Oregon — a costa do Pacífico

Portland Portland Portland
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Para quem reparou [*pisc!] estive ausente por alguns dias daqui, mas asseguro antecipadamente que o fim justificará os meios pois terei algumas coisas bem bacanas pra contar e mostrar. É que depois de tantos anos morando na vizinhança do estado de Oregon, decidimos finalmente visitá-lo. Eu já estava querendo ir até Portland desde quando o meu filho foi e ficou me contando disso e daquilo. E também porque toda revista que eu assino que fala da costa oeste, fala das cidades do Oregon, do litoral, das vinícolas e de Portland e sua cultura peculiar, das tribos, da música, da comida. Finalmente achamos a época adequada e colocamos os pés na estrada. Num dos dias mais tórridos do ano subimos pela I5, a rodovia mais rápida que liga a Califórnia ao Oregon com vista panorâmica pelo Mt. Shasta, que ainda tinha neve no seu topo enquanto o termômetro no asfalto marcava 45ºC. A paisagem é linda, com pinheiros e montanhas. Fizemos um desvio em direção a Coos Bay no litoral sul e acabamos dirigindo umas duas horas vendo apenas dunas e florestas. Eu tinha levado um farnel para fazer um picnic na praia, com gaspacho e sopa fria de pepino nas garrafas térmicas, frutas, vinho e sanduíches de queijo. Mas acabamos comendo numa pequena clareira numa área lindíssima de floresta [nem pensei nos ursos]. Seguimos em frente até a primeira área onde se via o Pacifico, com penhascos como aqui na Califórnia, onde visitamos uma lighthouse linda, a Heceta Head. Conseguimos visitar apenas mais uma praia na cidade de Newport e decidimos seguir de uma vez rumo à Portland. A costa do Oregon é enorme e não deu para subir mais pro norte sem sacrificar nossos dias planejados para gastar nos outros lugares. Vamos ter que voltar uma outra vez só para fazer uma viagem pela costa, do centro do Oregon até Washington. [to be continued…]

pesto de verdura

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Começa o frio e o número de verduras na minha cesta orgânica semanal triplica. Nesta semana contei 7 [SETE] tipos diferentes de folhas verdes. Lord have mercy—não é fácil! Fico o inverno inteiro praguejando e correndo atrás de receitas diferentes e criativas pra usar tanta clorofila. Mas sei que estou errada reclamando, pois essas folhas verdes têm bastante nutrientes para manter o meu corpo saudável nesses meses cinzentos. E é por causa delas que acabo descobrindo receitas maravilhosas como esta da Heidi Swanson. Fiz duas vezes, da primeira vez usando um macarrãozinho tipo parafuso, e depois com este da foto, tipo fita. Das duas vezes não teve sobras.

serve de 4 a 6 porções
4 dentes de alho
4 chalotas pequenas [*usei meia cebola roxa]
1 maço de verdura
[*usei um tipo de couve chamada komatsuna, mas pode usar qualquer tipo de folhas verdes—kale, couve, espinafre, folhas de beterraba, etc]
1/3 xícara / 80 ml de azeite extra virgem
1/3 xícara de queijo de cabra
2 colheres de sopa da água do cozimento do macarrão [*opcional]
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto
Suco de limão [*opcional]
350 g de macarrão seco
Tomilho fresco

Numa panela grande, coloque água e bastante sal e leve ao fogo até ferver. Quando ferver, adicione os dentes de alho e a cebola [ou chalotas] e deixe cozinhar por uns 2-3 minutos. Junte as folhas de verdura e deixe por uns 10 segundos. Remova tudo com uma escumadeira e coloque num processador de alimentos. Na água fervendo na panela, jogue o macarrão da sua preferência e cozinhe até ficar al dente. Enquanto o macarrão cozinha, bata a cebola, alho, verdura, o azeite e o queijo de cabra no processador até formar um creme. Se precisar, junte um pouco da água do cozimento do macarrão. Pra mim não precisou. Tempere com sal e pimenta. Se quiser adicione o suco do limão. Escorra o macarrão e tempere com o pesto. Sirva decorado com folinhas de tomilho fresco e um pouquinho de queijo de cabra esmigalhado com os dedos.

torta de marmelo

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Nem sei pra que assino tanta revista, se é nas que são distribuidas de graça na porta do supermercado onde acho as receitas mais interessantes. Neste caso foi mais uma vez a Delicious Living que trazia várias sobremesas, bolinhos e cookies usando farinhas diferentes. nectar de agave, tudo muito leve e saudável. A primeira receita que decidi fazer era uma torta de maçãs, mas eu resolvi usar marmelos, que estão lindos e onipresentes pelos mercados nesta época do ano. Quando coloquei o primeiro bocado dessa torta na boca me senti transportada para um passado remoto, quando almoçava em restaurantes macrôs e naturebas. Foi uma experiência até um pouco nostálgica. A torta não fica suntuosa, mas é extremamente saborosa. Com uma massa deveras simpática e um recheio sem complicações. para quem gosta de apreciar o sabor da fruta, sem misturas de cremes e outras firulas.

recheio
4 marmelos [ ou maçãs Granny Smith] descascados e cortados em fatias finas
1 colher de sopa de suco de limão
2 colheres de sopa de araruta [ou maizena]
1/4 xícara de nectar de agave [ou mel]
3/4 colheres de sopa de canela moída [*omiti]
massa de baunilha e pecan
3/4 xícara de pecans [*usei nozes]
5 tâmaras sem semente [* usei 1 caqui pequeno maduro]
1 fava de baunilha [ou 1 colher de chá de extrato de baunilha]
2/3 xícara de farinha de amêndoa [ou amêndoa moída fina]
1/8 colher de chá de sal
1 ovo

Pré-aqueça o forno em 400ºF/ 205ºC. Coloque as pecas [ou nozes] e as tâmaras [ou a polpa do caqui] no processador e pulse até moer tudo bem. Corte a fava de baunilha ao meio com a ponta de uma faca e remova as sementes. Coloque as sementes no processador [e guarde as favas no açúcar] e pulse novamente. Junte a farinha de amêndoa, o ovo e o sal. Continue pulsando até formar uma massa mais ou menos firme. Unte uma forma de aro removível de 9-inch/ 22 cm com manteiga. Espalhe a massa na forma com os dedos, alisando bem. Espete a base com o garfo e leve para assar por 10-12 minutos ou até a massa ficar ligeiramente dourada. Remova do forno e deixe esfriar.

Abaixe a temperatura do forno para 350ºF/ 176ºC. Numa vasilha grande misture bem as fatias de marmelo [ou maçãs] com o suco de limão, a araruta, o agave e a canela [*eu omiti]. Espalhe as fatias por cima da massa pré-assada. Se juntou sucos na vasilha, despeje sobre a torta. Cobra com papel alumínio e leve ao forno por 50 minutos, até a fruta estar bem cozida. Deixe esfriar antes de servir.

na fazenda Yamaguishi

Chegamos na fazenda orgânica Yamaguishi em Jaguariúna às 8:30 da manhã de um dia que prometia ser esbaforento e quente. Mas naquela hora o frescor ainda imperava e assim que desci do carro respirei um ar que me pareceu imensamente familiar. Não sei explicar exatamente o que era aquele cheiro conhecido, de coisa fresca, de infância, de tempos bons, de riacho transparente, de mangueira carregada de fruta, de terra molhada e grama pisada. Avistamos uma casa grande rodeada de um varandão que me pareceu a sede administrativa e lá batemos para perguntar pelo moço que iria nos ciceronear naquela visita.

Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi

Eu, minha mãe e meu irmão fomos recepcionados por uma senhora, que nos ofereceu um café. Foi o tempo de brincar com o gato e olhar um pouco ao redor e já chegou o Romeu, com quem eu tinha trocado breves mensagens de e-mail. Não teve muitos salamaleques para agendar uma visita. Fui ao website da fazenda, cliquei no e-mail de contato e escrevi dizendo que queria visitar a Yamaguishi e que uns amigos, professores da Unicamp, tinham me recomendado que eu falasse com o Romeu. Dias depois estávamos lá, muito bem recebidos logo pela manhã para um convercê e depois uma extensa caminhada, com direito a explicações detalhadas sobre tudo e respostas para todas as minhas perguntas.

A fazenda Yamaguishi tem 60 hectares de mata replantada e 37 de mata original. Eles fazem entregas de cestas de produtos orgânicos à domicílio e participam também de várias feiras em Campinas e região. Oferecem 66 variedades de legumes e verduras, que podem ser escolhidos ao gosto dos clientes. O Romeu explicou que as estações não muito rigorosas do Brasil possibilitam a produção ininterrupta de muitos produtos, que são oferecidos quase que durante todo o ano. A sazonalidade é muito mais flexível, devido ao clima mais ameno. Nada é produzido em estufas, tudo saí dos imensos canteiros espalhados pela extensão da fazenda. E dali também saem o ano todo frutas como laranja, banana e maracujá. A fazenda Yamaguishi dispõe seus produtos com os de mais 17 agricultores orgânicos da região, que formam o Grupo Mogiana. Eles promovem cursos, e treinamentos, dividem experiências e técnicas, que são praticadas por todos. A variedade dos produtos oferecidos pela Yamaguishi é também graças à essa organização de produtores. O grupo também participa de um planejamento de produção com os agricultores convencionais, para ajudar com controle de pestes, preservação do meio ambiente e divulgação de técnicas de agricultura orgânica e sustentável.

Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi

Nossa caminhada pela fazenda nos deixou de língua de fora e com o queixo caído. São apenas 27 pessoas cuidando da produção de legumes, verduras, frutas e de um montão de galinhas. Todos vivem em casinhas dentro da fazenda e todos administram o negócio conjuntamente. Na Yamaguishi não tem chefe, não tem dono, todos são iguais pela filosofia que é aplicada no dia-a-dia. O Romeu nos explicou como eles controlam as pestes sem químicos, como re-usam o excedente, reaproveitam tudo, fazem rotação da lavoura, preservam o rio e a mata, e os animais silvestres que vivem por lá. Eu deveria ter levado um gravador, pois foi muita informação pra memorizar. Uma das coisas que me chamou a atenção foi a lindeza dos canteiros, folhas enormes, brilhantes, quase sem nenhum ataque de bichos e o Romeu contou que isso é resultado de anos das práticas orgânicas. A fazenda já tem 22 anos e serve 800 clientes das cestas entregues semanalmente, mais as feiras e o suprimento de lojinhas, como a Macróbios de Campinas. A fazenda recebe visitantes comuns, grupos de escolas e tem também umas atividades abertas ao público nos finais de semana. É só escrever ou ligar pra eles e perguntar.

Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
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Mas a parte da fazenda que mais me impressionou foi a dos galinheiros. De longe avistamos o imenso gramado todo cercado com arame, onde as galinhas ciscam livremente das 10 da manhã até às 5 da tarde. É um espaço cercado por razões óbvias—não dá pra deixar centenas de galinhas soltas pela fazenda, expostas à predadores e depois ficar catando os ovos botados ali, aqui e acolá. Eles têm um esquema super bem organizado, com galinheiros espaçosos onde os franguinhos moços e as franguinhas moças crescem primeiro em espaços separados. Na fase adulta eles finalmente se juntam, um bando de galinhas e um seleto número de vigorosos galos. Os ovos são fertilizados, fruto do ciclo natural da vida. Mas o Romeu contou que apesar das galinhas estarem em maior número, quem escolhe o galo são elas, portanto são elas que realmente mandam no galinheiro. Entramos em alguns deles onde naquela hora matinal as penosetes ainda estavam botando ovos. Cada galinheiro tem um compartimento onde as galinhas entram e ficam lá, quentinhas e fechadinhas, colocando os ovinhos em total privacidade. O Romeu quis nos mostrar um deles e para nossa surpresa, antes de abrir bateu na porta do compartimento explicando que todos os outros funcionários também faziam o mesmo, em sinal de respeito, para avisar as galinhas de que elas iriam ter a privacidade invadida. Como adentrar um quarto de moçoilas enquanto elas estão fazendo a toilete, com um toc toc toc e um discreto com licença para mostrar respeito.

Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
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Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
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O Romeu foi nos mostrando tudo, pegou o solo do galinheiro com as mãos, explicando que aquilo iria adubar os canteiros da fazenda. Nunca vi terra tão limpa. Naquela hora um dos funcionários estava deixando os sacos de ração nas portas dos galinheiros. A ração é feita lá mesmo na fazenda, vimos a lista dos produtos—nada de porcariadas, nada de artificial, nem de químico, só ingredientes naturais. As galinhas comem até casca de ostra, que ajuda a deixar a casca do ovo mais durinha. Vimos também o pessoal pegando os ovos [e batendo na porta e pedindo licença antes], a limpeza e armazenamento, depois o empacotamento dos ovos fresquinhos que vão para as cestas domésticas ou para os mercadinhos. Os ovos da Yamaguishi são realmente de galinhas saudáveis e felizes—eu posso dizer isso, pois fui lá e vi!

Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica Yamaguishi Fazenda Orgânica Yamaguishi

Saí da fazenda Yamaguishi um bocado entusiasmada, porque pude ver com meus próprios olhos, e caminhando e sujando o meu calcanhar de terrão vermelho, o trabalho bacanérrimo que tem sido feito ali com os orgânicos. Muita gente me diz que onde mora não tem orgânicos, que é difícil, eteceterá e tals. Mas eu tenho certeza que tem muito agricultor, pequeno ou grande, fazendo coisas muito bacanas, como o pessoal da Yamaguishi já está fazendo ali nas imediações de Campinas há várias décadas. O truque é começar a procurar. Olhar em volta, fazer muitas perguntas, se informar, se conectar, montar uma rede e ajudar a divulgar—quem vende os legumes, o leite que entrega em casa, o queijo, os ovos, aquele sitiante que aceita encomenda de galinha ou de um porquinho. E assim vamos devagarzinho saindo daquela imposição dos grandes produtores e distribuidores, e vamos mudando um bocado da nossa alimentação e da nossa vida, pra melhor!

halibut com marmelo
[e farofa de jatobá]

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Cheguei do Brasil com vários pacotes de farinha enfiados pelos cantos da mala. Nem me preocupei em esconder nada—era farinha, não tinha nada demais e pronto! O máximo que poderia acontecer era a fiscalização da imigração confiscar e jogar tudo no lixo. Dedos cruzados. Suspense. Quando abri a mala, já em Davis, achei o bilhete da inspeção e todos os pacotinhos suspeitos intactos. Ufa!

Mas perguntará você, como acabei com essa muamba dentro da mala? Vou tirar meu corpo fora numa ginga malandra e apontar meu dedão para a verdadeira culpada —-> Maria Rê. Ela que chegou no nosso almoço lá no restaurante Lá da Venda com uma caixinha linda recheada de pacotinhos com as mais fantásticas farinhas! Um presente maravilhoso, daqueles que são uma surpresa muito boa de receber.

Pois então cheguei na maior animação para usar aquelas preciosidades brasileiras. Submersa na água da piscina, dando minhas braçadas no sábado pela manhã, tive a epifânia. Tinha comprado um filézão de halibut e lindos marmelos no Farmers Market. Juntei um com dois e num refratário fiz uma cama de marmelo descascado e ralado fininho, o peixe temperado com limão, sal e pimenta foi colocado por cima, muitos minutos de forno médio coberto com papel alumínio e na hora de servir preparei uma farofinha com uma das farinhas pra colocar por cima do peixe.

Escolhi a farinha de jatobá. Uma fruta que nem todo mundo conhece, mas que eu conheço mais do que ninguém, porque costumava colhê-las numa árvore que ficava na praça da igreja matriz da minha cidade natal e comê-las lambendo os beiços. Ela é uma farinha bem sedosa e não ficou crocante como eu gostaria. Mas quem se importou? Achei que ficou deliciosa. Apenas derreti um pouquinho de manteiga numa frigideira, juntei a farinha, uma pitada de sal, fritei mexendo com uma colher de pau por uns minutos e no final acrescentei um punhadinho de ciboulettes picadinha.

a salada clássica de outono

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Duas abóboras pequenas me esperavam na bancada da cozinha. Na geladeira, cebolas roxas. No Farmers Market, abundância de folhas verdes, incluíndo a minha favorita—rúcula. Essa salada é pra mim a cara do outono e repito sempre, com variações aqui e ali. Sempre asso a abóbora, pois acho muito mais fácil, prático e saboroso. Só tempero os cubinhos com um fio de azeite e sal. Desta vez acrescentei folhinhas de tomilho fresco. Asso por 40 minutos em forno 400ºF/ 205ºC. A cebola roxa eu corto finérrima com o mandoline [cuidado!] e deixo de molho na água gelada misturada com vinagre de vinho. Isso tira um pouco a ardência e deixa a cebola suave e adocicada. Tostei um punhado de nozes na frigideira e coloquei outro punhado de berberis secas [zereshk] de molho na água para elas amolecerem um pouco. Essas frutinhas secas podem ser encontradas em mercadinhos internacionais.

Monte a salada:
[folhas de rúcula, rodelas de cebola roxa, nozes, cubos de abóbora assados, zereshk]
E tempere com um vinagrete preparado com suco de limão, óleo de nozes, sal marinho [usei Maldon], pimenta do reino e um pouco de mostarda. Bata bem com um batedor de arame até o molho ficar bem emulsificado. Tempere a salada com ele e sirva imediatamente.

uma quitanda em Sousas

Quitanda Entre Verde
Quitanda Entre Verde
Quitanda Entre Verde Quitanda Entre Verde
Quitanda Entre Verde
Quitanda Entre Verde
Quitanda Entre Verde
Quitanda Entre Verde Quitanda Entre Verde
Quitanda Entre Verde
Quitanda Entre Verde
Quitanda Entre Verde

No meu Farmers Market nem todos os produtores são certificados orgânicos, mas os que não são declaram não usar nenhum tipo de spray ou pesticidas e passam na triagem que permite que eles vendam seus produtos para o público. Confiança é a palavra chave.

Eu entendi que no Brasil a certificação é um troço um pouco mais complexo, que ainda não é oferecida formalmente por um orgão governamental. Isso faz da confiança algo muito mais importante. Você saber de onde vem os produtos que consome. Confiar no produtor, na fazenda, no dono da horta e dos animais.

Essa quitandinha de beira de estrada com a horta e galinhas no fundo exemplificou tudo o que eu tento explicar sobre consumo e confiança. Indo da casa da minha irmã em Sousas para a casa da minha cunhada em Joaquim Egídio, paramos nessa quitandinha no meio do caminho para nos abastecer de frutas e legumes. Quando vi a horta lá atrás, despiroquei. Me explicaram que nem tudo que é vendido lá vem da horta, alguns produtos chegam de outros cantos e nem todos são orgânicos, mas é tudo de lugares de confiança. Conversei um pouquinho com a Isabel, a mocinha que atende o público na vendinha. E depois pedi licença para entrar na horta, onde bati um papinho com a Marlene, a moça que cuida dos legumes, verduras e das galinhas. Ela me falou que não usa nada quimico, que utiliza apenas esterco, uma outra substância para equilibrar [não me lembro se ela falou cal ou cálcio], casca de ovos das galinhas e deixa o mato crescer entre os canteiros, assim os insetos não atacam as verduras. Me encantei com a simplicidade de tudo aquilo. A Marlene também me contou que da horta também saem as bananas que elas vendem na quintanda. Cheguei até o galinheiro e provoquei um alvoroço nas penosas, que provalvelmente acharam que eu iria jogar lá uns milhos pra elas. Também acabei alvoroçando os cachorros e concluí que estava causando muito forfé, resolvi me retirar. Foi o tempo da minha cunhada fazer as comprinhas. Ela e a Isabel se conhecem, trocam sempre um dedo de prosa. Ela me contou que lá também você pode encomendar uma galinha pra comer. Eles esperam o tempo natural de amadurecimento do bicho e só então matam. E uma vez por ano rola o sacrificio de um porquinho—que se você quiser para o Natal precisa encomendar com antecedência, porque é tudo feito seguindo o ciclo natural das coisas. Como tudo realmente deveria ser.

5 anos fechados
[com chave de ouro]

Festanças não são muito a minha praia. Mas eu gosto de marcar e relembrar as datas, principalmente as comemorativas. E este ano juntaram-se várias numa curta sequência. Quando me toquei que o aniversário de cinco anos do Chucrute com Salsicha estava se aproximando, nem esquentei a cachola pensando no que iria fazer para celebrar. Eu iria estar no Brasil, mais precisamente em São Paulo e com amigas blogueiras, exatamente no primeiro de novembro—o dia auspicioso em que iniciei este promitente blog.

Chucrute no Brasil Chucrute no Brasil
Chucrute no Brasil
Chucrute no Brasil Chucrute no Brasil
Chucrute no Brasil

As outras datas celebrativas que precederam brevemente o aniversário do Chucrute e que determinaram que eu entrasse num avião e mudasse de hemisfério, foram o aniversário de 80 anos do meu pai e o de 50 anos de casamento dele com a minha mãe. Toda família compareceu, tivemos festa, festão e festinha na comemoração de duas datas importantíssimas para nós. Passei uma semana e meia aproveitando a companhia de todos da família e revendo e conhecendo novos amigos. Conheci a querida blogueira Luciana Betenson que veio encontrar-se comigo em Campinas, ri muito com minha irmã e o amigão dela, o Calil, revi a Sandra, minha alma gêmea ativista dos orgânicos, bebi cházinho com bolo de azeite e alecrim feito para mim pela minha irmã, comi feijoada, galinha caipira com quirera, goiaba, pitanga, todas as bananas que pude engolfar, laranja lima, manga, pizza do Bráz, pão de queijo assado na folha de bananeira e linguiça feita em casa pela minha prendada cunhada Patrícia, comi requeijão, goiabada, doce de figo, bebi drinks sem alcool com minha mãe, ouvi meu pai falar de política, visitei a fazenda orgânica Yamaguishi com minha mãe e meu irmão, curti todos os meus sobrinhos, desde os que sobem em árvore, fazem tricô, curtem futebol, tocam música, dançam balé, me preparam deliciosos bolos, até os que adoram salada e plantam hortinha na varanda. Também convivi com todos os cachorros da família e dos amigos. Fui aos supermercados convencionais e orgânicos, hortifruti, mercearia, vendinha, padaria, açougue, peixaria.

Chucrute no Brasil
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Me despedi da minha família um pouco mais cedo, para poder passar três dias em São Paulo, revendo e conhecendo amigos, experienciando um pouco da diversidade da cultura gastronômica da cidade. Fui recepcionada pela minha querida amiga Roberta, que me tratou como uma rainha—nunca vou conseguir agradecer o suficiente tanto carinho e cuidado! Com ela e o Antônio, mais minha irmã, meu cunhado e sobrinhos, comi comida mineira levinha, pastelzinho recheado com carne seca, bolinho de mandioquinha com queijo, couve refogada, caldinho de feijão e uma farofa de maracujá que nunca vou esquecer. Também com a Roberta fui encontrar com o queridíssimo Gui Bracco no restaurante Moinho de Pedra, onde também conheci a chef Tatiana Cardoso [e ganhei o livro dela autografado]. Depois passamos na chocolateria Valrhona, onde papeamos muito mais e também encontramos a Beth V. À noite brindamos os cinco anos do Chucrute informalmente num jantar encantadoramente Dadivoso na casa da Fernanda Zacchi e na companhia da Mariana Newlands, Roberta, Mr. Dadivoso e a linda cachorra Frida. No dia seguinte passamos no Lá da Venda, onde conheci a simpatica chef Heloisa Barcelar, bebi Turbaína e almoçei pastelzinho de massa de milho e picanha com purê de banana da terra na companhia da Roberta e da fofíssima Maria Rê. Passamos a tarde num papo tão bom, que nem vimos as horas passarem. À noite jantei no sofisticado restaurante Maní com as amigas Lena Gasparetto, Faby Zanelati e Daniela Fonseca. E meu último dia em São Paulo passei com a querida Neide Rigo, que me serviu suco de bacuri da Ilha do Marajó, me levou de trem para o Mercado da Lapa, onde comi açaí com banana e creme de cupuaçú, depois fomos de ônibus até o centro da cidade, onde almoçamos no restaurante Tordesilhas. Esse lugar foi para mim no mínimo, o máximo, pelo ambiente, decoração e comida especialíssima, mas também por causa da chef Mara Salles, que juntou-se à nós, na companhia da sua mãe e me ensinou sobre a abobrinha brasileira, falou um bocado de coisas legais sobre sustentabilidade e ainda nos serviu um delicioso licor de Baru. Saí do Tordesilhas encantada com o que vi, ouvi e comi e de lá segui tristemente para o aeroporto, acompanhada e guiada mais uma vez pelas queridas Roberta, Maria Rê e Neide Rigo que ficaram comigo até quase a hora do embarque.

Chucrute no Brasil Chucrute no Brasil
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Os cinco anos do Chucrute com Salsicha não teve [nem vai ter] comemoração formal, com bolo, fogos de artificio, relatos nostálgicos. Este blog é o que é, porque eu sou quem eu sou. E tudo o que fiz até hoje resultou numa rede de amizades inestimáveis, que me faz sentir privilegiada por ter tido a oportunidade de manter e estreitar esses laços. Não consegui ver e rever muitas outras gentes queridas, mas sei que não irão faltar oportunidades num futuro breve. Mais visitas virão com certeza, mas por enquando vou ficando por aqui, dando continuidade à este convercê que iniciei há cinco anos e que parece estar bem longe de se encerrar.

[»todas as fotos tiradas com meu companheiro de viagem iPhone4; a foto com a Mara Salles e a abobrinha é de autoria da Neide Rigo.]