we’ve been sheltering-in-place

Como o resto do mundo, estamos sob ordens de “shelter-in-place” desde 12 de março. Eu e o Uriel ficamos quase 3 meses juntos em casa e foi muito bom, apesar das circunstâncias. Nesse tempo cozinhei muito, algumas receitas novas e diferentes, outras repetecos de sempre. Agora ele voltou pro trabalho na Bay Area e eu continuo indefinidamente trabalhando de casa. Ficamos concentrados nas nossas coisas, na nossa casa, no trabalho, almoçando e jantando juntos, plantamos até uma horta. Quero colocar algumas das receitas aqui. Tudo ficou parado, por uma razão muito compreensível, mas não parei minha fábrica de comidas. Muito pelo contrário, acho até que ampliei, adicionando algumas habilidades extras no meu currículo. Finalmente conseguir fazer meu próprio levain e fazer pão de fermentação natural, e queijos veganos e fermentados e germinados. Muita coisa gostosa, pra alimentar nosso corpo e ajudar a acalmar nosso espírito, nesses tempo tão estranhos.

quase vegetariana, quase vegana

Estou numa fase de pouca receita, eu sei, mas é porque estou numa fase de adaptação. Já estou no quarto mês sem laticínios e fazendo meus ajustamentos na rotina e na dieta. Tenho cozinhado muito, o tempo todo, e experimentado com ingredientes. Ainda estou nesse tipo de limbo, onde não sou vegetariana [porque ainda como peixe vez em quando] e nem vegana [porque como os ovos da fazenda]. Mas adentrei com muita animação nesse universo paralelo onde não existem produtos derivados do leite. Ainda olho os queijos no supermercado [de soslaio] sentindo uma certa tristeza. Não deveria ser assim, a gente poderia comer queijo de uma maneira humana e sustentável, se fosse possível achar alguém nessa indústria que praticasse esse estilo de negócio. Tenho conversado muito com meu marido sobre isso, de como poderíamos achar uma fazenda que usasse métodos aceitáveis e comprar algo deles em ocasiões muito especiais. Ainda não fui atrás disso nem sei se é possível. Outro dia minha amiga me trouxe um litro de leite da cabra dela, que ela mesma tirou. Daí eu fiz uma panna cotta e foi realmente algo festivo. Nenhum ser vivo sofreu e nós pudemos ter uma sobremesa especial. Estou me acostumando a ir à lugares [o que não acontece muito frequentemente] e pedir para remover o queijo do prato. No potluck de Halloween do meu trabalho achei que iria comer apenas pão e salada, mas no final acabei com um pratão cheio de gostosuras. É só prestar mais atenção no que você está colocando no seu prato. E em casa eu tem cozinhado coisas básicas, muitos feijões e lentilhas, quinoa, grão de bico, às vezes refaço uma receita do blog e substituo os ingredientes não veganos por veganos. O leite de vaca pelo leite de castanha, a manteiga por manteiga vegana, o iogurte por iogurte de amêndoa, alguns queijos veganos já entraram na minha lista de compras. Tem uns queijos cremosos feitos de castanha de caju que são muitos bons e pra pizza, depois de muitas tentativas, resolvemos [por sugestão do meu marido] remover totalmente o queijo. Fiz alguns queijos veganos em casa e o melhor foi uma ricotta de amêndoas que fica muito parecida com a de leite. A comida aqui em casa está muito boa, muito saudável, muito colorida e criativa, e bem deliciosa. Estou muito feliz com minha decisão e não estou impondo nada pra ninguém, mas cozinho apenas o que quero. O desafio será o jantar de Thanksgiving, que meu filho quer assar um peru [com bacon!]. Pode assar, eu disse, só não me peça pra ajudar, nem espere que eu vá comer. Minha lista de receitas veganas já está pronta e farei comidas maravilhosas!

the remains [of may]

Acho que todos nós estamos sentindo a mesma coisa—que o ano está voando! Será um sentimento coletivo de tempo acelerado, filmado em time-lapse, ou sou só eu? Espero que não seja só eu, mas todo dia eu me espanto, já é junho? já é quase julho? O que aconteceu com maio? Se eu não tivesse uma quantidade ridícula de momentos registrados em fotografia, iria achar que não fiz nada nestes últimos meses. Mas está aqui a prova de que tenho feito muita coisa, receitas repetidas, receitas novas que não gostei ou não deram certo, receitas improvisadas, receitas que não tive tempo nem vontade de fotografar porque estava muito ocupada comendo. Meu filho nos visitou em muitos finais de semana e no dia das mães cozinhou [muito bem] pra mim. Tivemos muitas flores, muitas frutas, muitas manhãs ensolaradas, dias agradáveis, ventinho ao entardecer, almoços e jantares no quintal, ideias novas, rotinas novas, mais e mais mudanças nas minhas madrugadeiras manhãs. Gosto tanto de estar aqui, mas não tenho feito esta presença suficiente. Sem desculpas, espero que estejam todos bens e felizes. Fica aqui registrado que maio foi realmente um mês bonito e cheio de gostosuras e lindezas.