hum, yummy!

Todos os chefs celebridades do Food Network não economizam humns e ohs enquanto preparam suas gororobas – simples ou sofisticadas – em seus shows diários. São auto-elogios incessantes, tudo é lindo, maravilhoso, uma delícia, fantástico, saborosissimo, incrível, sensacional, espetacular, yummy!!!
Como na minha cozinha de dona de casa comum, muita coisa queima, fica salgada, incomível, muito apimentada, com um gosto estranho, engororobada, insípido, amargo, aguado, duro demais, mole demais, encaroçado, azedo, torrado, começo a pensar se a propaganda não é mesmo a alma do negócio.
Resolvi mudar a minha estratégia derrotista, que está sempre pedindo desculpa pelos meus erros culinários. Sentamos para jantar e na primeira garfada fiz uma cara de prazer intenso e comecei a murmurar – hmmmm, hmmmmmmm, que delícia de comida, nossa, muito bom, muito bom mesmo!
Não mudou o sabor da gororoba, mas certamente impressionou o Ursão, que comeu com muito mais entusiasmo.

I summon the Iron Chefs!

De vez em quando – ou melhor, deixa eu ser honesta, quase sempre – eu vicio em algum canal ou programa de televisão. Nos últimos meses minha atenção anda colada nos Iron Chefs do programa japonês retransmitido pelo Food Network. The Iron Chef começa às onze da noite e eu nem sempre vejo até o final, pois às vezes acabo dormindo antes. Mas nem por isso a experiência de assistir à batalha dos chefs japoneses deixa de ser interessante. No kitchen stadium, dois chefs se confrontam todas as noites. Um dos quatro Iron Chefs – Iron Chef Japonese, Chinese, Italian e French – e um desafiante. Há um moderador, um comentarista e dois convidados, entre eles sempre uma atriz ou um cantor famosos no Japão. A competição é acirrada, com um ingrediente secreto que vai ter que ser utilizado em todos os pratos. Os chefs têm uma hora para preparar no mínimo três pratos, que serão analisados, provados e julgados. O chef que vencer ganha todas as honras. O mais legal desse programa, além das comidas estranhíssimas, é o estilo desportivo que eles dão à competição, que parece uma mistura de luta de boxe com jogo de baseball. O comentarista analisa os movimentos dos chefs e câmeras espalhadas pela kitchen stadium filmam todos os detalhes. Ontem, por exemplo, se via pingos de suor cair da testa do desafiante [eca!]. Os ingredientes, animais ou vegetais, são sempre da melhor qualidade. Quando eles são peixes ou frutos do mar, geralmente ainda estão vivos – e eu fico em total horror vendo os chefs decepando-os ou cozinhando-os vivos! O resultado final é sempre pratos que agradam mais ao gosto oriental, nem sempre muito atraentes para a minha maneira ocidental de me alimentar. Muitas vezes eu fico enojada por pratos com melecas cruas tiradas da barriga de um peixe raro ou com a textura ou cor das comidas. Mas nessa batalha de chefs o que interessa mesmo é ver como eles trabalham na cozinha. E para mim é interessantíssimo observar a seriedade e o respeito, tão comuns na cultura japonesa e que ficam bem expostos durante a batalha dos chefs.

mais livros

Browseando na Borders anos atrás, vi por acaso num cantinho da prateleira de baixo da banca de ofertas um livrão vermelho. Bastou dar uma folheada para decidir comprá-lo. Simplesmente maravilhoso! Southeast Asian Specialties – A Culinary Journey Through Singapore, Malaysia and Indonesia [editora Könemann]. Fotos lindas, receitas incríveis, um livro pra inspirar. Muita coisa exótica. Algumas coisas assustadoras, como um stir-fry de sago worms… argh!! Gostei de encontrar tradução para algumas frutas e legumes comuns no Brasil. Fiz uma pequena listinha, porque nunca se sabe quando se vai precisar comprar uma jaca ou uma mandioca aqui pelo hemisfério norte, né? Algumas traduções são conhecidas, mas eu coloquei na lista, just in case!
» Fruta do conde – Scaly Annona
» Cajú – Cashew Tree
» Jaca – Jack Fruit
» Goiaba – Guava
» Romã – Pomegranate
» Mandioca – Cassava, Manioc
» Inhame – Yam, Yuka
» Quiabo – Okra
» Nabo – Daikon
» Acelga – Chinese Cabbage
» Castanha Portuguesa – Water Chestnut
» Pitanga- Surinam Cheery [comes from Brazil, reaching Indonesia via India]

um jantar sem inspiração

Quem já não sofreu de bloqueio de cozinheiro, debatendo-se sem idéias do que fazer para o jantar? Comigo isso acontece bem frequentemente e nem sempre eu apelo para o macarrão, que é o melhor quebra galho nessas horas agonizantes. Ontem foi um desses dias. Voltando para casa às cinco da tarde [que já era noite] me deu um desespero total, pois eu não tinha a mínima idéia do que iria cozinhar. Pensei em passar num dos três supermercados que eu gosto e comprar algo, mas nem imaginação para ingredientes eu estava tendo. Fui pra casa quase decidida à preparar um macarrão alho e óleo – que eu adoro, mas convenhamos, não é a comida mais saudável e nutritiva que existe.
Em casa comecei a abrir e fechar portas de armários e geladeira. O que tenho aqui? Hmmm. Lentilhas pretas Beluga. Sopa! Lata de cogumelos, rolinho de massa de biscuit da Pillsbury. Cheiro verde, azeitonas pretas. Cerveja. Voilá!
O menu sem inspiração de ontem:
sopa de lentilhas pretas beluga com cerveja. refogar três dentes de alho no azeite, acrescentar a lentilha lavada e escorrida, fritar por uns minutos, juntar água, cozinhar até as lentilhas ficarem bem macias. Salgar à gosto. Acrescentar cerveja, cozinhar por mais uns minutos. Servir super quente.
pasteis de forno recheados de cogumelos. para o recheio colocar no food processor uma lata de cogumelos, salsinha à gosto, meia cebola picada e azeitonas pretas [das gregas, please!] picadas. não pôr sal, pois o cogumelo já vem na salmora. abrir as massinhas pra biscuit com o rolo e rechear. apertar as bordas com o garfo, pincelar com um ovo batido com um pingo de leite [ou heavy cream]. assar em forno médio até ficarem dourados. servir acompanhado de uma bela salada de alface.
Eu geralmente cozinho ouvindo música. Ontem era Dylan, que eu sempre acompanho cantando e até dançando – imaginem se alguém resolve parar na rua pra olhar através da janela essa cena contrangedora? Quando resolvo usar cerveja numa receita, sempre bebo um pouco e cozinho muito mais animada. Prefiro beber enquanto cozinho do que acompanhando a refeição.

Frango no molho de castanha de caju

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Fiz essa receita indiana para um jantar de despedida dos meus amigos no ano passado. Ficou ótimo e é muito fácil de preparar. Serve com arroz basmati [indiano] branco.
A receita:
2 cebolas médias
30ml/2 colheres de sopa de tomate em purê [não é o concentrado]
50g ou 1/2 xí­cara de castanha de caju
1 colher de sobremesa de alho em massa [eu usei em dentes]
1 colher de sobremesa de garam masala
1 colher de sobremesa de pimenta vermelha em pó
1/4 colher de sobremesa de açafrão da terraturmeric moí­do
1 colher de sopa de suco de limão
1 colher de sobremesa de sal
1 colher de sopa de iogurte natural
2 colheres de sopa de óleo
2 colheres de sopa de coentro fresco picadinho
1 colher de sopa de uvas passas tipo sultanas [as bem pequenas]
450g de peito de frango cortado em cubos
2 1/2 xí­caras de cogumelos frescos
1 1/4 xícaras de água
Num food processor coloque a cebola cortada em pedaços e moa por um minuto. Acrescente o tomate em purê, as castanhas, o garam masala, o alho, a pimenta, o limão, o açafrão da terra [turmeric], o sal e o iogurte junto com a cebola moí­da. Misture bem por um minuto e meio.
Numa panela aqueça o óleo, coloque o fogo em médio e coloque a mistura dos temperos. Frite por dois minutos. Quando a misturar estiver mais ou menos cozida, acrescente metade do coentro, as passas, o frango* em cubos e frite por um minuto. Adicione os cogumelos, coloque a água e deixe ferver. Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por dez minutos. Quando o frango estiver bem cozido e o molho grosso, retire da panela, salpique com o restante do coentro e sirva com arroz basmati branco.
*eu frito o frango antes de colocar no molho, porque acho um horrorre colocar frango cru em molhos. é só uma neuras minha, ninguém precisa fazer igual.