pudim com sementes de gergelim preto & mel

sesame-seeds-pudding

Fui várias vezes num restaurante japonês em Davis que serve “tapas”. Come-se em pratinhos pequenos mil coisinhas gostosas e bebe-se cerveja ou vinho espumante. Numa das vezes decidimos pedir sobremesa. Eles têm apenas três opções e uma delas era um pudim com sementes de gergelim preto. Achei uma delicia! Resolvi replicar o pudim em casa e fui atrás de uma receita. Achei essa aqui, que me pareceu bem similar. Fiz com agar-agar, porque tinha um envelope que queria gastar.

1/4 xícara sementes de gergelim preto torradas ou 3 colheres de sopa de pasta de sementes de gergelim preto
1/3 xícara de mel
1 e 1/2 xícaras de leite integral
2 colheres de chá de gelatina em pó [usei agar-agar]
1 e 1/2 xícaras de creme de leite fresco

No pilão ou no moedor de especiarias, moa as sementes de gergelim bem fininho. Pode fazer no mini processador, pulsando as sementes com 1/3 xícara de mel até formar uma pasta. Se for usar a pasta comprada pronta [acha pra comprar em loja de produtos asiáticos], pule essa parte. Coloque o leite numa panela média e polvilhe a gelatina em pó uniformemente por cima. Deixe descansar por 5 minutos. Leve a panela ao fogo baixo, mexendo sempre, até que a gelatina se dissolva. Se usar agar-agar deixe ferver. Misture as sementes de gergelim preto pulverizadas e o mel. Remova do fogo e misture o creme de leite. Misture bem com um batedor de arame e despeje o líquido em 6 ramequins ou taças de sobremesa. Leve à geladeira por pelo menos 2 horas, para firmar.

panquecas persas de abóbora

kaka-pancake

A Amazon às vezes tem ofertas incríveis de livros de culinária para o Kindle. Fiquem de olho, porque livros maravilhosos podem ficar disponíveis por precinhos que vão de $2,99 a $0,99. Isso mesmo, alguns custam menos que uma pataca! Peguei essas ofertas duas vezes e comprei quase vinte livros. Um deles foi [wp_colorbox_media url=”http://chucrutecomsalsicha.com/wp-content/uploads/2017/02/persianbook.jpg” type=”image” hyperlink=”esse de comidas persas”]. Escolhi fazer essas panquecas de abóbora, pois ainda tinha [tenho] uma abóbora que comprei no halloween para enfeitar a sala e tinha assado e congelado em porções. Fiz as panquecas para o meu jantar de convalescente quando fiquei mofando em casa com um resfriado chato. A receita faz umas doze panquecas, então comi duas e o resto coloquei num prato e levei para os meus colegas no trabalho. Alguns colegas comeram, mas o meu chefe exagerou. Pegou uma logo de manhã quando chegou, duas de sobremesa no almoço e no final do dia pegou as duas últimas que ainda estavam no prato e levou pra casa. Fica uma panqueca muito aromática, por causa da água de rosas. Como recomenda a autora do livro, essas panquecas típicas do norte do Irã podem ser comidas como café da manhã ou como sobremesa, ou em ambas as ocasiões, como fez o meu chefe!

1/2 xícara de açúcar
1 ovo caipira grande em temperatura ambiente
3 colheres de sopa de água de rosas
1 xícara de purê de abóbora [eu sempre asso a minha]
1 xícara de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de canela em pó
2 colheres de sopa de óleo vegetal [para fritar]
1 colher de sopa de açúcar de confeiteiro [para decorar]
1/2 xícara de nozes e pistaches picados [para servir]

Misture o açúcar e o ovo numa vasilha e bata bem, como a batedeira ou o batedor de arame. Adicione o purê de abóbora e a água de rosas e bata bem. Adicione a farinha de trigo, o fermento e a canela e misture com uma espátula. Leve a massa à geladeira por pelo menos 1 hora. Pode fazer à noite e deixar na geladeira até o dia seguinte, se for fazer pro café da manhã. Coloque o oleo aos pouquinhos na frigideira [eu gosto de espalhar com um pincel] , coloque mais ou menos 1/4 de xícara da massa e vá fritando as panquecas uma por uma. Polvilhe com açúcar de confeiteiro, salpique com as nozes e pistaches e sirva.

o inverno dos cítricos

Nosso inverno é iluminado pelas frutas cítricas. A natureza é muito sábia e nos oferece o que precisamos para enfrentar os percalços das estações. Sem os cítricos como iríamos sobreviver às gripes e resfriados? Passei uns dias doentes, bebendo infusões de limão cravo com mel. Ajudou muito! E adoramos fazer aquele clássico chá de limão com gengibre, que pode ser servido quente ou frio. Neste inverno eu praticamente ganhei quase todas as frutas cítricas que tenho consumido. Limões rosa, siciliano ou Meyer, laranjas, tangerinas, grapefruits e pomelos. Minhas vizinhas me presentearam com laranjas e mexericas, meus colegas de trabalho me inundaram com todos os outros tipo, incluindo um pomelo do tamanho de uma bola de futebol, que me rendeu um litro de polpa rosada e doce. Fora as laranjinhas kinkans e os limões que peguei no campus. Estou fazendo tanta receita com cítricos—gelatina com limão rosa, saladas de grapefruit, molhos pesto, cocktails, refiz esse curd com azeite usando os preciosos limões Meyer para presentear amigos no Valentine’s day. E bolos, de laranja, kinkans e limão. Fiz também os limões rosa preservados no sal. Ainda tenho ainda muitos cítricos para usar. Vou congelar o suco dos limões rosa, para poder usar quando essa estação ensolarada dos cítricos terminar.

pudim de chocolate

chocolate-flan

Tenho feito muitos “flans” porque eles são fáceis de fazer e tenho usado as receitas do site da Nestlê, porque imagino que elas foram bem testadas. Esses pudins fazem um sucesso enorme com os americanos, porque são diferentes. E agradam os brasileiros, porque é nossa comfort food. Perdi a conta de quantas fatias desse pudim de chocolate o meu filho repetiu. Usei um cacau em pó da Valrhona que deixou o pudim bem chocolatudo. Servi como sobremesa para um almoço com amigos acompanhado de fatias de laranja sanguínea temperadas com mel.

1 xícara de açúcar para fazer a calda
1 lata de leite condensado
1 xícara de cacau em pó
2 vezes a mesma medida [lata] de leite integral
3 ovos caipiras

Para fazer a calda coloque o açúcar numa panela e derreta em fogo baixo até formar uma calda dourada. Forre uma forma com furo no meio com essa calda e reserve.

Pré-aqueça o forno em 356ºF/180ºC. Bata no liquidificador o Leite condensado, o leite, o cacau e os ovos até que fique tudo homogêneo. Despeje na forma caramelizada. Cubra a forma com papel alumínio, coloque sobre uma assadeira com bordas e despeje água fervendo na assadeira até quase a borda. Leve ao forno e asse em banho-maria por 1 hora e 30 minutos. Remova do forno, deixe esfriar e leve à geladeira por cerca de 6 horas. Desenforme com cuidado numa travessa e sirva.

bloodoranges

geléia de limão rosa

Uma coisa é você crescer vendo todo mundo ao seu redor fazer algo na cozinha. Outra coisa é você tentar fazer algo sem nunca ter visto ninguém fazer. Minha amiga, uma budista nascida e criada numa fazenda no Idaho, me deu um vidro de geléia de limão feita por ela. Quando eu pedi a receita, ela disse, ah é muito fácil! É só cortar os limões, remover as sementes, deixar tudo misturado na geladeira de um dia pro outro, depois cozinhar até o termómetro chegar em 220ºF e tchan dan! Ela me mandou o link para uma receita similar, depois me trouxe o livro de onde ela tirou a receita que fez. Eu comprei uma versão pra mim, e como tinha uma sacola cheia de limões rosa doados por um colega, decidi que faria a marmalade. Não foi tão simples assim. Primeiro fiquei mais de 1 hora em pé na cozinha cortando os limões, separando as membranas e as sementes. Depois rodei  cidade debaixo de chuva pra achar um termômetro. Comprei um que não era o ideal. Daí inventei de fazer a geléia enquanto fazia o almoço de domingo. Cozinhar pode ser estressante se você não tiver certeza do que está fazendo. Como a minha amiga do Idaho, que cresceu vendo a mãe, a avó, as tias, as vizinhas fazendo geléia, eu cresci vendo a minha mãe fazer macarrão. Na massa de macarrão sou craque, porque sei todos os passos e como tudo deve se comportar.  Mas geléia, só mesmo aquelas improvisadas de cozinhar a banana ou o morango com qualquer quantidade de açúcar ou inventar moda. Nunca fiz nada do jeito certo, nunca fiz o processo de esterilizar e  vedar os vidros. Sei que tem uma técnica, só não sei qual é.  No domingo fiz malabarismos com várias tarefas, preparei o almoço, fiz macarrão. E fiz a geléia, que cozinhou, cozinhou e,  naquele minuto em que me distraí, passou do ponto. Achei que tinha dado tudo errado, chorei pitangas me achando um fracasso, reclamei muito, me dei chicotadas morais, mas quando fui olhar, tinha ficado mais ou menos como deveria ficar. A geléia ficou um pouco escura, queimou um pouco no fundo, cozinhou uns minutos além da conta, mas solidificou e até que ficou gostosa. Farei de novo? Sim. Mas desta vez, com a experiência de quem aprendeu algumas lições com os erros. A licão mais importante é que não se deve fazer geléia ao mesmo tempo em que prepara o frango, faz o molho de tomate, faz a massa pro macarrão, faz a salada, assobia e chupa cana.

Adaptado da receita de Meyer Lemon Marmalade do livro Food in Jars da Marisa McClellan. Essa receita é bacana porque usa a pectina natural do limão, contida nas membranas e sementes, para engrossar a geléia. E ela fica bem firme, parece até que se usou gelatina. E só tem realmente limão! Como toda marmalade, o resultado fica um pouquinho amarguinho. O limão rosa é muito mais acido que o meyer, mas eu mantive a mesma quantidade de açúcar. Achei que ficou perfeito.

1 e 1/2 quilos de limões orgânicos [*usei o limão rosa]
860 gr de açúcar

Lave bem os limões e seque. Com uma faca afiada corte as extremidades de cada limão. Corte ao meio e em gomos, remova a medula interna e as sementes e reserve numa tigela. Corte cada gomo de limão em fatias finas. Eu segui o conselho da minha amiga Amanda e coloquei os gomos com a lâmina de fatiar do processador de alimentos. Se quiser fatias maiores, faça a mão com a faca. Em uma tigela grande combine as fatias de limão e 400 gr de açúcar. Mexa bem. Faça um “pacote de pectina” usando um pedaço de gaze ou cheese cloth. Coloque no centro as membranas brancas, partes cortadas das pontas e as sementes que foram removidas dos limões. Amarre as pontas para fazer um saquinho. Adicione este pacote de pectina na tigela com as fatias de limão e o açúcar. Leve à geladeira por um período mínimo de 6 horas ou até 48 horas.

Remova a tigela da geladeira e coloque em uma panela grande, juntamente com o pacote de pectina. Adicione os 460 gr de açúcar restante e junte  1 litro de água.  Leve para ferver em fogo alto, mexendo sempre com uma espátula antiaderente. Deixe ferver por 30 a 50 minutos e use um termômetro para verificar quando a geléia atingir 220ºF/105ºC. Quando a geléia chegar a essa temperatura e se mantiver assim por um minuto, mesmo se for mexida, desligue o fogo. Coloque a geléia nos vidros, fazendo a esterilização de acordo. Eu não fiz. Usei algumas jarras Weck, que são boas pra manter conservas na geladeira, e congelei outros dois vidros. Da próxima vez vou tentar aprender a vedar os vidros da maneira certa. Será minha meta pra 2017!

calzoni di ceci
[pasteizinhos de grão-de-bico]

No Natal eu quis quis refazer algumas comidas que eu comia na casa dos meus pais. Era inevitavelmente um carneiro assado e uma panela de cabrito à caçadora. Falei com a minha mãe sobre isso e fui atrás de uma receita pro cabrito. Foi então que tive o choque da minha vida—o cabrito é o filhote da cabra, um baby goat! Era isso que comíamos no Natal, um bebê! Fiquei tão aparvalhada, não conseguia me conformar. Alguém me disse que alguns cabritos são malvadinhos e que tinha certeza de que eu tinha comido um deles e não um dos fofinhos. Na verdade eu mal comia o cabrito, eu gostava mesmo era do molho, com tomate e vinho, onde eu molhava o pão. As recordações dessas comidas ficarão, mas a realidade é que não posso mais com isso de comer esses bichos fofinhos. Acabei fazendo um prato com bacalhau, que nunca foi uma tradição na minha família. Mas para os doces não tinha nenhum animal envolvido. Nós sempre tínhamos as crispelas—flores feitas de massinha, fritas e cobertas com açúcar de confeiteiro e mel; e os pasteizinhos recheados de grão-de-bico, que eram os meus favoritos. Fui buscar receitas, tinha que ser uma tradicional da Basilicata, a região na Itália de onde veio toda a família da minha mãe. Procurei muito e achei essa aqui que se encaixou mais ou menos no que eu queria. Na receita da minha mãe não ia chocolate derretido, apenas chocolate em pó [usávamos aquele da caixinha dos Frades]. Como vi muitas, mas muitas receitas de todos os cantos da Itália, percebi que algumas usavam castanhas portuguesas outras grão-de-bico. Talvez a versão com o grão-de-bico fosse a mais barata.  É uma ideia genial e fica gostoso demais. Fiz mais de cem pasteizinhos, dei um pouco para as minhas vizinhas, outro pouco pro Gabriel, eu e o Uriel comemos a beça e eu pude matar as lombrigas que me atormentavam há dezenas de anos!

para a massa:
400 gr de farinha de trigo
1 xícara de azeite de oliva
1 xícara de vinho branco [*usei o anisete, licor de anis]
50 gr de açúcar
1 ovo caipira

para o recheio:
1 quilo de grão-de-bico.
500 gr de chocolate meio-amargo
50 gr de cacau em pó
1/2 xícara de anis ou vermute [*usei anis]
1 xícara de mel.
1 colher de chá de extrato de baunilha.

Coloque todos os ingredientes para a massa numa vasilha e misture bem até obter uma massa bem homogênea e macia. Pode usar a batedeira com a pá. Deixe a massa descansar por uma hora.

Cozinhe o grão-de-bico que foi deixado previamente de molho até ficarem macios. Ou use os de lata ou caixa, já cozidos. Coloque o grão-de-bico no processador de alimentos e pule até obter uma massa. Derreta o chocolate em banho-maria e adicione ao grão-de-bico, juntamente com o cacau em pó, o licor, o mel e a baunilha. Pulse para incorporar.

Abra a massa com um rolo, corte discos usando a borda de um copo e coloque em cada disco um pouquinho do recheio. Dobre a massa e feche selando as bordas com os dentes de um garfo. Frite os pasteizinhos em bastante óleo quente. Decore com açúcar de confeiteiro ou com gotas de mel. Guarde um um recipiente com tampa.

torta de ricota e polenta

Queria fazer uma sobremesa italiana de ricota para receber minhas amigas num almoço. Escolhi essa receita, mas acho que errei na quantidade de alguma coisa [talvez a farinha de amêndoa], porque essa torta ficou mais como um bolo, nada cremoso, bem mais seco. Não teve problema, nós comemos do mesmo jeito, acompanhado de caquis cortados em cubinhos e regados com suco de limão.

1/2 xícara de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1/2 xícara de mel
Raspas da casca de 3 limões orgânicos
1/2 colher de chá de extrato de baunilha
4 ovos caipiras, gemas e claras separadas
1 e 1/4 xícaras de farinha de amêndoa
1 xícara de farinha de polenta
1 xícara de ricota fresca
1/2 xícara de fatias de amêndoas

Pré-aqueça o forno a 325°F/163°C. Forre uma forma de fundo removível com com papel vegetal e reserve. Coloque a manteiga, metade do mel, as raspas de limão e baunilha na batedeira e bata até ficar cremoso. Adicione as gemas e continue a bater por um minuto a mais. Adicione a farinha de amêndoa, a polenta e a ricota e misture bem. Bata as claras em uma tigela separada. Adicione o restante mel e continue batendo até obter picos firmes. Misture as claras com cuidado na mistura de bolo usando uma espátula. Coloque a mistura na forma preparada e polvilhe as amêndoas por cima. Leve ao forno e asse por 40 a 50 minutos. O centro do bolo pode parecer um pouco mole, mas firmará depois de frio. Deixe esfriar completamente antes de retirar da forma.