Rolinho de repolho com camarão

No inverno é um tal de vir repolho na cesta orgânica que até cansa. Eu não sou uma “repolho person” [sou mais batata ou tomate] e nem sei muito bem como preparar essa verdura, então tenho que usar a criatividade para gastar a repolhada.

Com o repolho roxo eu faço salada. Ou um acompanhamento pra porco, meio chucrutal, mas nem tanto: cozinha o repolho roxo cortado em tiras fininhas com maçã picada, vinagre, sal e açücar. Serve frio.

Com o repolho comum eu também faço salada e quando tenho paciência uns charutos, que recheio com arroz cozido misturado com nozes.

Mas ainda tem o repolho crespo, aimeudeusdocéu. O que fazer com o bendito? Folheando a revista Martha Stewart Living de Janeiro/06 achei uma receita fácil e com uma cara ótima, pra usar o repolho crespo. Dei uma adaptada na receita, como sempre, mas ficou muito bom. Acho que é um prato legal tanto pra se fazer no inverno, servido quente, quanto no verão, servido frio.

A receita:
Shrimp Rolls with Citrus-Ginger Dipping Sauce
Para o molho:
Misture o suco de uma laranja com o suco de um limão pequeno, 2 colheres de sobremesa de gengibre fresco ralado, um pouquinho de óleo de gergelim, sal e açúcar. Misture bem e sirva com os rolinhos.
Para os rolinhos:
Umas 6 folhas de repolho crespo [savoy cabbage]
Uma bandeija de camarão pequeno
Sal à gosto [use sal grosso]
Um punhado de avelãs [a receita pede castanha portuguesa, mas como eu não tinha, usei avelã e ficou muito bom. amendoa também deve ficar]
Um pedaço de uns 4 cm de gengibre fresco picado
Bastante coentro fresco
Pode por alho e pimenta vermelha fresca, mas eu não coloquei.

Moer todos os ingredientes juntos num food processor até ficar uma pasta bem consistente. Rechear as folhas de repolho com essa mistura e formar rolinhos. Coloque os rolinhos num bamboo steamer ou outro tipo de panela que cozinhe no vapor. Coloque o steamer sobre uma wok ou qualquer panela larga com um dedo de água. A água não pode tocar nos rolinhos. Cubra e deixe cozinhar no vapor por uns 15 ou 20 min. Servir com o molho de laranja.

Tortilla Espanhola

Na minha infância eu comi muita dessa omelete de batata, que agora descobri as origens e o nome verdadeiro – tortillas da Espanha. A primeira vez que ouvi a palavra tortilla se referindo à omelete velha conhecida minha, não entendi direito, pois estava acostumada com as tortillas mexicanas, muito comuns aqui e que são somente umas panquecas de farinha de trigo ou de milho. Uma espanhola de Barcelona que me explicou que as tortillas deles eram bem diferentes. Mas na realidade iguais pra mim, pois eh exatamente a receita que a cozinheira fazia na casa dos meus pais. Eu faço muito durante o verão, quando recebo batatas fresquinhas e deliciosas na minha cesta orgânica. Se você nunca comeu uma batata colhida na manhã do dia em que você vai usá-la, não sabe o quanto de sabor uma simples batata pode ter.

A receita, como eu faço:
Lave bem batatinhas bem pequenas. Corte em quatro. Eu nem descasco, porque as minhas são orgânicas – alías, aprendi com os noruegueses e americanos a não descascar batatas, mas isso dá outro post, pra outro dia.

Numa frigideira de ferro, frite as batatinhas em azeite [ou óleo] até elas ficarem um pouco douradas. Desligue o fogo e acrescente cebola em fatias finas e pimentão verde em fatias finas. Por cima despeje uma base de omelete – ovos, um pouco de leite, sal e pimenta do reino. Coloque a frigideira no forno e asse até ficar firme e dourada. Sirva com uma salada de tomates e cerveja gelada.

pimentãozada

Outro legume de verão que precisa ter um pouco de criatividade para usar é o pimentão. Eu recebo muitos pimentões, verdes, vermelhos e amarelos na cesta orgânica, mas este ano fiz a besteira de plantar dois pés no meu quintal, então passei o verão inundada por pimentões que ainda tenho na geladeira.
Os pimentões vermelhos e amarelos eu grelho na churrasqueira ou tosto na chama do fogão. Vou virando até ele ficar todinho preto e embrulho numa folha de papel toalha ou coloco num saco de papel e deixo esfriar embrulhado. Depois de frio, desembrulho e vou tirando a pele preta com uma folha de papel toalha. Não precisa colocar embaixo da água. Tiro as sementes, corto em fatias e tempero com vinagre balsâmico, sal, pimenta do reino, azeite e ervas secas. Faz uma salada bem saborosa para comer com pão.
Já o pimentão verde eu ponho no molho pra cachorro-quente ou corto em fatias bem finas pra salada. Fora isso tenho apenas uma outra receita, que é da minha tia, irmã da minha mãe, uma autêntica cozinheira frugal que faz as melhores receitas italianas do planeta!
A receita:
Pimentão Recheado – da Tia Dirce
Fritar no azeite bastante alho picado. Adicionar miolo de pão amanhecido. Refogar até o pão ficar bem úmido. Deixar esfriar e adicionar azeitonas picadas [pode ser verde ou preta], uma latinha de aliche escorrido e picado e orégano à gosto. Tirar as sementes dos pimentões verdes, rechear com essa mistura e assar.
Fica muito bom!

abobrinhada

Quando eu pego minha cesta orgânica nas segundas-feiras, a visão das inúmeras abobrinhas me faz tremer. E agora? O que eu vou fazer com elas? Refogar? Pôr na sopa? Cortar em rodela e fritar? Incluir no molho de macarrão? Abobrinha não é o meu legume favorido…. Mas eu tento usá-la como posso, cavo a polpa [com o quase inútil cavador de bolinhas de melão!] e recheio com a própria polpa, mais ervinhas, mais queijo ralado, mais restinhos de frango… Mas a primeira vez que recebi elogios com uma receita usando abobrinha foi com uma salada. A receita eu peguei num blog culinário em inglês, não lembro qual infelizmente, então vai ficar sem crédito. Fiz nos picnics que organizei no verão e recebi comentários animados. Mas o melhor deles veio da minha nora, que num almoço aqui em casa disse, enquanto se servia de mais salada de abobrinha: “como você consegue fazer abobrinha ficar saborosa?” Ganhei o dia! E aqui está a receita:
Salada de Abobrinha
A receita original pedia pedacinhos de frango desfiado. Eu fiz com frango e sem frango e ficou melhor sem. Corte as abobrinhas num cortador de legumes em fatias extremamente finas na diagonal. Corte as fatias em duas partes e depois em tiras finas. Tempere com sal, pimenta do reino, vinagre de framboesa [raspberry vinegar] e óleo de nozes [walnut oil]. Deixe na geladeira por pelo menos uma hora antes de servir. Essa salada fica melhor no dia seguinde e dá pra guardar refrigerada por vários dias. Super simples e consegue fazer a abobrinha ficar deliciosa!

berinjelada

O verão é temporada de abundância dos tomates, milho, pimentão, abobrinha e beinjela. Nunca me falta uma boa receita para usar os tomates, mas os outros legumes às vezes me deixam prostrada, sem idéias. A berinjela é um deles. Não dá pra passar o verão inteiro fazendo pastinha de berinjela. Felizmente o Uriel adora esse legume, então qualquer jeito que eu o prepare, ele come. Eu faço moussaka e raramente um refogado estilo ratatouille.

Apesar de já estarmos oficialmente no outono, ainda estou recebendo berinjelas na cesta orgânica. Tenho então usado a churrasqueira, para grelhar tudo em fatias e guardar na geladeira. A berinjela grelhada dura bastante refrigerada e pode ser usada para pratos quentes ou frios.

Nesta semana fiz a seguinte receita [inventada]:
Cortei as berinjelas [três variedades, roxas, brancas e verdes] em rodelas grossas e deixei uns minutos de molho numa salmora de água fria.

Preparei um tempero com:
bastante azeite, sal grosso, pimenta do reino, basil seco e um pouquinho de vinho tinto.

Coloquei as fatias de berinjela na churrasqueira já bem quente e pincelei a mistura de azeite em cada uma, dois dois lados. Deixei grelhar [cuidado para não deixar queimar, a berinjela grelha bem rápido].

Retirei da churrasqueira, separei umas fatias e guardei o resto na geladeira para outro dia. Coloquei as fatias separadas numa forma refratária de cerâmica, coloquei queijo raclette [pode ser qualquer outro queijo forte, como o gruyere] em cima de cada fatia e por cima fatias de tomate. Coloquei no forno por uns minutos até o queijo derreter. Servi quente-pelando com salada verde.