shrikhand — sobremesa de iogurte, pistache, cardamomo & açafrão

Fiquei louca quando vi a matéria com essa receita no NYT. Achei absolutamente lindo e genial, mas naquele dia tinha expirado meus dez artigos de graça e o jornal não me deixou ler sobre essa sobremesa. Respirei fundo e uns dias depois ela veio anexada no e-mail que recebo do NYT Cooking e ela foi pra minha caixa de receitas no website deles. Corri comprar iogurte grego e preparei o shrikhand, uma receita da Índia ocidental feita apenas com iogurte drenado e açúcar. Devoramos essa delicada sobremesa acompanhada de figos frescos. Mas deve ficar igualmente bom com qualquer outra fruta.

800 gr de iogurte Grego natural integral
1 e 1/2 xícaras de açúcar de confeiteiro
1 xícara de pistache sem sal torrado e grosseiramente picado
1 colher de chá de açafrão picado e mais uma pitada para decorar
1/4 de colher de chá de cardamomo em pó

Coloque o iogurte sobre uma peneira fina coberta com um pano sobre uma tigela grande. Cubra com filme plástico e coloque na geladeira por pelo menos 24 horas.

Transfira o iogurte drenado para uma tigela e misture delicadamente com uma espátula o açúcar, os pistaches, o açafrão picadinho e o cardamomo em pó. Transfira para uma travessa, espalhe pistaches extras e uma pitada de açafrão picadinho por cima. Leve para gelar por algumas horas e sirva. Pode-se substituir os pistaches por amêndoas.

bolo de polenta & ricota

bolo de polenta

bolo de polenta

Eu e o meu filho viramos cidadãos italianos, ele no ano passado, eu este ano. Ele foi pra Itália aprender italiano e eu estou tentando aprender um pouco por aqui mesmo, usando um curso online [Duolingo]. Tô sofrendo horrores, não tá sendo fácil. Já ele pegou uma fluência incrível. Agora tudo ele fala em italiano comigo, eu respondo tentando o meu melhor, mas quase sempre faço erros ou falo com aquele sotaque de palhaço de ator de novela brasileira. A Itália sempre foi pra mim um grande ponto de referência, já que sou metade italiana [por parte de mãe, com 45% de Italia no meu DNA]. Agora tudo isso está mais acentuado, porque adotar a cidadania dos seus antepassados é um evento muito relevante. Me sinto fechando um ciclo, desde que os meus bisavós entraram num navio rumo à América. Por isso [também] ando fazendo e refazendo muitas receitas italianas e até resgatei uns livros que estavam empoeirados na estante do andar de cima da casa, onde nunca olho. Esse é um daqueles livros bonitos de enfeitar mesa de sala, mas acho que nunca tinha testado nenhuma receita dele. É um livrão todo recheado de fotos lindas com passo-a-passo. Sempre desconfio desses tipos de livros bonitos, porém com receitas que não dão certo. Dei uma chance pra esse bolo, que me deu a impressão de ser uma daquelas receitas de tempos difíceis ou de inverno, quando não se podia ter todos os ingredientes em mãos. A massa fica super líquida, achei sinceramente que iria dar tudo errado. Mas felizmente deu tudo certo. Fica um bolo meio pudim, mas muito saboroso. Comemos no dia seguinte, mas ele não dura muito, vai ficando mas seco e duro depois de uns dias.

40 gr de passas brancas
2 colheres de sopa de brandy
225 gr de ricota
250 gr de açúcar super fino
225 de farinha de polenta
1 pitada de nos moscada ralada na hora
Casca ralada de 1 limão siciliano
1/4 colher chá de extrato de baunilha
20 gr de manteiga sem sal gelada cortada em cubos
2 colheres de sopa de pinoles [*não usei]
Açúcar de confeiteiro para decorar se quiser [*não quis]

Coloque as passas de molho no brandy e cubra com água, deixe descansar por 30 minutos. Escorra as passas e seque bem. Pré-aqueça o forno em 320ºF/160ºC. Unte uma forma grande [25cm] de fundo removível com manteiga e reserve. Coloque a ricota numa vasilha grande e adicione 440ml de água fria. Bata bem com um batedor de arame até a ricota dissolver completamente. Adicione o açúcar e bata bem. Junte a polenta [polvilhando para não empelotar] a noz moscada, raspas de limão, baunilha e as passas. Mexa bem. Não se assuste com a cara líquida da massa! Coloque tudo na forma untada. Coloque uma assadeira por baixo, porque vai vazar um pouquinho do liquido. Salpique com os cubinhos de manteiga e os pinoles, se for usar. Leve ao forno e asse por 1 hora e 30 minutos, até a massa estar bem firme e com um tom dourado. Remova do forno, deixe esfriar, desenforme e sirva polvilhado com açúcar de confeiteiro. Eu não polvilhei. Mangiare questa delizia! Buon appetito!

bolo de polenta bolo de polenta

Balouza scented jelly
[pudim transparente aromatico]

Balouza Balouza

Ando folheando este livro da Claudia Roden em busca de receitas diferentes e também inspiração. Muitas das sobremesas que ela oferece são de uma simplicidade quase inacreditável. Esse pudim feito apenas com água e amido de milho—joias de opalina—parece uma brincadeira. A gente até esboça um risinho debochado no canto da boca, porque não pode ser possível. Mas é. A balouza é um pudim aromático e delicado. Fiz com água de flor de laranjeira e pistache e achamos uma delícia. Há inúmeras variações, feito com leite, suco de laranja, farinha de arroz. Essa simplezinha, feita apenas com água, ficou muito gostosa.

1/2 xícara de amido de milho
4 xícaras de água
1/2 xícara de açúcar
3 colheres de sopa de água de flor de laranjeira ou de rosas
1/2 xícara de pistaches picados [ou amêndoas]

Numa panela misture o amido de milho com um pouco da água até formar pasta lisa. Adicione o resto da água e o açúcar, misture bem com uma colher de pau até os ingredientes se dissolverem completamente. Levar ao fogo para ferver, mexendo sempre. Assim que ferver abaixe o fogo e continue mexendo até formar um creme bem denso. Junte a água de flor de laranjeira [ou de rosas] e continue cozinhando o creme por mais 1 a 2 minutos. Adicione os pistaches ou amêndoas picadas, misture bem e despeje em copos ou tacinhas de vidro. Leve à geladeira para firmar e gelar.

Balouza cabin in the sky

ameixa seca recheada com noz
e cozida no suco de laranja

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Essa é outra sobremesa fabulosa, típica do oriente médio, que tirei do livro The New Book of Middle Eastern Food da Claudia Roden. Precisa de apenas três ingredientes e um pouco de paciência para esperar as ameixas esfriarem.

Ameixas secas ◼︎ Nozes ◼︎ Suco fresco de laranja

Corte a lateral de cada ameixa com cuidado e insira uma metade de noz. Coloque todas as ameixas recheadas numa panela, cubra com suco de laranja e leve ao fogo baixo, deixe cozinhar por uns 30 minutos ou até as ameixas absorverem todo o líquido e restar apenas um pouco de xarope da laranja. Remova da panela, coloque numa travessa, deixe esfriar completamente e sirva. Pode acompanhar iogurte ou creme de leite fresco batido, mas eu não fiz. As minhas ameixas ficaram meio avermelhadas porque tinha uma laranja sanguínea entre as laranjas que espremi.

sugarplums

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Quem não ficaria animada ao receber uma oferta de “compre este livro para o kindle por apenas $1,99”? Pois eu é que não iria ser do contra e fiquei muito animada mesmo, tanto que cliquei em “comprar” imediatamente. O livro ficou meses mofando no meu kindle, porque tenho tantos livros empilhados lá, esperando para serem lidos. Um de cada vez. E no dia que terminei de ler um livro e não sabia exatamente qual outro eu iria começar, abri The Beekman 1802 Heirloom Dessert Cookbook. Marquei muitas receitas, que são divididas por estações do ano. Essa de sugarplums, listada no inverno, eu fiz primeiro porque calhou de ter todos os ingredientes na despensa. Omiti o açúcar de confeiteiro, porque as frutas secas já são bem doces e ainda tem o mel. Acho que daria também pra omitir o mel.

3/4 xícara de amêndoas tostadas
1/2 xícara de tâmaras sem caroço
1/2 xícara de damascos secos
1/2 xícara de cerejas secas
3 colheres de sopa de mel
3 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro [*omiti]
3/4 colher de chá de cardamomo em pó
3/4 colher de chá de canela em pó
1 pitada de sal

Num processador de alimentos adicionar as amêndoas, as tâmaras, os damascos e as cerejas e processe até que fique uma massa grossa Adicione o mel, açúcar de confeiteiro se quiser usar, o cardamomo, a canela e o sal. Pulse bem para combinar.Com as mãos umedecidas molde pequenas bolinhas do tamanho de uma noz. Rolar as bolinhas no açúcar de confeiteiro. Guarde as sobras na geladeira.

sbrisolona
[bolacha italiana de amêndoa]

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A receita diz que o sbrisolona é um bolo, mas depois de fazê-la eu discordo dessa categorização. A não ser que eu tenha feito tudo errado, isso é uma bolachona. Pela descrição é isso mesmo, uma bolacha farofenta, quebradiça e absolutamente deliciosa. A receita pede por uma forma de 25cm mas eu decidi fazer em seis pequenas [de 10cm] e uma média [de uns 18]. Deu certinho. Nós comemos uma bolacha cada um, acompanhadas de infusão de gengibre e limão, o Uriel empacotou duas e o restante eu levei pro trabalho, onde distribuí entre colegas e amigos. Todo mundo que comeu gostou e elogiou. Meu chefe estava comendo um pedaço quando entrei na sala e o ambiente cheirava a laranja. Uma delicia! Um bom presente e uma boa maneira de iniciar o ano no ambiente de trabalho.

1 e 1/2 xícaras [200 gr] de amêndoas
Amêndoas extras para decorar
1 e 1/2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de farinha de semolina
1 xícara de açúcar
1/2 colher de chá de sal kosher
Raspas de 1 laranja grande
1 colher de chá de sementes de anis e um pouco mais para decorar
1 xícara [226 gr] de manteiga sem sal amolecida
2 gemas de ovo grande
Açúcar de confeiteiro para polvilhar [opcional]

Pré-aqueça o forno a 350°F /176ºC. Unte uma forma de fundo removível de 25 cm com manteiga. Forre com papel vegetal e unte novamente. Eu usei seis dessas forminhas de fundo removível pequenas, com 10 cm e outra pequena de uns 18cm. No processador de alimentos coloque as amêndoas e pulse até elas ficarem moídas mas não pulverizadas. Em uma tigela grande misture as amêndoas moídas, as farinhas, o açúcar, o sal, as raspas da laranja e as sementes de anis. Usando as mãos, misture a manteiga e as gemas de ovo até ficar incorporado. A massa fica grudenta e grossa, não é uma massa uniforme e lisa. Espalhe a massa pela forma [or forminhas] uniformemente. Decore com amêndoas inteiras e sementes de anis. Asse na grade média do forno por uns 30 minutos. Comece a checar nos primeiros 10 minutos se fizer em forminhas menores. As bolachas estarão prontas quando o centro ficar dourado. Remova do forno, deixe esfriar completamente e remova cuidadosamente das formas ou forminhas e transfira para uma travessa grande. Se quiser pode polvilhar com açúcar de confeiteiro. Eu não quis.

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tâmaras recheadas
com amêndoas—tamr bi loz

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Tenho usado muito um livro lindo da Claudia Roden que eu tenho chamado The New Book of Middle Eastern Food para procurar por receitas ou me inspirar. Faço buscas por ingredientes [agora os aparecidos da primavera] ou apenas dou uma folheada para achar ideias diferentes. Esses docinhos captaram a minha atenção, porque são tão simples de fazer e nada que leve esse tipo de ingredientes pode não dar certo ou não ficar bom. Usei todas as Medjool orgânicas que tinha comprado no inverno. Essas tâmaras recheadas ficam parecendo bombons. Uma delicia que derrete na boca. Fiz com amêndoas e água de flor de laranjeira, mas quero fazer novamente usando pistachios e água de rosas. No livro a Claudia Roden conta que no Norte da Africa o recheio de amêndoas é tingido de verde para parecer pistachio, que é considerado mais refinado.

1 e 1/2 xícara de amêndoas ou pistachios
1/2 xícara de açúcar super fino
2 a 3 colheres de sopa de água de rosas ou de flor de laranjeira
500 gr de tâmaras secas [das macias californianas ou tunisianas]

Num processador de alimentos misture as amêndoas [ou pistachios] com o açúcar e a água de flor de laranjeira [ou de rosas]. Pulse até obter uma pasta bem firme, que possa ser moldada com os dedos. Abra as tâmaras com cuidado usando a ponta de uma faca afiada. Remova a semente e recheie com uma quantidade generosa da pasta de amêndoa. Guarde num recipiente com tampa.

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com pistachios & água de rosas

bolo de trigo sarraceno & maçã
[ shwarzplententorte ]

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Procurando por uma sobremesa para fazer para um jantar me deparei com essa receita de shwarzplententorte — buckwheat & apple cake e parei por ali mesmo. Eu sei que esse tipo de bolo não é exatamente uma sobremesa, mas pra mim foi. Servi acompanhado de sorvete de creme e amoras frescas. O restante nós devoramos com chá no dia seguinte. A massa fica bem densa e escura e a maçã praticamente desaparece—fica só como presença saudável no background, porque o trigo sarraceno domina o sabor desse bolo. Eu não achei geleia de lingonberry nem de cranberry no meu supermercado local, então substitui por uma artesanal de framboesa ácida e ficou muito bom.

1 xícara [250 gr] de manteiga em temperatura ambiente
1 xícara [250 gr] de açúcar
6 ovos caipiras, gema e clara separadas
2 xícaras de farinha de trigo sarraceno
2 e 1/4 xícaras de farinha de amêndoas [almond meal, se possível com a pele]
1 maçã ralada
1 fava de baunilha
200 gr de geléia de lingonberry [ ou groselha, ou cranberry ou framboesa ]
1/2 colher de sopa de açúcar de confeiteiro para polvilhar

Bata a manteiga e o açúcar. Adicione as gemas e bata até ficar pálido e cremoso. Adicione o trigo sarraceno, a farinha de amêndoa, a maçã ralada e as sementes raspadas da baunilha e mexa até ficar bem misturado.

Bata as claras em picos firmes. Misture delicadamente, aos poucos, na massa até ficar bem incorporado e despeje tudo em uma assadeira redonda untada com manteiga e forrada com papel vegetal.

Asse em forno pré-aquecido em 350ºF/ 176º C por cerca de 50 minutos ou até que o bolo fique dourado e cozido no centro. Remova do forno e deixe esfriar completamente. Corte o bolo ao meio com a ajuda de uma faca afiada e depois passando uma linha pelo corte. Coloque a parte inferior numa travessa e espalhe a geléia por cima. Cubra com a outra parte, polvilhe com açúcar de confeiteiro e sirva.

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