[presente de grego]

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ou melhor—presente de uma norueguesa engraçadinha…
Fomos jantar com a Reidun, o Idar e a Marianne e a Reidun me trouxe presentes, como ela sempre faz. Desta vez foram mudas de gerânio e de suculentas e este magnifico livro. Todo mundo deu risada porque me dar um livro desses é realmente uma galhofagem. A Marianne sugeriu que eu preparasse um jantar completo usando as receitas do livro e depois colocasse aqui, só para ser do contra. Sabendo da minha relação controversa com o tal do microondas, vocês podem imaginar a minha cara.
O Livro é de 1987, quando os microondas eram o triunfo da modernidade na cozinha, e tem mais de seissentas receitas. Barbara Kafka explica tudinho nos micro detalhes, os truques, os utensílios, as estratégias para abandonar o fogão comum definitivamente. A onda dos microondas deve ter sido poderosa por aqui, pois a autora tinha uma coluna sobre como cozinhar com microondas no jornal New York Times e nas revistas Vogue e Family Circle.
Microwave Gourmet deve ter sido um must. Esse exemplar tem de lambuja anotações feitas a lápis com uma letra de mão primorosa em várias receitas e alguns recortes de jornais da época, completamente amarelados, cheios de receitas e idéias revolucionárias. Microondas economiza energia e tempo! Felizmente mudamos nossa maneira de pensar e de cozinhar e hoje tudo isso só serve para nos fazer rir e nos espantar.

põe a mesa

mesa51709_1S.jpg Para o almoço Salada simples de tomate e salada simples de batata. O requinte está no fato dos tomates e batatas serem locais, orgânicos e sazonais. Não tem nada melhor, nada mais saboroso, nada mais sofisticado que isso. O tempero também é simples, uma vinagrete de azeite e vinagre ou azeite e limão, mais ervas da horta e flor de sal. Os tomates ganharam manjericão e as batatas ciboulettes. Essas saladas ficam sempre tão boas que nunca sobram pra contar a história. Desta vez elas foram acompanhamento para uns bifes com tomilho fresco que fizemos na churrasqueira.

bolo de morango

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Esse bolo saiu do capítulo vermelho do livro Apples for Jam da Tessa Kiros. É fácil de fazer e fica muito bom.

2 1/2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento em pó
1/2 xícara de açúcar super-fino [usei de confeiteiro]
Umas pitadas de noz moscada ralada na hora
2 ovos
1 xícara de buttermilk
4 colheres de sopa de manteiga derretida
1 colher de chá de raspinhas da casca de limão
1 xícara de morangos frescos [ela usa blueberries/ mirtilos e sugere morangos, mas frisa que qualquer fruta escolhida seja fresca, não congelada]
2 1/2 colher de sopa de açúcar demerara

Pré-aqueça o forno em 400º/ 205ºC. Unte e enfarinhe uma forma retangular funda de mais ou menos 30X20cm. Numa vasilha peneire a farinha, o fermento, o açúcar e algumas pitadas de noz moscada ralada. Na batedeira coloque os ovos e bata bem até eles ficarem claros e espumosos. Junte o buttermilk, a manteiga derretida e as raspas da casca do limão. Bata bem. Desligue a batedeira e junte a mistura de farinha, mexendo com uma espátula ou colher de pau bem delicadamente, só para incorporar os ingredientes. Se bater com força o bolo vai ficar duro.

Coloque a mistura na forma untada e enfarinhada, espalhando bem com uma espátula. Salpique os morangos [ou blueberries] sobre a massa, depois salpique o açúcar demerara. Leve ao forno e asse por uns 25 minutos. Deixe esfriar, corte em quadradinhos e sirva com café ou chá.

os livros de Tessa Kiros

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Falling Cloudberries

Tessa Kiros é uma multiculturalidade ambulante, nascida na Inglaterra, filha de uma mãe filandesa e de um pai grego-cipriota, foi criada na Africa do Sul e hoje, casada com um italiano, vive na Itália, depois de ter trabalhado em diferentes restaurantes em diferentes partes do mundo. O primeiro livro dela—Falling Cloudberries—eu recebi de presente anos atrás, gentileza da Valentina, que comanda o blog Trem Bom. Nele, Tessa conta um pouco da sua história e da sua família incomum, com fotos lindas, receitas filandesas, gregas, sul africanas e italianas incrivelmente inspiradoras e um texto encantador, que nos conquista com uma prosa nostálgica e romântica. A delicadeza está em todos os detalhes nos livros dessa autora, que cuida para que a leitura seja uma viagem cheia de experiências. Eu, particularmente, adoro os desenhos em alto relevo nas capas, sem falar nas fotos, que não mostram aquelas comidas maquiadas e perfeitas, e conseguem nos deixar com a confortável sensação de que podemos fazer igual.

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Apples for Jam

Agora comprei o terceiro livro dela—Apples for Jam—que é outra pequena obra de arte. Nele, Tessa continua contando histórias de família, desta vez mais recentes, da infância das suas duas filhas, que ela chama de ratinhas. O livro também incluí os amigos. As receitas em Apples for Jam são divididas por cores e outra vez Tessa nos dá aquela sensação de intimidade e familiaridade, reforçando a idéia de que podemos fazer as mesmas receitas nas nossas cozinhas comuns, sem sentir que estamos apenas tentando reproduzir as idéias de uma cozinheira perfeita.

Os livros da Tessa Kiros não foram feitos para ficarem enfiados e escondidos em prateleiras de estantes e armários. Eles merecem os holofotes, como decoração numa mesa de centro, para que possam estar sempre à vista e às mãos, e assim serem folheados e apreciados sempre que houver uma oportunidade.

[*]únicos defeitos desses livros—no primeiro a fonte usada para a explicação das receitas é tão minúscula, que mesmo com óculos tive dificuldade para ler. no segundo, todas as receitas e textos usam uma fonte maiorzinha, mas de cor cinza bem claro, que em contraste com o fundo branco, nem um binóculo infravermelho dá jeito.

sorbet de cereja & amêndoa

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E lá fui eu, outra vez, inventar moda. Sempre que me meto a produzir algo comestível sem receita, me sinto um tanto insegura, já que nunca estudei nada relativo à culinária. Sou apenas uma pessoa comum que cozinha sem intenção alguma de criar nada. Mas às vezes eu arrisco, e quando digo que arrisco é porque posso fracassar miseravelmente e ter que jogar ingredientes da melhor qualidade no lixo. Felizmente essa tragédia me acontece raramente. Talvez pelo fato de usar os melhores ingredientes já começo com uma larga vantagem.
Resolvi fazer um sorbet usando umas cerejas orgânicas super doces e maduras. Decidi trocar a água pelo leite de amêndoas. O resultado ficou deveras interessante.
2 xícaras de cerejas descaroçadas
1 1/2 xícara de leite de amêndoa
Mel a gosto
Um punhadinho de amêndoas em lascas tostadas
Bata tudo no liquidificador e coloque na sorveteira.

lah-dih-dah

Assim que abri a porta do meu pequeno armário de despensa, uma lata de atum tombou do alto da terceira prateleira e precipitou-se em queda livre, colidindo com outras latas e pacotes, para logo em seguida dar um duplo mortal—primeiro soqueando com força o topo da minha cabeça e depois aterrando na bancada da pia, justamente em cima de um pires antigo que fazia dupla com uma linda redoma de vidro que eu usava como manteigueira. Usava. O pratinho quebrou-se ao meio e entre a dor do recém-adquirido galo na cachola e a tristeza de perder uma peça de porcelana tão linda, constatei mais uma vez que a cozinha é, para mim, o lugar mais perigoso da casa.
São tantas e tão variadas histórias, que eu já nem impressiono mais os ouvintes, que se limitam a me olhar com aquela cara de bocejo espremido: ah é, você se machucou na cozinha [outra vez]? Posso afirmar que me corto com a faca pelo menos uma vez por semana. E se você sentiu aquele cheiro característico de galinha sendo depenada, pode apostar que era eu tentando pegar alguma coisa entre as panelas no fogão e queimei os pêlos do braço. Fritar, cortar, ralar, escaldar, furar, bater, amassar, espremer, são verbos que eu conjugo muito bem e que não estão nem um pouco relacionados com nenhuma instrução de preparo de receitas.
Minha mão direita é frankensteiniana, exibindo um dedo costurado que não tem mais sentimentos. O corte, que fiz quando lavava um prato de cerâmica que se quebrou, pegou um nervo e transformou para sempre o polegar num sujeito insensível. Mais para o lado vê-se uma mancha notável, que nem o óleo da roseira milagrosa que esfreguei lá por anos ajudou a dissimular. Ela é a lembrança estampada daquela minha tropeçada no tapete, numa noite em que resolvi fazer um pudim de leite, daqueles que precisam ter a forma caramelizada.
Meu marido, que é professor e muitas vezes convoca alguns dos seus alunos para ajudá-lo com peças de maquinaria pesada na sua oficina, tem uma palavra de ordem, reiterada inúmeras vezes para assegurar a integridade física de seus pupilos—concentração! Você precisa se concentrar no que está fazendo, ele diz. Mas comigo esse negocio não funciona. A cozinha é o lugar onde eu relaxo, ouço música, checo e-mails, leio livros, converso com os gatos, descasco batatas dando risada de alguma coisa engraçada que me aconteceu, mexo a sopa no fogo refletindo sobre as notícias do mundo, às vezes até choro ou danço, e mesmo assim não entendo por que estou sempre protagonizando mais um acidente.

agar agar
[segunda tentativa]

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Na segunda tentativa de usar o agar agar, resolvi investir numa gostosura cremosa inspirada nos pudinzinhos de leite da Dri. Na primeira camada usei 2 xícaras de leite de amêndoas adoçado com 1 colher de sopa de mel, que fervi com 1 1/2 barra de agar agar. Depois de uma meia hora na geladeira adicionei a segunda camada, feita com mais 2 xícaras de leite de amêndoas, 1 rodela de chocolate mexicano picado em pedacinhos e mais 1 1/2 barra de agar agar. Deixei a segunda camada solidificar e raspei mais chocolate por cima, antes de servir.

O pudim ficou mais duro do que deveria, exatamente na consistência de cortar. Eu deveria ter usado mais agar agar na gelatina de limão e menos agar agar nesta. Acabei sem querer invertendo, mas como estava testando as medidas, valeu. Agora já sei. E também sei que é melhor usar a agar agar em pó. Vou voltar no mercadinho asiático e ver se acho o pózinho. Outras experiências com essa interessante gelatina vegetal ainda aparecerão por aqui, com certeza.

agar agar
[primeira tentativa]

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Vez ou outra eu dou um pulinho na única lojinha asiática que temos aqui em Davis e faço uma compra bem substanciosa de coisinhas interessantes. Quando estou lá gosto investigar os trocentos produtinhos enigmáticos e sempre trago coisas diferentes para casa. O único problema dessa lojinha é que ela serve primariamente a população coreana, chinesa, japonesa e tailandesa da cidade. A lei americana exige que os produtinhos importados tenham um rótulo com a tradução dos ingredientes e a lista de calorias, gorduras, proteinas, etc. Mas pelo jeito a lei não obriga que se traduza o modo de usar. Então muitas vezes me vejo com um ingrediente diferente e não sei exatamente como usá-lo.

Esse foi o caso da agar agar, a gelatina de algas que eu nunca tinha usado antes e queria imensamente experimentar. As explicações no pacote—que me pareceram bem detalhadas—estavam todas em japonês. Eram quatro barras de alga, que eu não tinha a menor idéia de como medir para usar numa receita. Procurei informações online, que não foram muito exatas ou suficientes.

O pacote de agar agar ficou no armário por um tempo razoável, até que fui ler a estréia da Dri do fofésimo blog Kanten, como convidada especial em outro blog bacanudo, o Superziper da Claúdia e Andrea. Pois a Dri dá um monte de receitinhas fantásticas usando o agar agar. Pirei! No dia seguinte resolvi enfrentar as minhas barrinhas de gelatina, sem tradução, sem medidas. Que sera, sera, whaterver will be, will be!

Quis imitar a Dri fazendo estrelinhas e coraçõezinhos em forminhas de silicone para gelo. Usei 1 xícara de água com açúcar baunilhado, onde fervi 1 barra do agar agar por 10 minutos, até ele dissolver totalmente. Juntei 1 xícara de suco de limão e coloquei nas forminhas. O agar agar solidifica super rápido, o que é muito apreciado por uma pessoa impaciente como eu. Mas na hora de desenformar foi uma tragédia. Das estrelinhas não se salvou nenhuma. Os coraçõeszinhos, alguns. A gelatina ficou muito mole para esse tipo de forma. Precisava ter usado um pouco mais de agar agar. Mas tudo bem, comemos mesmo assim e o Gabriel devorou as estrelinhas detonadas. Disse que adorou o sabor do limão, que ficou realmente forte. Outras tentativas de usar o agar agar no próximo capítulo.

portobellos com alho-poró & queijo de cabra

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Eu tenho um problema grave de comportamento—toda vez que vou ao Farmers Market, não resisto parar na banquinha dos cogumelos e comprar um saquinho com alguma das variedades oferecidas. Eles são tão bonitos, tão fresquinhos! Outro dia esqueci o saquinho de papel com muitos shitakes no fundo da geladeira e eles secaram! Não mofaram, não apodreceram, apenas secaram. Ficaram igualzinho os cogumelos secos que se compra por ai. Perguntei pro moço da banquinha do Farmers Market se dava pra usar os shitakes esquecidos. Ele disse que sim, era só reidratar. E foi isso que eu fiz.

Da última vez trouxe pra casa três lindos portobellos, que preparei no forno. Retirei o caule e piquei em cubinhos. Numa panela refoguei o caule em cubinhos em azeite, juntei um alho-poró picadinho e um macinho de espinafre selvagem, também chamado de lamb’s quarters, que recebi na cesta orgânica. Um salzinho, uma pimentinha. Essa mistura virou um recheio para os portobellos, que ainda levou uma camada de queijo de cabra temperado com ciboulettes—chives e azeite. Forno médio por uns 20 minutos e está feito um jantarzinho muito simpático.