Green Gulch Farm Zen Center

Fomos fazer nosso picnic anual na praia e eu escolhi a Muir Beach, por ser a mais perto, menos tempo de carro. Nunca tínhamos ido à essa praia, que é bem pequena, fechada numa encosta. Na ida, bem perto já da praia, passamos por uma comunidade budista e eu falei—na volta, vamos parar. E assim fizemos. Descemos com o carro por uma estradinha apertada num barranco, tivemos que encostar quase despencando para dois carros que estavam subindo passarem. Chegamos no Green Gulch Farm e não sabíamos exatamente onde ir. Um casal que estava chegando também nos guiou. Ele era voluntário no local e nos fez um resumo, de que eles são parte do famoso San Francisco Zen Center, de como eles aceitam hóspedes, tem meditação, dharma talk nos domingos de manhã, e têm lugares pra retiro, o templo e a fazenda. Passamos por umas residências do pessoal que mora lá. O casal abriu um portão, nos deixou no jardim e seguiu em frente em direção à praia. Quando avistei o jardim, fiquei sem fôlego. Nunca tinha visto tantas cores juntas, tantas flores, as dálias eram predominante e eram absolutamente maravilhosas! Fiquei um tempão zanzando entre as flores e tirando fotos. São vários jardins para meditação e hortas uma atrás da outra. Fomos caminhando até o final, onde tinha mais um portão que dava para uma trilha em direção à praia. As hortas, todas com produção orgânica, eram uma pintura. As folhas verdes, que devem gostar muito do clima fresco do litoral, pareciam de plástico tal a perfeição. Ficamos muito tempo caminhando e olhando tudo, voltamos pra área dos jardins, das flores, do templo, até chegar no caminho rodeado de eucaliptos e voltar para o nosso carro estacionado. Fiquei tão extasiada com aquela visita, não parei de falar um minuto que queria voltar, que queria voluntariar, que queria trabalhar na cozinha deles, que queria morar lá! Até disse—nesse nosso passeio, acho que gostei mais desse lugar do que da praia. Não estava mentindo.

charlotte de morango

strawberry-charlotte

Depois de me esbaforir para colher dois baldes de morangos na fazenda orgânica, saí procurando por receitas para usá-los e achei esta tão leve e linda, que reservei para fazer pro almoço de páscoa. Fiquei um pouco tensa achando que não iria desenformar bem, mas deu tudo certo e pude servir essa sobremesa que é simplesmente a epítome da delicadeza.

3 e 1/2 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor
1/2 xícara de água fervente
3/4 xícara de açúcar
1 colher de sopa de suco de limão
1 xícara de morangos orgânicos amassados com um garfo ou em puré [*pulsei no processador de alimentos]
3 claras de ovo batidas em neve em picos moles
1 xícara de creme de leite fresco batido em picos firmes

Em uma tigela coloque a gelatina para amolecer em 1/4 xícara de água fria. Adicione a água fervendo à mistura e mexa bem até que a gelatina fique completamente dissolvida. Adicione o açúcar, o suco de limão e os morangos triturados e mexa delicadamente para combinar. Deixe esfriar e coloque na geladeira até começar a firmar. Remova a mistura de gelatina da geladeira e bata bem com um batedor de arame. Adicione as claras em neve e depois o creme batido. Colocar morangos cortados ao meio no fundo de um molde de 1 litro, despeje a gelatina e leve novamente para gelar. Antes de servir, desenforme a charlotte mergulhando rapidamente a base do molde em água quente e, em seguida, inverta sobre uma travessa. Decore com mais morangos e um pouco de purê de morango, feito rapidamente no processador.

galinha, pata & perua

fim de março fim de março
fim de março fim de março
fim de março fim de março

Desde que me mudei pra Woodland e conheci essa fazenda orgânica na estradinha vicinal logo na saída da cidade, que estava de olho nas galinhas e nos ovos. Fiquei amiga da fazendeira e ela me explicou que os ovos já estavam pre-vendidos, mas que assim que aumentasse a população das galináceas, eles abririam para mais pessoas. Felizmente esse dia chegou e agora todas as semanas eu vou buscar minha caixinha de ovos caipiras fresquinhos direto na produção. Na primeira semana eu ganhei dois ovos de peruas, que são exatamente como os de galinha, só que em formato gigante. Os de pata eu não gosto, acho muito forte. Visitei as Felizbertas, que vivem numa pequena cidade—uma “favelinha”, como descreveu uma das moças que trabalha lá. Neste momento estou com um surplus de ovos caipiras, pois não estou conseguindo gastar uma dúzia por semana. No dia que tirei essas fotos aproveitamos também para colher morangos. Tem que aproveitar porque a temporada deles aqui na nossa região é muito rápida. Essa é também a fazenda que produz os melhores melões da região. Ter acesso à essas delícias é uma das grandes vantagens de viver na roça!

Quivira

quivira quivira
quivira quivira
quivira quivira
quivira quivira

Anos atrás eu comprei uma garrafa de vinho zinfandel da vinícola Quivira no Whole Foods. Fui atraída pelo rótulo simples e chique e pela produção biodinâmica—o que implicava num vinho feito não apenas com uvas não tratadas com pesticidas e quimicos, mas levando em conta todo o meio ambiente. Já tinhamos visitado uma outra vinícola biodinâmica e ficado encantados com toda a filosofia e pratica. E o vinho é nada menos que delicioso. Quis conhecer essa também. Não deu para reservar um tour pela vinícola, porque eles só tinham para o periodo da manhã e não iríamos conseguir chegar lá em tempo. Uma pena, pois gostaria de ouvir a história do lugar e como eles aplicam os conceitos da biodinâmica no vinhedo. Mas andamos pelo lugar, que é muito bonito e tem uma horta enorme, com um galinheiro repleto de Felizbertas. Também fizemos o tasting padrão, com um branco e quatro tintos. Minhas preferências foram o sauvignon blanc e o zinfandel. Ficamos de convercê com o moço que nos serviu o vinho, ele nos perguntou de onde vinhamos e se trabalhávamos na UC Davis. Quando fui pagar o tasting de três pessoas e mais uma garrafa de vinho, o moço disse—vou dar um desconto pra vocês, porque vocês trabalham pra UC Davis e a UC Davis nos ajuda muito com pesquisas. Pro nosso choque e espanto, o desconto foi de 100% para os tastings e mais umas patacas descontadas da garrafa de sauvignon blanc que eu levei pra casa! ♥

the pie ranch

so many so many
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Se você estiver rodando distraidamente pela belíssima Highway 1 e na altura de Pescadero ver uma placa—slow down for pie, pare imediatamente. Estacione, entre no celeiro e coma tortas, bolos e cookies deliciosos, beba uma xícara de café ou chá, compre uns feijões heirloom, ovos caipiras ou legumes e frutas orgânicos, mas não deixe de dar um rolê pela fazendinha escola da Pie Ranch. Achei o projeto muito bacana, onde as crianças e adolescentes vão aprender sobre autonomia e sustentabilidade. Eles trabalham com voluntariado e promovem um arrasta pé uma vez por mês, com dança e comida. Pena que para nós é um pouco fora de mão, senão eu iria certamente querer ir num desses forrós.

foraged citrus

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Não sei se há uma palavra apropriada no português para o ato de fazer forage—que é basicamente buscar por alimentos pelos arredores onde vivemos. Isso é uma coisa que existe desde os primórdios da humanidade, como sempre tinha alguém para pegar frutos daquela árvore na beira da estrada ou colher cogumelos e frutas silvestres na floresta. Felizmente essa prática vem se espandindo e se popularizando, tanto que começou a ser adotada também para as áreas urbanas. Em muitas cidades já existem redes de pessoas que praticam o foraging e que se conectam para trocar produtos, listar os melhores lugares, as áreas com plantas comestíveis e árvores frutíferas. Eu tive o privilégio de conheçer dois famosos urban foragers—a brasileira Neide Rigo que pega plantas e frutas pelas ruas de São Paulo; e o americano Hank Shaw que colhe todo o tipo de ingrediente comestível na nossa prolífica região do norte da Califórnia. Eles são pra mim o melhor exemplo de como podemos tirar proveito da abundância de produtos que proliferam espontaneamente ao nosso redor. Eu infelizmente ainda não pratico o foraging com muito afinco, apesar de viver num ambiente mais do que propício. Mas quando algo simplesmente aparece na minha frente, eu não perco a oportunidade e depois guardo a informação para repetir a dose. Como por exemplo, os limoeiros de ninguém que ficam na minha ex-vizinhança e onde todo inverno desde sei lá quando eu colho os deliciosos limões rosa. E no campus da universidade já marquei as árvores de kinkãs que neste momento estão carregadas de frutinhas. No ano passado fiz geléia com elas. Neste ano ainda nem sei o que vou fazer com elas, mas já fui colher uma sacola cheia.

the farm school

the farm school the farm school
the farm school the farm school
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the farm school the farm school
the farm school the farm school
the farm school the farm school
the farm school the farm school

Teve notícia nos jornais, tevês e rádios, porque foi a primeira classe a se formar nesse curso de fazenda. Eu estava lá convidada por uma das formandas e voltei um pouco mudada. Chegamos atrasados e por causa do nosso almoço tardio e do calor intenso nem tivemos muita vontade de jantar com as galinhas antes da cerimônia. Foi um jantar todo preparado com produtos da horta que podíamos avistar das mesas e regado à vinhos locais. Nos concentramos nas águas aromatizadas, servidas em jarras de conserva. Foi só o que fiz—beber água, andar pra lá e pra cá e conversar com amigos. Quando todos foram embora e a luz do entardecer já estava naquele ponto de transformar uma simples paisagem num cenário mágico, eu e o Uriel fomos sozinhos fazer um passeio pelas hortas rodeadas por pomares de nozes. No centro da pequena fazenda os barulhinhos vindos de um galinheiro nos dizia que já era hora de dormir—pois elas são madrugadeiras em tudo. Essa escola fazenda na cidade vizinha de Winters é parte de um projeto maior e que tende a crescer ainda mais. Enquanto passeava pelas hortas eu fiquei absolutamente tomada pela beleza de tudo aquilo e pensando o quando eu adoraria trabalhar num lugar assim. Sei que trabalhar com a terra não é pra qualquer um e certamente não deve ser pra mim, mas essa visita me deixou repensando muita coisa. E repensar é sempre o primeiro passo.