bolo de limão inteiro [com cobertura de azeite & iogurte]

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Procurei muito por uma receita onde eu pudesse usar uns limões Meyers que estavam na portinha de estragarem. não posso, de jeito nenhum, perder nenhum desses limões, que eu geralmente ganho de amigos ou colegas. Coincidiu que achei essa receita e fiz o bolo na véspera do Valentine’s day, então levei para dividir com meus colegas de trabalho. Ele foi devorado com entusiasmo. Fui pegar uma fatia para guardar para um dos meus amigos que estava numa conferência e quando cheguei não tinha nem farelo. Não é muito fácil achar os limões Meyer fora da Califórnia, então use o limão siciliano, que vai ficar bom também.

para o bolo:
1/2 xícara [113 gr] de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1 xícara de farinha de trigo
2 limões Meyer [ou outro limão como o Siciliano]
1/2 xícara de farinha de semolina
1/4 de colher de chá de sal marinho
1/4 de colher de chá de fermento em pó
1/8 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 xícara de açúcar
2 ovos caipiras em temperatura ambiente
para o glacê:
1 xícara de açúcar de confeiteiro peneirado
1 colher de sopa de azeite
1 colher de sopa de iogurte grego
1 colher de chá de raspas da casca de limão
1 colher de chá de suco limão

Pré-aqueça o forno a 325ºF/ 162ºC. Unte uma forma com manteiga e polvilhe com açúcar. Reserve. Corte os limões em fatias e remova as sementes. Coloque os limões em um processador de alimentos e pulse até obter um purê. Deve dar cerca de 1 xícara de purê. Numa tigela pequena misture 1 xícara de farinha de trigo com a 1/2 xícara de semolina, o sal, o fermento em pó e o bicarbonato de sódio.

Bata a manteiga com o açúcar em velocidade média até formar um creme. Juntar os ovos, um de cada vez. Adicione o puré de limão e bata até combinar. Adicione a mistura de farinhas e bata até ficar uma massa homogênea. Despeje a massa na forma untada. Leve ao forno e asse por 40 – 45 minutos. Remover o bolo do forno, deixar esfriar e desenformar.

Para fazer o glacê, misture todos os ingredientes até ficar homogêneo. Despeje o glacê sobre o bolo frio e deixe descansar um pouco para absorver. Sirva.

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limão rosa conservado no sal

limão rosa no sal

Com a enxurrada de limão rosa deste ano, pude testar receitas que nunca tinha feito antes. Uma delas é a do “preserved lemon”, uma iguaria da culinária do oriente médio e que sempre me pareceu super fácil de fazer. E é! Olhei várias receitas aqui e ali e fiz do meu jeito. Leve bem e seque os limões, corte em quatro, com uma faca afiada, mas sem ir até o final. O limão vai ficar como uma flor, com as quatro partes cortadas ainda unidas pela base. Abra o limão, salpique sal no meio, feche e coloque num vidro esterilizado com um pouquinho de sal no fundo. Vá colocando os limões, salpicados com sal por dentro, um em cima do outro no vidro. Pode dar uma pressionada de leve com os dedos. Pode colocar folhas de louro e grãos de pimentas se quiser. No final, se todos os limões ainda não estiverem imersos em suco, esprema um limão extra, até que todos estejam submersos em líquido. Salpique um pouco de sal por cima, feche os vidros e deixe em temperatura ambiente por uns 10 dias. Depois refrigere. Para usar esses limões, remova um limão do vidro, remova a polpa e pique a casca para colocar em saladas, molhos, couscous, quinoa, eteceterá. Eu usei o meu primeiro limão em conserva numa salada de batata. Deu um toque especial. Os limões rosas são maravilhosos e abundantes, gostei de fazer essa conserva para poder usá-los no resto do ano.

o inverno dos cítricos

Nosso inverno é iluminado pelas frutas cítricas. A natureza é muito sábia e nos oferece o que precisamos para enfrentar os percalços das estações. Sem os cítricos como iríamos sobreviver às gripes e resfriados? Passei uns dias doentes, bebendo infusões de limão cravo com mel. Ajudou muito! E adoramos fazer aquele clássico chá de limão com gengibre, que pode ser servido quente ou frio. Neste inverno eu praticamente ganhei quase todas as frutas cítricas que tenho consumido. Limões rosa, siciliano ou Meyer, laranjas, tangerinas, grapefruits e pomelos. Minhas vizinhas me presentearam com laranjas e mexericas, meus colegas de trabalho me inundaram com todos os outros tipo, incluindo um pomelo do tamanho de uma bola de futebol, que me rendeu um litro de polpa rosada e doce. Fora as laranjinhas kinkans e os limões que peguei no campus. Estou fazendo tanta receita com cítricos—gelatina com limão rosa, saladas de grapefruit, molhos pesto, cocktails, refiz esse curd com azeite usando os preciosos limões Meyer para presentear amigos no Valentine’s day. E bolos, de laranja, kinkans e limão. Fiz também os limões rosa preservados no sal. Ainda tenho ainda muitos cítricos para usar. Vou congelar o suco dos limões rosa, para poder usar quando essa estação ensolarada dos cítricos terminar.

geléia de limão rosa

Uma coisa é você crescer vendo todo mundo ao seu redor fazer algo na cozinha. Outra coisa é você tentar fazer algo sem nunca ter visto ninguém fazer. Minha amiga, uma budista nascida e criada numa fazenda no Idaho, me deu um vidro de geléia de limão feita por ela. Quando eu pedi a receita, ela disse, ah é muito fácil! É só cortar os limões, remover as sementes, deixar tudo misturado na geladeira de um dia pro outro, depois cozinhar até o termómetro chegar em 220ºF e tchan dan! Ela me mandou o link para uma receita similar, depois me trouxe o livro de onde ela tirou a receita que fez. Eu comprei uma versão pra mim, e como tinha uma sacola cheia de limões rosa doados por um colega, decidi que faria a marmalade. Não foi tão simples assim. Primeiro fiquei mais de 1 hora em pé na cozinha cortando os limões, separando as membranas e as sementes. Depois rodei  cidade debaixo de chuva pra achar um termômetro. Comprei um que não era o ideal. Daí inventei de fazer a geléia enquanto fazia o almoço de domingo. Cozinhar pode ser estressante se você não tiver certeza do que está fazendo. Como a minha amiga do Idaho, que cresceu vendo a mãe, a avó, as tias, as vizinhas fazendo geléia, eu cresci vendo a minha mãe fazer macarrão. Na massa de macarrão sou craque, porque sei todos os passos e como tudo deve se comportar.  Mas geléia, só mesmo aquelas improvisadas de cozinhar a banana ou o morango com qualquer quantidade de açúcar ou inventar moda. Nunca fiz nada do jeito certo, nunca fiz o processo de esterilizar e  vedar os vidros. Sei que tem uma técnica, só não sei qual é.  No domingo fiz malabarismos com várias tarefas, preparei o almoço, fiz macarrão. E fiz a geléia, que cozinhou, cozinhou e,  naquele minuto em que me distraí, passou do ponto. Achei que tinha dado tudo errado, chorei pitangas me achando um fracasso, reclamei muito, me dei chicotadas morais, mas quando fui olhar, tinha ficado mais ou menos como deveria ficar. A geléia ficou um pouco escura, queimou um pouco no fundo, cozinhou uns minutos além da conta, mas solidificou e até que ficou gostosa. Farei de novo? Sim. Mas desta vez, com a experiência de quem aprendeu algumas lições com os erros. A licão mais importante é que não se deve fazer geléia ao mesmo tempo em que prepara o frango, faz o molho de tomate, faz a massa pro macarrão, faz a salada, assobia e chupa cana.

Adaptado da receita de Meyer Lemon Marmalade do livro Food in Jars da Marisa McClellan. Essa receita é bacana porque usa a pectina natural do limão, contida nas membranas e sementes, para engrossar a geléia. E ela fica bem firme, parece até que se usou gelatina. E só tem realmente limão! Como toda marmalade, o resultado fica um pouquinho amarguinho. O limão rosa é muito mais acido que o meyer, mas eu mantive a mesma quantidade de açúcar. Achei que ficou perfeito.

1 e 1/2 quilos de limões orgânicos [*usei o limão rosa]
860 gr de açúcar

Lave bem os limões e seque. Com uma faca afiada corte as extremidades de cada limão. Corte ao meio e em gomos, remova a medula interna e as sementes e reserve numa tigela. Corte cada gomo de limão em fatias finas. Eu segui o conselho da minha amiga Amanda e coloquei os gomos com a lâmina de fatiar do processador de alimentos. Se quiser fatias maiores, faça a mão com a faca. Em uma tigela grande combine as fatias de limão e 400 gr de açúcar. Mexa bem. Faça um “pacote de pectina” usando um pedaço de gaze ou cheese cloth. Coloque no centro as membranas brancas, partes cortadas das pontas e as sementes que foram removidas dos limões. Amarre as pontas para fazer um saquinho. Adicione este pacote de pectina na tigela com as fatias de limão e o açúcar. Leve à geladeira por um período mínimo de 6 horas ou até 48 horas.

Remova a tigela da geladeira e coloque em uma panela grande, juntamente com o pacote de pectina. Adicione os 460 gr de açúcar restante e junte  1 litro de água.  Leve para ferver em fogo alto, mexendo sempre com uma espátula antiaderente. Deixe ferver por 30 a 50 minutos e use um termômetro para verificar quando a geléia atingir 220ºF/105ºC. Quando a geléia chegar a essa temperatura e se mantiver assim por um minuto, mesmo se for mexida, desligue o fogo. Coloque a geléia nos vidros, fazendo a esterilização de acordo. Eu não fiz. Usei algumas jarras Weck, que são boas pra manter conservas na geladeira, e congelei outros dois vidros. Da próxima vez vou tentar aprender a vedar os vidros da maneira certa. Será minha meta pra 2017!

geléia de tomate [a moda marroquina]

No meu trabalho a conversa gira na maioria do tempo em volta do assunto comida. Acabei adquirindo uma falsa reputação que me recuso a aceitar—a de que sou uma foodie, uma gourmet. Tem gente que até diz que sou uma chef, quero desintegrar no ar de tanta vergonha. Tudo isso por causa das minhas marmitas. Noutro dia decidiram ressuscitar um evento dos tempos antigos, uma competição de geléias feitas com as ameixas da árvore abundante do quintal de alguém. A organizadora, que é diretora de um setor de comunicação, veio correndo falar comigo. Eu me recusei a fazer geléia pras pessoas julgarem, porque não tenho esse espirito competitivo, nem tenho experiência suficiente fazendo conservas. Mesmo assim ela não largou do meu pé e eu então me ofereci pra ser juíza. No meio tempo ela apareceu na minha frente com essa geléia de tomate estilo marroquino que ela faz há anos e queria que eu experimentasse e desse a minha opinião. Me deu um vidrinho e eu fui pra casa com aquela infeliz missão, me sentindo um tantinho pressionada. E se eu não gostar? Pior, e se o negócio for uma bomba incomível? Sou dessas criaturas pessimistas. Acabei levando uma rasteira bem dada quando abri o vidro incrivelmente bem selado e espalhei um pouquinho da geléia numa bolacha. Que coisa maravilhosa! Adorei as especiarias e o limão, que eu consegui morder pedacinhos! Voltei pra falar com ela:

—então, o que vai ser? você vai me dar a receita ou me vender mais desses vidros?

Ela se recusou a me passar a receita, fazendo um charme, como se fosse dona do segredo do túmulo do rei Tutankamon. Minha reação foi bem simples—FINE! a internet existe pra isso mesmo, vou achar uma receita parecida e fazer eu mesma!

Coincidentemente apareceram uns tomates heirlooms na cozinha do meu trabalho e eu [obviamente] peguei um montão. A moça da geléia me olhou com ceticismo quando eu disse que iria usar aqueles tomatões. Ela disse, tem que ser com os cerejas, mas eu não quis ouvir. Eu e mais dois colegas fizemos a geléia naquele final de semana. Quando eu coloquei todos os ingredientes na panela entrei meio em pânico, porque os tomatões soltaram MUITA água. Minha geléia cozinhou por muito mais tempo do que o esperado, mas atingiu o ponto. Eu recomendo fortemente que se use o tomate cereja. As geléias dos meus colegas não vingaram. A minha ficou bem parecida com a da moça que não quis passar a receita. Ficou deliciosa! Usei muitos tomates, dobrei a receita. Já comemos dois vidros, congelei outros dois. Ainda não aprendi como selar as conservas do jeito que eles fazem aqui, pra poder guardar fora da geladeira. Um dia chegarei lá.

Essa geléia é picante e doce, com um toque meio acido e vai muito bem com queijos. Comi com diversos tipos, dos cremosos como o de cabra, até os mais duros e fortes como o manchego. Faz um tostex maravilhoso, acompanha lentilha, couscous, frango, o que a imaginação mandar.

120 gr de gengibre fresco descascado
1/2 xícara de vinagre de maçã
1 quilo de tomate cereja
1 xícara de açúcar mascavo
1 limão cortado em fatias finíssimas, depois picado
1 colher de chá de canela em pó
1/2 colher de chá de cravo em pó
1 colher de chá de cominho em pó
1 colher de chá de sal kosher
½ colher de chá de pimenta do reino moída na hora

Coloque o gengibre e vinagre no processador de alimentos e triture bem. Transfira para uma panela robusta. Adicione os tomates, o açúcar e os limões fatiados. Ligue o fogo alto e cozinhe por 15 minutos. Adicione as especiarias, reduza o fogo e deixe cozinhar, mexendo sempre, até a mistura reduzir e engrossar. Quando a geléia estiver pronta, coloque em potes esterilizados e guarde bem fechado na geladeira ou congele.

salada de feijão, vagem e limão

salada de feijão e vagem

Adaptei a receita essa salada num prato mais simples, porque eu só queria mesmo era gastar vagens que vieram na cesta orgânica. Como a vagem fica ainda durinha durante o branqueamento e o feijão também não é molengo, essa salada se sustenta por vários dias na geladeira, o que significa ((( M A R M I T A ! ))).

2 xícaras de feijão branco cozido [usei de caixinha]
1 xícara de vagem branqueada [cozida rapidamente em água fervente]
1/4 xícara de salsinha
1/4 xícara de azeite
3 colheres de sopa de cebolinha picado
2 colheres de sopa de alcaparras picadas
1 colher de sopa de raspas da casca de limão
2 colheres de sopa de suco de limão
1/2 colher de chá pimenta de Alepo ou flocos de pimenta vermelha
Sal a gosto

Misture os feijões com a vagem. Junte todos os outros ingredientes e tempere com sal. Sirva.

risoto de limão com favas

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Eu e o Uriel descascamos um saco de favas para fazer essa receita que tirei do livro Vegan Vegetarian Omnivore: Dinner for everyone at the table da Anna Thomas. Eu tinha um caldo de legumes pronto, o maior trabalho foi mesmo despelar as centenas de favas. Reduzi a receita ao meio, porque éramos somente nós dois e fiz com apenas 1 xícara de arroz. Esse risoto ficou incrivelmente festivo.

5 colheres de sopa de azeite de oliva extra-virgem
4 dentes de alho picados
2 xícaras de favas verdes frescas descascadas
3 colheres de sopa de suco de limão fresco
Sal marinho a gosto
3/4 xícara chalotas picadinhas
8 xícaras de caldo de legumes
2 e 1/2 xícaras de arroz Arborio
1/2 xícara de vinho branco seco
1 e 1/2 colheres de sopa de raspas da casca de limão
1/2 xícara de queijo parmigiano-reggiano fresco ralado

Aqueça 2 colheres de azeite de oliva em uma panela de tamanho médio, acrescente o alho e mexa por cerca de 30 segundos. Adicione as favas descascadas e refogue em fogo médio-alto, mexendo constantemente por 3 a 4 minutos. Adicione 1 colher de sopa de suco de limão, tempere com sal marinho, remova do fogo e reserve.

Aqueça o restante das 3 colheres de sopa de azeite em uma panela grande e adicione as chalotas, refogue em fogo médio com uma pitada de sal até que estejam macias, 6 ou 7 minutos. Colocar o caldo de legumes para ferver, tampe e mantenha quente em fogo baixo.

Adicione o arroz na panela e mexa em fogo médio por 2 a 3 minutos. Adicione o vinho e mexa até evaporar. Adicione 1 xícara de caldo de legumes quente e mexa até o caldo ser absorvido no arroz. Continue adicionando o caldo, uma xícara de cada vez, mexendo constantemente. À medida que cada xícara de caldo seja absorvida, adicione a seguinte e mexa novamente, assim por diante até que o arroz esteja macio mas firme e um molho cremoso tenha se formado. Todo o procedimento vai levar de 20 a 25 minutos.

Adicionar as restantes 2 colheres de sopa de suco de limão e as raspas de limão, bem como 2/3 das favas refogadas, reservando o restante para decorar. Adicionar o queijo Parmigiano e pouco antes de servir adicione uma xícara final de caldo. Sirva imediatamente decorando cada porção com um pouco das favas. Regue com um fio de azeite de oliva e polvilhe com mais Parmigiano Reggiano. Buon appetito!

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