the antique fair/ Ten22

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Finalmente descobrimos uma feira de antiguidades que acontece mensalmente bem perto de nós. É a antique fair de Sacramento, montada num espaço enorme bem debaixo da freeway onde mais de trezentos vendedores expõem suas relíquias. Levamos bem umas três horas para ver quase tudo. Fomos na do mês de março [quando tirei essas fotos] e já voltamos na de abril. Vende-se muito cacareco, mas também tem bastante coisa divertida e interessante. Eu sempre consigo achar umas coisinhas legais. No domingo em março saimos da feira verdes de fome, depois de horas de camelança, e acabamos indo almoçar num restaurante instalado num ponto bem turístico da cidade—Old Sacramento. Lembro do fuzuê em torno desse Ten22 quando lá era apenas um nightclub, num investimento feito por um dos jogadores do time de basquete da cidade. Hoje ele virou um restaurante da linha farm-to-fork, usando ingredientes locais e sazonais. Eu gostei do ambiente e da comida, que muito caprichada e super gostosa. Ou seria o apenas efeito do horário e da fome? Pisc! Não, estava muito bom mesmo!

salada de laranja com tâmara

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Outra receita do livro Casa Moro que transforma uma simples salada de fruta numa obra de arte. Sem dizer que a combinação dos ingredientes é absolutamente auspiciosa.
4 laranjas grandes e bem suculentas
8 tâmaras, de preferência Medjool, sem caroço e cortadas em quatro
3 colheres de sopa de água de rosas
Um punhado de pequenas folhas de hortelã fresco
Açúcar de confeiteiro para polvilhar
1/2 colher de chá de canela em pó para polvilhar
Com uma faca afiada remova a casca das laranjas, removendo o máximo que conseguir da parte branca. Corte cada laranja em rodelas, remova as sementes e arrume-as em um prato ou travessa. Espalhe as tâmaras sobre as fatias de laranja e regue com a água de rosas. Espalhe as folhinhas de hortelã por cima, depois polvilhe com açúcar de confeiteiro e a canela. Sirva em seguida.

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Iria ser mais um final de semana com temperaturas acima dos 40ºC e decidimos sair de casa. A melhor pedida seria ir para o lado do litoral, mas ficamos um pouco apreensivos de pegar congestionamento na estrada. Afinal, não deveríamos ser os únicos querendo fugir do bafão. De manhã cedo nadei e depois fui ao Farmers Market, onde acontecia um festival do tomate. Como cheguei tarde e o calor já estava piorando, fiz rapidamente minhas compras da semana, adicionada do convercê que sempre tenho com alguns dos fazendeiros, dei um rolê pela festa tirando algumas fotos e casquei fora. Fiquei sabendo depois que o evento foi um sucesso, com muita gente prestigiando. Vi mesmo que estava animado, com música, dança, comida, até concurso de chef preparando pratos com tomates e tasting de um monte de variedades da frutinha verânica mais popular da região.

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Fomos para Sacramento almoçar por escolha do Uriel no Andy Nguyen, um restaurante vegano na Broadway que apesar de fazer aquelas tchonguices de carne, frango e até e peixe de soja, tem um cardápio super gostoso. Como nós sempre escolhemos tofu e cogumelos quando comemos em qualquer asiático, não mudamos nossa rotina. Esse restaurante tem um ambiente moderno, chão sem carpete [que eu abomino nos restaurantes asiáticos daqui] e serve uns sucos de frutas, legumes e gengibre simplesmente deliciosos. E a comida é delicada e gostosa, com alguns pratos bem criativos. Raramente pedimos sobremesas, mas eles oferecem umas opções interessantes, tipo a banana frita e o sorvete de coco.

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Já estava um bafão descomunal e saimos rumo à lugar nenhum—que é o passeio favorito do meu marido. Decidimos subir mais pro norte e a temperatura foi também subindo com os quilometros rodados. Saimos de Sacramento com 40ºC e quando chegamos ao nosso destino estava 43ºC—em Fahrenheit 104º e 109, que parece ainda pior. Aportamos na pequena cidadezinha de Auburn, que faz parte do circuito da corrida do ouro no norte da Califórnia. Eu adoro essa região que fica no pé da serra e tem toda uma atmosfera de velho oeste. Auburn tem uma downtown histórica bem bonitinha, como as outras cidades da região, mas tem também uma parte mais antiga chamada de Old Town. São basicamente duas ruas compridas com muitas lojinhas, galerias de arte, bares e restaurantes. Quando chegamos já estava quase tudo fechado porque o bafão não estava fácil. Só os bares e restaurantes estavam abertos e procurando por um lugar para tomarmos um sorvete entramos no Carpe Vino, um wine bar com um restaurante muito bacana. Sentamos para tomar uma taça de vinho branco gelado e pedimos para acompanhar um pan con chocolate temperado com flor de sal, raspas de laranja e azeite. Ficamos lá até criar coragem pra sair na rua novamente e dirigir de volta para Sacramento, onde decidimos parar novamente para jantarmos uma pizza margherita assada no forno a lenha, num lugar legal que conhecemos em downtown.

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No domingo saimos rapidamente só para almoçar num restaurante mexicano que gostamos aqui em Woodland. Não teve aqua fresca de hibisco suficiente para me hidratar. Bebi água mineral resto do dia, enquanto descansei, assisti alguns filmes e li um tanto de revistas, trancada seguramente dentro da casa climatizada.

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Il Fornaio – Sacramento

Quando recebemos visitas, sempre acabamos deixando um passeio à Sacramento para o último dia, o que passa a impressão equivocada de que lá não tem nada de interessante—o que não é absolutamente verdade. Sacramento não é San Francisco, mas certamente tem o seu charme particular. Fizemos uma tour pela pitoresca Old Sac e depois demos um pulinho no imponente e nobre Capitol, já que Sacramento é a capital do estado e o escritório de trabalho do nosso mais intrigante governador, o senhor Arnold Schwarzenegger. Lá fizemos um passeio pela parte antiga do prédio, que é muito bonita, mostrando escritórios preservados do inicio do século vinte [1916], e depois demos de cara com uma comoção jornalistica na porta do escritório do nosso atual governador. Eram muitos reporteres de tevê, rádio e jornal, esperando para entrevistá-lo. Nós ficamos super animados com a perspectiva de poder ver o super astro-político assim cara-a-cara e nos prostramos lá também, câmeras em punho, animação evidente. Mas depois de meia hora começamos a sentir fome e o bafão da muvuca foi nos dando uma agonia. Eu sugeri irmos almoçar e a idéia foi acatada unanimamente.

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Eu adoro o restaurante Il Fornaio, um italiano que fica bem no centro financeiro de Sacramento. Ele é parte de um franchising, mas isso não importa. A comida é realmente boa, sem muitos tererês de restaurante modernê. O serviço é sempre bacana, com aqueles garçons vestidos à antiga, com blaser branco e gravata borboleta preta. O prédio onde fica o restaurante pertence ao Wells Fargo, o banco mais antigo da Califórnia, que chegou no oeste junto com a corrida do ouro. O espaço do restaurante é aberto, com pé direito altíssimo e muita claridade, o que deixa o lugar com uma atmosfera extremamente agradável. Eu me sinto feliz quando vou ao Il Fornaio e nem sei explicar muito bem por que.

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Lá matamos nossa fome, que estava descabelante, com os pãezinhos fresquinhos e maravilhosos que a famosa padaria do restaurante produz. Também pedimos bruschettas al pomodoro, que vieram com azeitonas extras. Meu irmão e minha cunhada beberam um zinfandel californiano. Eu bebi água com gas, já que estava dirigindo. A comida estava deliciosa e nós comemos até dizer chega. A Lívia pediu um macarrãozinho simples com um molho de tomate tão saboroso, que eu não resisti e molhei meu pão nele—com a permissão dela, é claro! Eu devorei um peito de frango num molho picante de peperoncino, servido com purê de batata e espinafre. Meu irmão comeu um scaloppine com marsala e funghi, servido com polenta e broccolini. E minha cunhada foi de ravioli recheado com linguiça italiana, ricota e erva-doce. Depois ainda tivemos coragem de dividir uma sobremesa, que foi uma daquelas muitas sobremesas italianas que eles trazem pra gente escolher num carrinho. Saimos do Il Fornaio com a pança cheia e tão felizes que até esquecemos da frustração de não ter conseguido falar um oi para o governator!

Não foi desta vez, outra vez

Meu marido pode ser considerado um obstinado Sir Lancelot em busca do Santo Graal quando se trata de encontrar a pizza perfeita, ou a melhor pizza de Sacramento. Há anos ele busca por esse tesouro escondido em alguma esquina de algum bairro da capital do estado da Califórnia. Já fomos à muitas pizzarias na cidade, sempre na esperança de que ali iremos comer a melhor pizza, mas nunca realizamos tal façanha. De qualquer maneira, meu darling Lancelot não desiste nunca e no potluck dos blogueiros de Sacramento ele não perdeu a chance de fazer o seu invariável questionamento: onde comer a melhor pizza? Uma das garotas do Sac Foodies indicou uma pizzaria chamada Luigi’s.
No domingo, fui fazer um exame em Sacramento na hora do almoço e quando saimos da clinica, resolvemos ir checar a tal pizzaria. Eu sabia que ele não iria sossegar enquanto não fosse até lá verificar se a pizza estava à altura da recomedação de uma foodie.
O Luigi’s Pizza Parlor fica numa esquina num bairro bem desprivilegiado da cidade. É um lugar pequeno, que serve pizza sem muita frescura desde a década de cinquenta. Pedimos uma meio queijo, meio linguiça portuguesa e sentamos numa das mesas simples do lugar, ansiosos pela experiência. As opções de bebida eram refrigerante ou cerveja. Algumas pessoas estavam lá só bebendo cerveja. O menu incluia também alguns tipos de pasta e sanduiches. O Uriel ficou um pouco decepcionado logo que viu que o forno não era a lenha. Mas eu me animei quando vi dois senhores abrindo a massa e preparando as pizzas com esmero. Eu estava sem poder comer desde manhã e já tinha visões de bolinhas flutuantes quando a pizza finalmente chegou na nossa mesa. Veredito: não é a melhor pizza de Sacramento! A massa estava ótima, fininha, bem seca e crocante. O molho não era dos piores, mas também não se sobressaiu. O problema maior foi a escolha de adicionar linguiça portuguesa, que realmente foi uma mancada nossa—ou melhor, minha, pois fui a autora da idéia, talvez neblinada pela fome. Comemos, mas não tivemos uma epifania na primeira mordida. Foi uma experiência mais uma vez ordinária.
Notamos uma clientela bem eclética na pizzaria. Na mesa ao lado da nossa sentaram-se três meninas negras, vestidas iguais e falando sem parar no celular. Não pude deixar de notar uma delas, que era extremamente bonita e poderia ser uma modelo, se tivesse a chance. Elas riam muito e falavam o tempo todo. Mas o lugar tinha muito barulho, produzido por uma tevê gigantesca onde passava notícias de esportes e por uma jukebox onde tocava sucessos da Motown. Não estava dando pra ouvir o que as meninas falavam, mas uma delas se virava toda hora e dizia pra nós—I apologize! [eu peço desculpas] Eu estava boiando total, fiquei pensando será que estou encarando muito, porque às vezes eu encaro sem perceber, ainda mais que fiquei realmente encantada com a beleza de uma delas. Mas não tinha nada a ver comigo, pois no final uma delas disse—I apologize! Is too much cursing for you? [é muito palavrão pra vocês?] Eu respondi sorrindo que não era problema algum, pois nem estávamos prestando atenção. Embora eu não tenha realmente notado nenhuma linguagem chula que elas provavelmente estavam usando na conversa, não pude deixar de notar uma coisa chocante que uma delas fez. Além de salpicar a fatia de pizza com aquele queijo ralado vagaba que é muito comum nas pizzarias daqui, esbugalhei meus olhos abismada quando vi ela espremer um tantão de maionese no prato e depois molhar a pizza ali e nhack! Foi a minha vez de &%$#@*@$%!!

só falamos de comida

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Dois anos depois daquele primeiro potluck dos food blogs de Sacramento organizado pelo querido Garrett, quando nos encontramos pela primeira vez, tivemos outro evento similar. Nesses dois anos, fizemos muita coisa bacana juntos, como a aula de egg whites em Berkeley, jantar no hidden kitchen, visitas à vinícolas orgânicas e uma experiência com chocolate tasting. Eu adoro fazer parte desse grupo de pessoas tão diferentes, com uma paixão em comum.
Desta vez o potluck foi organizado conjuntamente pela Elise e Garrett. Num domingo com um clima perfeito, nem quente nem frio, muitos blogueiros de Sacramento e região baixaram na casa da Elise para um almoço com bastante bate-papo. Cheguei lá com um panelão de bacalhoada e reencontrei conhecidos e amigos e conheci pessoas novas. Quando eu cheguei, os blogueiros já estavam fazendo o que todo blogueiro de culinária faz, fotografando as comidas. Eu fui correndo fazer o mesmo, afinal, não podia perder a oportunidade de registrar o evento. Mesmo assim não fotografei tudo, pois começamos a comer e alguns convivas chegaram mais tarde e naquela altura eu já tinha esquecido da câmera e me concentrado só na comilança.
Não vou poder listar todos que estavam lá, porque eu não consegui conversar com alguns. Mas adorei conhecer a Debby e sua filha Megan, que fazem o blog Everything on a Waffle. Elas trouxeram as batatinhas recheadas, uns palitos de chocolate ajeitados lindamente em latinhas e a Megan, que só tem doze anos, preparou uma sobremesa de cereja deliciosa! Também gostei de conhecer o Nick, que bloga daqui de Davis e escreve sobre peanut butter no Peanut Butter Boy. Ele trouxe uns bolinhos de carne que foram servidos com um molhinho de peanut butter, of course! Também adorei rever o Hank e conhecer a sua companheira Holly. Eles trouxeram três tipos de patos selvagens, umas linguiças de porco selvagem e carne defumada de antílope, tudo caçado por eles e preparado na churrasqueira pelo Hank. Eu só provei a linguiça, pois acho essas carnes um pouco fortes pro meu gosto. Mas quem comeu o pato e o antílope só elogiou. A Elise serviu uma strawberry rhubarb terrine que me fez pirar na batatinha. Acho que devorei uns cinco pratos, sem brincadeira! O Garrett arrasou Paris em chamas com o seu chipotle flourless chocolate cake. A Andrea trouxe uns aspargos com prosciutto que também fizeram sucesso. Adorei rever os amigos, conhecer gente nova e passar a tarde num convercê divertido. O quintal da Elise, deixa eu contar, é enorme e praticamente um pomar. Fizemos uma tour pelas árvores—maças, limão, laranjas, mexirica, grapefruit, kiwi, romã, figo, ameixas, amora, nozes, damasco, pêssego, nectarina— é uma coisa impressionante, tudo muito bem cuidado.
Todo mundo perguntou sobre o meu prato e eu expliquei detalhes e tals. Usei bacalhau canadense, mas as batatas e as cebolas eram orgânicas, os ovos da Felizberta, azeitonas gregas maravilhosas e foi tudo regado com muito azeite português. Uma das meninas do Sac Foodies deu uma garfada na bacalhoada e exclamou—essa era a comida que minha avó fazia! A avó dela é uma portuguesa da Ilha de Madeira emigrada na Califórnia. Estávamos em casa.

Ginger Elizabeth Chocolates

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O querido Garrett do blog Vanilla Garlic organizou um evento bem bacana para os food bloggers de Sacramento. Fomos fazer um chocolate tasting na chocolateria Ginger Elizabeth Chocolates em midtown Sac. Como eu não sou louca por chocolate, fui sem nenhuma expectativa. Tive uma surpresa incrivelmente agradável com a qualidade e a delicadeza dos bonbons que nos foram servidos pela chocolatier e proprietária da lojinha encantada. Ginger Elizabeth tem apenas 26 anos e confessou ter se iniciado no fascinante mundo do chocolate aos 16. Ela primeiro nos deu uma explicação minuciosa sobre as plantações, colheita e processamento do cacau. Até nos mostrou fotos dela em fazendas na América do sul e central. Depois contou detalhes da manufatura da matéria básica e finalmente a parte que é a sua paixão—transformar o chocolate em pequenas delicias que dissolvem na boca. Provamos desde o puro chocolate em micro pedacinhos, até a manteiga, que pura tem um gosto repugnante, mas é o que faz o chocolate ser tão gostoso e viciante. Depois fizemos o tasting de vários tipos de chocolate amargo, seguido dos mais delicados bonbons, feitos de uma massa sedosa de ganache e cobertos com uma crosta quase imperceptível de chocolate. Dois bonbons me encantaram—o de chocolate amargo com ganache de meyer lemon e o de chocolate ao leite com ganache de maracujá. Ginger diz que usa os melhores chocolates e somente suco ou polpa de frutas, nada de essências. O sabor é um nocaute! Depoiis ela ainda nos serviu um bolo de várias camadas com gianduia, que eu tive que partir ao meio para conseguir comer e um tipo de semifreddo, cremoso e gelado. Visitamos também a cozinha da pequena chocolateria, onde Ginger pratica sua arte. Alguém aí pensou no filme Chocolat? Eu estou pensando nele agora. Acho que temos a nossa versão da Madame Rocher, aqui no vale central da Califórnia.