pistachios

A Califórnia é um grande produtor de pistachio. Meu marido tem um projeto de colheitadeira mecânica e faz testes todo verão na maior fazenda de pistachio do estado, a Paramount Farms. Ele costumava trazer para casa os pistachios frescos, que comíamos cru e depois eu tentava processar. Não é difícil processar pistachio, mas requer um pouco de prática, que eu nunca adquiri. Primeiro voce dá uma cozida nos pistachios em água com bastante sal. Daí tem que retirar a casca mole e depois torrar no forno. Eu nunca consegui acertar o ponto exato do forno e os pistachios ficavam sempre ou pouco torrados ou muito torrados. Desisti.
Mas eu uso os pistachios torrados que compro no supermercado em uma receita ótima que aprendi a fazer anos atrás: pesto de pistachios. Fica uma delícia e ajuda a gastar os maços de basil que recebo em abundância no verão. Adaptei uma receita que eu peguei de um livro de receitas italianas da década de 60.
Pesto alla Genovese
3 dentes de alho
1/4 a 2/3 de folhas frescas de basil
1/4 de queijo Romano e Parmesão ralados
1/4 de pine nuts [eu substitui por pistachios]
6 colheres de sopa de azeite de oliva
Triturar os ingredientes no food processor, o azeite vai por último. Para guardar, pãe num potinho e cobre com mais azeite. Dura muito tempo se guardado na geladeira. Misturar no macarrão cozido e salpicar com queijo ralado.

sopa de abóbora

Restos do Halloween ou elemento clássico do Thanksgiving, a abóbora reina no outono norte-americano. Mas o que fazer com elas, nas suas mais variadas formas, sabores e cores? Bem, aquela abóbora típica, carruagem de Cinderela, que usamos para fazer jack-o-lanterns, eu transformo em sopas. Uma americana que nem cozinha [ironia] me ensinou a assá-la no forno invés de cozinhar na panela com um pouco de água. Técnica inteligentérrima de gente que não cozinha, não tem tempo nem saco, pois evita a ardorosa tarefa de descascar a abóbora [haja muque!].
Eu coloquei uma abóbora pequena no forno alto [400F] partida ao meio e sem as sementes por trinta minutos. Depois retirei a polpa cozida com uma colher e misturei à um pouco de alho e azeite fritos numa panela. Juntei uma maçã verde descascada e ralada bem fina, refoguei por um minuto e acrescentei um caldo de legumes e um pouco de vinho branco. Sal à gosto. Deixei cozinhar por uns vinte minutos, bati tudo num creme com o mini-mixer, deixei engrossar mais uns minutos e servi bem quente, como sopa deve ser servida.
Uma variação é fritar cubinhos bem pequenos de bacon de excelente qualidade e nele fritar um quarto de cebola picadinha. Dai acrescentar a abóbora cozida, a maçã e etc.
Ótima pedida para um jantarzinho rápido numa noite fria……

all you can eat at jusco

Se na minha cidade falta bons restaurantes italianos, certamente tem uma abundância de restaurantes asiáticos. Só pra se ter uma idéia da demanda, a cidade tem sessenta mil habitantes e quase quarenta por cento da população de estudante na UC Davis é asiática. Então é um restaurante em cada esquina para servir a clientela faminta e já à postos segurando chopsticks ou hashis. Lembrando de cabeça são pelo menos dois vietnamitas, uns três coreanos, uns cinco tailandeses, uns sete japoneses e incontáveis chineses, fora os indianos, nepalianos e alfaganistaneses que não sei se dá pra contar como asiático, e os lugares que só vendem suco ou chá com bolotas de tapioca, mas que também são bem populares. Então quando saimos pra comer fora, opções para comida oriental não faltam. O Uriel sempre sugere os tailandeses, dos quais eu ando meio enjoada. Fazia muito tempo que não íamos à um japonês. Em downtown, perto da minha casa, tem uns três. Um deles abre às onze da manhã e às dez já tem fila na porta. Não sei o que eles servem lá, mas o restaurante tem uma fila enorme na calçada todo-santo-dia. Resolvemos ir num outro logo a frente, que nos foi recomendado pelo Gabriel e Marianne, o Jusco.

jusco.JPG

O lugar é pequeno e bem antigo, no velho e bom estilo ‘sujinho’, que à primeira vista nem anima. Mas como eu e o Uriel temos um histórico de indecisões em porta de restaurante, quase caímos fora no último segundo. A família inteira trabalha no restaurante, cozinham, servem, limpam. Não sabíamos que eles faziam o ‘all you can eat’ e nunca tínhamos ido à um ‘all you can eat’ japonês. Ficamos meio perdidos no inicio, mas recebemos as intruções para marcar o que queríamos numa fichinha com os nomes dos sushis, rolos e comida quente. Fui marcando tudo o que não tinha peixe cru. Marquei muita coisa, naquele entusiasmo de quem está com fome. A comida começou a chegar em pequenos pratinhos e não parava mais… Comemos muito e estava tudo delicioso. Só uma coisa nos deixou um pouco estressados: pra não haver desperdício, eles avisaram num cartaz na parede e no menu que CADA SUSHI NÃO COMIDO E DEIXADO NO PRATO CUSTARIA 0,50 CENTS EXTRA! Raspamos os pratos e abandonamos pra trás somente os rabinhos do camarão…

Cinema & Comida

* vou roubar um post antigo do Cinefilia, porque hoje estou sem tempo de pensar e escrever….
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setembro 05, 2002
Cozinha no Cinema
Duas coisas que eu adoro! Cinema e Gastronomia. E quem já não viu um personagem de filme fazendo ou saboreando alguma comida e não quis saber a receita? Wonder no More! No site Cinema & Co tem receitas dos sushis de Blade Runner, dos Muffins de Gone with the Wind, Spaghetti do The Postman, Peixe com vinho e cogumelos de Out of Africa, Suflê de queijo de Sabrina e muito mais!!
E AQUI , as receitas do banquete do filme Babette’s Feast! Trés Jolie!

comida & história

[*repeteco]
Livros de receitas também são literatura e história. Eu adoro ler sobre os hábitos alimentares do passado e como as pessoas cozinhavam e se alimentavam. Sem querer, encontrei três livros diferentes, de autores diferentes e de épocas diferentes, que fazem essa viagem ao passado. Ler essas histórias é uma atividade extremamente deliciosa, quem diria poder experimentar todas as receitas descritas pelos autores.
O primeiro livro, que comprei usado numa loja em Novato, é o relato de Margaret Rudkin, hoje famosa por ter sido a fundadora da marca Pepperidge Farm, que começou vendendo pães e hoje tem uma variedade interessante de bolachas finas. Margaret escreveu o The Pepperidge Farm Cookbook no inicio da década de sessenta, relatando toda a sua experiência dentro de uma cozinha, que se iniciou quando ela ainda era uma criança, no início do século vinte. O relato da cozinha da infância de Margaret é simplesmente delicioso. Como eles conservavam os alimentos no basement, sem o auxílio de freezers e geladeiras, como os alimentos que seguiam a regra da ‘temporada’ eram preparados em cozinhas simples, sem grandes tecnologias, mais muito eficientes.
O segundo livro é um original, reproduzido exatamente como foi publicado pela primeira vez em 1913. Escrito em linguagem literária e em sequência, como se fosse um romance, por Martha McCulloch-Williams, uma nativa do estado do Tennesse, que tornou-se uma pioneira dos livros de receita. McCulloch-Williams ensina receitas básicas consumidas no sul do país em seu livro Dishes & Beverages of the Old South. Muitas receitas são difíceis de serem preparadas hoje, pois se usava outras maneiras de assar e fritar, em utilitários domésticas que já não existem mais.
O terceiro livro é mais recente, mas o autor Victor M. Valle, um americano descendente de mexicanos, volta muito mais no tempo, republicando receitas de suas avós e bisavós, datadas do meio do século dezenove. Receitas mexicanas maravilhosas, porém difíceis de serem replicadas, tanto por causa dos ingredientes quanto pelas técnicas antiquadas de processar os alimentos. Valle descreve como a avó Delfina matou dois coelhos com uma só cajadada, livrando-se de uma imensidão de pombos que infestava o sótão da casa e ao mesmo tempo reunindo a família para um farto almoço onde prato principal era sopa de pichones [filhotes de pombo no arroz de açafrão]. Todas as receitas das mulheres da família foram preservadas na memória dos que trabalhavam na cozinha. O livro, publicado em 1995, tem o sugestivo título de Recipe of Memory e já me deixou com vontade de fazer uma viagem histórico-gastronômica ao México.