torta de iogurte

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Pra ter ideia de como estou atrasada com receitas e histórias, essa foi a sobremesa que fiz para o jantar de Thanksgiving na casa dos nossos amigos. Fiquei um pouco tensa enquanto fazia a receita, porque me pareceu um pouco estranho assar em forno tão baixo e pelo que parecia ser pouco tempo, mas confie! Essa torta fica a epítome da delicadeza, leve e saborosa, não vai açúcar nenhum no recheio, por isso ela precisa ser servida com mel e as frutas. Neste caso foram as típicas do outono—tâmaras e romãs. Fez sucesso absoluto no jantar.

para a massa:
8 colheres de sopa de manteiga sem sal derretida e morna
2 colheres de sopa de açúcar
3/4 colher de chá de extrato de baunilha
1/4 colher de chá de sal
1/8 colher de chá de sementes de cardamomo esmagadas num pilão
1 laranja de tamanho médio, de preferência orgânica
1 xícara de farinha de trigo

para o recheio
3 ovos caipiras grandes
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 e 1/2 xícaras de iogurte grego integral
1 gema de ovo batida com uma pitada de sal
2 colheres de sopa de pistache picado grosseiramente
1 colher de sopa de pinoles torrados [ou mais pistaches ou amêndoas ou nozes picadas]
3 ou 4 tâmaras descaroçadas e cortadas em tiras
1 punhado de sementes de romã
2- ou 3 colheres de sopa de mel, ou a gosto
1 vara de canela para ralar [opcional]

Para fazer a massa posicione a grade do forno no meio e pré-aqueça a 350°F/176°C. Em uma tigela média misture a manteiga com o açúcar, a baunilha, o sal e o cardamomo. Use um microplane para ralar as raspas da casca da laranja diretamente na tigela. Adicione a farinha e misture apenas até estar bem incorporado. Se a massa parecer muito mole, deixe descansar por alguns minutos para firmar. Pressione a massa uniformemente sobre a parte inferior e dos lados de uma forma de torta com fundo removível. Faça uma camada bem finas. Parece que não vai ter massa suficiente, mas vá trabalhando bem com as mãos. Coloque a forma sobre uma assadeira e leve aio forno. Asse até que a massa fique dourada e totalmente cozida, de 20 a 25 minutos.

Enquanto a massa assa faça o recheio. Numa tigela bata os ovos e a baunilha. Coloque no iogurte. A ordem em que os ingredientes são misturados faz a diferença na leveza do recheio, por isso é iogurte nos ovos, em vez de ovos no iogurte. Quando a massa estiver pronta, remova do forno e baixe a temperatura 300°F/150°C. Pincele o fundo da massa com a mistura de gema de ovo batida com o sal para fazer uma impermeabilização. Leve a massa de volta para o forno por 1 minuto para secar a camada de gema. Retire a massa do forno novamente e despeje o recheio de iogurte na massa quente, espalhando uniformemente com uma espátula. Volte a torta para o forno e asse por 15 a 20 minutos, até que o centro da massa vibre como se fosse gelatina. Vá verificando sempre nos últimos minutos, porque se assar demais vai destruir a textura sedosa do recheio.

Deixe a torta esfriar completamente em cima de uma grade. Refrigere se não for servir dentro de 3 horas. Na hora de servir desenforme numa travessa, espalhe as tiras de tâmaras, os pistaches e sementes de romãs. Regue com mel. Se quiser pode ralar canela por cima, eu não lembro se fiz porque já tinha bebido muito vinho na hora da sobremesa!

bolinhos de lentilha vermelha [com molho de iogurte]

Já estou há muitos anos sem receber revistas impressas, mas mesmo depois de inúmeras doações e reciclagens, ainda tenho muitas delas espalhadas pela casa. Outro dia achei um monte ajeitadas numa cestinha num canto do quarto. Folheei as do mês de março e abril, para ver as receitas com ingredientes que tenho agora. É engraçado abrir uma revista depois de tantos anos e perceber o quanto a gente evoluiu e como agora vê tudo com outros olhos. Revi receitas marcadas que fiz [e publiquei aqui] e outras que marquei, nunca fiz e nunca faria—ou melhor, não faria neste momento da minha vida. Mas achei outras receitas não feitas, não marcadas e que chamaram a minha atenção. Uma delas foi a desses bolinhos de lentilha vermelha. Usei essa mistura de quatro tipos de lentilhas, porque eu tinha e quis usar.

1 xícara de lentilhas vermelhas [usei uma mistura de vermelha, amarela, verde e marrom]
3 cebolinhas, partes branca e verde picadas
1 colher de sopa de harissa*
[*ou use outro tipo de molho de pimenta em pasta]
1/4 colher de chá de açafrão da terra/cúrcuma
1/4 colher de chá de fermento em pó
2 ovos caipiras
1/2 xícara de queijo de cabra ou feta esfarelado
1/2 xícara de iogurte grego
1 colher de sopa de suco de limão
1 dente de alho picado
Sal marinho

Cubra a lentilha com água fria e deixe de molho por 4 horas em temperatura ambiente ou em até 1 dia na geladeira. Escorra bem. Coloque as cebolinhas no processador de alimentos e pulse. Adicione a harissa, o açafrão, o fermento em pó, 1/4 colher de chá de sal e os ovos, pulse para combinar. Adicione as lentilhas e pulse até obter uma massa quase lisa. Transfira a mistura para uma tigela e misture um pouco mais da metade do queijo feta ou de cabra.

Coloque o queijo restante, o iogurte, suco de limão e alho em uma tigela pequena. Misture bem. Reserve.

Aqueça um pouco de óleo em uma frigideira antiaderente grande em fogo médio-alto. Coloque uma colher de sopa de cebolinha e uma colher da massa por cima, espalhando-se para fazer um bolinho. Repita, fritando 4 bolinhos de cada vez e virando para dourar dos dois lados.

Sirva os bolinhos com o molho dee iogurte e uma salada. Eu misturei frisée com brotos de rabanete, que era o que eu tinha. A receita original usa pepino, agrião e hortelã.

shrikhand — sobremesa de iogurte, pistache, cardamomo & açafrão

Fiquei louca quando vi a matéria com essa receita no NYT. Achei absolutamente lindo e genial, mas naquele dia tinha expirado meus dez artigos de graça e o jornal não me deixou ler sobre essa sobremesa. Respirei fundo e uns dias depois ela veio anexada no e-mail que recebo do NYT Cooking e ela foi pra minha caixa de receitas no website deles. Corri comprar iogurte grego e preparei o shrikhand, uma receita da Índia ocidental feita apenas com iogurte drenado e açúcar. Devoramos essa delicada sobremesa acompanhada de figos frescos. Mas deve ficar igualmente bom com qualquer outra fruta.

800 gr de iogurte Grego natural integral
1 e 1/2 xícaras de açúcar de confeiteiro
1 xícara de pistache sem sal torrado e grosseiramente picado
1 colher de chá de açafrão picado e mais uma pitada para decorar
1/4 de colher de chá de cardamomo em pó

Coloque o iogurte sobre uma peneira fina coberta com um pano sobre uma tigela grande. Cubra com filme plástico e coloque na geladeira por pelo menos 24 horas.

Transfira o iogurte drenado para uma tigela e misture delicadamente com uma espátula o açúcar, os pistaches, o açafrão picadinho e o cardamomo em pó. Transfira para uma travessa, espalhe pistaches extras e uma pitada de açafrão picadinho por cima. Leve para gelar por algumas horas e sirva. Pode-se substituir os pistaches por amêndoas.

molho de alho, iogurte & misô

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Sou uma notória odiadoras do alho cru. Detesto o cheiro, detesto o sabor e o gosto que fica na boca por horas e horas. Nem vou mencionar aquele aroma que parece ser absorvido pelo corpo e que vai sendo liberado através dos poros, muitas vezes misturado com o suor e certos perfumes franceses. UG! Fatalmente terei uma dor de cabeça. Por isso evito o alho cru o quanto posso. E aconselho todo mundo a minha volta a fazer o mesmo. Outro dia evangelizei uma amiga sobre a inadequação do alho cru nos molhos de salada. Disse que ela podia usar ervas frescas, raspinha da casca de cítricos, gengibre fresco ralado, o céu era o limite. O único ingrediente fora do baralho era o alho. Ela ficou tão convencida que me disse confiante—finalmente entendi que o alho não pertence nos molho de saladas! Eu aplaudi muito orgulhosa, muito bem, convenci mais uma. Mas foi então que fui olhar receitas no site do The Guardian e dou de cara com um molho de salada [a green lunch salad]. Com alho. A mistura de todos os outros ingredientes me fascinou, mas tava lá o fatídico alho. Fiz o molho, desta vez sem omitir o alho como sempre faço, e caí pra trás. Que delicia! É um molho um pouco picante e deixa sim um leve gostinho de alho na boca. Mas não é nada que não se resolva comendo um pêssego ou outra fruta. Refiz o molho e levei pra minha amiga provar. Cortei um tomate, temperei com o molho alhudo e disse—admito que nem sempre estou certa, e está aqui a exceção no uso do alho na salada. Ela comeu e adorou.

1 dente de alho descascado
2 colheres de sopa de miso branco
2 colheres de sopa de mirin
2 colheres de sopa de vinagre de arroz integral
4 colheres de sopa de iogurte natural

Esmague o alho em uma pasta usando um pilão ou o espremedor de alho. Junte o miso, misture bem, adicione o mirin e vinagre. Misture bem, e adicione o iogurte. Tempere a salada e sirva. Eu usei tomates e pepinos, mas você pode usar o que quiser.

picolé de damasco & rosa

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Pra usar uns damascos frescos que estavam explodindo de maduro—bati as frutas no liquidificador com um pouquinho de iogurte natural [usei o filmjölk, um iogurte líquido sueco], um pouquinho de açúcar e umas gotas de água de rosas. Coloquei nas forminhas, deixei no congelador de um dia pro outro, desenformei e hmmm!

sorvete & picolé de melão

sorvete de melão

Com um melão grande e maduríssimo fiz sorvete e fiz também picolés. Os melões do início de Julho estavam simplesmente espetaculares! Compro os melões da fazenda orgânica, onde eu também compro os ovos caipiras, aqui pertinho de Woodland a 10 minutos da minha casa. Já ouvi falar que esses são os melhores melões e eles ainda me decepcionaram. Esse melãozão estava explodindo de maduro, então descasquei e bati no liquidificador com bastante suco de limão verde e um pouco de açúcar. Enchi as formas de picolé e salpiquei na base um pouco de amêndoas torradas e moídas. Pro sorvete adicionei um pouco de iogurte natural [usei o filmjölk, um iogurte líquido sueco] e coloquei na sorveteira. Devoramos tudo. Eu, num acometimento de falta de compostura e elegância, comi os picolés de dois em dois.

picolé de melão

bolo de limão & chocolate

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Nesse dia tive vontade de comer um bolo de chocolate. E como ainda tenho limões doados na geladeira, achei que essa receita iria ser perfeita para me deixar feliz. Chocolate, limão e azeite—uma combinação muito auspiciosa.

125 gr de chocolate amargo picado
2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de sal marinho fino
1 xícara de açúcar
3 ovos caipiras grandes
1/2 colher de chá de extrato de baunilha
3/4 xícara de iogurte integral estilo grego
Raspas da casca de 1 limão
2 colheres de sopa do suco do limão
3/4 xícara de azeite extra-virgem

Pré-aqueça o forno a 350°F /180°C. Despeje o chocolate numa vasilha de vidro e coloque sobre uma panela com água fervendo [faça um double-boiler]. Mexer com uma espátula até o chocolate derreter. Retire a vasilha de vidro com o chocolate derretido do fogo e deixe esfriar um pouco.

Em uma tigela misture a farinha de trigo, o fermento e o sal. Reserve. Na vasilha da batedeira em velocidade alta, bater o açúcar e os ovos até obter um creme bem claro. Junte a baunilha. Adicione metade da mistura de farinha batendo até incorporar. Adicione o suco de limão e iogurte e em seguida o restante da mistura de farinha. Com o motor em funcionamento, adicione o azeite até a massa ficar homogênea. Adicionar cerca de um terço da massa no chocolate derretido. Adicionar as raspas da casca de limão no resto da massa.

Unte uma forma de assar pão levemente com óleo. Encha a forma com a massa, alternando um pouco da massa de limão e a de chocolate. Leve ao forno e asse por 45 a 50 minutos. Transfira para uma grade e deixe esfriar por 20 minutos. Inverta o bolo numa travessa. Deixe esfriar completamente e sirva.

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kefir com laranja
[gengibre e cúrcuma]

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Fiz essa bebida tantas vezes, que já perdi as contas. Fica tão gostosa e refrescante. Geralmente levo pro trabalho, para beber no meio da manhã quando bate aquela fome e ainda tá muito cedo pra pensar em almoço. É só misturar o kefir com o suco de laranja [meio a meio ou um pouquinho mais de kefir do que de suco] ralar um pouquinho de raiz de gengibre fresco, outro pouquinho de raiz de cúrcuma fresca. Adicionar, mexer. Pode colocar gelo, ou não. Pode também fazer sem a cúrcuma fresca e trocar o kefir pelo iogurte. Eu não adoço, porque acho o suco de laranja doce o suficiente pra mim. Fica a seu critério.

panna cotta de iogurte
[com purê de damasco]

No ano passado conhecemos umas das nossas vizinhas, um casal de moças simpaticíssimas, num evento de final de ano organizado por um casal da rua ao lado. Desde então estávamos tentando combinar um jantar juntos, trocamos muitos textos e finalmente decidimos por uma noite de pizza num sábado aqui em casa. Fazer pizza pra mim é mel na sopa, faço tudo sem receita, já tenho o esquemão, sei que vai ficar bom e nem esquento a cachola. Só tive que realmente pensar no que iria fazer de sobremesa. Queria servir algo leve, pra encerrar delicadamente o desfile de pizzas de diversos sabores, mas que desse uma continuação para o tema meio italianado da noite. Quando falei panna cotta, meu marido aplaudiu. Fiz uma receita simples, que achei na revista Food & Wine, apenas com sabor de baunilha e com adição de iogurte, que eu acho deixa a panna cotta mais leve e com um toque ácido. Pra acompanhar fiz um purê de damascos secos, no estilo que li no livro da Claudia Roden. A combinação ficou ótima e minhas convidadas adoraram, acharam essa sobremesa o fino da bossa.

para a panna cotta
1 envelope de gelatina sem sabor
2 colheres de sopa de água gelada
1 xícara de creme de leite fresco
1/3 xícara de açúcar
1 fava de baunilha, sementes removidas com a faca
[*usei uma pasta de baunilha]
2 xícaras de iogurte natural integral [ou grego]

Em uma tigela pequena coloque a água fria e polvilhe a gelatina. Deixe repousar até a água absorver a gelatina, uns 5 minutos. Em uma panela pequena coloque o creme de leite, o açúcar e a baunilha e leve ao fogo até ferver. Remova a panela do fogo, junte a gelatina e mexa para dissolver. Em uma outra tigela coloque o iogurte e bata com um batedor de arame até ficar bem cremoso e homogêneo. Junte o iogurte no creme com a baunilha e gelatina. Despeje a mistura em seis ramekins ou forminhas de gelatina untadas um um pouquinho de óleo vegetal [se for desenformar] e leve à geladeira até firmar, por pelo menos 3 horas. Na hora de servir, remova as forminhas da geladeira, se for desenformar coloque a base de cada uma rapidamente em água quente, passe uma faca sobre a borda e inverta. Sirva acompanhado do purê de damasco.

para o purê de damasco
Fiz essa receita sem medidas. Deixei meio pacote de damascos secos californianos [da variedade blenheim] de molho em água fria de um dia para o outro. No dia seguinte coloquei tudo num processador de alimentos com um pouco de açúcar de baunilha [não muito]. Processei bem até formar um purê, coloquei numa vasilha e guardei na geladeira até a hora de servir.

picolé de pera, limão & iogurte

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Mais um picolé [yeah!]. Esses eu fiz com um tanto de peras que ganhei de uma colega de trabalho. Já contei que no meu trabalho acontecem desovas durante todo o ano, né? Por lá aparecem os melhores limões meyer, abacates, tomates, ameixas, figos. Essa minha colega tem uma conexão com alguns produtores de peras. E traz umas bem pequenas e saborosas. Eu cortei algumas delas em cubinhos e cozinhei numa panelinha com um pouco de água, suco de um limão tahiti e açúcar de coco a gosto. Eu comprei um pacote desse açúcar, feito com a seiva da flor do coqueiro, e achei bem interessante. Ele é escuro e tem um sabor mais intenso. Estou usando para fazer algumas receitas. Essa foi uma delas. Depois que cozinhei as peras, coloquei no liquidificador com um pouco de iogurte natural. Bati até formar um creme, despejei nas forminhas de picolé, congelador e Wow! Gostamos muito da combinação desses sabores.