torta de morango & ruibarbo

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Outro dia meu chefe, que agora também subscreve uma CSA, veio me contar que a mulher dele tinha feito uma torta com os ruibarbos, morangos e cerejas que vieram na cesta e que a tal foi um grande sucesso. Nem tive tempo de ficar com inveja, pois pude retrucar na lata que tinha ruibarbos orgânicos na geladeira e que também iria fazer uma torta. Só a parte do sucesso é que não pude mostrar firmeza, pois com tortas eu sempre estou jogando na roleta.

Corri no Farmers Market sábado de manhã para comprar os morangos orgânicos fresquinhos e me deparei com uma cascata de frutas maravilhosas. Além dos morangos, abundavam cerejas de diversas variedades, damascos, pêssegos, nectarinas, blueberries, framboesas, amoras e outras berries que nem sei o nome. Me contive e fui direto para a banca da família da fazenda Good Hummus onde eu sempre compro ingredientes interessantes, além de achar o trabalho deles o máximo. Os morangos dessa fazenda estavam perfeitos para virarem recheio de torta—bem maduros e não muito grandes. Comprei duas cestinhas, entre outras muitas coisitas e fui pra casa.

Para decidir a receita fui direto nos livros do Chez Pannisse e Alice Waters e neles encontrei o que eu queria. Para a massa escolhi fazer um pâte sucrée, já que a mistura do ruibarbo com morango não é extremamente doce. Ela saiu do The Art of Simple Food. E o recheio, facílimo, saiu do Chez Panisse Desserts.

pâte sucrée
Bater bem até ficar cremoso:
8 colheres de sopa [113 gr ou 1 tablete] de manteiga
1/3 xícara de açúcar
Adicione e misture bem:
1/4 colher de chá de sal
1/4 colher de chá de extrato puro de baunilha
1 gema de ovo caipira
Adicione:
1 1/4 de farinha de trigo
Misture bem, mexendo e dobrando até a massa não ter mais nenhum ponto seco Embrulhe em plástico e gele por 4 horas [eu gelei menos tempo]. Divida a massa em duas partes, estique com o rolo e cubra uma forma de torta com uma parte, coloque o recheio e cubra com a outra parte. Essa massa fica finíssima e derrete na boca depois de assada.

torta de ruibarbo e morango
Massa para forrar e cobrir uma forma de 9-inch /22 cm.
500 gr de ruibarbo – mais ou menos 4 xícaras
2 xícaras de morangos orgânicos [*morango tem que ser orgânico, né?]
2 1/2 colheres de sopa de farinha de trigo
2/3 de xícara de açúcar [*usei o rapadura]

Lave e corte os ruibarbos puxando a fibra exterior o máximo que puder. É só começar a cortar que você vai ver os fios das fibras e daí é só puxar. Corte tudo em cubos. Lave os morangos, tire os cabinhos e corte ao meio. Misture a farinha de trigo e o açúcar e revire bem. Coloque essa mistura na forma forrada com a massa, cubra com a outra parte da massa, pressione a borda com os dedos pro suco das frutas nãoi escapar. Leve ao forno pré-aquecido em 400ºF/ 205ºC por mais ou menos 1 hora ou até a massa ficar dourada. Retire do forno, espere esfriar. Sirva morna ou fria, com sorvete de creme, ou chantily ou sozinha.

Na segunda-feira fui toda pimpona falar pro meu chefe que tinha feito a torta de ruibarbo com morango e que a minha também foi um sucesso de público e, principalmente, de crítica. Olé!

omelete de milho

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Segundas-feiras são dias ziriguiduns pra mim, portanto não são dias de inventar de fazer comida que demore mais do que vinte minutos pra ficar pronta ou que tenha mais que dois passos. Essa omelete publicada no livro Vegetarian Suppers da Deborah Madison é uma ótima opção de rango gostoso para dias ziriguiduns, sejam eles segundas-feiras ou não. Eu ainda tinha um último pacotinho de milho verde fresco, que congelei no inicio do outono do ano passado. Foi uma ótima oportunidade de usá-lo. Cozinhei o milho num pouco de água antes. Como não tinha a mussarela defumada, usei queijo manchego e achei que ficou excelente. Um prato nota dez!

1 espiga de milho grande ralada [ou 1 lata de milho escorrido]
2 ovos batidos com 1 colher de sopa de água
Sal marinho e pimenta do reino moída na hora
Folhas de manjericão fresco
50 gr de queijo mussarela defumado [* eu usei o queijo manchego]
1 colher de sopa de manteiga

Se for usar o milho da espiga, coloque antes numa panela com um pouco de água e cozinhe por uns minutos. Se usar o milho em lata não precisa. Bata os ovos com a água, junte o sal, a pimenta do reino, as folhas de manjericão picadinhas, o milho e o queijo. Misture bem. Numa frigideira derreta a manteiga, jogue a mistura de ovos e frite chacoalhando a frigideira para a omelete nao colar. Vire a omelete num prato e devolva para a frigideira, escorrendo pelo lado que ficou pra cima—assim cozinha dos dois lados. Cuidado para não quebrar o prato [pisc!]. Sirva imediatamente, ainda bem quente, acompanhado de salada de alface ou de tomate ou pão fresquinho.

domingo—perde o cachimbo

Abri meus olhos de madrugada e naquela sonolência sonâmbula percebi que não tinha ligado o alarme. Estiquei o braço, puxei a alavanquinha, a luzinha vermelha apareceu, virei e voltei a dormir.

Às seis e trinta da manhã o alarme tocou e eu levantei pensando nos meus projetos no trabalho, o que tinha na agenda pra fazer naquela segunda-feira. Desci, dei comida pros gatos, preparei meu café com leite ainda não totalmente acordada e me sentindo incrívelmente confusa. Como esse final de semana passou rápido, pensei. O que foi mesmo que fiz de almoço no domingo, me perguntei. O sentimento de confusão só aumentava e de repente o interior da névoa que obscurecia o meu pensamento foi clareando. Subi para o quarto, cutuquei o Uriel que ainda dormia e perguntei, hoje é domingo? Ele abriu os olhos e respondeu, sim hoje é domingo!

Me senti uma besta quadrada por acordar em horário de dia de semana num domingo e ainda ter pensado em trabalho e iniciado minha rotina de dia de semana num DOMINGO!
Segui acordada, pois acordada já estava mesmo e decidi aproveitar o tempo extra pra fazer coisas pela casa e na cozinha. Já estava com idéias para o almoço e fui em frente com meus planos. Zanzei pra lá e pra cá a manhã toda e fiz uma receita de galantine de legumes da minha mãe, que era um negócio que eu adorava, mas queria tentar fazer usando a agar agar. Decidi preparar uns espetinhos com um franguinho orgânico, daquele criado e abatido sem crueldade, que descongelei dois peitos, cortei em cubinhos e temperei com iogurte e pimenta. Também decidi que iria fazer aquele quilo de favas frescas—as últimas da temporada—grelhadas. Fiz espetinhos com o frango e uma cebola roxa. Levei tudo para a churrasqueira.

A mesa já estava arrumada no quintal para o almoço, quando fui checar as favas e os espetinhos e reparei que tinha algo errado ali. Por algum motivo até agora desconhecido, o fogo na churrasqueira estava soltando um pretume estranho, que estava colando na comida. Fui correndo chamar o Uriel e enquanto ele tentava ver o que estava errado, fui virar a galantine de legumes numa bandeja e o resultado foi um enorme PLOFT! Tudo mole, não solidificou o suficiente pra desenformar. Enquanto isso no quintal, o corre-corre era geral. Estava na cara que a comida tinha sido contaminada pelo pretume e estava imprópria para consumo. Eu ainda tentava desesperadamente salvar algumas favas, quando o Uriel me segurou pelos ombros e disse, Fer DESISTE, vamos sair pra comer fora.

Subi pra tomar um banho, enquanto ele jogava todo o nosso ex-futuro almoço no lixo e lavava a sujeirada. Fomos almoçar num restaurante japonês bem fraquinho, passeamos um pouco e depois voltamos pra casa onde comemos a sobremesa: a única comida que não foi pro lixo, pois tinha sido feita no sábado.

gelado de damasco

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Tenho feito muitos frogurts, usando iogurte natural e grego. Este foi meu primeiro sorvete da temporada, usando um creme de leite fresco e orgânico tão robusto que preciso cutucar pra ele sair do vidro. Um ingrediente pra realmente fazer a diferença. E como fez. Esse sorvete ficou bastante cremoso e se manteve assim, mesmo depois de muitos dias no congelador. Pra comer de pouquinho, saboreando cada colherada.

1 xícara creme de leite fresco
1 xícara de iogurte cheese style [*substitua por iogurte grego ou mascarpone]
2 xícaras de damasco fresco sem caroço
1 colher de chá de água de flor de laranjeira
Mel a gosto

Uma colher de chá de vodka, que não deixa rastro no sabor, mas deixa o sorvete muito mais cremoso. Bater tudo no liquidificador e colocar na sorveteira.

salmorejo

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Eu não via a hora que os tomates começassem a chegar no mercado, pra poder finalmente fazer em casa a receita da sopa fria que me encantou lá na Espanha—o salmorejo.

Comprei um tanto de tomates especialmente para isso. Fiz a receita que a querida Carlota tinha me enviado. Ela disse que faz muito essa sopa e por isso faz de cabeça, sem medidas. Eu acredito que dê mesmo pra ir se desligando da receita aos poucos, pois o salmorejo não tem segredo.

Gentilmente, a Carlota mandou uma receita com medidas e eu fiz exatamente. Usei tomates orgânicos e locais. Acho que tomate não dá pra não ser orgânico, né?

Como não tinha nenhum tipo de presunto, muito menos o ibérico, usei uns chips de bacon [bacon torrado]. E os ovos cozidos, é claro. Fiz um pouco mais rala do que as que tomei em Córdoba, mas ficou tão boa quanto. Vou te dizer, eu sinto uma onda de felicidade a cada colherada que como dessa sopa. Não tenho explicação racional pra isso, mas sei que o salmorejo vai retornar muitas vezes à minha mesa durante os próximos meses.

1 quilo de tomates orgânicos bem maduros
2 dentes de alho
2/3 xícara de azeite
1/4 de vinagre jerez [sherry]
Água gelada
250 gr de miolo de pão [eu usei de centeio]

Colocar o miolo de pão de molho na água por uns 30 minutos. Bater os tomates e o alho no liquidificador e passar por uma peneira, ou passar tudo no food mill. Colocar o pão embebido na água no liquidificador, jogar lá o tomate batido e coado, juntar o azeite, o vinagre, sal a gosto e mais água gelada até chegar na consistência desejada. Servir com ovos cozidos picadinhos ou em fatias e presunto ibérico ou outro tipo em cubinhos. Essa sopa pode ser guardada na geladeira e fica tão boa quanto no dia seguinte.

gelatina de abacaxi & coco

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Não desisti de experimentar com o agar agar. Comprei a versão em pó e desta vez foi muito mais fácil. Fiz várias coisinhas com um suco espesso de abacaxi com coco. Primeiro misturei 1 xícara de suco e um envelopinho de agar agar. Levei ao fogo e deixei ferver por 3 minutos. Acrescentei outra xícara do suco e coloquei nos potinhos, só metade. A agar agar solidifica muito rápido, nem precisa colocar na geladeira e ela já está ficando dura. Fiz um doce com abacaxi congelado e néctar de agave. Cozinhei até caramelizar e coloquei sobre a gelatina. Por cima coloquei outra mistura, desta vez feita só com1 xícara de água, um pouquinho de açúcar branco [não quis colocar agave porque achei que iria ficar escuro], um envelope de agar agar e ferver 3 minutos. Ficou um visual legal e nós adoramos o sabor e a textura. Fiz outra semelhante só com a gelatina fervida na água e coloquei por cima um doce de maçãs cozidas no suco de laranja e agave. Ficou muito bom.

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E também fiz mais coraçõeszinhos e estrelinhas só com o suco de abacaxi com coco. Desta vez elas ficaram perfeitas e fácilimas de desenformar. Comer essa gelatininha está sendo uma diversão e tanto!