usando a farinha de spelt

Uma das grandes buscas da minha vida culinária é a do Santo Graal das pizzas. Estou nessa procura incessante pela receita perfeita, que seria definitivamente adotada como a receita oficial para massa de pizza da Fer Guimarães Rosa. Digo-vos, que já usei muitas receitas. E digo-vos mais ainda, que eu faço muita trambicagem também, usando massas prontas ou semi-prontas. Infelizmente nada me satisfaz plenamente.

Eu andava comprando uma massa pronta de pizza no Co-op, que achei muito, muito boa e que comprei porque não pude resistir à novidade. A massa era feita de Spelt, o grão ancestral, cultivado desde as eras remotas e citado até no velho testamento da biblia. Já tinha comido o grão, cozido como se faz com o trigo ou a cevada. Mas a farinha realmente superou minhas expectativas.

Buscando pela massa novamente no sábado à tarde, dei com os burros n’ água. Mas olhando a seção de bulk das farinhas, vi a farinha de spelt e resolvi que eu mesma iria fazer a massa pra pizza daquela noite. Tenho umas receiitas coringas que vira e mexe voltam a ser usadas, uma delas é essa receita de massa de pizza da Marthinha Heleninha. É uma massa que sempre dá certo, mas que tem que crescer, não dá pra fazer dez minutos antes, como seria a massa de pizza ideal pra mim. Fiz essa receita substituindo a farinha de trigo pela de spelt. A massa com o spelt não cresce tanto quanto a feita com o trigo, mas, ohdear, o cheiro e o sabor dessa massa é algo inigualável. Não é ainda com certeza a massa perfeita, mas está quase lá.

massa para pizza

Não iria ser uma simples massinha de pizza a me passar a perna, não senhoures! Sábado passado deu tudo errado, mas neste sábado eu retomei a receita e jurei pra mim mesma—desta vez VAI dar certo. E deu!

A receita deu para duas pizzas, a massa bem fininha e crocante. Fiz na batedeira elétrica, que é como a receita ensina. Mas pra quem não tem uma batedeira robusta com acessório para sovar massa, a única solução é arregaçar as mangas e botar as mãos na massa pra sovar—e muito!

Receita tirada da edição de Junho de 2006, da revista Martha Stewart Living

Massa para Pizza
1 xícara de água morna
1/2 colher de chá de açúcar
1 envelope de fermento biológico seco – 2 1/2 colheres de chá]
1 colher de sopa de azeite
1 1/2 xícara de farinha de trigo
1 xícara de semolina
2 colheres de chá de sal grosso

Coloque a água na vasilha da batedeira. Adicione o açúcar e o fermento, mexa bem com uma espátula até o fermento e o açúcar dissolverem. Deixe descansar por 5 minutos, até formar uma espuminha. Adicione então o azeite, o sal e as farinhas. Coloque a pá na batedeira e misture bem os ingredientes. Troque a pá pelo acessório de bater massa e deixe a massa batendo por 5 minutos. A receita pede que se sove na mão depois disso, então eu deixei sovando na batedeira por mais tempo, só pra não precisar suar a camisa. Quando a massa estiver bem elástica e e macia, coloque numa vasilha untada com azeite, cubra com filme plástico e deixe crescer num lugar quentinho por 3 horas. A minha massa não precisou de três horas pra crescer, em 1 e meia ela já estava o dobro. Fico macia, bem fácil de abrir com o rolo. Deu duas pizzas.

Pizza Party

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Participamos de uma pizza party na casa do meu cunhado Beto, irmão do Uriel. O Gabriel fez a massa da pizza e trabalhou a noite inteira como pizzaiolo. Foram feitas umas doze pizzas e todas ficaram ótimas. Teve até uma pizza sobremesa de banana, mas essa eu não comi – tudo tem limites! O Gabriel seguiu a receita da massa já definida no esquema organizacional da pizza do Beto. Minha cunhada fez o molho da maneira mais simples e surpreendentemente gostosa. Claro que o segredo de tudo é o forno à lenha. Já estamos bolando um jeito de fazer um forno semelhante lá em Davis!
Massa da pizza
6 colheres de sopa de óleo
1 tablete [15gr] de fermento biológico Fleischman
2 colheres de sopa de sal – acho que pode usar menos, achei a massa um pouco salgada
1 colher de sopa de açúcar
2 copos de requeijão de água
Misturar a água com o fermento, acrescentar o óleo, sal, açucar e ir colocando farinha até dar o ponto. Sovar bem, deixar descansar e abrir a massa em discos. Essa receita dá para mais ou menos 6 discos de pizza.
Molho da pizza
Bater no liquidificador tomates sem sementes, folhas de manjericão, alho, cebola, sal e azeite. Usar. Fiquei chocada com essa receita de molho. Primeiro porque vai cebola e não vai orégano. Segundo porque não cozinha. Mas fica ótimo, eu aprovei!

Pissaladière

Eu tinha copiado a receita daquele livro inglês para gourmets de 1931 que ia mais ou menos assim: use uma massa, frite muitas cebolas no azeite, cubra a massa com essa cebola, coloque azeitonas pretas e fatias de aliche, asse. E até tinha decidido tentar fazer a especialidade de Provence assim mesmo, no tapão, afinal o que poderia dar errado? Mas coincidentemente naquela nesma noite, chegou no correio mais um exemplar de inúmeras revistas de culinária que eu recebo como sample, e nunca assino. Essa era a Cook’s Illustrated e nela vinha uma receita super hiper micro detalhada da pissaladière. Então eu fiz. A massa ficou incrivelmente boa – fácil de fazer, de manusear, fininha e crocante depois de assada, e acho até que vou adotá-la para as minhas pizzas. O recheio pedia quase um quilo de cebolas e eu só usei 2 grandes, então da próxima sei que precisa mais. Usei só uns ticos de aliche, pois apesar de gostar desse peixe, acho o sabor um tantinho “overwhelming”. Devorei duas fatias com uma taça de vinho branco e foi a melhor refeição desta semana.

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Pissaladière
Massa:
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento Fleischmann para pão, o de grão, seco
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa de azeite
1 xícara de água morna.

No food processor com a lâmina de plástico, coloque a farinha, o sal e o fermento e pulse por 5 segundos para misturar. Ligue na velocidade normal e pelo tubo adicione devagar o azeite e a água, até formar uma passa compacta – uns 15 segundos. Retire a massa do processador e amasse de leve numa superfície enfarinhada. Forme uma bola e coloque numa vasilha pequena untada com azeite. Cubra com plástico bem apertado e deixe crescer por 1 hora e meia.

Recheio:
1 quilo de cebola cortada em fatias
2 colheres de sopa de azeite
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de açúcar mascavo.

Frite a cebola no azeite, acrescente sal e açúcar e refogue em fogo alto por 10 minutos. Abaixe o fogo e refogue por mais 20 minutos até a cebola ficar caramelizada.

Abra a massa. A receita diz pra fazer duas, mas eu fiz uma só. Segure a massa pela ponta e vá puxando, ela vai esticando e tomando forma. Pode pôr em cima de uma folha de papel manteiga e ir puxando. Coloque numa forma. O forno deve estar pré-aquecido em 500ºF/260ºC. Cubra a massa com a cebola caramelizada. Salpique com azeitonas pretas, aliche. Se quiser pode pôr tomilho fresco, ou fennel seeds, que foi o que eu usei. Asse por 15 minutos. Sirva imediatamente.