the remains [of may]

Acho que todos nós estamos sentindo a mesma coisa—que o ano está voando! Será um sentimento coletivo de tempo acelerado, filmado em time-lapse, ou sou só eu? Espero que não seja só eu, mas todo dia eu me espanto, já é junho? já é quase julho? O que aconteceu com maio? Se eu não tivesse uma quantidade ridícula de momentos registrados em fotografia, iria achar que não fiz nada nestes últimos meses. Mas está aqui a prova de que tenho feito muita coisa, receitas repetidas, receitas novas que não gostei ou não deram certo, receitas improvisadas, receitas que não tive tempo nem vontade de fotografar porque estava muito ocupada comendo. Meu filho nos visitou em muitos finais de semana e no dia das mães cozinhou [muito bem] pra mim. Tivemos muitas flores, muitas frutas, muitas manhãs ensolaradas, dias agradáveis, ventinho ao entardecer, almoços e jantares no quintal, ideias novas, rotinas novas, mais e mais mudanças nas minhas madrugadeiras manhãs. Gosto tanto de estar aqui, mas não tenho feito esta presença suficiente. Sem desculpas, espero que estejam todos bens e felizes. Fica aqui registrado que maio foi realmente um mês bonito e cheio de gostosuras e lindezas.

Mount Diablo

Faz um tempo que pegamos o hábito de fazer trilhas. São tantas delas aqui na Califórnia, nas montanhas, nos vales, com neve, áridas, próximas ao oceano, com pinheiros, com eucaliptos, com suculentas, samambaias, retas, íngremes, com riacho ou rio ladeando. Tem umas trilhas muito boas aqui por perto, mas elas não são apropriadas para os meses mais quentes, pois são muito abertas e áridas, além de serem classificadas como “difíceis”. Fizemos essas locais muitas vezes durante o outono e inverno e agora estamos nos aventurando para outras mais distantes. Viajamos uma hora e pouco e exploramos outros rincões. Eu preparo um farnel, saímos cedinho, subimos e descemos montanhas, olhamos as paisagens e a flora e fauna, e no final fazemos um picnic. É viciante!

Essa trilha em Mount Diablo me quebrou. A subida é considerada difícil e fiquei uns dois dias com a bunda e as pernas doendo.

waffles de trigo sarraceno & chocolate

chocolate-waffles

É sempre nos domingos às tarde que faço algo diferente, geralmente pra gente tomar um “café” da tarde [onde obviamente nunca sirvo café]. Nesse domingo quis testar essa receita da revista Bon Appetit. Desempoeirei minha máquina de fazer waffles por uma boa razão. Os waffles ficam bem chocolatudos. Nós gostamos muito. A receita fez uns 12 waffles, pra nós foi muito, mas comemos as sobras no dia seguinte.

1 xícara de farinha de trigo sarraceno
1/2 xícara de cacau puro
1/4 xícara de farinha de linhaça [*usei de amêndoas]
1 e 1/4 de colheres de chá de sal
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
2 ovos caipiras grandes em temperatura ambiente
2 xícaras de buttermilk [*usei kefir]
1/2 xícara de óleo vegetal
1/4 xícara de açúcar mascavo
2 colheres de chá de extrato de baunilha
60 gr de chocolate amargo picado grosseiramente [*usei nibs de cacau]
Maple syrup–xarope de bordo puro, para servir

Aqueça a máquina de waffle. Com um batedor de arame misture bem a farinha de trigo sarraceno, o cacau em pó, a farinha de linhaça [ou de amêndoa], sal, o fermento em pó e o bicarbonato de sódio numa tigela. Numa outra tigela bata ovos, junte o buttermilk [ou kefir], o óleo, o açúcar mascavo e a baunilha. Adicione a mistura de ovos aos ingredientes secos e misture bem até ficar uma massa homogênea; misture o chocolate [usei os nibs de cacau].

Unte a máquina de waffle com óleo. Coloque uma concha pequena de massa sobre o a máquina e cozinhe os waffles até sentir um cheiro forte de chocolate e as bordas ficarem ligeiramente escurecidas, cerca de 3 minutos. Remova cuidadosamente da máquina.

Sirva os waffles com maple syrup e o que mais quiser. Eu servi com blackberries que colhi na fazenda orgânica e curd de limão feito em casa.

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ruibarbo assado [com chá preto & cardamomo]

O ruibarbo não cresce abundantemente aqui na minha região, pois ele prefere um clima mais frio. Mas na época [primavera e outono] eles aparecem vindos do Oregon ou [surpresa maravilhosa!] colhidos da horta da família do Laos de onde eu compro minhas frutas. Esses últimos são bem fininhos, bons pra fazer geleira. Com esses mais grossos eu quis fazer um tipo de conserva pra servir com sorvete. Quis manter os pedaços firmes, porque o ruibarbo quando é muito cozido se dissolve completamente. Por isso ele é tão bom para rechear tortas combinados com outra fruta mais doce, como o morango—um clássico.

Adaptei uma receita do Food52, fiz mais ou menos no olho. Limpe e pique o ruibarbo, espalhe sobre uma assadeira. Salpique com açúcar de coco ou normal. Eu não usei muito açúcar, ficou bem ácido. Polvilhe com cardamomo moído. Faça um chá preto bem forte, eu usei o Earl Grey. Despeje sobre os ruibarbos na forma. Leve ao forno pré-aquecido em 350ºF/176ºC. Asse por uns 10 minutos, fique de olho para os ruibarbos não desmancharem. Coloque numa travessa, deixe esfriar um pouco e sirva com sorvete. O que sobrar, coloque num recipiente com tampa e guarde na geladeira.

bolo Victoria

No meu trabalho temos um jeito legal de celebrarmos aniversários. Fazemos um sorteio no inicio do ano, enchemos uma caixa com papéizinhos com o nome de todos que querem participar e o dia do aniversário de cada um. Cada um pega um nome e fica responsável por organizar a festa, trazer o bolo requisitado ou recomendado para o nome que pegar. Eu peguei meu chefe duas vezes e fiz uma bela moral trazendo meus bolinhos feitos em casa! Peguei outras colegas também e este ano peguei uma que é inglesa. Por causa da nacionalidade dela eu mesma sugeri fazer um Victoria Cake, o bolo favorito da rainha e uma tradição no país. Claro que ela concordou! Fui pesquisar receitas e até fiz uma pra testar antes, usando uma receita tradicional. Achei que o bolo ficou muito seco, então resolvi fazer um desses bolos comuns, de baunilha, feitos numa só vasilha [one-bowl cake]. Peguei essa receita no The Kitchn. Ficou muito bom e a aniversariante amou!

faz 2 bolos redondos
3 xícaras de farinha de trigo pra bolo*
[*coloque numa medida de 1 xícara, 2 colheres de sopa de amido de milho e complete com farinha de trigo]
1 e 3/4 xícaras de açúcar
1 e 1/2 colheres de chá de fermento em pó
3/4 colher de chá de sal
4 ovos caipiras grandes
3/4 de xícara de óleo de canola ou manteiga sem sal derretida e esfriada
1 xícara de leite
1 colher de sopa de extrato de baunilha

para o recheio
1 xícara de creme de leite fresco batido em ponto de chantilly
[não adoce o chantilly]
1 xícara de geléia de framboesa, comprada ou feita em casa
[*usei a geléia da marca Bonne Maman]
framboesas frescas para decorar

Aqueça o forno a 350°F/ 176°C e coloque a grade no meio do forno. Unte o fundo de 2 formas redondas com óleo e forre com papel vegetal. Reserve.

Misture os ingredientes secos com um batedor de arame, em seguida, adicione os ingredientes restantes. Bata bem com um batedor de arame ou na batedeira elétrica até ficar uma massa homogênea, Na batedeira, cerca de 1 minuto, à mão, por cerca de 3 minutos.

Divida a massa entre as 2 formas, leve ao forno pré-aquecido e deixe assar até dourar levemente, cerca de 25 a 30 minutos.Remova os bolos do forno, deixe esfriar sobre uma grade por 15 minutos. Desenforme e deixe esfriar completamente.

Monte o bolo, colocando uma camada generosa de chantilly por cima de um bolo, cubra com a geléia, coloque o outro bolo por cima, polvilhe com açúcar de confeiteiro, decore com as framboesas, corte e sirva as fatias, de preferência acompanhadas por chá.

tortillas mexicanas de milho [feitas a mão]

Meses atrás eu comprei uma tortilla press e venho experimentando fazer as tortillas em casa. Primeiro fiz com a masa harina orgânica do Bob’s Red Mill e depois achei a masa nixtamalizada de milho amarelo e azul no supermercado mexicano da minha cidade. Tenho feito muitos tacos, experimentando com recheios diversos. Para preparar a massa é só misturar 1 xícara da farinha com mais ou menos [com as nixtamalizadas uso um pouco menos] 1 xícara de água morna. A massa forma como uma mágica e é muito gostosa dee mexer. Sova um pouquinho com as mãos e deixa descansar. Depois forma bolinhas e prensa. Testei prensar usando duas folhas de plástico e papel vegetal. No final tendi mais para o plástico. A folha de papel fica muito úmida. Abro um saquinho grande de ziploc ou dois pequenos com uma tesoura ou faca. Funciona muito bem. Com aquele filme plástico de rolo nunca tentei. Pra fazer as tortillas coloca a bolinha no centro de uma das folhas de plástico no meio da prensa, coloca a outra por cima e aperta a prensa. Remove do plástico com cuidado [porque às vezes as tortillas quebram] e coloca na frigideira ou chapa quente, deixa cozinhar uns minutos de um lado, vira, cozinha do outro lado, remove com uma espátula e coloca num recipiente com tampa [aqui vende-se esses próprios pra tortilla em qualquer lugar] embrulhadas num guardanapo de pano ou papel. Monta as tortillas com o recheio que quiser e manda bala! Eu uso os ingredientes que tiver na geladeira, vale tudo, mas sempre com um molhinho por cima. Uso um molho de chipotle pronto que tenho e gosto muito, mas ainda não me aventurei a fazer molhos. No verão quando receber muitas pimentas e tomatillos, com certeza irei!

panquecas de farinha de arroz integral

Primeiro eu compro o ingrediente, depois vejo o que vou fazer com ele. Ou compro o ingrediente para uma receita e depois preciso achar mais receitas para usá-lo. Não sei qual foi o caso dessa farinha de arroz integral, mas tenho usado o pacote como posso. Uma das maneiras foi fazer panquecas, que comemos com um chutney de tomates de ganhei da minha amiga. Adoramos o sabor e a textura dessas panquequinhas.

1 xícara de farinha de arroz integral
1 colher de sopa de açúcar
2 colheres de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de sal
1/4 colher de chá de canela em pó
1 xícara de leite [de vaca ou vegetal, usei de castanhas]
1 ovo caipira
1 colher de sopa de óleo vegetal
1/2 colher de chá de baunilha

Em uma tigela grande misture a farinha de arroz, o açúcar, o fermento, o sal e a canela em pó. Acrescente o leite batido com o ovo, o óleo, a baunilha e baunilha e misture até ficar uma massa. Unte uma frigideira de ferro ou uma chapa com óleo. Adicione a massa usando uma concha pequena ou uma colher grande. Deixe fritar de um lado, vire, deixe fritar do outro, remova, reserve num prato. Quando todas as panquecas estiverem prontas, sirva com o acompanhamento que quiser. Geléia, manteiga, frutas em compota, chutney, eteceterá!

torta de chocolate & amêndoa

No Dia Das Mães meu filho veio em casa cozinhar pra mim. Ele cozinha muito bem e se incumbiu de gastar uma tonelada de ingredientes de primavera que estavam atunchados na geladeira. Mas nem esperei que ele fizesse uma sobremesa, então fiz eu mesma! Já tinha morangos orgânicos frescos que eu tinha colhido uns dias antes na fazenda orgânica, completei com essa torta maravilhosa, super fácil de fazer. Dividimos a cozinha, ele preparando o almoço e eu fazendo a sobremesa rapidamente. Essa torta fica super delicada e a casquinha que forma por cima despedaça, tive que fazer um malabarismo pra transferir da forma pro prato de servir. Não ficou linda, mas ficou deliciosa!

170 gramas de chocolate meio amargo grosseiramente picado
8 colheres de sopa de manteiga sem sal, levemente amolecida e cortada em pedaços
3/4 de xícara de açúcar
2 colheres de sopa de conhaque ou rum
1/8 colher de chá de extrato de amêndoa pura
1/8 colher de chá de sal
4 ovos caipiras grandes
3/4 xícara de farinha de amêndoa
2 colheres de sopa de farinha de trigo
Chantilly e morangos para servir

Posicione a grade no terço inferior do forno. Pré-aqueça o forno a 375°F/200°C. Unte uma forma com um fundo removível com manteiga e forre com papel vegetal [vai ser mais fácil pra remover]. Coloque o chocolate em uma tigela grande de aço inoxidável e coloque-a em uma panela ainda maior com água fervendo. Mexa ocasionalmente até que o chocolate esteja quase derretido. Retire a tigela do banho-maria e mexa até que o chocolate esteja completamente derretido e cremoso. Deixe esfriar um pouco. Adicione os pedaços de manteiga, o açúcar, o conhaque ou rum, o extrato de amêndoa e o sal e bata com uma batedeira manual em velocidade média até que os pedaços de manteiga estejam completamente derretidos e a mistura engrosse e a cor clareie ligeiramente. Adicione os ovos, um por um, depois bata em alta velocidade por um minuto ou dois ou até que a massa fique fofa e leve. Adicione a farinha de amêndoa e a farinha de trigo e misture até incorporar. Coloque a massa na forma preparada e espalhe com uma espátula. Asse por 30-35 minutos. Remova do forno, deixe esfriar numa grade. Passe uma faca em torno dos lados do bolo para separá-lo da forma. Quando a torta estiver fria remova com cuidado da forma e transfira para uma travessa. Eu tive que colocar quatro servidores de bolo por baixo e pedir ajuda para transferir a torta usando quatro mãos. Ela fica bem delicada e a casquinha que forma por cima quebra. Sirva com chantilly adoçado levemente com mel e morangos orgânicos frescos.