torta tenerina—torta italiana de chocolate

Eu precisava de uma sobremesa fácil e ótima pra levar num jantar na casa das minhas vizinhas e vi essa receita. Achei perfeita e fiz na sexta à noite, pra servir no sábado. É uma torta/bolo tradicional da cidade de Ferrara, perto de Bolonha, na Itália. Conhecida como la torta tenerina ela fica densa e meio cremosa por dentro, com uma crosta bem fina por cima. Eu decidi servir com um creme de leite batido em chantilly, adoçado só com um pouquinho de nada de mel e o creme ajudou a quebrar o doce da torta. Ela é levíssima e meio que derrete na boca. Minhas vizinhas adoraram e no dia seguinte me mandaram uma mensagem dizendo que aquela tinha sido a melhor sobremesa que elas tiveram na vida. Isso é que é elogio!

7 colheres de sopa de manteiga sem sal amolecida
1/2 xícara de açúcar de confeiteiro peneirado
113 grs de chocolate meio-amargo de boa qualidade [uns 70% cacau]
2 ovos caipiras grandes, clara e gemas separados
2 colheres de sopa de fécula de batata
3 e 1/2 colheres de sopa de açúcar super fino

Aqueça o forno a 350ºF/176ºC. Unte uma forma redonda com manteiga e forre o fundo com papel vegetal.Reserve. Na tigela da batedeira bata as 7 colheres de sopa de manteiga com o açúcar de confeiteiro até ficar um creme. Derreta o chocolate e despeje sobre a mistura de manteiga e o açúcar e bata até ficar homogêneo. Misture as gemas dos ovos, uma de cada vez. Misture a fécula de batata. Em outra tigela bata as claras em neve até formar picos moles. Gradualmente acrescente o açúcar e continue batendo até obter picos firmes. Junte as claras na mistura de chocolate. Coloque a massa na forma untada. Leve ao forno por 18 minutos. Retire do forno e deixe esfriar completamente, por cerca de 2 horas. Bolo vai afundar um pouco. Desenforme o bolo, remova o papel do fundo e inverta para um prato ou travessa, com crosta fina para cima. Peneire açúcar de confeiteiro por cima, corte em fatias e sirva.

shrikhand — sobremesa de iogurte, pistache, cardamomo & açafrão

Fiquei louca quando vi a matéria com essa receita no NYT. Achei absolutamente lindo e genial, mas naquele dia tinha expirado meus dez artigos de graça e o jornal não me deixou ler sobre essa sobremesa. Respirei fundo e uns dias depois ela veio anexada no e-mail que recebo do NYT Cooking e ela foi pra minha caixa de receitas no website deles. Corri comprar iogurte grego e preparei o shrikhand, uma receita da Índia ocidental feita apenas com iogurte drenado e açúcar. Devoramos essa delicada sobremesa acompanhada de figos frescos. Mas deve ficar igualmente bom com qualquer outra fruta.

800 gr de iogurte Grego natural integral
1 e 1/2 xícaras de açúcar de confeiteiro
1 xícara de pistache sem sal torrado e grosseiramente picado
1 colher de chá de açafrão picado e mais uma pitada para decorar
1/4 de colher de chá de cardamomo em pó

Coloque o iogurte sobre uma peneira fina coberta com um pano sobre uma tigela grande. Cubra com filme plástico e coloque na geladeira por pelo menos 24 horas.

Transfira o iogurte drenado para uma tigela e misture delicadamente com uma espátula o açúcar, os pistaches, o açafrão picadinho e o cardamomo em pó. Transfira para uma travessa, espalhe pistaches extras e uma pitada de açafrão picadinho por cima. Leve para gelar por algumas horas e sirva. Pode-se substituir os pistaches por amêndoas.

bolo de polenta & ricota

bolo de polenta

bolo de polenta

Eu e o meu filho viramos cidadãos italianos, ele no ano passado, eu este ano. Ele foi pra Itália aprender italiano e eu estou tentando aprender um pouco por aqui mesmo, usando um curso online [Duolingo]. Tô sofrendo horrores, não tá sendo fácil. Já ele pegou uma fluência incrível. Agora tudo ele fala em italiano comigo, eu respondo tentando o meu melhor, mas quase sempre faço erros ou falo com aquele sotaque de palhaço de ator de novela brasileira. A Itália sempre foi pra mim um grande ponto de referência, já que sou metade italiana [por parte de mãe, com 45% de Italia no meu DNA]. Agora tudo isso está mais acentuado, porque adotar a cidadania dos seus antepassados é um evento muito relevante. Me sinto fechando um ciclo, desde que os meus bisavós entraram num navio rumo à América. Por isso [também] ando fazendo e refazendo muitas receitas italianas e até resgatei uns livros que estavam empoeirados na estante do andar de cima da casa, onde nunca olho. Esse é um daqueles livros bonitos de enfeitar mesa de sala, mas acho que nunca tinha testado nenhuma receita dele. É um livrão todo recheado de fotos lindas com passo-a-passo. Sempre desconfio desses tipos de livros bonitos, porém com receitas que não dão certo. Dei uma chance pra esse bolo, que me deu a impressão de ser uma daquelas receitas de tempos difíceis ou de inverno, quando não se podia ter todos os ingredientes em mãos. A massa fica super líquida, achei sinceramente que iria dar tudo errado. Mas felizmente deu tudo certo. Fica um bolo meio pudim, mas muito saboroso. Comemos no dia seguinte, mas ele não dura muito, vai ficando mas seco e duro depois de uns dias.

40 gr de passas brancas
2 colheres de sopa de brandy
225 gr de ricota
250 gr de açúcar super fino
225 de farinha de polenta
1 pitada de nos moscada ralada na hora
Casca ralada de 1 limão siciliano
1/4 colher chá de extrato de baunilha
20 gr de manteiga sem sal gelada cortada em cubos
2 colheres de sopa de pinoles [*não usei]
Açúcar de confeiteiro para decorar se quiser [*não quis]

Coloque as passas de molho no brandy e cubra com água, deixe descansar por 30 minutos. Escorra as passas e seque bem. Pré-aqueça o forno em 320ºF/160ºC. Unte uma forma grande [25cm] de fundo removível com manteiga e reserve. Coloque a ricota numa vasilha grande e adicione 440ml de água fria. Bata bem com um batedor de arame até a ricota dissolver completamente. Adicione o açúcar e bata bem. Junte a polenta [polvilhando para não empelotar] a noz moscada, raspas de limão, baunilha e as passas. Mexa bem. Não se assuste com a cara líquida da massa! Coloque tudo na forma untada. Coloque uma assadeira por baixo, porque vai vazar um pouquinho do liquido. Salpique com os cubinhos de manteiga e os pinoles, se for usar. Leve ao forno e asse por 1 hora e 30 minutos, até a massa estar bem firme e com um tom dourado. Remova do forno, deixe esfriar, desenforme e sirva polvilhado com açúcar de confeiteiro. Eu não polvilhei. Mangiare questa delizia! Buon appetito!

bolo de polenta bolo de polenta

Balouza scented jelly
[pudim transparente aromatico]

Balouza Balouza

Ando folheando este livro da Claudia Roden em busca de receitas diferentes e também inspiração. Muitas das sobremesas que ela oferece são de uma simplicidade quase inacreditável. Esse pudim feito apenas com água e amido de milho—joias de opalina—parece uma brincadeira. A gente até esboça um risinho debochado no canto da boca, porque não pode ser possível. Mas é. A balouza é um pudim aromático e delicado. Fiz com água de flor de laranjeira e pistache e achamos uma delícia. Há inúmeras variações, feito com leite, suco de laranja, farinha de arroz. Essa simplezinha, feita apenas com água, ficou muito gostosa.

1/2 xícara de amido de milho
4 xícaras de água
1/2 xícara de açúcar
3 colheres de sopa de água de flor de laranjeira ou de rosas
1/2 xícara de pistaches picados [ou amêndoas]

Numa panela misture o amido de milho com um pouco da água até formar pasta lisa. Adicione o resto da água e o açúcar, misture bem com uma colher de pau até os ingredientes se dissolverem completamente. Levar ao fogo para ferver, mexendo sempre. Assim que ferver abaixe o fogo e continue mexendo até formar um creme bem denso. Junte a água de flor de laranjeira [ou de rosas] e continue cozinhando o creme por mais 1 a 2 minutos. Adicione os pistaches ou amêndoas picadas, misture bem e despeje em copos ou tacinhas de vidro. Leve à geladeira para firmar e gelar.

Balouza cabin in the sky

ameixa seca recheada com noz
e cozida no suco de laranja

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Essa é outra sobremesa fabulosa, típica do oriente médio, que tirei do livro The New Book of Middle Eastern Food da Claudia Roden. Precisa de apenas três ingredientes e um pouco de paciência para esperar as ameixas esfriarem.

Ameixas secas ◼︎ Nozes ◼︎ Suco fresco de laranja

Corte a lateral de cada ameixa com cuidado e insira uma metade de noz. Coloque todas as ameixas recheadas numa panela, cubra com suco de laranja e leve ao fogo baixo, deixe cozinhar por uns 30 minutos ou até as ameixas absorverem todo o líquido e restar apenas um pouco de xarope da laranja. Remova da panela, coloque numa travessa, deixe esfriar completamente e sirva. Pode acompanhar iogurte ou creme de leite fresco batido, mas eu não fiz. As minhas ameixas ficaram meio avermelhadas porque tinha uma laranja sanguínea entre as laranjas que espremi.