uma tradição italiana

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Lívia ajudando o pai na fazeção da macarronada

Sexta-feira vou buscar meu irmão no aeroporto de San Francisco. Ele está no Texas à trabalho e vai dar um “pulinho” até a Califórnia só pra ver a irmã dele! Eu tenho dois irmãos—os dois cozinham. Este que está chegando é o responsável pela sobrevivência da grande arte de fazer macarrão em casa, que é a tradição que vem passando de geração em geracão no lado materno da minha família.
Minha mãe aprendeu a fazer a massa de macarrão com a minha bisavó, uma imigrante italiana aportada em São Paulo no começo do século vinte. Por muitos anos fui eu a menina girando a manivela da máquina, ajudando a fazer a massa amarela ficar fininha, fininha. Depois foi a vez do meu filho Gabriel que girava a manivela enquanto a avó pegava a massa do outro lado. Muitas crianças da família giraram a manivelinha. Hoje quem gira é a Lívia, enquanto o pai dela prepara a massa. Por mais incrível que pareça, não sou eu que estou carregando a tradição pra frente. Meu irmão é hoje o dono da máquina, que ele usa todo final de semana para preparar a massa, que depois será temperada por um fabuloso molho de tomates feito em casa e devorada por toda a família—ou la famiglia, como diz meu pai, que descende de portugueses, mas já foi totalmente seduzido e dominado pela italianada. Quando eu ligo lá nos domingos logo depois do almoço, ele diz —só faltou vocês aqui e um cantor de operetas para animar mais o nosso almoço, pois o resto estava completo: macarronada, frango assado, muito vinho, adultos conversando aos berros, crianças correndo pela casa e a cachorrada latindo!

13 comentários sobre “uma tradição italiana”

  1. Nossa! Parece que isso realmente é uma tradição nas familias italianas, minha avó paterna também fazia macarrão assim e eu tambem ja girei essa manivela, muitas vezes, que saudades desse tempo bom, meu pai também ja usou muito essa maquininha, agora ele gosta mesmo é de fazer a especialidade da minha avó que era Ravioli de ricota.

  2. Olá Fernanda,
    Estou fazendo uma matéria sobre almoços em família e fiquei ternamente inspirada com esse seu texto. Gostaria de usá-lo num box como exemplo do espírito do almoço em família (com seu crédito, lógico e evidente…). A design tb gostaria usar uma foto do site. É possível? Tentei encontrar um e-mail para falar com vc, mas não encontrei. Se quiser mais detalhes, please, me envie um e-mail que explicarei com prazer. Um abraço e aguardo sua resposta.
    Ana Lúcia Milan – São Paulo/SP

  3. Olá Fernanda,
    Estou fazendo uma matéria sobre almoços em família e fiquei ternamente inspirada com esse seu texto. Gostaria de usá-lo num box como exemplo do espírito do almoço em família (com seu crédito, lógico e evidente…). A design tb gostaria usar uma foto do site. É possível? Tentei encontrar um e-mail para falar com vc, mas não encontrei. Se quiser mais detalhes, please, me envie um e-mail que explicarei com prazer. Um abraço e aguardo sua resposta.
    Ana Lúcia Milan – São Paulo/SP

  4. Estou com lágrimas nos olhos, Fer, porque eu era a menina girando a manivelinha com a Vó Dinah. Eu tinha quatro para cinco anos quando ela se foi, mas a minha dadivosice veio quase toda dela. Tenho uma lembrança muito forte dos fins de semana que passava do lado dela, moldando restos de massa como se fossem chapéus pra vestir um cabo de vassoura.
    ai ai… obrigada pela lembrança
    ;***

  5. Fer, post lindo.
    A Livia é uma princesinha, amei a carinha séria dela, espiando se está tudo certo com a massa e a máquina!
    Acho que certas tradições são importantes e devem ser mantidas, sim. Que bacana os teus irmãos cozinharem!

  6. É tão reconfortante para o nosso coração poder lembrar, e conviver, com as nossas melhores lembranças do passado, quando os atores ainda estão todos aí, compondo o cenário familiar com a mesma harmonia e tradição repaginadas pelas novas gerações. É bom ter vivido e, melhor ainda, continuar vivenciando e reproduzindo as mesmas emoções.
    Belo quadro, Fer.
    Bjs

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