massa & molho de tomate cru [para fazer a melhor pizza]

Faz anos que eu e o Uriel estamos buscando a pizza feita em casa perfeita. Anos atrás eu aprendi uns truques com o meu irmão que virou o jogo da nossa pizza dos sábados à noite. Passei a colocar a massa crua com molho e queijo, mais os sabores extras, num forno extremamente quente—no meu coloco a 550ºF/ 288ºC. Nunca tentei ir mais do que isso, mas tenho que testar qualquer dia. Abrimos [Uriel] a massa bem fininha, que é como gostamos. E no forno super quente ela fica super crocante em 10 minutos. Também comecei a usar a mussarela fresca ao invés da comum. Acho que a pizza fica muito mais leve assim, também porque eu sempre coloco outras coisas em cima, como atum em lata temperado com limão em conserva, fatias de aliche, fatias de tomate, fatias de coppa ou de pepperoni de boa qualidade, pedacinhos de queijo de cabra, aspargos cozidos, abóbora assada, abobrinha crua, fatias finíssimas de erva-doce [que combina muito com o coppa], verduras cozidas, eteceterás, conforme a estação. Outro dia lendo uma edição da revista Bon Appetit vi muitas dicas legais numa reportagem com o chef Joe Beddia da Pizzeria Beddia em Philadelphia. O que eu mais gostei foi ele dizer que não cozinha o molho de tomate. Pra mim isso simplificou muito, pois eu refogava alho no azeite, juntava o tomate, sal, pimenta do reino e orégano e deixava reduzir. Fazia bastante e congelava as porções para várias semanas. Mas essa versão do Beddia não precisa de muita preparação, nem de fogão, e deixa a pizza ainda mais leve. Eu adorei e é a receita que venho fazendo desde então. Tenho feito o molho com tomate em lata orgânico, mas quando chegar o verão vou fazer com os tomates frescos.

Vou deixar aqui, novamente, a receita da massa que eu já faço há anos, sei até decor. Não sei onde achei essa receita, mas ela é perfeita e faz duas pizzas grandes [massa bem fina]. A receita do molho vem sem seguida.

para a massa:
1 xícara de de água morna
1 envelope [1 colher sopa] de fermento biológico seco [fermento de pão]
1 colher de chá de açúcar
1/4 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de azeite
1/2 xícara de farinha de semolina
2 xícaras de farinha de trigo

Coloque a água morna, o açúcar e o fermento numa vasilha e deixe descansar por 5 minutos, até formar uma espuma. Junte o sal, o azeite, a semolina e a farinha de trigo e amasse bem com as mãos. Pode sovar, mas não precisa sovar muito. Cubra a vasilha com um pano e coloque num local escuro. Deixe a massa crescer por pelo menos 30 minutos ou por mais tempo.

para o molho:
2 dentes de alho finamente picados ou espremidos
1 lata grande de tomates orgânicos [sempre uso o Muir Glen]
2 colheres de sopa de azeite
1 e 1/2 colheres de chá de sal fino

Misture o alho, os tomates, óleo e sal em uma tigela média. Cubra e leve à geladeira por umas 3 horas. O molho pode ser feito com uma semana de antecedência e mantido refrigerado. O sabor irá se concentrar quando molho cozinhar com a pizza.

pizza rústica

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Foi quase um choque descobrir que em certas partes da Italia existe pizza sem queijo! Quando vi essa receita quis fazê-la imediatamente. O Uriel ficou meio cético com a parte da ausência do queijo, mas eu estava confiante de que se os habitantes de Salento, em Puglia, fazem assim é porque deve ser bom. E bom foi pouco. Essa pizza fica sensacional. Melhor ainda no dia seguinte, se esquentar numa frigideira com tampa [no microondas fica uma molenguice, mas mesmo assim vale]. Vai bastante cebola e pouco tomate. E nenhum queijo! Para a massa fiz a receita que faço todos os sábados há muitos anos e que sempre dá certo. Ela faz duas pizzas redondas, pra essa pizza é so abrir dois retângulos.

para a massa:
1 xícara de de água morna
1 envelope [1 colher sopa] de fermento de pão
1 colher de chá de açúcar
1/4 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de azeite
1/2 xícara de farinha de semolina
2 xícaras de farinha de trigo

para o recheio:
3 colheres de sopa de azeite extra-virgem
3 cebolas médias, descascadas, cortadas ao meio e em fatias finas
1 pitada de sal
400 gramas de tomates pelados em lata
12 filetes de anchovas [aliche] escorridos
1/2 xícara de azeitonas pretas [kalamata] sem caroço

Faça a massa: coloque a água morna, o açúcar e o fermento numa vasilha e deixe descansar por 5 minutos, até formar uma espuma. Juntar o sal, o azeite, a semolina e a farinha de trigo e amassar bem com as mãos. Pode sovar, mas não precisa sovar muito. Cubra a vasilha com um pano e coloque num local escuro. Deixe a massa crescer por pelo menos 30 minutos ou por mais tempo.

Faça o recheio: aqueça o azeite em uma panela grande e junte a cebola com uma pitada de sal. Deixe cozinhar suavemente até que elas comecem a amolecer, mas não pegar cor. Em seguida adicione os tomates, quebrando com a colher quando estão na panela. Adicionar um pouquinho de água e cozinhe em fogo baixo-médio por cerca de 10 a 15 minutos ou até engrossar o molho de tomate. Retire do fogo. Quando a massa estiver pronta, aqueça o forno a 400°F/205°C. Divida a massa em duas partes iguais. Abra cada parte num retângulo o mais fino que conseguir, não tem problema se a massa se romper em algumas partes. Coloque a massa em uma assadeira forrada com papel vegetal. Espalhe a mistura de cebola e tomate uniformemente por cima da massa deixando uma borda de 1cm em volta. Coloque os filés de anchovas e as azeitonas sem caroço sobre a cebola, distribuindo uniformemente. Estenda o resto da massa por cima, puxando as bordas para fechar. Selar as bordas pressionando cuidadosamente. Faça furos no topo da massa com um garfo e leve ao forno por 45 minutos, ou até ela ficar bem dourada. Retire e deixe esfriar um pouco antes de cortar em quadrados e servir.

o que comeu-se

perabalsamico

salada de pera & queijo cabra

pizza-abobora

pizza de abóbora & sálvia

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salada de rabanete & coentro

marmelada

marmelada pedaçuda

Durante o final de semana eu cozinho bastante, mas não faço nada excepcional e não tenho mais a menor vontade de fotografar tudo o que faço. Uso o instagram no iphone pra registrar uma coisa ou outra e se o resultado ficar legal, publico aqui. Esses foram os rangos brejeiros que ganharam destaque.

Salada de pera asiática fatiada bem fininha, temperada com balsâmico de fruta e acompanhada de queijo de cabra envelhecido.

Pizza de abóbora e sálvia. A butternut squash foi fatiada no mandoline, temperada com sal, pimenta e azeite e assada por 15 minutos. Cobre-se a massa de pizza pré-assada com um queijo cremoso [ricota, cream cheese ou queijo de cabra] espalha as fatias de abóbora, salpica com queijo parmesão ralado e leva ao forno por uns minutos. Na hora de servir espalha por cima folhinhas de sálvia que foram previamente fritas em óleo bem quente.

Salada de rabanetes e coentros, que neste momento abundam na cesta orgânica. Fatia-se os rabanetes usando o mandoline, tempera com sal, pimenta do reino moída na hora, azeite, suco de limão e balsâmico de pêssego. Salpica com as folhas de coentro fresco e serve. Fica muito bom, bem refrescante.

E finalmente a marmelada, que é só marmelo descascado e cortado em pedaços, suco de limão, um pouco de água e açúcar mascavo. E cozinha, cozinha, cozinha, cozinha, cozinha, cozinha, mexendo vez ou outra, com a panela semi-tampada e sempre em fogo baixo. Fiz sem medida. Quem descasca os marmelos é sempre o Uriel. Salva de palmas pra ele, pois descascar e limpar marmelo não é fácil!

Não foi desta vez, outra vez

Meu marido pode ser considerado um obstinado Sir Lancelot em busca do Santo Graal quando se trata de encontrar a pizza perfeita, ou a melhor pizza de Sacramento. Há anos ele busca por esse tesouro escondido em alguma esquina de algum bairro da capital do estado da Califórnia. Já fomos à muitas pizzarias na cidade, sempre na esperança de que ali iremos comer a melhor pizza, mas nunca realizamos tal façanha. De qualquer maneira, meu darling Lancelot não desiste nunca e no potluck dos blogueiros de Sacramento ele não perdeu a chance de fazer o seu invariável questionamento: onde comer a melhor pizza? Uma das garotas do Sac Foodies indicou uma pizzaria chamada Luigi’s.
No domingo, fui fazer um exame em Sacramento na hora do almoço e quando saimos da clinica, resolvemos ir checar a tal pizzaria. Eu sabia que ele não iria sossegar enquanto não fosse até lá verificar se a pizza estava à altura da recomedação de uma foodie.
O Luigi’s Pizza Parlor fica numa esquina num bairro bem desprivilegiado da cidade. É um lugar pequeno, que serve pizza sem muita frescura desde a década de cinquenta. Pedimos uma meio queijo, meio linguiça portuguesa e sentamos numa das mesas simples do lugar, ansiosos pela experiência. As opções de bebida eram refrigerante ou cerveja. Algumas pessoas estavam lá só bebendo cerveja. O menu incluia também alguns tipos de pasta e sanduiches. O Uriel ficou um pouco decepcionado logo que viu que o forno não era a lenha. Mas eu me animei quando vi dois senhores abrindo a massa e preparando as pizzas com esmero. Eu estava sem poder comer desde manhã e já tinha visões de bolinhas flutuantes quando a pizza finalmente chegou na nossa mesa. Veredito: não é a melhor pizza de Sacramento! A massa estava ótima, fininha, bem seca e crocante. O molho não era dos piores, mas também não se sobressaiu. O problema maior foi a escolha de adicionar linguiça portuguesa, que realmente foi uma mancada nossa—ou melhor, minha, pois fui a autora da idéia, talvez neblinada pela fome. Comemos, mas não tivemos uma epifania na primeira mordida. Foi uma experiência mais uma vez ordinária.
Notamos uma clientela bem eclética na pizzaria. Na mesa ao lado da nossa sentaram-se três meninas negras, vestidas iguais e falando sem parar no celular. Não pude deixar de notar uma delas, que era extremamente bonita e poderia ser uma modelo, se tivesse a chance. Elas riam muito e falavam o tempo todo. Mas o lugar tinha muito barulho, produzido por uma tevê gigantesca onde passava notícias de esportes e por uma jukebox onde tocava sucessos da Motown. Não estava dando pra ouvir o que as meninas falavam, mas uma delas se virava toda hora e dizia pra nós—I apologize! [eu peço desculpas] Eu estava boiando total, fiquei pensando será que estou encarando muito, porque às vezes eu encaro sem perceber, ainda mais que fiquei realmente encantada com a beleza de uma delas. Mas não tinha nada a ver comigo, pois no final uma delas disse—I apologize! Is too much cursing for you? [é muito palavrão pra vocês?] Eu respondi sorrindo que não era problema algum, pois nem estávamos prestando atenção. Embora eu não tenha realmente notado nenhuma linguagem chula que elas provavelmente estavam usando na conversa, não pude deixar de notar uma coisa chocante que uma delas fez. Além de salpicar a fatia de pizza com aquele queijo ralado vagaba que é muito comum nas pizzarias daqui, esbugalhei meus olhos abismada quando vi ela espremer um tantão de maionese no prato e depois molhar a pizza ali e nhack! Foi a minha vez de &%$#@*@$%!!

sábado é dia de…

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As minhas mais remotas lembranças dos jantares de sábado sempre me remetem para a pizza. Raramente tínhamos um menu diferente neste dia. A presença da pizza era absoluta, sempre de mozarela e aliche/anchova. A empregada deixava a massa pronta, semi-assada. Minha mãe preparava rapidinho um molho simples com alho, tomates e orégano. Meu pai gostava da pizza com aliche e sempre dizia—pizza tem que ser de mozarela e aliche! Foi assim que eu cresci, comendo pizza todo sábado. E quando casei, trouxe essa tradição comigo. Portanto, a pizza continua a estrela dos sábados à noite na minha casa. Durante todos esses anos tentei replicar a pizza da minha mãe, às vezes com sucesso, outras vezes não. Já fiz pizzas ótimas, já fiz pizzas meia-boca. Tentei todo tipo de massa, variei aqui e ali no molho, saí um pouco dos parâmetros estabelecidos pelo meu pai, inovando nas coberturas. Também já comprei muita pizza pronta nos dias de preguiça e meu veredito nesses anos todos, especialmente com relação à pizza norte-americana, é que não existe pizza melhor que aquela da minha infância.

Uma boa receita de massa de pizza que sempre dá certo, é essa da Heleninha Kostyra que a Paula também fez e gostou.

O meu molho é bem básico, mas fica sempre muito bom. Refogue alho picadinho a gosto em bastante azeite. Junte tomates frescos picados, ou molho de tomate feito com tomates cozidos, ou tomate em lata picado—esse item pode ser adaptado conforme a estação. Eu não me incomodo do molho ter pele e sementes, mas se você se incomodar é só passar tudo na peneira ou no food mill antes de refogar. Junte orégano fresco ou seco, sal e pimenta do reino moída a gosto, deixe engrossar por uns minutos e então use, espalhando sobre a massa que foi pré-assada, uns dez minutos no forno, só pra ela firmar—eu acho que isso ajuda na crocância final. Depois monte a pizza, com bastante mozarela e a cobertura que quiser. A minha é sempre azeitonas pretas e quando é temporada, rodelas de tomates frescos e orgânicos.

Mother productions presents…

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Gabe makes pizza!

Orgulho da mamãe! Meu filho é lindo, inteligente, charmoso, carinhoso, talentoso e ainda cozinha muito bem. Faz franguinho, arrozinho, saladas, sopas e também pizza. No sábado ele promoveu uma pizza party para comemorar o aniversário da namorada. Ele fez o mesmo esquema da primeira pizza party onde ele foi pizzaiolo, na casa so meu cunhado no Brasil. Fez a mesma massa, o mesmo molho e quase as mesmas variedades de toppings. Para a pizza sobremesa ele trocou a banana pelo morango, pois a aniversariante não gosta de banana, e acrescentou chocolate. Eu não provei, porque estava exausta de tanto comer as versões salgadas, mas quem provou disse que estava no mínimo o máximo.