Bolo de pêssego

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Essa é a sobremesa do mês na edição de agosto da revista Martha Stewart Living. Adorei tudo nela, a massa de cornmeal com lavanda e, é claro, os pêssegos que estão entrando com tudo na estação. Gostamos imensamente do resultado, que pode ser comparado à um bolo de fubá sofisticado com a lavanda no lugar da erva-doce, e os pêssegos caramelados combinando muito bem com todo o resto. Comentário do crítico enquanto se servia de mais uma fatia—mas essa Martha Stewart é fogo, hein? Nem fala, nem fala, êta sujeita fogueta! Tudo o que ela publica dá certo e fica bom.

peach and cornmeal upside-down cake
170 gr/ 1 tablete e meio de manteiga sem sal amolecida
1 xícara de açúcar
6 pêssegos cortado em fatias grossas
1 xícara de cornmeal ou polenta
3/4 de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
2 colheres de sopa de flores de lavanda secas
1 1/4 colher de chá de sal grosso
3 ovos caipiras grandes
1/2 colher de chá de extrato de baunilha
1/2 xícara de creme de leite fresco

Numa frigideira larga de ferro, ou outro tipo de panela que possa ir ao fogo e ao forno, derreta 56 gr/ 4 colheres de sopa de manteiga e espalhe bem pela superfície. Deixe dourar. Polvilhe 1/4 xícara do açúcar sobre a manteiga e deixe derreter, formando um caramelo. Coloque sobre esse caramelo as fatias de pêssegos formando um circulo em aspiral como numa flor. Deixe cozinhar um fogo baixo por uns 10 minutos, até que os pêssegos fiquem macios. Tire do fogo e reserve.

Numa vasilha misture a farinha, o cornmeal, o fermento, o sal e a lavanda. Reserve, Na batedeira, bata em velocidade média a manteiga restante [113 gr] com o açúcar restante [3/4 xícara] até formar um creme liso. Acrescente os ovos um por um, batendo sempre, Junte a baunilha e o creme de leite. Diminua a velocidade e vá jogando a mistura seca, até tudo ficar bem incorporado. Coloque essa massa sobre os pêssegos caramelizados na frigideira, espalhe bem com uma espátula e coloque em forno pré-aquecido em 350ºF/ 176ºC por 22 minutos, até a massa ficar firme e dourada. Retire do forno, deixe esfriar. Quando estiver frio, passe uma faca pela borda e vire o bolo sobre uma travessa.

gelado de pêssego [e amora]

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Eu sou cliente que dá preferência. Gosto de comprar de certos produtores no Farmers Market. Compro sempre os ovos de uma família simpática—e quando quero ovos tenho que ir cedo, porque eles vendem rapidíssimo. Gosto do casal japonês que vende folhas verdes pra saladas, e do japonês dos cogumelos, também volto sempre no moço engraçado das frutas, e na família onde o guri faz as contas todo atrapalhado. Compro as flores sempre do mesmo casal, que já me conhece e eu e ela sempre trocamos uma prosa. Curto comprar com a bonitona do azeite, a alemã dos pães, com as mocinhas da Capay, e com a sorridente cunhada da Deborah Madison, que vende as melhores geléias. E tenho a maior simpatia por um casal de senhores, onde eu compro tomates, nozes e figos, além dessa senhorazinha que vende as frutas menos bonitas, mas eu gosto de tudo que compro dela, e gosto especialmente dela, por uma razão vingativa. Tudo porque uma vez vi ela dando a maior bronca num fulano boçal que estava apertando as frutas. Grr, como eu odeio essa gente que aperta todas as frutas, escolhe, escolhe, escolhe, escolhe, escolhe, abre as espigas de milho, provam tudo e às vezes viram as costas e não compram nada, grrgrrr! E nesse dia ela falou por mim, falou o que eu gostaria de eu mesma ter falado—NÃO APERTE AS FRUTAS PORQUE ELAS ESTÃO MADURAS E SÃO MUITO DELICADAS, NÃO PRECISA APERTAR! O fulano fez uma cara de pateta ofendido e foi embora sem comprar. A senhorinha nem pestanejou com remorso. Melhor perder um possível cliente, do que aguentar aquela tortura de olhar esses tipos machucando as frutas. Bom, eu aprovei o que ela fez, gosto muito dela e pronto. Por isso no sábado fiquei feliz em revê-la no mercado, pois ela sumiu por umas semanas. Reapareceu vendendo uns deliciosos pêssegos amarelos, que são os meus favoritos. Comprei muitos, sem apertar nenhum, e com eles fiz um sorvete,
Estava descascando os pêssegos quando o Uriel apareceu na cozinha para xeretar e quando eu disse o que ele estava fazendo, ele sugeriu que eu acrescentasse um restinho das blackberries que salvaram-se da nossa trogloditice rústica, que nos fez devorar as frutinhas puras, sem creme, nem açúcar. Decidi abraçar a idéia dele e joguei lá umas dez blackberries, junto com uns seis pêssegos bem maduros descascados, mais 1/2 xícara de leite integral e 1 xícara de creme de leite fresco. Juntei mel a gosto e uma colher de sopa de licor de cassis, bati tudo no liquidificador e depois joguei na sorveteira. Sempre tenho o cuidado de ver que o liquidificador não transforme tudo num purê homogêneo, para deixar o sorvete cheio de surpresas pedaçudas. No teste de textura e sabor o crítico me deu um high five enquanto divulgava seu veredito extremamente positivo. As blackberries não foram suficientes para apagar o sabor intenso do pêssego, mas elas deram uma cor lindíssima ao sorvete.

bolinhos de chocolate
[com pêssego & damasco]

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Receita do How to Be a Domestic Goddess, da Nigella Lawson, originalmente chamado de Chocolate Cherry Cupcakes, mas como eu fiz com geléia de peach-apricot, virou Chocolate Peach-Apricot Cupcakes. Ela usa a morello cherry preserve e aconselha diminuir a quantidade de açúcar caso se use uma geléia de qualidade inferior. Assumindo que a minha geléia de pêssegos e damascos poderia não ser tão sofisticada quanto a da Nigella, eu fui logo diminuindo a quantidade de açúcar de 1/2 xícara, para 1/4 xícara. Mesmo assim achei que ficou um pouco doce pro meu gosto. Se um dia eu fizer esses cupcakes novamente, vou eliminar totalmente o açúcar.
Fiquei com medo de encher totalmente as forminhas e fazer cupcakes mushrooms, e acabei não enchendo o suficiente. Deram mais bolinhos, mas eles ficaram meio baixolas. Sempre um erro de tática, levando ao acréscimo da feíura nos resultados. Mas tudo bem.
No livro, os cupcakes têm uma cobertura feita com creme de leite fresco e chocolate amargo, mas eu achei melhor pular essa parte, já que vou levar os bolinhos para os meus colegas no trabalho e cobertura melequenta não combina com container e bicicleta.
1/2 xícara – 4 oz – 113gr de manteiga sem sal
1/2 xícara – 4 oz – 113gr de chocolate meio amargo em pedaços
1 1/2 xícara de geléia de cereja – usei de pêssego e damasco
1/2 xícara de açúcar – usei 1/4, mas poderia eliminar esse item
Uma pitada de sal
2 ovos grandes batidos
1 xícara de farinha com fermento – como não uso esse produto, acrescentei 1 colher de chá de fermento em pó à farinha
Pré-aqueça o forno em 350ºF/ 176ºC.Coloque a manteiga numa panela de fundo grosso e leve ao fogo médio. Quando a manteiga estiver quase totalmente derretida, acrescente o chocolate picado e mexa uns minutos até ele derreter quase totalmente. Remova do fogo, continue mexendo até ficar um creme bem liso. Transfira para uma vasilha, acrescente os ovos, a geléia, o açúcar e o sal. Misture bem, com um batedor ou colher de pau. Acrescente a farinha e fermento e incorpore bem. Divida a massa entre doze forminhas de muffins e asse por 25 minutos. Deixe esfriar, transfira para uma grade.
Se for fazer a cobertura, derreta mais 113gr de chocolate meio amargo numa panela, acrescente 1/2 xícara mais 1 colher de sopa de creme de leite fresco [heavy cream], continue batendo até levantar fervura, retire do fogo e continue batendo até ficar um creme grosso. Decore os bolinhos e coloque uma cereja em calda no topo de cada um.

torta de pêssego, polenta e tomilho

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Adorei a idéia dessa torta, que me conquistou por causa dessa mistura bem interessante de ingredientes—polenta, tomilho, limão e pessêgo. Resolvi fazer para um almoço que tivemos em casa no domingo. Ficou bem diferente e não decepcionou. Foi a primeira vez que usei tomilho numa receita doce e agora fiquei realmente entusiasmada.

Peach and Thyme Polenta Tart
massa:
1 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de polenta/cornmeal
1/4 xícara de açúcar
1/4 colher chá de sal
2/3 xícara de manteiga (11 colheres de sopa), gelada e cortada em cubinhos
1 ovo batido
recheio:
1 xícara de creme de leite fresco
10 raminhos de tomilho fresco [usei o tomilho limão]
1 limão amarelo
3 gemas de ovos
1/4 xícara de açúcar
Uma pitada de sal
5 pêssegos bem firmes cortados em fatias bem finas
farofa:
5 framos de tomilho fresco
2 colheres de sopa de polenta/cornmeal
1 colher de sopa de açúcar

Misture a farinha, polenta, sal e açúcar. Usando os dedos ou um processador, vá acrescentando a manteiga à mistura, até conseguir uma mistura grossa. Misture o ovo e forme uma bola. Embrulhe em plástico e deixe na geladeira por pelo menos 45 minutos.
Com um descascador de legumes, remova a casca amarela do limão, tomando cuidado para não descascar a parte branca. Coloque o creme de leite numa panela e leve ao fogo. Deixe chegar ao ponto de fervura e desligue o fogo. Acrescente as cascas do limão e os dez ramos de tomilho. Tampe e deixe em infusão por pelo menos 30 minutos.

Pré-aqueça o forno em 400ºF/205ºC. Quando a massa estiver bem gelada, abra e forre uma forma redonda de fundo removível com ela. Deixe descansar por uns minutos e então leve ao forno por uns 8 minutos, até que ela fique levemente dourada. Retire do forno e deixe esfriar. Abaixe a temperatura do forno para 325ºF/162ºC.

Passe o creme de leite por uma peneira para remover as cascas do limão e os ramos de tomilho. Numa vasilha bata bem as gemas, o açúcar e a pitada de sal. Acrescente o creme de leite e bata bem.

Prepare a farofa, misturando as folhinhas de tomilho [remova dos galhos delicadamente com os dedos], a polenta e o açúcar. Misture bem e acrescente pingos de água com cuidado, vá mexendo com os dedos ou um garfo, até formar uma farofa.

Arrange os pêssegos na forma sobre a massa, começando pelo centro e formando uma flor, as fatias se sobrepondo. Coloque o molho por cima dos pêssegos, salpique com a farofa e leve ao forno por mais ou menos 40 minutos, até os pêssegos ficarem macios e o creme ficar firme. Retire do forno, deixe esfriar e desenforme. Espere mais ou menos uma hora para servir. Eu servi no dia seguinte.