cenoura & tofu assados

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[enchendo liguiça com tofu…]

Me servi de uma porção de tofu e cenoura assados, coloquei o prato na mesa e num flash de segundos decidi pegar a câmera e fotografar a comida. Não tinha pensado em fazer antes, pois achei que não seria interessante tirar uma foto de um prato com cubinhos de tofu e nacos de cenouras—menu modesto e improvisado para um jantar corrido num dia de semana. Mas às vezes o simples nos surpreende e acabei gostando da singeleza dessa combinação. Tivemos também uma salada de alface e outra com uma abobrinha [a primeira do ano!] ralada. Bem trivial, bem discreto, mas super saboroso.

Fiz o tofu e as cenouras assadas em pacotinhos separados. A cenoura eu temperei com um fio de azeite, sal grosso e folhinhas de tomilho fresco. Embrulhei num pacotinho de papel alumínio. O tofu [firme] eu cortei em cubos, temperei com óleo de amêndoas [mas pensei que o de gergelim também iria bem], uma colherzinha de chá de pasta de curry vermelho dissolvida num pouco de água e uns pingos de molho de soja [shoyo] e embrulhei em outro pacote de papel alumínio. Forno pré-aquecido em 400ºF /205ºC por 30 minutos e voilá.

tudo pronto pra mais um picnic!

No ano passado fui à apenas um [ou talvez dois] picnic, porque não tive muitos ânimos de arrumar rango e cesta e sair de casa depois do trabalho num dia de semana. Culpa da minha doencinha, que roubou toda a minha energia por quase um ano. Mas agora que estou recobrando meu pique, reanimei para fazer picnics!

Chegamos um pouco tarde ao parque, já eram 7pm, mas mesmo assim deu pra aproveitar bastante. O bom é ficar batendo papo na grama do parque no escuro, quando a banda e o farmers market já encerraram as atividades e a maioria das pessoas já se dispersou.
Fiz rapidinho um rango com fatias fininhas de salmão selvagem defumado, crackers de aveia, queijo de cabra temperado com ervinhas do quintal [chives, tomilho e orégano], pimenta branca e um fio de azeite. Bebemos vinho verde espanhol.

A evangelização segundo MP

Enquanto procurava por um itém da minha lista de compras pelas prateleiras de um dos corredores do Co-op, vi uma menina analisando uma dessas caixas tetrapak de leite de aveia ou arroz com grande concentração. Passei por ela e ainda na busca do que queria comprar, ouvi ela perguntar para um cara mais velho, que eu assumi ser o pai dela:
[garota]: o que você acha deste aqui?
[pai]: você não sabe que não devemos comprar nada que tenha componentes que você não entende o que é e nem consegue pronunciar na lista de ingredientes de um produto?
[garota]: mas eu conheço esses ingredientes e consigo pronunciar todos!
[pai]: bom, compre então só pra você, que eu não vou consumir isso.
[garota]: não parece nada mal.
[pai]: você não sabe que não deve comprar produtos que a sua avó não reconheceria como comida?
[garota]: mas minha avó com certeza reconheceria isso!
[pai]: você que sabe…
Não pude prolongar mais a minha parada ali com o ouvido esticadão. Segui em frente a contragosto e não vi o final da história—se a menina levou ou não o leite de caixinha que o pai criticava. Reconheci o discurso do pai, que não citou nenhuma fonte, mas que certamente saiu da leitura dos livros do Michael Pollan.

Será que há algo errado com essa torta de maçã?

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Não. Pode acreditar que não há nada errado com essa torta de maçã!
A não ser que levemos em conta que esta torta não leva ovos, nem farinha, nem leite, nem manteiga. Essa é uma torta de maçã intitulada livre de culpas, o que já pode ser uma forte indicação de que a receita tem algo errado. Mas ela realmente não tem nada de errado.

Limpando a papelada acumulada no meu escritório, achei soterrada na base de uma pilha de outras mil coisas, uma dessas revistas naturebas que se pega de grátis em portas de supermercados também naturebas. Dei uma folheada final, antes de levar pra reciclagem e nessa folheada parei total nessa receita de guilt-free shredded apple pie. Gostei, não porque é uma receita natureba que nos livra das culpas de comer doces—porque sinceramente eu não sinto culpa nenhuma por comer doces, já que como doces com moderação. Gostei, por causa da mistura de ingredientes, da novidade de usar purê e suco de maçã, a aveia e a tapioca.

Fiz a torta, que é simples e fica com uma aparência interessante, apesar de ser livre de culpa. As opiniões do publico & crítica foram bem diversas. O Uriel detestou, depois de provar apenas uma lasca. O Gabriel adorou e levou metade pra casa dele. Eu comi, mas não achei a melhor torta de maçã do universo e não faria novamente. Mas se fizesse eu mudaria uma coisa: eliminaria o suco de maçã e a tapioca, pois achei que essa mistura de mingau deixou o recheio com uma textura muito gelatinosa. Só as maçãs raladas já seriam suficientes, talvez com a adição de mais duas ou três.

Para quem quiser tentar, segue a receita. Mas fica um lembrete: essa é uma torta que nos livra de todas as culpas, portanto não espere que ela lhe traga o mesmo prazer que a experiência de um doce cheio de pecado traz.

Massa:
2 xícaras de aveia grossa
1 xícara de purê de maçã sem açúcar
1/4 colher de chá de sal.

Pré-aqueça o forno em 350ºF/ 176ºC. Unte uma forma de fundo removível de 9-inch/ 22 cm com óleo em spray [*eu usei manteiga]. Misture a aveia com o purê e o sal até ficar uma massa. Com os dedos, pressione a massa no fundo e lados da forma. Leve ao forno e asse por 30 minutos, ou até a massa ficar levemente dourada.

Recheio:
2 xícaras de suco de maçã sem açúcar – do tipo cidra, de cor opaca – o transparente é feito de concentrado, não é suco puro
1/2 xícara de nectar de agave [ou mel]
4 colheres de sopa de tapioca granulada [quick-cooking]
4 maças Granny-Smith grandes descascadas e raladas
1/2 colher de chá de canela em pó
1/4 de colher de chá de noz moscada [rale na hora]

Numa panela, junte o suco de maçã, o agave e a tapioca e deixe descansar por 5 minutos. Leve ao fogo e mexendo sem parar, deixe ferver. Abaixe o fogo e continue mexendo até formar um creme transparente. Desligue o fogo, adicione as maçãs raladas misturadas com a canela e a noz moscada. Misture bem e coloque o recheio sobre a massa assada. Deixe na geladeira por 2 horas e então sirva.

salada de cenoura indiana

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Do livro Jamie at Home, do Jamie Oliver, pesquei outra variação para a salada de cenoura. Desta vez, com o toque indiano do cominho.
450 gr cenouras
1 colher de chá de sementes de cominho
3 enchalotas/shallots ou 1 cebola roxa pequena
Raspas da casca e suco de 1 limão
1 colher de chá de gengibre fresco ralado
azeite de oliva extra-virgem
Folhas de hortelã fresco para decorar
Corte as cenouras em tiras finissimas com um descascador de legumes ou mandoline. Numa frigideira, toste as sementes de cominho por 30 segundos. Num mini-processador ou pilão, moa as sementes de cominho. Misture os outros ingredientes e o cominho moído e tempere as tiras de cenoura. Decore com folhas de hortelã e sirva.
Eu fiz o molho um pouco diferente, porque a receita do Jaiminho—que inclui também um cozido de carneiro—é um pouco confusa, então me distraí e pulsei todos os ingredientes no processador. Ficou um molho estranho, cor de rosa por causa da cebola e encharcou um pouco as cenouras. Mas o sabor ficou magnífico. Nós adoramos!
»usei as cenouras psicodélicas, por isso essa cor avermelhada das cenouras.

Pato a Califórnia

Os patos são uma instituição aqui na minha cidade. O habitat natural da pataiada é o Arboretum da UC Davis, onde eles têm um riacho bem comprido para nadar e muito solo orgânico ao redor para bicar e petiscar, numa área realmente enorme e que abriga outros pequenos animais, como lebres e esquilos. Mas se vocês acham que os patolinos estão satisfeitos com o espação que têm e ficam somente por ali, estão enganados. Os aventureiros adentram audaciosamente as ruas do campus e até as da cidade. É bem comum se ver uma fila de carros parados esperando uma fileirinha de patos atravessar a rua, naquele passinho de patatipatacolá. Eu mesma já parei por causa deles incontáveis vezes. E vira e mexe vejo um patolino ou dois perdidos, vagando pelas calçadas das ruas de downtown. Muitos aparecem vez e outra na minha rua e dormem na grama do meu jardim. Eu acho esses patos circulando pelas ruas um perigo, mas felizmente numa presenciei nenhum atropelamento. Todo mundo toma cuidado, pois os patos são ícones da cidade, assim como com as bicicletas e o o cavalo dos Aggies.

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Uma amiga uma vez me contou uma história muito pitoresca envolvendo um pato e um cidadão chinês, quando o último se estabeleceu temporariamente na cidade para trabalhar no seu doutorado na UC Davis. Vamos considerar que para um chinês, o fato de patos [comida!] passearem para lá e para cá livremente, sem o risco de virarem um guisado, deve ter tido o impacto de um baita choque cultural. Todo santo dia o chinês saia e voltava para seu apartamento, num dos complexos para estudantes localizado a lado do campus e do Arboretum, e via a pataiada zanzando, nadando, voando razante, levando aquele vidão. Patos gorduchos, bem alimentados, felizes e… suculentos. Um dia o chinês decidiu pegar um dos patos e com ele preparou um belíssimo jantar. Foi uma reação natural, um procedimento normal e o pato assado ficou delicioso, tão bom que ele não resistiu em contar a façanha para os seus colegas no laboratório onde trabalhava na sua pesquisa de doutorado. O chinês contou que o pato assado tinha ficado delicioso, mas os seus colegas ouviram horrorizados que ele tinha matado um pato do Arboretum, um símbolo da cidade, um animal intocável. Alguém o denunciou pra polícia, que depois de fichá-lo, avisou as autoridades da universidade e o estudante chinês foi expulso do meio acadêmico e em seguida deportado. Não posso afirmar se essa história é verdadeira ou se tornou-se uma lenda local, quando eventos muito menos drásticos começaram a correr bocas, cada um contando o conto e aumentando um ponto, como eu estou fazendo agora, contando esse conto pra vocês.

tsatsiki
[molho de pepino & iogurte]

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Tsatsiki é um molhozinho grego feito de iogurte com pepino, que geralmente acompanha um prato de carne. Eu misturei numa vasilha pequena um pepino pequeno ralado, meia xícara de iogurte natural, um fio generoso de azeite e uma pitada do tempero especial para tsatsiki*. Deixar na geladeira por uma hora e então servir.

* eu usei o condimento orgânico para tsatsiki da marca spicely. eu compro todos os meus condimentos e especiarias deles. se você não tiver acesso à esse condimento pronto, pode fazer o seu misturando manjericão, orégano, manjerona, alecrim, alho, pimenta vermelha, cebola, paprica e sal. todos os ingredientes são secos.

sopa de ervilha com pesto

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Adorei fazer essa sopa, pois foi rápida, fácil e ficou deliciosa. A receita saiu da edição de maio de 2009 da revista Gourmet e serve quatro pessoas.

1 cebola pequena picada
1 cenoura média picada
1 talo de aipo/salsão médio picado
1 3/4 de caldo de legumes
2 xícaras de água
3 3/4 xícara ou 450gr de ervilhas congeladas
1/4 de xícara de pesto — usei este pesto pedaçudo

Numa panela funda cozinhe a cebola, a cenoura e o aipo/salsão na mistura do caldo e água, adicionando uma pitada de sal e outra de pimenta. Tampe a panela e deixe cozinhar por uns 6 minutos. Adicione as ervilhas congeladas e cozinhe mais uns 3 minutos, desta vez com a panela destampada. Junte o pesto e bata a sopa no liquidificados [em duas vezes—com muito cuidado para não se queimar] ou use o mixer de mão. Prove o sal e sirva imediatamente. Se quiser pode decorar cada prato com uma porçãozinha extra de pesto, mas eu não fiz.