Pato a Califórnia

Os patos são uma instituição aqui na minha cidade. O habitat natural da pataiada é o Arboretum da UC Davis, onde eles têm um riacho bem comprido para nadar e muito solo orgânico ao redor para bicar e petiscar, numa área realmente enorme e que abriga outros pequenos animais, como lebres e esquilos. Mas se vocês acham que os patolinos estão satisfeitos com o espação que têm e ficam somente por ali, estão enganados. Os aventureiros adentram audaciosamente as ruas do campus e até as da cidade. É bem comum se ver uma fila de carros parados esperando uma fileirinha de patos atravessar a rua, naquele passinho de patatipatacolá. Eu mesma já parei por causa deles incontáveis vezes. E vira e mexe vejo um patolino ou dois perdidos, vagando pelas calçadas das ruas de downtown. Muitos aparecem vez e outra na minha rua e dormem na grama do meu jardim. Eu acho esses patos circulando pelas ruas um perigo, mas felizmente numa presenciei nenhum atropelamento. Todo mundo toma cuidado, pois os patos são ícones da cidade, assim como com as bicicletas e o o cavalo dos Aggies.

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Uma amiga uma vez me contou uma história muito pitoresca envolvendo um pato e um cidadão chinês, quando o último se estabeleceu temporariamente na cidade para trabalhar no seu doutorado na UC Davis. Vamos considerar que para um chinês, o fato de patos [comida!] passearem para lá e para cá livremente, sem o risco de virarem um guisado, deve ter tido o impacto de um baita choque cultural. Todo santo dia o chinês saia e voltava para seu apartamento, num dos complexos para estudantes localizado a lado do campus e do Arboretum, e via a pataiada zanzando, nadando, voando razante, levando aquele vidão. Patos gorduchos, bem alimentados, felizes e… suculentos. Um dia o chinês decidiu pegar um dos patos e com ele preparou um belíssimo jantar. Foi uma reação natural, um procedimento normal e o pato assado ficou delicioso, tão bom que ele não resistiu em contar a façanha para os seus colegas no laboratório onde trabalhava na sua pesquisa de doutorado. O chinês contou que o pato assado tinha ficado delicioso, mas os seus colegas ouviram horrorizados que ele tinha matado um pato do Arboretum, um símbolo da cidade, um animal intocável. Alguém o denunciou pra polícia, que depois de fichá-lo, avisou as autoridades da universidade e o estudante chinês foi expulso do meio acadêmico e em seguida deportado. Não posso afirmar se essa história é verdadeira ou se tornou-se uma lenda local, quando eventos muito menos drásticos começaram a correr bocas, cada um contando o conto e aumentando um ponto, como eu estou fazendo agora, contando esse conto pra vocês.

9 comentários sobre “Pato a Califórnia”

  1. Caro Amigo.
    Estava eu, procurando uma receita de pato a califórnia quando me deparei com a sua história ou estória como queira, sobre o pobre chinês. Por instantes quase deixei de fazer o meu pato assado no natal para toda a minha família. Mas refletindo após alguns segundo pensei:…. o meu não vai dar problemas com a policia, vou ao mercado municipal e pronto.

  2. Fer, tenho um cão, um gato e um pato 🙂 Tenho fotos do Luísinho lá no meu blog. A última está no post do bolo de polenta que publiquei a semana passada. Em Abril, fez um ano que o meu pato chegou cá em casa. Ele é muito lindo, com uns olhos azuis fantásticos 🙂
    Podes apagar este comentário. Foi apenas escrito a título informativo 😉

  3. Fer….que saudade daqui, de suas histórias e fotos.
    Andei desaparecida, mas ufa que voltei.
    Lindos os patacolecos, o difícil mesmo acho que é andar a pé por onde eles passaram pois invariavelmente deixam um rastrinho pois literalmente, vão “c…gando e andando”…
    Beijos. Muito bom voltar e ver tanta coisa linda.
    R: Ana! welcome back! saudades! 🙂

  4. Não sei se sabes mas tenho um pato de estimação, o Luísinho. Quando ele apareceu (eu não o comprei, ele simplesmente bateu à minha porta) todos pensaram em engordá-lo para fazer um belo arroz de pato. Eu saí em defesa dele, adoro animais e os patos são tão lindos (o meu é da cor da neve), achei que, se ele tinha ido lá para casa foi por uma razão superior à alimentação. Então, passado um ano, o Luísinho continua cá, feliz e bem tratado 🙂
    Eu seria incapaz de o comer, mas é natural que o Chinês tenha reagido assim… faz parte da cultura gastronómica deles he he
    R: nao sabia que voce tinha um pato de estimacao e adorei saber! isso mesmo, nada de arroz de pato! 🙂

  5. Aqui tbem tem muito pato, mas nas ruas o q mais vemos (e paramos o carro p/ q eles safely atravessem) sao os gansos, tem muitos, familias e mais familias de gansos q habitam os arredores dos ponds na nossa e as outras varias neighborhoods locais. Eles tbem fazem fila, passeando calma e lentamente nas calcadas e ruas.
    Jamais pensei q alguem pegaria um dos penados p/ assa-los, mas a historia do chines eh interessante!
    Ana
    Ps: adorei o comentario, “bad karma” eh otimo! rs!

  6. Ontem estive em Arundel e fiquei impressionada com a quantidade de patinhos e gansos que tem por lá. Nao vi nenhum atravessando a rua mas muitas pessoas atravessando a rua para ve-los. eu, particularmente acho eles um charme.
    bjs

  7. Fer,esta família de patos andando em fila está a maior fofura! Quando li o título do post achei que tinhas feito um pato assado e já fui seca para ler a receita!! beijos!!

  8. Hm. Acho que deve ser quase a mesma coisa que um gaúcho ir morar na Índia e contar o belo churrasco que fez com uma vaquinha que passou perto da sua casa.
    Mas talvez deportação seria o menor dos preços que ele pagaria por isso, hehehehehe
    R: bad karma!! 🙂

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