não comer morei

O nosso secretário Joshua se formou, classe de 2007 na UC Davis. Duas tortas da Bakers Square foram compradas para fazermos uma mini-celebração. Todos se reuniram no conference room para dar os parabéns ao Joshua e dividir uma torta de morangos e outra de chocolate com caramelo. Eu tinha acabado de voltar do almoço e só de olhar pra aquelas tortas me senti inflando imagináriamente como um balão e flutuando imagináriamente pela sala. As tortas, cheias de açúcar, massa feita com gordura vegetal e chantilly artificial me olhavam com uma cara maquiavélica de vilão de filme B. Como eu iria me livrar dessa? Todo mundo escolhendo—quero chocolate—quero morango—quero morango e chocolate! Eu decidi falar uma meia verdade: vou pegar a de morango mas vou comer mais tarde, pois acabei de almoçar. Foram muitos minutos presenciando uma verdadeira orgia açúcarada, garfos afundando no chantilly branco, bocas lambuzadas, dedos melecados. Encostada solenemente na porta segurando o meu pratinho sobre a minha mão esquerda estendida, como se eu fosse uma garçonete de algum diner congelada no tempo e espaço, aguentei firme. Quando o regabofe comemorativo terminou, caminhei até a minha salinha, ainda com o prato na mão, e lá ele ficou. Horas mais tarde abandonei sorrateiramente a torta intacta na geladeira da nossa micro-cozinha. Pra tudo há um limite e esse tipo de torta passou além da minha justa e estabelecida fronteira.

20 comentários em “não comer morei”

  1. Eu adoro na verdade “bolo de pobre”, claro que é uma brincadeira, mas é aquele bolo sequinho,sem cobertura e sem outras lambrecações; delicioso e quentinho pra tomar com café, nada de coisas super açucaradas que chegam a me dar dor de cabeça.

  2. Quando há essas reuniões na universidade, eu fico na minha, mas não como. Sempre tem salgadinhos horríveis e bolos com chantilly, além de refrigerantes. Eu não tomo refrigerante há 20 anos e não vou voltar a tomar por conta desses eventos. Acho engraçado porque sou a única. Dia desses quando eu chamei o pessoal p/ celebrar comigo, levei água e chá-mate e dois bolos deliciosos. Tomo mundo gostou… Claro, né! Não custa nada. Ou melhor, custa mais, mas o prazer é muito maior.
    bjkas,
    Cris

  3. Puxa, Fer, vc quase pagou um mico, mas se saiu muito bem. Não sei se eu conseguiria. Sou tão sincera e espontânea, que talvez fosse até indelicada. Mas não, nessa hora a gente tem que manter a classe e a forma, lógico.

  4. … e falando em monstruosidades…. que tal aquelas “chocolate fountains” que estao super na moda e a turma acaba mesmo e’ enfiando o dedo pra saborear o chocolate????
    vou precisar de umas aulas de etiqueta com voce para deixar de fazer minha expressao de nojo e horror quando deparo com uma dessas em festinhas no departamento
    🙂

  5. Lembro dos aniversários no trabalho, tortas tão cheias de cobertura branca (que eles diziam ser marshmallow) e gordura que dava uma trava na língua. Gosto de doces e tortas, mas uma vez eu literalmente passei mal depois de comer um pratinho de torta melecada assim…concordo com você, tudo tem limites.
    Beijos!
    Ótimo final de semana!
    http://www.mangiachetefabene.wordpress.com

  6. Eu já usei muito a desculpa da minha eterna dieta, que não deixa de ser verdade: “só como doces nos finais de semana”. Detesto finíssimas camadas de pão de ló molhado com água e recheado com grossas camadas de gordura hidrogenada batida com açúcar.

  7. Olha, eu te entendo, mas não vou mentir. Eu peco muito, sou muito gulosa e não sei se ia resistir ao caramelo, só de falar me dá água na boca. Muito provavelmente eu iria comer a parte do caramelo…ai que trash! =D
    Ah, falando em guloseimas, gorduras, ontem uma amiga me contou que o frappuccino do Starbucks tem 800 calorias. Fiquei tão feliz de nunca ter experimentado essa coisa assassina …
    Beijos =)

  8. Eu também detesto esses doces que a hora que vc coloca na boca, parece que tá mastigando gordura pura (o que, na maioria das vezes, não deixa de ser verdade)…sou tão frutassss….rs
    Bjus e bom fim de semana

  9. Esse é o retrato da América. O pior são aqueles bolos de caixinha cobertos com isopor cremoso e que fazem fila para comer. Nos idos de 1901, quando aqui vim pela primeira vez, ainda com as vendas da santa ignorância obstruindo a visão, experimentei de todas essas coisas artificiais e plásticas e engordei 400 kg num piscar de olhos. Hoje em dia, consigo exergar os corantes artificiais, vermelho 5, azul 94 e amarelo sei-lá-das quantas, acompanhados dos conservantes de nomes ininteligíveis e aditivos indesejáveis. Já é um passo na direção do progresso. Fico imaginando seu sorrisinho de “Monalisa” lá no cantinho, segurando a “matéria letal, enquanto as tarântulas cometiam “haraquiri”.

  10. Entendo perfeitamente essa sua atitude. Há coisas que, realmente, não se podem comer. Também detesto aromas artificiais e porcarias assim. Fez muito bem, Fer! 🙂

  11. Ah ah! 🙂 Também sofro com essas situações, e tenho sempre medo que me chamem de esquisitóide :-)! Para a próxima sigo o exemplo!
    Já disse que adoro os seus textos???? Faz-me sempre sorrir! 🙂
    Bjs!

  12. Puxa Fer, sei como eh..eu nem gosto desses doces que sao evil..Mas consigo “escapar” sempre, pois no meu trampo todos sabem que eu sou a “healthy” da galera..hehe
    Beijos e Happy Friday!!
    Bri

  13. que baita saia justa e você saiu fina da situação! muito bem, nao desagradou ninguem, e mais importante nao ofendeu seu paladar e corpo com uma bomba de gorduras hidrogenadas dessa! bjos

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