[ohmydarling] clementine

Sou uma pessoa gastronomicamente feliz em todas as estações do ano. Até no apogeu do nosso verão tórrido e seco, fico feliz pois o bafão vai nos proporcionar os mais saborosos tomates. Não consigo desassociar as estações do ano citrus-clementinesdos ingredientes que chegam à minha cozinha. Minha maior alegria é experienciar essa sazonalidade, comer diferente em diferentes épocas do ano. Disse adeus aos pêssegos, damascos, morangos e figos sem nenhum sentimento de nostalgia, pois aproveitei tudo o que pude durante a temporada do calor. A chegada do outono já me deixou empolgadíssima com a invasão de romãs, caquis e peras nas feiras e mercados. As primeiras peras chegam tímidas e de repente inúmeras outras variedades começam a se instalar nas cestas e balcões. As maças também têm seu período mais popular no outono. Assim como o marmelo. Mas com as temperaturas caindo, aguardo com absoluta excitação e deleite a chegada dos citrus. Laranjas, limões, kumquats, os diferentes tipos de tangerinas, que guardo as cascas pra jogar no fogo da lareira. As primeiras que comprei este ano foram as clementines—pequenas, dulcíssimas, adoráveis—já devoramos um montão, como sobremesa. Gosto muito de encerrar a refeição com uma fruta. As tangerinas fazem uma excelente sobremesa fresca e são muito práticas, uma das nossas favoritas.

um Pequeno Livro de Cozinha

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Estou totalmente garbosa e pimpona, pois agora também tenho um exemplar do fofurésimo Pequeno Livro De Cozinha, enviado e autografado pelas próprias autoras, as Rainhas do Lar. O livro-guia-oráculo foi escrito pelas queridas e talentosas Faby e Katita e aborda absolutamente tudo o que você sempre quis saber ou apenas confirmar, sobre o mundo maravilhoso da cozinha. Já li e reli todas as dicas super valiosas. E o livro é realmente pequeno, vejam que prático, cabe aqui no bolso do avental, pra ficar sempre às mãos.

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Eu tenho zilhões de livros, livrões e livrinhos de culinária, mas o Pequeno Livro de Cozinha da Faby e da Katita é sem dúvida o mais especial para mim. Por quê? Oras, porque essas gurias me convidaram para escrever o prefácio neste primeiro livro delas. Adorei poder adicionar algumas linhas da minha prosa singela na abertura do livro e assim poder estender o tapete vermelho e fazer uns salamaleques de recepção para todos os leitores.

O que escrevi sobre o livro e sobre as meninas? Compre o seu exemplar e descubra. Boas leituras!

muffins de palmito

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Outra noite de atrapalhamento mental e ausência total de inspiração, acabou produzindo esses muffins salgados. Juro que ziguizaguiei pela cozinha por muito tempo, abri e fechei porta de geladeira e armários não sei quantas mil vezes, folheei revistas, livros, quase chorei! A única imagem de comida que pipocava insistentemente na minha cabeça era uma sopa robusta de tomates. Mas tomates não haviam. Pensei então numa torta de palmito e até cogitei me aventurar a fazer esta receita que fica excelente. Me imaginei gastando preciosas horas preparando a tal torta e desisti. A idéia do palmito persistiu, mas eu queria uma receita mais rápida. Apelei então para o rei das idéias, o senhor Mark Bittman. No seu livro How to Cook Everything Vegetarian, achei uma receita chamada Muffins, infinite ways. Era uma receita doce, com zil adaptações, uma delas salgadas. Fiz então e o jantar ficou pronto num pisque. Os muffins ficam muito fofinhos. Use o recheio que quiser, mas não coloque muito. O equivalente à uma xícara é a medida.

faz 12 muffins
3 colheres de sopa de manteiga derretida ou óleo neutro, como de sementes de uva ou milho [*usei o óleo de sementes de uva]
2 xícaras de farinha de trigo
1/2 colher de sopa de açúcar
1 colher de chá de sao marinho
3 colheres de chá de fermento em pó
1 ovo
1 xícara de leite
Para o recheio usei 1 xícara com:
Palmito picado
Azeitona preta picada
Salsinha picada

Pré-aqueça o forno em 400ºF/ 205ºC. Unte doze formas de muffin com óleo, ou forre com forminhas de papel.

Misture os ingredientes secos numa vasilha. Numa outra vasilha bata os ovos, o óleo ou manteiga e o leite. Faça um buraco no meio dos ingredientes secos e despeje lá a mistura de leite, óleo e ovo. Mexa com uma espátula ou colher de pau para misturar. Vá remexendo com cuidado até os ingredientes se incorporarem. A massa vai ficar meio empelotada.

Adicione 1 xícara de recheio. O meu foi palmito picado, azeitona preta picada e salsinha picada. Mexa rapidamente e coloque a massa nas forminhas usando uma colher. Asse por mais ou menos de 20 a 30 minutos. Remova do forno e deixe descansar por 5 minutos antes de remover das forminhas.

um prato de lentilhas
[com cebola caramelizada]

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Tenho andado sem inspiração, admito. Me propus fazer um menu da semana no domingo, para não ficar zanzando feito barata tonta pela cozinha nos dias em que tenho que preparar o jantar. Não sei se essa idéia irá pra frente, mas não custa tentar. Numa dessas noites sem inspiração, preparei um prato de lentilha bem simples, que não era sopa, nem salada. Um rango quente, pra comer com garfo ou colher. Usei uma idéia da Anna Thomas que gostei, de temperar os pratos com cebolas caramelizadas. Como tinha um alho-poró na geladeira, usei ele também. Então simplesmente cozinhei um alho-poró e uma cebola grande cortados bem fininho no azeite e em fogo baixo, até eles ficarem bem dourados. Enquanto isso cozinhei uma xícara de lentilha comum em bastante caldo de legumes até os grãos ficarem macios e o liquido quase todo absorvido. Depois foi só juntar o refogado de cebola e alho-poró, temperar com sal marinho e pimenta do reino e servir. Embora não seja uma receita inovadora ou brilhante, ficou muito reconfortante.

[tomando um fôlego]

Aterrisamos em Sacramento às dez da noite do domingo, depois de cinco horas confinados num avião e um final de semana realmente emotivo, visitando família, pessoas queridas que não víamos há anos. Avançamos e depois retrocedemos três horas de fuso, além da coincidência de sair do nosso horário de verão justamente neste final de semana, o que só contribuiu para nos deixar ainda mais cansados e atrapalhados. Na segunda-feira regressamos à vida normal, acordando às seis da manhã, enfrentando muito trabalho acumulado, alguns pepinos espinhudos e todos os quetals. Em casa o cenário desolador mostrava uma geladeira vazia e dois os gatos confusos com a mudança súbita de rotina.
Antes da viagem eu já não tinha cozinhado muito, pois passei o final de semana fazendo compras e me dividindo entre a maratona normal da semana e a arrumação de malas. Só fiz rangos rápidos e brejeiros, nada digno de menção. Depois da viagem não tive tempo de pensar no que fazer e pra completar nem tenho muito com o que improvisar. Faz-se urgente uma visita ao supermercado. Estou me sentindo como se estivesse há meses sem fazer nada legal, sem testar receitas bacanas, sem sentir aquele entusiasmo tão bom de preparar algo diferente na cozinha.
Fui enrolando como podia, colocando umas flores bonitas na janela, contando um daqueles meus causos engraçadinhos, desencalhando receitas que estavam empoeiradas e esquecidas lá no fundo da gaveta—só faltou colocar uma foto do gato, que é sempre um ótimo recurso para encheção de linguiça. Ainda teve a singela festinha de aniversário, que confesso já estava engatilhada, tudo devidamente preparado com antecedência. Nessa altura a melhor e mais rápida explicação pra falta de assunto e, principalmente, de receitas, é que me distraí. Daqui a pouco tudo voltará ao normal. Assim espero.

Gourmet — primeira e última

Gourmet Gourmet
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Quem não lamentou o fechamento da Revista Gourmet? A notícia foi uma grande surpresa e deixou muita gente triste e atônita, pois a revista tinha história. Ela não era apenas uma revista lançada ontem, mas uma publicação com sessenta e oito anos de currículo. Pelas páginas da Gourmet passaram muitos nomes famosos, entre eles o de M.F.K. Fisher. A Gourmet era única e vai deixar um imenso vazio. Quando recebi meu último exemplar, levei uns dias para abrí-lo, pois me senti um pouco melancólica. Deu pra perceber que a decisão da editora foi súbita, pois nada nessa edição tem cara de despedida ou de fim. Confirmei essa sensação quando ouvi a entrevista com a Ruth Reichl na NPR onde ela relata a surpresa e a tristeza do encerramento inesperado da revista.

Anos atrás eu tinha corrido os olhos pela coleção da Revista Gourmet da biblioteca da UC Davis. Eles têm lá TODOS os exemplares, desde o número um, publicado em janeiro de 1941 até este último, datado de novembro de 2009. Pra mim resta o consolo de poder rever qualquer número da revista a qualquer hora. Publiquei minhas impressões dos primeiros números da Gourmet de 1941 e as da Gourmet de 1971, que já tinham uma cara bem diferente.

Hoje escolhi publicar, junto com a capa e umas páginas do último número, a capa e o conteúdo do primeiro número, para dar uma idéia do quanto a revista evoluiu nos últimos sessenta e oito anos. O número um trazia um desenho de uma cabeça de javali assada na capa e as páginas internas eram na maioria em preto & branco. Percebe-se no conteúdo a clara e onipresente influência francesa, que naquela época parecia ser a única referência para a alta gastronomia mundial. Hoje não é preciso mais colocar menu em francês para parecer chique e sério. Os EUA já fixaram terrítorio no mundo gatronômico e mesmo sem a preciosa contribuição da revista Gourmet, acredito que vamos continuar evoluindo, sempre para melhor.