carne feita de planta

Já comprei muito hambúrguer vegetal nessa vida. Parei quando comecei a ler os rótulos e ver que, baseado nos ingredientes, eu não estava comendo algo tão saudável assim. Mas a demanda por produtos vegetarianos e veganos aumentou imensamente nos últimos anos, e também a exigência por produtos de qualidade. Num restaurante, no ano passado, comi o Impossible Burger e achei bem sem graça. Talvez porque tenha pedido pra retirar o queijo e não sobrou muita coisa além do hambúrguer dentro do sanduíche. Depois disso recebi um cupom pra comprar o Beyond Meat e achei infinitamente melhor. Talvez pelo fato de ter preparado em casa, acompanhado de outras comidas e não servido socado no meio de um pão. Mas achei essa versão muito estranha, porque ele tem uma textura muito próxima da carne, com aquela aparência de medium-rare por causa da beterraba que é incorporada na massa de uma maneira absurdamente eficiente e calculada para ficar parecendo meio-mal-passada. Comi, mas não fiquei entusiasmada. Depois comecei a olhar para outros produtos veganos no supermercado. E lendo os rótulos, como é do meu costume, percebi que alguns dos produtos melhoraram muito em termos de ingredientes. Comprei duas versões do Good Seeds, feitos com sementes de cânhamo. Achei gostoso, mas também nada que me deixasse impressionada. O da marca Hillary’s ainda não comi, mas não estou antecipando ficar apaixonada. De todas essas versões que já provei, o melhor hambúrguer de todos é sem dúvida o feito em casa. Repito muito essa receita com feijão preto [removo o queijo] ou esse de lentilha. No dia em que achar algo melhor do que fazer esses hambúrgueres em casa, venho correndo contar!

bolo de chocolate com maçã [vegano]

Outra receita do livrão vegano da editora Phaidon. Muito fácil de fazer e fica muito fofo e delicado. Fiz numa quarta-feira à noite, antes de dormir, e comi no dia seguinte. Achei a mistura de chocolate e maçã muito intrigante, foi aprovado! Eu sempre uso maçãs organicas, porque essa fruta está na dirty dozen, lista dos 12 produtos mais contaminados por agrotóxicos. Veja a lista do seu país e decida.

2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de açúcar
1 colher de sopa de amido de milho
2 colheres de chá de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal
1 colher de chá de canela em pó
1/2 xícara de cacau em pó [sem açúcar]
500 gr de purê de maçã orgânico [sem açúcar]
2 maças orgânicas cortadas em cubinhos [*usei a red delicious, e não descasquei]

Pré-aqueça o forno em 325ºF/ 162ºC. Unte uma forma com manteiga vegana ou óleo vegetal. Reserve. Misture os ingredientes secos numa vasilha. Adicione o purê de maçãs e misture bem com uma espátula. Junte os cubinhos de maçã. Misture bem e despeje na forma untada. Leve aio forno e asse por 6o minutos, ou até que o centro do bolo esteja firme e totalmente cozido. Remova do forno, deixe esfriar completamente. Desenforme e sirva.

tacos com carnitas de cogumelos

Eu assisto vídeos dessa moça vegana no youtube. Ela tem umas ideias muito boas e essa das carnitas foi a melhor que já experimentei. Fica muito gostoso, os cogumelos desfiados e meio picantes! Fiz tacos improvisados com o que tinha na geladeira [não muito, depois das festas de final de ano]. Dá pra criar com ingredientes diversos.

500 gr de cogumelos trompete
2 colheres de sopa de óleo vegetal [*uso sempre o de semente de uva]
1/2 cebola cortada em tiras
4 dentes de alho picados
1 pimenta jalapeño sem sementes e cortada em tiras
1 colher de sopa de orégano seco
2 colheres de chá de cominho em pó
1 colher de chá de sal marinho
1 colher de chá de pimenta do reino moída na hora
suco de 1 laranja [cerca de 1/4 de xícara]
1 colher de sopa de aminos líquido ou molho de soja

na panela de pressão elétrica [instant pot]:
Desfie os cogumelos usando um garfo. Quanto mais comprido, melhor. Vai ficar com uma aparência similar a carne de frango cozida e desfiada. Reserve.

Refogue a cebola, o alho e a pimenta jalapeño no azeite na opção “refogar” da panela. Refogue até que as cebolas fiquem translúcidas e macias.Adicione os cogumelos, orégano, cominho, sal marinho e pimenta. Mexa bem. Adicione o suco de laranja e o aminos líquido ou molho de soja e mexa mais um pouco. Cancele o refogado, coloque a tampa no Instant Pot e coloque na opção de “pressão” por 5 minutos. Abra a panela quando a pressão baixar, tempere com mais sal se achar necessário. Remova os cogumelos da panela junto com o líquido acumulado e coloque em uma assadeira forrada com papel vegetal. Leve ao broiler [ou no forno alto, se não tiver broiler] por cerca de 15 minutos ou até que os cogumelos fiquem meio crocantes e dourados.

na panela comum:
Refogue tudo e ao invés da pressão, cozinhe por 30 minutos depois de acrescentar o suco de laranja e o aminos líquido. ou molho de soja. Coloque no forno por 15 minutos como nas instruções acima..

Esquente as tortillas no fogo ou numa frigideira e recheie como quiser. Eu usei o que tinha, cenoura ralada e folhas frescas de coentro. Mas vale tudo, repolho ralado, abacate, tomate, pepino, eteceterá, eteceterá.

rotini integral com couve lacinato, pesto de rúcula, limão & sementes de abóbora

pasta-kale

Me inspirei nessa receita da Heidi para fazer um jantar rápido para uma pessoa numa sexta-feira à noite. Usei a versão integral da pasta rotini, um pesto de rúcula que já tinha pronto na geladeira, folhas de couve lacinato normal e limão Meyer preservado no sal. Ficou super gostoso, saudável, muito melhor que pegar take out de fish tacos no restaurante mexicano!

pesto de rúcula
Processe as folhas de rúcula com um limão inteiro [retire as sementes—eu usei o limão Meyer, mas pode ser o Siciliano], amêndoas, sal, pimenta do reino moída na hora e azeite, até formar uma pasta. Pode acrescentar um pouco de água também. Coloque num vidro e mantenha na geladeira. Esse pesto fica muito bom em sanduíches.

Cozinhe uma porção de macarrão em bastante água com sal. Quando a massa estiver al dente, remova um pouco da água do cozimento, escorra e retorne o macarrão para a panela. Tempere com o pesto e acrescente a água do cozimento, aos poucos, para ajudar a espalhar bem o pesto. Acrescente folhas da couve lacinato rasgadas com as mãos [remova a parte do centro, mais fibrosa], adicione a casca de meio limão preservados no sal picadinho [*eu usei o feito com limão Meyer, a receita básica é essa]. Misture bem, salpique com bastante semente de abóbora tostada e sirva.

o reuben vegano [sanduíche de beterraba assada]

Eu não fiz esse sanduíche. Comi numa confraternização de final de ano no meu trabalho. Somos um grupo de 20 pessoas e outro dia contei: são 8 vegetarianos e eu—que não sou nem vegetariana, nem vegana, mas tenho um pé em cada caso. Eu poderia ter pedido um bagel com salmão [que era selvagem, de fonte confiável] mas resolvi optar por esse reuben vegano. Fui a única que pediu esse sanduíche. A colega que sentou ao meu lado pediu um reuben original, que é feito com corned beef ou pastrami, queijo suíço e chucrute, no pão de centeio. Era um dos meus sanduíches favoritos. A versão vegana foi feita com beterraba assada no lugar da carne, e usou um queijo cremoso vegano. Estava bem gostoso, acompanhado de pickles de pepino e chips de bagel. Achei a ideia muito boa, se alguém quiser repetir em casa. Legumes assados dentro do sanduíche são uma ótima pedida. Hoje, por exemplo, trouxe de almoço cenouras de várias cores assadas, dentro de uma ciabatta com humus e um pesto de rúcula e limão. Hmmm!

couve-flor picante & adocicada, com molho de iogurte

Comprei esse livro da autora Áine Carlin pra o Kindle por 0.99 centavos na Amazon e fui surpreendida com inúmeras receitas veganas maravilhosas. Fiz essa e ficou bem interessante, mais doce do que picante. Se eu refizer, vou querer que fique o contrário.

1 couve-flor média cortada em florzinhas
70 gr de panko ou farinha de pão

massa:
70 g de farinha de grão de bico ou farinha de arroz
1 pitada de sal marinho
1/4 de colher de chá de alho em pó
1/4 de colher de chá de pimenta do reino
1/4 de colher de chá de bicarbonato de sódio
150 ml de leite de soja ou outro leite vegetal [*usei de castanhas]
suco de 1/2 limão

molho de pimenta
2 colheres de sopa cheias de gochujang [pasta coreana de pimenta]
2 colheres de sopa de molho de soja
1 colher de sopa de vinagre de maçã ou de arroz
3 colheres de sopa de xarope de bordo [maple]
50 ml de água, mais se necessário
1 colher de sopa de sementes de gergelim preto

molho de iogurte para servir
150 g de iogurte de coco [*usei de amêndoas, mas pode usar iogurte de leite comum se o prato não precisar ser vegano]
1 dente de alho picado [*omiti]
raspas e suco de 1 limão
1 colher de chá de vinagre de maçã
1 pitada de sal rosa do Himalaia ou sal marinho

Pré-aqueça o forno a 475°F/240°C e forre uma assadeira com papel alumínio ou papel vegetal.

Coloque os ingredientes para o molho de iogurte no liquidificador e bata bem até ficar homogêneo ou misture com um batedor de arame numa tigela. Leve à geladeira até a hora de servir.

Para fazer a massa, misture todos os ingredientes em uma tigela até ficar bem homogêneo.

Coloque o panko ou farinha de pão em um processador de alimentos e pulse algumas vezes. Transfira para uma tigela separada.

Mergulhe as florzinhas de couve-flor na massa e escorra qualquer excesso antes de colocá-las nas migalhas panko. Vá colocando na assadeira preparada. Repita o processo com o resto das florzinhas. Leve ao forno pré-aquecido e asse por 25 minutos, virando uma vez, até que elas fiquem crocantes e douradas.

Enquanto isso coloque todos os ingredientes para o molho de pimenta em uma panela, deixe ferver e cozinhe por 2-3 minutos ou até ficar bem homogêneo e brilhante, adicionando um pouco mais de água se o molho começar a ficar muito grosso. Mantenha quente em fogo baixo.

Transfira a couve-flor assada para uma tigela grande, despeje o molho de pimenta e misture bem com as mãos ou uma espátula. Em seguida salpique com as sementes de gergelim. Sirva com o molho de iogurte.

sopa crua de milho [com pesto de salsinha & jalapeño]

Essa receitinha fiz no final do verão, saiu do livro Everyday Raw Express do chef Matthew Kenney. Fica incrivelmente leve e delicada!

para a sopa
4 xícaras de milho fresco [ou em lata]
1/2 xícara de pinoles [usei castanha de caju]
2 xícaras de leite vegetal [usei de castanha]
1 colher de sopa de missô branco
3 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de suco de limão
sal e pimenta do reino moída na hora a gosto

pesto de coentro e jalapeño
1 maço de salsinha
1/2 xícara de pinoles [usei castanha de caju]
1 colher de sopa de suco de limão tahini
1 colher de sopa de nectar de agave [ou mel]
1 pimenta jalapeño picada
3 colheres de sopa de levedura nutricional
1/4 xícara de azeite
1 colher de chá de sal
pimenta moída na hora a gosto

Bater todos os ingredientes da sopa no liquidificador. Colocar numa jarra e levar à geladeira. Para preparar o pesto, colocar todos os ingredientes, menos o azeite, no liquidificador ou processador de alimentos. Ir colocando o azeite aos poucos enquanto pulsa. Servir a sopa fria com uma colher de pesto por cima.

berinjela grelhada [ao meu estilo]

Comemos muitas berinjelas neste último verão e essa foi a minha receita clássica da estação, que fiz, refiz e modifiquei até não poder mais. Usei muitos tipos de berinjela, as comuns, as rajadas, as brancas, as japonesas. Pra fazer essa receita é só fatiar as berinjelas, temperar com sal, pimenta e azeite. Grelhar na grelha, forno ou churrasqueira—aqui é sempre churrasqueira o verão inteiro. Espalhar as berinjelas grelhadas num prato ou travessa, cobrir com um molhinho de pesto feito em casa [geralmente bato no mini-processador folhas de manjericão com azeite, só isso] ou um molho com amêndoas ou de castanhas de caju deixadas de molho de um dia para o outro e colocadas no liquidificador água, limão, azeite, sal, pimenta [algo mais ou menos como essa receita]. Nessa eu misturei o molho de amêndoa com um pouquinho do pesto, depois salpica um punhado de sementinhas de abóbora ou girassol tostadas por cima, outro tanto de ervas frescas picadas, uns tomatinhos cortados ao meio e, bon appétit, aproveitar!

precisamos falar sobre crueldade [e compaixão]

Compaixão é a força que promove mudanças. Eu acreditava que as mudanças vinham do conhecimento e da informação, mas acredito agora que mudanças só ocorrem realmente quando uma combinação desse saber é impulsionada pelo poderoso sentimento da compaixão.

Nunca fui uma pessoa de hábitos carnívoros e costumava dizer que nasci vegetariana e fui “espancada” de volta à “normalidade”. A ideia de cozinhar sem carne sempre foi uma coisa natural e um exercício de criatividade pra mim, mas a de cozinhar sem leite, ovos e queijo era um túnel escuro onde nunca me atrevi a entrar. Por isso, e por que não gosto de rótulos nem de me encaixar em nenhum grupo, nunca me posicionei como vegetariana, muito menos como vegana.

Mas algo aconteceu. Acidentalmente eu escutei uma entrevista com o Nathan Runkle, fundador da organização Mercy For Animals. Não sei o que eu estava esperando ouvir dele quando não parei enquanto podia e prossegui ouvindo, mas levei uma chacoalhada quando finalmente escutei os fatos que por anos me esquivei de ouvir sobre a crueldade praticada com os animais de fazenda, o odioso sistema de Factory Farms.

Passei alguns dias aparvalhada. Nas minhas visitas ao supermercado naqueles dias tudo o que eu via era sofrimento nas embalagens coloridas à venda nas prateleiras e geladeiras. Demorei umas semanas para aceitar que estava fazendo parte de uma engrenagem muito bem lubrificada e sem nenhuma transparência, que nos engana dia após dia, não mostrando como é que esses animais acabam nessas caixas e bandejas.

Não me tornei vegetariana nem vegana, mas não quero mais fazer parte desse sistema, nem contribuir com essa indústria pavorosa. A humanidade vai pagar muito caro por todo esse sofrimento que estamos causando à esses bilhões de seres vivos que são destituídos de absolutamente qualquer direito. Vamos levar muitos séculos para quitar essa magnitude de carma negativo que estamos produzindo desde que transformamos os animais em apenas mais uma mercadoria.

Eu continuo comendo ovos bem moderadamente, porque sei de onde os que eu compro vêm, conheço as galinhas da fazendinha. E tenho comido peixe selvagem ocasionalmente. Mas a maioria dos outros produtos animais já não fazem mais parte do meu dia a dia. Nem mesmo os queijos, o que é bem triste, pois eles são deliciosos. Quero explicar essa mudança, que vai ter algum impacto nas receitas do blog. E erguer aqui essa bandeira da compaixão com relação à todos os animais.

Pra quem quiser ouvir, algumas entrevistas e TED Talks que ouvi e achei importante divulgar [todas em inglês]:

»Nathan Runkle and The Power of Compassion ⭐️

»The Power of Our Food Choices: Lauren Ornelas

»Olympic Level Compassion | Dotsie Bausch

»Paul Shapiro On The Future Of Food

»Why I’m A Vegan | Moby

»Toward Rational, Authentic Food Choices | Melanie Joy

»Cowspiracy: How Animal Agriculture Is Destroying The Planet & What You Can Do About It

»Matthew Kenney – Crafting the Future of Food

sopa marroquina de cenoura e abacate [com relish de uva passa]

Comprei três livros do chef Matthew Kenney e fiquei encantada. Na verdade comprei um, depois adquiri os outros dois. Nesses livros ele faz comida vegana e crua. Essa sopa está no livro Everyday Raw Express. Ficou extremamente delicada e deliciosa. O relish de passas já usei pra acompanhar outros pratos e já modifiquei adicionando uma maçã.

para a sopa:
1 e 1/2 xícara de cenouras
1 xícara de leite vegetal [usei de castanhas]
1 abacate pequeno
1/4 xícara de suco de limão
1 colher de sopa de mel
1 colher de sopa de gengibre fresco picado
1/8 colher de chá de pimenta da jamaica [allspice]
2 colheres de sopa de azeitonas verdes picadinhas
1/4 xícara do relish de uva passa

Bata todos os ingredientes no liquidificador, menos as azeitonas e o relish, que serão usados só na hora de servir.

para o relish:
3/4 de xícara de uva passa branca [quanto maior, melhor]
1 colher de sopa de gengibre fresco picado
1 colher de chá de xarope de agave
1/4 de colher de chá de sementes de mostarda
1/4 de colher de chá de pimenta caiena
1/4 de colher de chá de sal
1/4 de xícara de vinagre de maçã [orgânico e não filtrado é preferido]

Coloque todos os ingredientes num processador de alimentos e pulse algumas vezes até obter um molho pedaçudo. Coloque num vidro e guarde na geladeira até a hora de servir.