de validade, né—descongelei a geléia e decidi fazer um sorvete com ela. Também porque ando achando que esses sorvetes feitos com geléia funcionam muitíssimo bem e ficam super cremosos. Foi assim que terminei com um pote de sorvete de figos, uma doce reminiscência do último verão.

1 xícara de geléia caseira de figos
2 xícaras de half and half
[ou use 1 xícara de leite integral e 1 xícara de creme de leite fresco]
1 splash de brandy
Bater tudo no liquidificador e colocar na sorveteira. Depois de pronto, guardar no congelador, num pote de vidro até a hora de consumir.

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bolo de figo e limão

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Nesta época do ano fico sempre soterrada por limões—porque é o pico da estação e porque tenho uma ganância sem limites e vou pegando todas as frutas que vejo pela frente. Tenho na minha cozinha cestas cheias com sicilianos [ou eureka] da árvore no meu quintal que está apinhada; também com os cravos da árvore de ninguém; e com os meyer desovados pelo homem do garfo no nosso escritório. Desses últimos, peguei tantos, tantos, mas tantos que me deu até vergonha. Pra compensar o vexame de carregar praticamente metade dos limões deixados para dividir entre oito pessoas, fiz essa torta e levei para adoçar o dia dos meus colegas. Pensei que tinha exagerado um pouquinho nas raspinhas de limão, que coloquei um tanto extra, mas o resultado ficou ultra saboroso. Essa é também mais uma maneira deliciosa de usar azeite numa receita doce e ela saiu da revista Everyday Food.

1/2 xícara de azeite de oliva
1/2 xícara de leite integral
1 ovo caipira grande
1 e 1/2 xícara de farinha de trigo
3/4 xícara de açúcar
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de sal
300 gr [mais ou menos 1 e 1/2 xícara] de figo seco
[corte os figos em pedacinhos, remova os cabinhos]
1 e 1/2 colher de chá de raspas da casca de um limão

Pré-aqueça o forno em 350ºF/ 176ºC. Unte uma forma com fundo removível de 22 cm com azeite. Numa vasilha média misture batendo com um batedor de arame o azeite, leite e ovo. Reserve. Numa outra vasilha grande, misture a farinha, o açúcar, o fermento e o sal. Adicione a mistura liquida à mistura seca e mexa bem com uma espátula, até ficar uma massa lisa. Junte delicadamente as raspas de limão e os cubinhos de figo seco. Coloque a massa na forma untada, leve ao forno e asse por uns 35 ou 40 minutos, ou até a torta estar firme e dourada. Remova do forno, deixe esfriar uns minutos, desenforme e deixe esfriar numa grade. Os figos podem ser substituídos por passas, cerejas, cranberries ou ameixas secas.

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frozen yogurt de figo

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Quando comprei as três primeiras cestinhas de figos na primeira banquinha no Farmers Market em que parei, a vendedora foi rapidamente me avisando—esses são os últimos da temporada, viu? Foi o que bastou pra me colocar um frenesi quase histérico. Fui passando pelas banquinhas e abocanhando todas as frutinhas que pudesse carregar. Foi assim que acabei com uma quantidade absurda de figos na minha geladeira. Tenho comido muitos deles frescos, levo pra comer no trabalho. Também assei alguns, morninhos pra acompanhar sorvete, ou enrolados em fatias finas de prosciutto e salpicados de sementes de erva doce. Mas neste dia usei um montão pra fazer um frogurt. Ficou absolutamente delicioso! Essa receita é pra minha amiguinha Sueli [♥].

300gr de figos frescos maduros
1 xícara de iogurte natural integral
1/2 xícara de creme de leite fresco
Acúcar demerara baunilhado a gosto*
[se não tiver, use outro açúcar ou mesmo mel]
1 colher de chá de vodka

Bata tudo no liquidificador. A vodka por último. Coloque na sorveteira, depois de 20 minutos, guarde no congelador. Voalá!
*faço meu açúcar baunilhado [e de outros sabores] em casa, colocando favas usadas e secas no pote de açúcar.

torta de figo
[com creme inglês]

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Começou a segunda rodada dos figos, pra matar todas as minhas vontades, porque a primeira durou uma semana e não deu pra nada. Exagerei na compra das frutas, nem preciso dizer. Me empanturrei de figos frescos e comecei a procurar algo diferente pra fazer com os outros, porque um figo estragado é uma punhalada no meu coração. Eu ando completamente sem idéias, meio paradona [alguém percebeu algo?], fazendo sempre as mesmas receitas repetecos e pra chegar nessa torta de figos folheei muitos livros. Resolvi montar a torta com uma massa diferente que tirei do livro da Rose Bakery— Breakfast Lunch Tea. Ela é bem fácil de fazer e de abrir e segundo a autora, é uma massa doce diferente, pois gosta de ser sovada! No mesmo livro tirei o creme inglês, que achei que faria uma deliciosa caminha para os figos. E fez mesmo! E os figos eram orgânicos, só isso.
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massa doce para torta
faz duas tortas de 28 cm
500 gr [3 1/2 xícaras] de farinha de trigo
120 gr [2/3 xícara] de açúcar
320 gr [1 1/2 xícaras] de manteiga sem sal 10 minutos fora da geladeira
1 pitada de sal
1 ovo inteiro
2 gemas de ovos
1 colher de chá de extrato de baunilha

Pode usar um processador ou fazer na mão. Eu fiz na mão. Coloque a farinha, o açúcar, o sal e a manteiga e misture bem usando os dedos para incorporar a manteiga a farinha. No processador apenas pulse todos os ingredientes até formar uma farofa grossa e coloque a massa numa vasillha. Se fizer a mão apenas faça um buraco no meio da massa e coloque o ovo, as gemas e o extrato de baunilha no meio. Misture com um garfo e depois trabalhe com as mãos até a massa formar uma bola. Numa superfície enfarinhada trabalhe a massa, sovando por uns minutos.

Corte a massa ao meio, se estiver calor coloque na geladeira por uns minutos, senão abra cada parte numa superfície enfarinhada com o rolo. Coloque a massa na forma. Abra a segunda massa, que poderá ser congelada na forma. Deixe a massa gelar por 30 minutos antes de levar ao forno pré-aquecido em 350ºF/ 180ºC por uns 20 minutos, até ela ficar levemente dourada. Remova do forno, deixe esfriar e coloque o recheio.

crème anglaise—creme inglês
250 gr [1 xícara] de creme de leite fresco
1/2 fava de baunilha cortada no comprimento e as sementes raspadas
4 gemas de ovos
50 gr [1/4 xícara] de acúcar

Coloque o creme e a baunilha—fava e raspas, numa panela e leve ao fogo até quase ferver. Remova do fogo. Numa vasilha bata as gemas com o açúcar. Junte um pouco do creme quente na mistura de ovo e bata bem. Jogue a mistura de ovo no resto do creme e volte ao fogo baixo mexendo sempre com uma colher de pau ou batedor de arame até o creme engrossar levemente. Mais ou menos uns 5 minutos. Remova do fogo, deixe esfriar e recheie a torta.

Cubra o creme com fatias de figo fresco, leve ao forno pré-aquecido em 365ºF/ 185ºC até a massa ficar bem dourada, o creme firme e a fruta cozida.

figo assado com pastis e mel

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A visão dos primeiros figos da estação no Farmers Market me fez perder o prumo. Não tenho pudores com relação à essa fruta e compro sempre mais do que consigo carregar ou comer. É vergonhoso! Comprei um montão de figos super roxos e super maduros, fiquei ocupada e distraída com um almoço para umas visitantes e no dia seguinte eles estavam no limite—ou cozinhava ou perdia. Procurei receitas de torta de figo, bolo de figo, sorvete de figo, entrei em parafuso, Descartei qualquer coisa que precisasse de muito tempo no forno por causa do bafão. Quando abri o The Perfect Scoop do David Lebovitz e procurei no index por figo, ficou tudo resolvido e decidido. A palavra Pernod, somada à palavra figo formou a frase perfeita. Fiz os figos assados numa piscada. Usei Pastis no lugar do Pernod. Fiz no forno, mas poderia ter feito na churrasqueira embrulhando as frutas em papel alumínio.

Figos maduros lavados e cortados ao meio
Pernod, Pastis ou qualquer outra bebida à base de anis
Mel

Coloque os figos num refratário, regue com a bebida e com um fio de mel. Cubra com papel alumínio e leve ao forno pré-aquecido em 375ºF/ 190ºC por 20 minutos. Remova e sirva, morno acompanhado de sorvete ou bolo. Guarde numa vasilha de vidro com tampa e coloque na geladeira. Sirva frio com um pingo de creme de leite fresco, que foi o que nós fizemos.

tapenade com figo e citros

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A Anna Thomas comenta antes de dar a receita desse tapenade no seu livro Love Soup, que ele é uma ótima entrada para ser servido acompanhado de um vinho branco gelado numa noite de verão. Mas pra mim não rola esperar por uma noite de verão, né? Ainda mais que no inicio do outono caí de boca nos figos secos vendidos na banca do Farmers Market de um senhorzinho, que sempre tem poucas quantidades de produtos excelentes. Esses figos secos naturalmente no sol, são o fino na bossa. Feios, porem os mais gostosos, sem falar que não tem nenhuma química. O resto dos ingredientes da receita, nem preciso comentar: azeitonas, limão, laranja, temperinhos. Adorei o resultado desse tapenade, que fica mais adocicado que o feito só com azeitonas. Servi com torradinhas de pão francês e foi duro—duro não, foi mesmo quase impossível, parar de comer.

90 gr de figo seco
1 xícara [180 gr] de azeitonas pretas kalamata
1 colher de sopa de alcaparras escorridas
1 colher de chá de alho picadinho
1 colher e chá de alecrim fresco ou seco picadinho
1 colher de chá de tomilho fresco ou seco picadinho
1/4 xícara [60 ml] de azeite de oliva [do frutado se tiver]
2 colheres de chá de suco de limão
1 colher de chá de raspinhas da casca de laranja
Pimenta do reino moída na hora
Sal marinho, se necessário [*não usei]

Coloque os figos numa panela com 1 xícara de água e cozinhe tampado em fogo baixo até as frutas ficarem molinhas. Coe os figos e guarde liquido. No processador combine todos os ingredientes e pulse até obter a textura ideal de uma pasta grossa. Se precisar adicione um pouco da água reservada, onde czinhou os figos. Sirva o tapenade com torradas, crostinis, bolachas salgadas, pita bread tostado, eteceterá.

figo adriático

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Pensei que já tinha provado o figo mais saboroso que existe quando mordi um dos lindos candy stripes. Mas eu ainda estava por conhecer o rei dos figos, o mais gostoso que já comi.

Comprei duas cestinhas deles na banca da Good Humus Farm e voltei pra mais. A banca dessa fazenda é a mais colorida do mercado. Trabalham lá a família toda e, pela quantidade de jovens atendendo ao público, os amigos também. Eles têm sempre produtos bacanas, flores lindas, os ovos caipiras que desaparecem depois das 8:30 am de tão populares, frutas e legumes diferentes. Foi lá que comprei uma uva muito roxa, quase preta, que perguntei o nome e ninguém sabia. Me falaram que a uva começou a crescer lá num canto e deu tanto que eles resolveram vender. Pra mim, que não sou grande apreciadora dessa fruta, foi a melhor que comi em muitos anos.

Também comprei muitos morangos deles, que estavam tão, mas tão maduros que só davam pra virar geléia ou sorvete. Viraram sorvete. Um dos muitos de morango que fiz este ano. Num dos dias que comprei morangos, paguei a conta com um monte de notas de um dólar e pensei que estava tudo bem. Saquei o celular da cesta pra tirar uma foto das flores e percebi que a menina que me atendeu olhava e re-olhava a grana com uma cara de confusa. Virei minha atenção para os pêssegos e tomates de outra banca, quando senti um toque no ombro—olha seu troco, você me deu uma nota de dez no meio das de um. Eu faço dessas, sempre, o tempo todo.

No dia em que que comprei os figos verdes pela primeira vez, pensando que eles eram da variedade calimyrna muito comum por aqui, me surpreendi com a polpa roxíssima e dulcíssima daquelas frutinhas. Não poderia ser o calimyrna, que é uma variedade bem sem graça e que fica melhor seco. Por isso quando voltei para mais figos na semana seguinte, perguntei o nome e os rapazes e moças ficaram num jogo de peteca risonho, um tentando ajudar o outro a lembrar o nome do figo. Eu já estava quase indo embora sem esclarecer minha dúvida, quando um dos rapazes gritou—adriático! o nome da variedade é adriático!

Pois então, acreditem-me, esse figo adriático é na minha opinião o supra-sumo. O rei dos figos.