sorbet de morango
com vinho & estragão

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Os morangos já estão por todos os cantos e depois de comer toneladas deles frescos, chega a hora de inventar moda. Compro morangos no Farmers Market, na banca de uma família de quem compro também ovos [os melhores!]. Os morangos não são muito grandes, mas são deliciosos e precisam ser consumidos rapidamente, pois não duram muito. Neste dia juntei os morangos bem maduros com as sobras do vinho frizzante que tinha bebido na noite anterior [eu bebo sózinha, o Uriel não bebe mais nada de alcool há alguns anos] e um punhado de estragão fresco. Fiz um sorbet. A mistura do morango com o estragão ficou bem interessante. Essa erva tem um sabor acentuado de anis, e portanto é bem apropriada para dar um toque especial em sobremesas. Mas por causa do alcool do frizzante, esse sorbet demorou para ficar firme. Deixe um bom tempo no congelador depois que remover da sorveteira. Ele fica mais firme no dia seguinte.
350 gr de morangos orgânicos frescos e bem maduros
2 xícaras de vinho prosecco
1 colher de sopa de folhinhas de estragão picadas
Mel ou outro adoçante da sua preferência a gosto
Bata tudo no liquidificador, coloque na sorveteira e quando estiver pronto coloque num recipiente de vidro e deixe por umas horas no congelador.

radichio com aliche

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Para usar esses lindos radicchios di Verona, tirei a receita de um outro livro belíssimo da Tessa Kiros, o Venezia — food & dreams. Pra quem gosta do amarguinho dessa verdura, a adição da docura intrigante do molho de aliche faz dessa salada um prato completo e perfeito.

Usei:
2 radicchios pequenos bem lavados e cortados em quatro
2 colheres de sopa de azeite de oliva
1 dente de alho grande amassado
4 filés de aliche [anchova] em azeite [coe o azeite]
1 colher de sopa de alcaparras [coadas]
1 colher de sopa de vinagre de vinho

Coloque os radicchios cortados em quatro numa travessa. Numa panela, coloque o azeite, o dente de alho e os filés de aliche e aqueça em fogo baixo, esmagando o aliche com um garfo, até ele dissolver e formar uma pasta. Remova do fogo, adicione as alcaparras. Deixe esfriar um pouquinho, remova o alho esmagado. Jogue esse azeite sobre as folhas de radicchio. Na panela, adicione o vinagre e com a ajuda de uma colher de pau ou espátula, limpe bem todos os resíduos do azeite com aliche. Jogue esse vinagre sobre os radicchios e sirva, como acompanhamentou ou entrada, junto com pedaços de pão rústico.

nossa rotina da primavera

Abre as janelas, liga o ventilador de teto, põe um vestido, calça sapatilha sem meia, pega o guarda-chuva, veste um casaco leve, bebe cinco xícaras de chá quente, compra morangos, veste meias, desliga o ventilador de teto, coloca um casaco mais quente, enrola uma echarpe no pescoço, tira a meia, fecha a janela, guarda o guarda-chuva, liga o aquecedor, bebe quatro xícaras de chá quente, coloca a bota, tira a echarpe, pega o guarda-chuva, compra cerejas, abre as janelas, veste um vestido, coloca uma jaqueta leve, liga o ventilador de teto, põe gelo na bebida, faz o almoço na churrasqueira, guarda o casaco e a bota, tira a meia, veste a meia, desliga o ventilador do teto, fecha a janela, troca de casaco, carrega o guarda-chuva, se enrola na echarpe, come damascos, cerejas e morangos, espera pelos tomates, espera pelos tomates, espera pelos tomates, veste o sapatinho sem meia, veste saia esvoaçante, bebe várias xícaras de chá quente, assa um bolo, veste o casaco, veste a bota, pega o guarda-chuva, abre a janela, desliga o ventilador de teto, tira a meia, veste o casaco leve, se enrola na echarpe, bebe mais chá, assa mais um bolo, faz sorvete de morangos, fecha a janela, abre a janela, espera pelo verão.

Ca’ Secco

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Os italianos da vinícola Ca’ Momi não estão mais em Veneza, na Itália, mas têm a técnica, têm os recursos, têm a qualidade, por que não fazer um frizzante local? O primeiro vinho espumante estilo prosecco produzido na California—Ca’Secco.
Delicioso, refrescante, feito no Napa Valley com uma mistura das uvas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Gewürztraminer e Muscat. E tem o preço dos vinhos daqui, em torno de 15 patacas americanas por uma garrafa.
E o Ca’Secco frizzante ainda vem numa garrafa linda, com um rótulo colorido e alegre, que convida para um brinde.

nós ♥ paçoca

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A paçoca da nossa infância, da minha, da sua, de todo mundo. Pode-se até não gostar, pois não é todo mundo que curte amendoim, mas quem não provou paçoca, quem não abriu o embrulhozinho quadradinho, com cuidado pra não quebrar, colocando ele inteiro na boca e quase engasgando com a farofa derretendo, espalhando e colando nos dentes? Sempre achei que fazer paçoca em casa fosse coisa dificultérrima. Nunca cogitei, nem pensar fazer, imagina!

Mas daí vem a Neide, que ensina, esclarece e desmistifica tudo sobre absolutamente qualquer ingrediente, qualquer receita, e ainda oferece a facilidade e simplicidade de preparar coisas preciosas, como essa paçoca caseira.

Quis fazer em quadradinhos, como eu comia na infância. Acabei usando um molde para gelo de silicone. Deu certinho.

Coloquei no processador de alimentos 100gr de amendoim orgânico torrado [dried roasted], 100 gr de açúcar e 100 gr de farinha de mandioca torrada [não tinha a de milho, mas quando arranjar vou refazer com ela, como a Neide recomenda].

O segredo, acredito, é moer por bastante tempo no processador, até formar uma massa que dê mais ou menos para ser pressionada entre os dedos e ficar inteira. Eu processei por mais de 5 minutos, ia checando, a massa vai encorpando. Dai recheei as forminhas, apertando bem a massa com o dedo e alisando o topo com as costas de uma colher. Daí é só desenformar numa travessa e se deliciar.

Cheguei com a travessa com as paçoquinhas e servi uma pro Uriel. Não falei nada. Disse apenas—experimenta um. Ele colocou o coraçãozinho na boca e exclamou—PAÇOCA!

Forrei uma latinha de caramelos vazia com papel vegetal, ajeitei os coraçõezinhos de paçoca dentro, fechei a tampa e avisei o Gabriel que tinha uma surpresa pra ele. Ele veio, abriu a latinha, colocou um coraçãozinho na boca e exclamou—PAÇOCA!

Nós ♥ paçoca!!

from the ground up

Whole Earth Festival 2010 Whole Earth Festival 2010
Whole Earth Festival 2010
Whole Earth Festival 2010
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Whole Earth Festival 2010
Whole Earth Festival 2010

Três dias de música, paz e amor. Não estou falando de Woodstock, mas do Whole Earth Festival, que acontece todo ano no campus da UC Davis desde 1969. É um festival hippie, celebrando a diversidade e a vida alternativa. Todo ano é a mesma coisa, mas eu vou com o mesmo entusiasmo e como as delicias vegetarianas que eles vendem, ouço música ou discursos políticos e ambientais nos diversos palcos instalados pelo campus, olho as barracas de artesanato e o povo colorido. É um dos festivais mais populares e frequentados da universidade. Detalhes interessantes: toda a eletricidade, até a do palco principal onde as bandas grandes se apresentam, é gerada por energia solar. O festival produz ZERO de lixo, com seu programa eficientíssimo de reciclagem. Eles usam uma técnica muito legal de utensílios rentáveis. Você paga um dólar extra pelo copo, garfo ou prato, e recebe o dinheiro de volta quando retorna. A segurança e organização do festival é feita por um grupo de voluntários denominado Karma Patrol. Todos são bem-vindos, hippies, geeks, caretas, etc. Todos se vestem como querem, e dançam como querem pelo gramado do Quad. Toda a comida vendida nas barraquinhas do festival é vegetariana, vegana ou étnica. No Whole Earth Festival você vai ver de tudo, coisas que normalmente não vê no campus da Universidade da Califórnia em Davis, que é um campus muito mais sisudo e careta do que o de Berkeley, por exemplo. Nestes três dias de festa, a cidade se enche de Kombis psicodélicas e pessoas com roupas e cabelos coloridos. Eu vou sempre, pois adoro essa festa. Neste ano comi comida raw e vegana, como no ano passado. Era um curry de legumes crus, o arroz era repolho bem triturado, a salada tinha um molho delicioso e os crackers estavam incríveis. O Uriel comeu um sanduba de berinjela grelhada, nada excepcional. Bebemos limonada de gengibre adoçada com néctar de agave e de sobremesa dividimos um crepe integral recheado com morangos frescos e decorado com açúcar e nutella.
»veja todas as fotos do WEF 2010 no Flickr.
»WEF 2009—sustainalovability.
»WEF 2008—mending our web.
»WEF 2007—the zero waste festival.

bolo de iogurte & limão

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O bolo que levei no picnic musical foi essa preciosidade encontrada no novo blog da Luciana Betenson. Um bolo feito no liquidificador e quase sem sujar nenhum utensílio. Não sabia quando media o potinho de iogurte que ela usou, então instituí a medida de 1 xícara [250 ml] como base. Usei todas as outras medidas a partir daí.
Para a apresentação de Hair fiz uma versão com uma farinha de castanhas que achei dando sopa [ou bolo?] no Co-op outro dia e o açúcar demerara baunilhado, que eu faço em casa colocando as favas de baulinha usadas no pote do açúcar. Ficou um bolo bem denso, super aromático, adoramos e devoramos metade assim numa piscada. Como não deu pra tirar foto—também porque tive que cortar em pedaços pra caber na cesta, decidi refazer usando a mesma receita, mas mudando alguns ingredientes. Fiz com limão. Essa segunda versão também ficou bem densa, não ficou aquele bolo fofo, mas ficou delicioso. Além da praticidade e facilidade essa receita é realmente super adaptável. Faça como quiser, mas faça!
4 ovos inteiros
1 xícara de iogurte natural
2 xícaras de açúcar de limão
2 xícaras de farinha de trigo
½ xícara de óleo vegetal
1 colher de sopa cheia de fermento em pó
Raspas da casca de 1 limão
2 colheres de chá do suco do limão
Bater todos os ingredientes no liquidificador. Levar ao forno pré-aquecido em 355ºF/ 180ºC em forma untada e enfarinhada. Assar por mais ou menos uns 30 minutos. Deixar esfriar, desenformar e servir.

hair [musical & picnic]

Hair & picnic
Hair & picnic
Hair & picnic Hair & picnic
Hair & picnic

Quando eu e a minha prima-amiga-irmã Heloisa assistimos ao filme Hair num cinema em Campinas no inicio da década de 80, ficamos boladas. Choramos muito no final quando o personagem herói Berger, é enviado por engano no lugar do panacão Bukowski para morrer no Vietnã e todos os amigos cantam juntos Let The Sun Shine. Na época ganhei uma gatinha, que batizei de Sheila, a ricaça que vira hiponga no final da história. Comprei a trilha sonora em bolacha de vinil. Hair foi um filme que me marcou, no auge da minha adolescência, hormônios borbulhantes, cheia de idealismos, alma hiponga despontando no horizonte.

Mas apesar de ter adorado o filme, nunca tinha tido a oportunidade de ver o musical, que deu origem a tudo. Trinta anos depois […] Vejo o cartaz da produção de Hair no campus da universidade, feita pelo mesmo grupo que apresentou MacBeth em novembro passado. A peça seria encenada ao ar livre, numa área enorme de gramados e árvores no arboretum da UC Davis.

Choveu até dizer chega no domingo, que seria o último dia de apresentação de Hair e ficamos numa sinuca, não sabendo o que fazer. Eu queria muito ir e teria que ser naquele dia ou no more. O Gabriel mandou mensagens pro diretor do grupo, que é amigo dele e o cara confirmou: vai ter apresentação, com chuva ou sem chuva.

Preparei correndo os apetrechos—cadeira dobrável daquelas que se carrega convenientemente com uma alça no ombro, roupa quentinha, manta, guarda-chuva e uma cesta de picnic. Tenho um monte de cestas para esses eventos e garrafas térmicas, pratos, utensílios, toalhas macias pra estender no chão. Picnics são um dos meus eventos favoritos, embora não tenha feito um em algum tempo. Picnic noturno, numa área verde linda, vendo um musical como Hair, não tinha como me deixar mais entusiasmada. Preparei uma garrafa térmica gigante cheia com chá de gengibre e limão*, um queijo gruyere pra cortar, um pão, umas bolachas salgadas, um queijo de cabra temperado com ceboulettes, chocolate em barra, morangos frescos e um bolo ultra rápido de liquidificador.

Chegamos com o guarda-chuvão aberto, nos ajeitamos na seção para cadeiras da platéia e logo parou de chover. Fizemos nosso picnic e quando a peça começou já estávamos alimentados e confortavelmente aquecidos pelo delicioso chá. Não choveu mais pelo resto da noite.

A apresentação de Hair durou mais de duas horas, com um pequeno intervalo, quando todos correram para usar o banheiro. Eu adorei e curti cada minuto, cada música, lembrei das letras, cantei baixinho junto, dei risada e fiquei com lágrimas nos olhos durante muitos dos números e, como na primeira vez que vi o filme, chorei quando o rapaz morre no Vietnã. Quando a apresentação terminou, meus dentes batiam de tanto frio. Mesmo super agasalhados e bebendo chá, não é bolinho ficar sentado por mais de duas horas no relento numa noite fria de primavera californiana. Fomos pra casa descongelando com o aquecedor no carro e desde então estou com uma das músicas da peça dando loop na minha jukebox mental—manchester england england across the atlantic sea and i’m a genius genius i believe in god and i believe that god believes in claude that’s me that’s me!

*chá de limão e gengibre
Corte um limão em cubinhos e coloque num bule ou garrafa térmica. Rale um pedaço de gengibre—como eu compro gengibre orgânico, não descasco—e coloque junto com o limão. Jogue bastante água fervendo sobre os pedaços de limão e gengibre. Deixe descansar por uns 5 minutos. Sirva. Nós bebemos sem açúcar. Mas quem quiser, fique à vontade para adoçar.

»no final da peça encontramos com o Gabriel, que estava indo na festa de encerramento daquela curta temporada de Hair. e guess what? ele faturou a kombi cor de rosa decorada com flores que fez parte do cenário da peça. a kombi está na garagem dele e logo aparecerá em edição especial por aqui.

»não levei minha câmera, por causa da chuva e também porque sei que às vezes não se pode fotografar em espetáculos. tirei essas fotos com o celular e levei uma carcada logo depois que fiz a última foto. eu não sabia, mas os atores estavam tirando a roupa atrás da bandeira americana. perdi, por alguns segundos, de fazer uma foto mais explícita.