salada de vagens e pepinos com molho de missô

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Essa receita ficou inesperadamente boa. Quando vi na revista Bon Appetit, achei que uma salada feita com as vagens cruas era realmente diferente, mas não botei muita fé. Adoro tudo que tenha missô, por isso resolvi arriscar. Também adoro gergelim, então achei que tudo combinou. Machuca-se os pepinos e as vagens com um rolo de macarrão, eles quebram e absorvem o molho. Fica muito bom.

3 pepinos persas ou 1 pepino inglês
400 gr de vagens
Sal Kosher
1 pedaço de gengibre de uns 4 cm descascado e ralado
1 serrano ou Fresno chile picadinha
1 dente de alho ralado
1/3 copo de vinagre de arroz
1/4 xícara de missô branco
1/4 xícara de azeite
1/2 colher de chá de óleo de gergelim torrado
Sementes de gergelim torradas e cebolinhas picadas

Esmague levemente os pepinos com um rolo de macarrão, depois pique em pedaços pequeno. Misture os pepinos com uma pitada de sal em coloque numa tigela. Reserve.

Enquanto isso, coloque as vagens num saco plástico e esmague com rolo de macarrão para quebra-las e abri-las. Misture o gengibre, a pimenta, o alho, o vinagre, o missô, o azeite e o óleo de gergelim em uma tigela e misture bem com um batedor de arame até formar um creme homogêneo. Adicione esse molho às vagens, misture bem e tempere com sal. Drene os pepinos e adicione à mistura com as vagens. Misture delicadamente para combinar. Transfira salada para uma travessa e salpique com sementes de gergelim e cebolinha picada.

Green Gulch Farm Zen Center

Fomos fazer nosso picnic anual na praia e eu escolhi a Muir Beach, por ser a mais perto, menos tempo de carro. Nunca tínhamos ido à essa praia, que é bem pequena, fechada numa encosta. Na ida, bem perto já da praia, passamos por uma comunidade budista e eu falei—na volta, vamos parar. E assim fizemos. Descemos com o carro por uma estradinha apertada num barranco, tivemos que encostar quase despencando para dois carros que estavam subindo passarem. Chegamos no Green Gulch Farm e não sabíamos exatamente onde ir. Um casal que estava chegando também nos guiou. Ele era voluntário no local e nos fez um resumo, de que eles são parte do famoso San Francisco Zen Center, de como eles aceitam hóspedes, tem meditação, dharma talk nos domingos de manhã, e têm lugares pra retiro, o templo e a fazenda. Passamos por umas residências do pessoal que mora lá. O casal abriu um portão, nos deixou no jardim e seguiu em frente em direção à praia. Quando avistei o jardim, fiquei sem fôlego. Nunca tinha visto tantas cores juntas, tantas flores, as dálias eram predominante e eram absolutamente maravilhosas! Fiquei um tempão zanzando entre as flores e tirando fotos. São vários jardins para meditação e hortas uma atrás da outra. Fomos caminhando até o final, onde tinha mais um portão que dava para uma trilha em direção à praia. As hortas, todas com produção orgânica, eram uma pintura. As folhas verdes, que devem gostar muito do clima fresco do litoral, pareciam de plástico tal a perfeição. Ficamos muito tempo caminhando e olhando tudo, voltamos pra área dos jardins, das flores, do templo, até chegar no caminho rodeado de eucaliptos e voltar para o nosso carro estacionado. Fiquei tão extasiada com aquela visita, não parei de falar um minuto que queria voltar, que queria voluntariar, que queria trabalhar na cozinha deles, que queria morar lá! Até disse—nesse nosso passeio, acho que gostei mais desse lugar do que da praia. Não estava mentindo.

dei um pulo [no hemisfério sul]

Saímos de uma onda de calor fenomenal e embarcamos rumo ao inverno no hemisfério sul para ver toda a família e participar do casamento da nossa sobrinha. Foi uma viagem rápida e a agenda ficou lotada, com muitos eventos com as duas famílias e alguns reencontros de amigos. Não fiz muito, além de comer e conversar. Minha mãe achou muitos desenhos e rascunhos de pinturas do meu pai e eu trouxe alguns comigo. Me apego à coisas que me lembram da presença dele. Ele tinha muitas câmeras fotográficas e de filmagem, equipamento de imagem, muitas fotos, slides, filmes, CDS, K7s, livros, discos, um mundo de coisas, tudo muito bem organizadas. Trouxe comigo uma das maletas de fotógrafo dele, com câmera, lentes, flash, geringonça de fazer fotos com timer. Tudo muito bem arranjado dentro da maletinha de couro. Revi minha amiga de infância, que não via há 20 anos. Revi outra amiga de longa data. E o resto foi só família e comilança. Me esbaldei e comi tudo o que vi pela frente. Ganhei três quilos, mas valeu a pena! Comi maracujá, atemoia, muita banana, goiaba, carambolas docinhas, uva Niágara [fora de época, mas mesmo assim boa!], bala de coco, bananinha, beliscão, biscoito de polvilho, sequilhos, pipoca doce, bolo de fubá, pamonha, bolinho de bacalhau, mandioca frita, coxinha feita em casa, pudim, manjar, picanha, bacalhau, tutu de feijão, pão de queijo, palmito, empadinha, esfirra, nhoque de mandioca, macarronada e feijoada! Cheguei cansada e detonada por uma gripe. De volta para o verão tórrido, pros pêssegos e tomates, vamos retomar de onde parei.

CIA at Copia

Visitamos o antigo Copia— The American Center for Wine, Food & The Arts algumas vezes de 2002 à 2008, quando o local foi fechado por causa da crise econômica. Fiquei super triste e algumas vezes visitando o Ox Bowl Market em Napa, paramos no prédio do Copia para olhar como tudo estava. Por anos o prédio ficou fechado, com tudo intacto lá dentro. Até o mês passado, quando foi reaberto, agora incorporado pela CIA, o Culinary Institute of America.

O CIA at Copia vai ser um pouco diferente, pois vai oferecer aulas de culinária em cozinhas auditórios, mais ou menos no esquema da escola de culinária e usando os seus próprios recursos. No final de semana da abertura pudemos assistir a uma das classes e vimos que mais duas cozinhas estão sendo construídas. As aulas começam no final do verão. Fiquei extremamente feliz em ver esse espaço reaberto. O jardim que eles tinham, com uma horta e um pomar que abasteciam o restaurante Julia’s Kitchen, já não é tão prolífico. O restaurante mudou, o jardim também, mas o Copia está de volta e é isso o que mais importa.

Mallorca — uma estrela no Mediterrâneo

Assim que saímos do aeroporto eu vi as figueiras carregadas de frutas e pensei—meudeuso, cheguei no paraíso! Daí eu vi o mar azul esverdeado e as oliveiras, e os sycamores, e os ginkgos, e as magnólias, e todos os arbustos, flores e árvores que vejo todos os dias aqui no meu pequeno rincão no norte da Califórnia. Do outro lado do mundo tem um lugar muito parecido, muito quente no verão, muito lindo no outono, muito popular com os turistas, com diferença que Mallorca é uma ilha medieval cheia de influencias árabes. Nós ficamos num resort em Alcúdia e visitamos Sóller [e Port de Sóller], Pollença [e Port de Pollença] e a Serra de Tramuntana, que é parte do patrimônio mundial. Aproveitamos muito as praias por perto e visitamos com nossos primos que moram em Pollença. Lá também tivemos a chance de fazer compras num mercado aberto, no centro da pracinha medieval. Foram dias deliciosos, com muita comida e vinho, um sol gostoso, uma água de mar tão agradável, onde podíamos ficar por horas boiando, nadando e conversando. Aproveitamos bastante o resort também, que tinha um spa sensacional onde batíamos ponto todo final de tarde. A ilha é muito grande, não deu pra conhecer muito, por isso um dia vou querer voltar.

a linda medieval Toledo

Foi uma reação unânime dizer que Toledo era belíssima quando eu mencionava que iríamos até lá. E não era exagero. A cidade é realmente linda, um monumento histórico no topo do morro, cercada por muros. A beleza também está das memórias dos cristãos, judeus e árabes convivendo harmoniosamente no mesmo território e influenciando uns aos outros. Fomos de Madrid para Toledo de trem e caminhamos por lá o dia inteiro. Visitamos a réplica da casa do pintor El Greco, comemos muito marzipã, camelamos subindo e descendo ruelas, voltamos exaustos mas valeu demais a viagem até lá.