um tipo de pissaladière

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Na última segunda-feira, assustadas e abobalhadas com a quantidade de verduras entuchadas na cesta orgânica, eu e a Marianne tivemos a pachorra de contar: DEZ tipos diferentes de folhas verdes. Dez, mes amis, DEZ. Eu sugeri que ela adquirisse um bom livro de receitas vegetarianas, porque não tem criatividade culinária que se sustente sozinha nesse monocromático panorama.
Persisto nos repetecos das folhinhas picadas e refogadas com alho ou cebola e respingadas com limão, que tanto eu como o Uriel gostamos. Mas com tanta variedade, HAJA verdurinha refogada, hein? A morte pelo tédio certamente e felizmente nunca será uma ameaça concreta se depender da minha capacidade de correr atrás de idéias. Até que tenho feito bastante coisas diferentes com as verduras. Como aquela torta com massa de azeite, que foi um achado. E agora encontrei outra forma de consumir as verduras, de maneira criativa e deliciosa.
Voltei a fazer a massa da pizza de sábado em casa. Eu tenho fases intercaladas de ânimo e preguiça. Ando numa fase animada. Só que a receita perfeita, que uso já faz uns anos, faz duas pizzas grandes com massa bem fininha, o que não é muito prático numa casa com duas pessoas. A solução que eu encontrei foi fazer duas massas, deixar uma guardada na geladeira, já pre-assada, esperando para virar pizza no outro sábado. Mas essa idéia não vingou como eu queria, pois na segunda-feira eu já arrumei outro uso para a segunda massa.
Lembrei da deliciosa pissaladière, uma espécie de pizza provençal feita no sul da França, coberta de cebolas caramelizadas e azeitonas pretas. Imaginei um tipo de pissaladière com ou sem as cebolas, mas com muita verdura e um outro legume ou cogumelos, um queijinho e voilá!
Usei a segunda massa de pizza, que ganhou uma cobertura com folhas e caules de mostarda, fatias de cebola e cogumelos chanterelle refogados no azeite e temperados com sal marinho e pimenta do reino moída, um punhado de azeitonas pretas espalhadas e raspinhas de queijo parmesão por cima. Daí é só terminar de assar no forno em 365ºF/ 185ºC.
Refiz a mesma pissaladière numa outra segunda-feira, usando uma mistura de folhas verdes refogadas no azeite, alcachofras grelhadas e conservadas no azeite que comprei prontas, azeitonas pretas e pedacinhos de queijo de cabra.
Já pensei em mil e uma variações diferentes, sempre usando verduras, até quando essa invasão verde-clorofila durar.

5 comentários sobre “um tipo de pissaladière”

  1. Fer, são óptimas e como vivo numa aldeia rodeada de campos, agora começou a época dos grelos aqui. Uma lavradora acabou de parar aqui à porta com o cesto à cabeça cheio de molhos de grelos. Apesar de não serem biológicos, sempre são comprados directamente ao produtor e isso faz-me um bocadinho mais feliz 🙂

  2. Oi, Fer
    quando eu faco pizza, minha receita provavelmente e’ do tamanho da sua, faz quatro pizzas individuais (de bom tamanho) –
    eu geralmente formo em discos de umas 6 inches, embrulho em saranwrap e congelo. Se quero comer pizza de noite, ponho na geladeira antes de ir trabalhar, quando chego em casa ponho a temperatura ambiente enquanto o forno esquenta, preparo os toppings. Funciona beleza

  3. Se há coisa que nós aqui em casa gostamos é de folhas verdes. Vai na feijoada, no arroz malandrinho, no cozido, no refogado, salteado e etc 🙂
    Só tenho pena de não ter acesso às verduras que vocês têm aí, ainda por cima biológicas 🙂
    R: mas mesmo nao sendo biologicas sao boas, ne? ja me deu ideias pra hoje, quando vao chegar mais sei la quantas! 🙂

  4. ai ai ai Fezíssima!
    essas suas receitas, temperadinhas com histórinhas e pensamentos são tão delícia…
    AHhHHHh!!! Estou QUASE comprando meu sonhado kitchen-gadget MICROPLANE! Concordei com tua opinião de outrora – de que realmente valeria a pena investir 80 contos no dream-kitchen-tool-toy.
    Na época eu fiquei meio assim-assim pq vi no sáite da Microplane que aí, em Tio-Sam’s-Land, o gadget custa 15 doletas – convertendo para Reais seria, num pau-da-goiaba, 28 reais…
    Well, como não irei tãoooo cedo pros States AND, comparando com os preços na Nutellaland – pra onde vou-de-mala-e-cuia-em-breve =D o ralador-sonho vai custar mais até que no Brasil, pq é em euros…
    Bão! Pra finalizar esse lero-lero todo: o importante é que a loja agora está vendendo o MEU, o SEU, o NOSSO Microplane a agradáveis 60 contos!
    RÁ!
    Vou me dar de presente, depous te contarei dele, tirarei mil fotos, terei ciúmes dele em mãos alheias, farei madeleines sonhadoras e toda a sorte de receitas que pedirem citrus-snow-flakes… ai ai ai
    Beijukka e sorry pelo what-a-duck-such-long-comment, mas eu queria muito dividir isso contigo e… te acho fofíssima!
    Beijukka de novo!!!
    R: Jux, infelizmente vocês são roubados a mão desarmada ai no Brasil. realmente, aqui são 14 patacas. não tem por que ser mais que isso. mas olha, o que eu disse continua valendo—o trequinho vale a pena. uso os meus todo santo dia. boa viagem e aproveite! beijjos :-*

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