
O intergalactico brócolis romanesco chegou realmente para ficar. A Marianne levou outra metade na segunda-feira, mas o restante eu tive que encarar. Na cartinha que a fazenda orgânica nos envia toda semana por e-mail, veio uma sugestão de receita para usar esse legume estrupício. Fiz então.
Corte o romanesco em raminhos e fatie o caule. Cozinhe rapidamente no vapor—mas bem rapidamente, não deixe ele perder a crocância. Separe. Numa saladeira faça uma mistura de vinagre balsâmico, azeite e sal [usei flor de sal]. Pique pedacinhos de tomate seco e coloque no molho. Numa frigideira esquente um pouquinho de azeite e toste um punhadinho de pinoles. Eles ficam com um aroma delicioso. Junte o romanesco e os pinoles ao molho e misture bem. Sirva.
Se não achar o brócolis romanesco por ai—que eu assevero não ser nenhum infortúnio—faça essa salada com brócolis comum.
Autor: Fer GuimaraesRosa
sun-dried tomatoes

Parece um monstro subaquático, mas é apenas um tomate seco—sun-dried. O tomate recebe cortes em oito partes e fica aberto como uma flor assombrosa, depois que é seco sob o sol. Veio como treat na cesta orgânica, é claro!
Aprende-se, sempre
O que eu realmente gosto no meu cotidiano culinário é saber que há sempre algo novo para se conhecer. Sabores, texturas, ingredientes, maneiras de preparar, misturas, técnicas. Os horizontes estão abertos à novas tendências, experimentos e criatividade. Posso confirmar que estou sempre aprendendo e acho isso tri-bacana, pois a culinária não é nem nunca vai ser uma caixa fechada, com tradicionalismos inalteráveis, idéias impassíveis, verdades fixas e absolutas.
Por isso ainda não perdi totalmente o entusiasmo com as minhas desventuras na cozinha e adoro quando tenho algo novo para colocar em prática. E a novidade desta semana foi o caldo com a fibra e sementes da abóbora, que aprendi com a mestra Deborah Madison. Ela ensina a usar o interior da abóbora, aquela parte fibrosa, e as sementes—que eu sinceramente não tenho a menor paciência de torrar e aproveitar.
Abri uma abóbora red kuri ao meio, as fibras e sementes foram para uma panela, junto com algumas folhas de verdura verde, uns dentes de allho, pimenta preta e juniper e bastante água. Virou um caldo, que depois de ferver, ferver, foi coado e usado numa sopinha singela com macarrãozinho orzo.
E a abóbora foi pro forno cortada em cubinhos e depois de assada foi temperada com suco de limão, sal rosa do Himalaia, bastante azeite prensado com limão e salpicada com folhinhas frescas e aromáticas de manjericão, que estão crescendo na estufa da fazenda e foi nosso treat na cesta orgânica da semana. Essa foi a melhor salada de abóbora que já comi em muitos ano. Foi servida morna no jantar e o restinho que sobrou foi o meu almoço frio no dia seguinte.
pasta com limão & pistachio

A minha tarde foi completamente desgostosa, fazendo coisas desgostosas. Quando cheguei em casa, ainda amarfanhada, atordoada, com vontade de subir correndo, direto pro chuveiro e depois pra cama, decretei—hoje não haverá jantar!
Mas os gatos me fizeram rir com suas poses pidonchas e logo vi que tinha um monte de roupa suja que precisava ir para a máquina, aproveitei e guardei a louça limpa e e já coloquei outras sujas no lugar, enquanto pensava—não vai ter jantar? mas como?
Dali foi uma olhada na geladeira, outra na despensa e quando vi já estava enchendo o panelão de água e separando os ingredientes necessários, me animando com a possibilidade de um pratão de macarrão quentinho e saboroso.
Fiz uma versão simplificada dessa receita antigona, que preparei usando aquele espaguete feito com farinha de jerusalem artichoke*.
Foi só cozinhar o macarrão al dente, escorrer rapidamente e juntar um punhado de rúcula picadinha, casca e suco de um limão, outro punhado de pistachio picado, flor de sal e bastante azeite. Usei o azeite prensado com limão, que dá um toque extra-super especial. Misturar bem e servir com queijo ralado na hora. Comi, comi, comi e me senti muito melhor, esqueci as desgosturas, que foram substituídas pelo gostinho cítrico de limão, a ardidura simpática da rúcula e pela crocância adocicada do pistachio.
*para quem não sabe o que são as jerusalem artichokes, tem uma foto delas AQUI.
mesmo no inverno

salada de beterraba e maçã com molho de curry

No momento eu estou marcando frenéticamente as páginas do livro de receitas da Deborah Madison—The Greens Cookbook. Essa salada me interessou, porque tenho recebido beterrabas constantes e porque às vezes gosto de arriscar com algo diferente. E o diferente aqui é o molho, preparado com curry, que é um condimento pelo qual eu não tenho grandes simpatias. Mas quis testar os sabores e fui em frente. Pra mim esse é um molho para comer uma vez por ano. Talvez se não tivesse alho eu encarasse mais vezes. Mesmo assim achei interessante e gostoso. Valeu a pena!
Num prato arranje folhas de agrião ou rúcula, fatias finíssimas de maçã verde, fatias de beterraba assada ou cozida e algumas nozes ou pecãs tostadas. Prepare o molho num pilão ou no processador. Esmigalhe um dente de alho com uma colher de chá de sal marinho grosso até formar uma pasta. Acrescente duas colhere de sopa de curry e misture bem. Acrescente uma colher de chá de gengibre fresco descascado e ralado bem fininho. Junte duas colheres de sopa de suco de limão e seis colheres de sopa de azeite. Bata bem para incorporar e formar um creme bem grosso. Tempere a salada e sirva.
bolo de laranja & cranberry
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A receita desse cranberry orange cornmeal cake with ricotta me interessou enormemente, não só pelas fotos lindas, mas também pela mistura de ingredientes—cranberries frescas, cornmeal, laranja, ricota. Foi uma adição ligeira para a minha infinita lista de receitas por fazer e que ainda recebeu o privilégio de passar na frente das outras. Por que muitas vezes tem que ser assim.
No domingo à tarde finalmente consegui me organizar, colocar o avental e arregaçar as mangas. Porém, quando comecei a fazer o mise en place pra receita, achei que tinha ingrediente demais ajuntado em cima da pia. No final concluí o seguinte: o bolo é massa, quer dizer, massudo. É um bolo bom, mas tem muitos sabores e texturas: a crocância do cornmeal, a cremosidade da ricota, a doçura do maple syrup, a efervescência das raspas da laranja—eteceterá. Pra completar, juro que segui a receita nos micro-detalhes, mas o bolo demorou muito para assar no centro, então ficou feio a beça, com as bordas mais escuras e tostou algumas cranberries que ficaram no topo da massa. Ficou gostoso, mas muito massudo, com muitos elementos, sem falar que dá um bolo enorme, então estou me dedicando para não deixar ocorrer nenhum desperdício e, sem cometer exageros é claro, levando fatias generosas na lancheira para o snack da manhã no trabalho.
Fotos, só de longe, para não encabular o bolo feio.
cranberry orange cornmeal cake with ricotta
2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de cornmeal
1 colher de sopa de fermento em pó
½ colher de chá de bicarbonato de sódio
3 ovos
¼ xícara de maple syrup
¼ xícaras mais 2 colheres de sopa de óleo vegetal
1 ½ colher de sopa de extrato de baunilha
¾ xícara mais 2 colheres de sopa de manteiga [1 ¾ tablete]
1 ½ xícara de açúcar
2 ¼ colher de chá de sal
Raspas da casca de uma laranja
2 xícaras de ricota
2 2/1 xícara de cranberries frescas *usei as congeladas
Pré-aqueça o forno em 375ºF / 190ºC e unte uma forma redonda de 22 cm com manteiga e depois forre com papel vegetal. Numa vasilha misture com o batedor de arame a farinha, o cornmeal, o fermento e o bicarbonato. Numa outra vasilha bata os ovos com o maple syrup, o óleo e a baunilha. Na batedeira, com a pá atachada bata a manteiga com o açúcar, o sal e as raspas de laranja até formar um creme, mas não bata demais. Com a batedeira em velocidade baixa, junte a mistura de ovos. Logo em seguida junte metade da mistura de farinha. Desligue a batedeira e junte o resto da farinha, a ricota e 2/3 das cranberries. Misture bem em velocidade baixa. Coloque a massa na forma untada, coloque por cima o resto das cranberries. A massa fica bem DENSA, ajeite na forma com uma espátula. Salpique o bolo com 2 colheres de sopa de açúcar e leve ao forno por 1 hora e 15 minutos. Cubra as bordas com papel alumínio se começar a ficar muito escuro—que foi o que eu não fiz. Usei cranberries congeladas porque as frescas já não há. Use outra fruta, não muito molhada como as cranberries, se não achar nem frescas nem congeladas por aí.
1/3

salada marroquina de cenoura

Uma salada simples, refrescante e aromática. Saiu do livro The Greens Cookbook da Deborah Madison. Usei minhas cenouras orgânicas psicodélicas, que deixaram a salada com um visual incrível.
Com um descascador de legumes, descasque umas quatro cenouras grandes e continue ralando tiras até não dar mais—e coma os restinhos como aperitivo saudável, enquanto prepara o jantar. Coloque as fitas da cenoura numa vasilha. Prepare o molho com:
1 colher de sopa de suco de limão
1 colher de chá de azeite [*coloquei um pouquinho mais]
1/2 colher de sopa de açúcar
1/2 colher de chá de sal [*usei flor de sal]
Água de flor de laranjeira a gosto
Misture todos os ingredientes do molho e bata bem com um batedor de arame. Coloque a água de flor de laranjeira até dar gosto. Misture o molho na cenoura, cubra a vasilha e leve à geladeira por uma hora. Sirva sozinha ou acompanhada de azeitonas pretas curtidas no azeite.
alguns limões

Tivemos que colher alguns limões em caráter de emergência, pois o limoeiro estava muito tombado com o peso. O tamanho pequeno das frutas se deve à pouca chuva deste inverno. No ano passado choveu mais e os limões ficaram realmente gigantes.



