Julia comes to the rescue

Só não fui na primeira sessão do dia porque tinha que trabalhar. Combinei então com o Gabriel de pegarmos a das 7:20 pm. Ele zombou, dizendo que não teria ninguém na sala do cinema—somente um bando de velhinhas, ele afirmou. Chegamos em cima da hora e fomos avisados de que a sessão estava cheia, sobravam apenas algumas cadeiras nas fileiras da frente. Sala vazia, somente com algumas velhinhas, hein? Vamos assim mesmo, respondi prontamente. Nem pensar em esperar mais horas para ver Julie & Julia, o filme baseado no livro da Julie Powell e com o acréscimo de partes do livro biográfico e póstumo da Julia Child, My Life in France. Entramos na sala lotada, já com os trailer em ação e sentamos lá na frente, com aquela tela imensa distorcida e tivemos que praticamente deitar na cadeira até que os olhos se acostumassem com aquela imagem gigantesca na nossas caras.

Julia & Paul Child valentine's card
Julia & Paul Child valentine’s card

O filme era tudo o que eu esperava. Adorei ver Julia Child finalmente personificada, num trabalho excelente de uma atriz do calibre da Meryl Streep e me identifiquei um pouco com a blogueira obstinada que, de uma certa maneira, trouxe Julia novamente para o nosso convívio. Depois do sucesso do blog projeto Julie & Julia e seguidamente do livro Julie & Julia, os dois volumes da obra prima de Julia Child, Mastering the Art of French Cooking, voltaram a ser abertos nas cozinhas de todo o mundo e Julia, nunca realmente ausente, voltou a fazer parte da nossas conversas em blogs e na vida real.

Quem leu os dois livros—como eu, vai perceber o filme num âmbito um pouco maior, pois nos livros há muitos detalhes deixados de fora no filme. Duas horas não são suficientes para contar com todos os micros detalhes as histórias dessas duas mulheres. Mas a diretora Nora Ephron fez um filme equilibrado, com um roteiro bem articulado que conta um pouco sobre a trajetória inicial da Julia Child e do projeto de Julie Powell.

É muito mais fácil se encantar com a história de Julia Child, que se inicia na Paris do final dos anos 40 e que culminou com a publicação de um livro que virou biblia da cozinha francesa para os americanos e a transformou num mito da cultura gastronômica mundial. Julia era única, inimitável, altona e desengonçada, com uma voz de marreca, casou-se tarde numa união extremamente feliz. Tudo o que ela fez foi meio que por acaso. Era perseverante, obcecada, dedicada, honesta. Sempre tive essa imagem dela, muito feliz no casamento com Paul, fazendo tudo com naturalidade e espontaneidade, sem objetivo nenhum de ser famosa, sem forçar a barra, desabrochando já na meia idade, realmente uma mulher de personalidade. Me identifico, sem pretensão, com muitas coisinhas do percurso da vida da Julia.

A identificação com Julie Powell vem pelo fato dela ser uma blogueira contando publicamente suas histórias na cozinha, incluindo sucessos e fracassos, e por ela projetar a mesma imagem que muitos de nós fazemos da Julia. Eu conhecia a Julia Child de vídeos e livros, mas não me inspirei nela, muito menos na Julie Powell para fazer o meu blog. Reconheço porém uma certa semelhança entre o que Julia & Julie fizeram e o que estou fazendo, porque cozinhar e blogar envolve muita dedicação, mas ao mesmo tempo exige um certo desprendimento. Na sala de cinema lotada de gente de todas as idades, eu pensava quantos ali cresceram vendo os programas de tevê, preparando ou apenas comendo as receitas da Julia. E quantos só descobriram Julia Child recentemente e decidiram abrir os livros e testar algumas receitas. Acredito que essa mulher grandona alegrou e enriqueceu a vida de muita gente, com seu didatismo e bom humor, sua figura carismática e divertida. Julia indiretamente salvou Julie do tédio, da frustração, da inércia. E acabou salvando outros também, de lambuja. Os que leram e se entusiasmaram pelo projeto, resgataram seus livros de receitas, ajeitaram os aventais e colheres de pau, abriram seus laptops e começaram a cozinhar e a também contar as suas próprias histórias.

18 thoughts on “Julia comes to the rescue”

  1. Olá! Soube do filme no site da Ana Maria Braga (comecei a revender trufas na faculdade e estava atrás de receitas para eu mesma fazer), na verdade assisti um vídeo no site dela onde um rapaz criou um blog, onde faz as receitas dela, coloca foto e comenta sobre. Lendo o blog dele, disse que havia se inspirado neste filme. Procurei na internet mesmo e assisti online, simplesmente amei!
    Enfim, fui procurar fotos da Julia com o marido e cliquei em seu blog. Muito bacana, adorei! Ah, pretendo ler o livro, pois o filme é sempre contado por cima não é, e claro, você teria algumas receitas de trufas para eu tentar fazer?
    Desde já agradeço, e sucesso com o blog!
    Deus abençoe.
    Natali de Moraes-Indaiatuba/Sp.
    R: Natali, bem-vinda! infelizmente nao tenho receita de trufas, mas te desejo boa sorte na sua empreitada! abs!

  2. Acabo de ver o filme, e como sempre acontece com os que gosto, parei na frente do note para conhecer a carinha da Julia, e claro, ve-la em açao…
    Amei o filme, a Meryl esta otima, merece o Oscar. O filme inspira, como tudo que se faz com amor.. seja o casamento, seja cozinhar, ou o que te faça feliz. Adorei, bjs

  3. Estou terminando de ler My Life in France e amando. Nem preciso dizer que reconheci algumas das cenas nos trailers do filme e que fiquei louca para ver, né? Só não vi ainda pq passei essa última semana numa ilha no meio do nada com coisa nenhuma a 3 horas ao norte de Toronto…
    Me apoixonei pela Julia Child…

  4. Oi Fer !!!!
    Que bacana ver dois posts de duas queridas sobre o mesmo filme. Vá lá no “sopa” da Fabricia e veja que ela também foi ver o filme.
    O bom mesmo é que assim como por seu intermédio conheci o livro do Jack Polain, acho que agora vou atrás dos da Julia, pois confesso que não sei quase nada sobre ela. Aliás tudo o que já ouvi/li foi aqui no Chucrute.
    Um grande beijo pra você.

  5. se antes eu ja tinha certeza que queria ver esse filme, agora depois dessa linda resenha, virou missao a ser cumprida a qualquer custo! 🙂

  6. Fer, sou uma das que conheceram a Julia através de blogs, ou melhor falando, através do seu blog e fui atrás de mais informações. Imagine então, minha ansiedade por assistir o filme, mas por aqui ainda demora um pouquinho.
    beijocas

  7. Eu acompanhei o blog da Julie e li o livro logo q saiu, to q nao vejo a hora de assistir o filme Fer!
    Essa semana eu vou! Chamei minhas amigas p/ irmos no domingo mas nao teve uma q topou… ir ao cinema sozinho eh meio chato, mas se nao der certo de ir com uma outra colega acho q vou ter q ir so mesmo. Mas p/ assistir esse filme acho q vale a pena!
    Beijao!
    Ana

  8. Tinha certeza que você seria a primeira a assistir este filme. Semana passada eu assisti num canal que passa o Dadid Letterman aqui no Brasil e vi a garota que faz a Julie (Amy…..). Fiquei com água na boca. Estou louca para que chegue logo por aqui, abaixo da linha do Equador…
    beijosss

  9. Num aguento mais esperar p/ ir ver o filme. Eu tbem me identifico mto com as duas personaagens. Quantas vezes ja joguei minhas culinaries concoctions no lixo do sobrando o cheiro esquisito na cozinha.
    Amo seu blog
    Milza

  10. Fer, estou mortinha de vontade de ver!
    Mas cá em Portugal só estreia em Outubro…
    Vou ter que apelar mesmo para o download – aliás, confesso, já estou em processo de apelação. Espero conseguir ver o mais breve possível e depois rever no ecrã grandão.
    Só li o “My Life in France” e adorei.
    Eu sou da geração que descobriu a Julia através dos blogs: adinha em qual?
    Claro, descobri-a aqui no Chucrute.
    Adorei o postal!
    Beijinhos. 🙂

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