frango assado com páprica

Nem sempre as receitas que eu vejo e gosto em outros food blogs e que tento replicar na minha cozinha, dão certo. Às vezes nem é realmente uma questão de dar certo, mas de não agradar muito ao meu paladar, ou o do meu mariido. Eu sou incrivelmente “picky” e ele é incrivelmente ‘weirdo”. São tantas as coisas que ele nem experimenta. E eu, quando me dá aquele bleargh, não tem jeito.

Então, gostei muito dessa receita de frango assado com páprica da Elise e resolvi que precisava fazê-la. Olha só que coisa perfeita, crocante, sequinha—com certeza vai agradar a uma chatonilda como eu, que vira o nariz pra frutos do mar, porco, frango, ovo, leite, eteceterá_eteceterá.

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Mãos a obra, descongelei um frango caipira que tinha comprado no mês passado, desencalhei aquela páprica defumada espanhola do fundo da gaveta de temperos e fiz EXATAMENTE como a receita manda fazer—só acrescentei um limão de recheio. Até lavei o frango e causei um pandemônio na pia, que depois desinfetei frenéticamente com toalhinhas anti-bactericidas. Temperei o franguete com as mãos, como se estivesse passando protetor solar no dito cujo. Outra coisa é que tenho um pouco de horror de manusear os defuntinhos, virá-los, remexer muito aqui e ali, especialmente o frango inteiro, que ainda tenho que tirar os miúdos da cavidade interna, tudo isso é deveras nojento na minha opinião. Mas fiz tudo direitinho e coloquei o bicho pra assar. No interim, resolvi sair pra comprar um negocinho pro meu gato e era pra ser um pulinho, uma trajeto de cinco minutos pela estrada, mas de repente me vi num congestionamento MONSTRO na I80, fazendo o trajeto de cinco minutos em quarenta, enquanto o franguinho assava lentamente na casa vazia – eu sei, não devo fazer isso nunca, só que às vezes piso no tomate e faço. Felizmente o frangolino assou em forno baixo, e apesar de ficar com umas pontinhas tostadas, não virou carvão!

Mas o resultado simplesmente não agradou. Nós comemos, não estava ruim nem nada, mas não foi aquele tchans. O sabor do defumado é um pouco dominante e impregnou demasiadamente. Acho que vai demorar um tempinho até eu resolver me aventurar a fazer outro frango assado ou usar essa páprica novamente.

No meio da couve-flor tem a flor, tem a flor

Que além de ser uma flor tem sabor…ôô

O inverno voltou, com ventania. Choveu florzinhas, que caiam de todas as árvores, espalhando uma densa camada de pétalas delicadas pelas ruas. Choveu granizo que, como toda chuva de granizo, atraiu as pessoas às portas e derreteu em minutos. Ventou muito, fez frio e fez sol, confundindo os passantes, que nunca sabem como se vestir apropriadamente nesses dias de transição.

O jantar foi uma fatia de pizza e um kiwi. Corri. Banho. Maquiagem. Brincos que só saem da caixinha em raras ocasiões.

Foi meu único show da temporada de inverno. Digam que foi sorte, ou pauzinhos sutilmente mexidos a meu favor. Eu não ando trabalhando muito no Mondavi Center, porque à noite estou sempre cansada, e quero tentar caminhar e tentar cozinhar, ler, ver um pedaço de filme. Mas me enlistei para trabalhar na apresentação do Gilberto Gil.

Tudo me parecia uma miragem— numa noite fria de primavera em Davis, o ícone da Música Popular Brasileira que embalou nossos anos de adolescência e inicio de vida adulta, bem ali no palco, cabelos grisalhos longos em tranças, túnica e calça branca, cantando Maracatú Atômico. Foi um show longo, delicado e bonito. Fui dormir tarde e estraguei o meu dia seguinte. Mas quem disse que não valeu a pena?

azeitonas pretas

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Para quem ainda lembra da história das azeitonas que vieram da fazenda no final do verão e que eu até pensei em processar eu mesma— pois elas chegaram ontem. Eram verdinhas, ficaram pretas. Nunca, nem em mil anos, eu iria imaginar que isso fosse possível. Mas é resultado do processo de salmora. Temperei as lindocas com pimenta vermelha em flocos, tomilho e alecrim secos, sal, azeite e vinagre de vinho. Em alguns dias vamos prová-las.

Plastic or Paper?

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Na maioria dos supermercados você ouve essa pergunta na hora de empacotar as compras – plastic or paper? Menos no Co-op e no Trader Joe’s, onde só tem sacola de papel. Detesto o Safeway, onde os empacotadores só faltam bufar quando você responde papel, e que ainda não tem alça, talvez para desestimular a escolha. Eu normalmente peço papel, porque é mais fácil de reciclar e uso as eventuais sacolas de plástico, que nos são empurradas goela abaixo em outros locais, pra colocar os cocozitos e mijitos empedrados dos gatos. Mas se eu morasse em San Francisco, estaria prestes a ficar livre das sacolas de plástico para sempre—vejam só: San Francisco to ban plastic grocery bags. Iurru!
Quando eu vou ao Farmers Market, levo sempre uma sacola de pano ou uma cesta. Estou querendo expandir essa técnica para os supermercados e adquirir umas quatro ou cinco sacolas de brim, que se acha pra vender nos bons locais naturebas ou se pode improvisar usando aquelas tote bags que se ganha quando renova revista, e abolir também a sacola de papel. Mamã natureza agradece!

Baked Halibut Supreme

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Comprei filés fresquinhos de halibut no Farmers Market e fui atrás de uma boa receita para fazê-los. Não precisei pesquisar muito, a primeira receita que vi aqui foi a escolhida! Fácil de fazer e muito boa! Esse peixe é bem carnudo, com um teor de gordura baixíssimo e muito saboroso.

Baked Halibut Supreme
1 quilo de Halibut
Manteiga
Sal
Pimenta do reino moída na hora
1/2 xícara de queijo parmesão ralado na hora – ralei no grosso
4 fatias de Bacon
1 colher de chá de sumo de limão
1 xícara de sour cream
1/3 xícara de farelo de pão moído grosseiramente
Bastante salsinha picada

Mais queijo parmesão ralado na hora para decorar – ralei no fino

Pré-aqueça o forno em 350ºF/180ºC. Coloque as 4 fatias de bacon numa forma refratária. Tempere o peixe com sal e pimenta. Coloque sobre o bacon, salpique com bolitinhas de manteiga. Numa vasilha misture o queijo ralado, o sour cream, as migalhas de pão e o suco de limão até formar uma pasta. Coloque essa pasta sobre os filés de peixe. Asse por 30 minutos. Na hora de servir salpique com uma mistura de salsinha e queijo parmesão ralado.

salada de erva-doce grelhada

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Uma maneira muito simpática de preparar a erva doce [fennel]. Essa receita estava originalmente num cardápio com carne, mas ficou ótima também acompanhando um peixe. Faz uma salada bem crocante, apesar de ser cozida.

4 bulbos pequenos de erva doce cortados em fatias
Azeite extra virgem
Sal kosher
1 limão
1/2 xícara de azeitonas verdes picadas
1/4 ramo de basilicão fresco – eu usei orégano e salsinha misturados
1 pitada de pimenta vermelha em flocos

Coloque a erva doce num refratário e tempere com azeite e limão. Coloque no forno ou grill – usei o broiler do meu forno – e asse por 5 minutos, retire, vire as fatias e recoloque no forno por mais 5 minutos. Retire, tempere com sal, pimenta, ervas, azeitonas, mais azeite e mais suco de limão. Sirva ainda morna.

o outro lado

Denny’s, Applebee’s, IHOP, Lyon’s, HomeTown Buffet, Red Lobster, Carrows, Chevy’s, Chili’s, Chipotle, Sizzler, Outback, Fresh Choice, Marie Callender’s, The Old Spaghetti Factory, Olive Garden, Bakers Square… Uma pequena lista de rede de restaurantes que têm algumas coisas em comum: bom preço, pratos fartos e comida massificada. Uma fonte fidedigna [um insider] me contou que nessas redes tudo é congelado e preparado industrialmente, nada, absolutamente nada é feito na hora, from scratch. Tudo vai do freezer para o forno, de pacotes, caixas e esquemas de preparo antecipado pra agilizar e baratear o processo. Quando você vê do balcão o cozinheiro preparando o seu prato ali na hora, e come tudo fresquinho, orgânico, local, preparado com os melhores ingredientes, não dá mais pra enfrentar essa massificação, que infelizmente já virou modelo de comida americana para exportação.

Mas numa bela tarde de domingo o inusitado acontece. Eu queria beber um chocolate e comer umas torradas francesas. Era o nosso café de fechamento do finde, que sempre fazemos em casa, mas o Uriel quis inovar e fazer na rua. Pensamos em ir no Ciocolat, que é uma casa de chá muito boa a três quarteirões de casa. Mas no meio do caminho fica uma Bakers Square, e então eu tive a idéia de girico de tomar nosso café lá. O Uriel foi contra, mas eu teimei!

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Pedimos o cardápio de café da manhã às cinco da tarde. O restaurante estava cheio de velhinhos já jantando. Nesses lugares quem manda é o cliente. Se você quer tomar café da manhã na hora do jantar, será feita a sua vontade. Pedi um prato com as french toasts, que era o que eu queria, mas que de quebra trouxe ovos mexidos e bacon. Uma xícara de chocolate quente, que veio num copão de papel de um litro. O chocolate, um pozinho misturado no leite. Os ovos, saídos de uma caixa de omelete pré-misturada. As french toasts, congeladas. O bacon, pré-frito e requentado no microondas. Pra acompanhar maple “fake” syrup. TUDO, TUDO era industrializado. NADA, NADA tinha gosto de comida caseira, feita na hora. O Uriel com aquela cara de “tá feliz agora??” e eu simplesmente chocada por estar ali, comendo aquela comida plastificada.

Na hora de pagar a conta, fiquei olhando a vitrine das famosas tortas da Bakers Square: açúcar, açúcar, açúcar, açúcar, açúcar, toneladas de açúcar, e chantily falso cheio de conservantes, massa das tortas cheia de gordura vegetal, ou margarina. E por falar em margarina, veio uma bolotona de algo amarelado no meio das minhas french toasts e eu perguntei pro garçon, o que é isso? E ele, é manteiga! MANTEIGA??? Tá boa, hein santa?!

nozes caramelizadas

Para a Maria Célia, que pediu a receita das nozes caramelizadas. Na verdade elas são “glazed” [vitrificadas] e não tem caramelo, mas uma camada de qualquer coisa doce. Eu compro as minhas nozes prontas no supermercado, mas elas podem ser feitas em casa de inúmeras maneiras, usando mel, açúcar, maple syrup e até bebida alcóolica. Pode-se acrescentar vários tipos de especiarias. Escolhi essa receita, que tirei do site do California Walnuts e que é a mais parecida com as nozes que usei na Waldorf Salad.
Spiced Walnuts – Nozes Caramelizadas
1 clara de ovo
1 colher de sopa de água
2 xícaras de nozes descascadas
1/2 xícara de açúcar
1 colher de sopa de canela ou outra especiaria – mude ou misture a gosto, pode usar até pimenta em pó, se quiser fazer nozes mais audaciosas para enfeitarem uma salada.
Pré-aqueça o forno em 225°F/110ºC e forre uma assadeira larga com papel alumínio. Misture a clara de ovo com a água e bata até ficar espumante. Adicione as nozes e misture bem para que todos os pedacinhos fiquem cobertos com o liquido. Coe as nozes e deixe escorrer por uns minutos. Num saco de papel ou plástico, misture o açúcar e a canela. Adicione as nozes e sacuda bem, para que todos os pedaços de nozes fiquem cobertos pela mistura de açúcar. Espalhe as nozes na assadeira e asse por 1 hora, mexendo a cada 15 minutos. Deixe esfriar e guarde em latas ou vidros bem tampados.