dei um pulo [no hemisfério sul]

Saímos de uma onda de calor fenomenal e embarcamos rumo ao inverno no hemisfério sul para ver toda a família e participar do casamento da nossa sobrinha. Foi uma viagem rápida e a agenda ficou lotada, com muitos eventos com as duas famílias e alguns reencontros de amigos. Não fiz muito, além de comer e conversar. Minha mãe achou muitos desenhos e rascunhos de pinturas do meu pai e eu trouxe alguns comigo. Me apego à coisas que me lembram da presença dele. Ele tinha muitas câmeras fotográficas e de filmagem, equipamento de imagem, muitas fotos, slides, filmes, CDS, K7s, livros, discos, um mundo de coisas, tudo muito bem organizadas. Trouxe comigo uma das maletas de fotógrafo dele, com câmera, lentes, flash, geringonça de fazer fotos com timer. Tudo muito bem arranjado dentro da maletinha de couro. Revi minha amiga de infância, que não via há 20 anos. Revi outra amiga de longa data. E o resto foi só família e comilança. Me esbaldei e comi tudo o que vi pela frente. Ganhei três quilos, mas valeu a pena! Comi maracujá, atemoia, muita banana, goiaba, carambolas docinhas, uva Niágara [fora de época, mas mesmo assim boa!], bala de coco, bananinha, beliscão, biscoito de polvilho, sequilhos, pipoca doce, bolo de fubá, pamonha, bolinho de bacalhau, mandioca frita, coxinha feita em casa, pudim, manjar, picanha, bacalhau, tutu de feijão, pão de queijo, palmito, empadinha, esfirra, nhoque de mandioca, macarronada e feijoada! Cheguei cansada e detonada por uma gripe. De volta para o verão tórrido, pros pêssegos e tomates, vamos retomar de onde parei.

thanksgiving dinner

Esse foi um thanksgiving onde eu tive muito o que agradecer. Um agradecimento ultra especial pela saúde de todos na minha família. Não foi um jantar super planejado, porque ando muito atolada de trabalho. Felizmente abri a edição da revista Bon Appétit no iPad a tempo e foi lá que encontrei todas as receitas que fiz para esse jantar. Fui ao supermercado antes de escolher as receitas e acabei tendo que voltar mais uma vez. O supermercado onde sou freguesa fecha no dia de Thanksgiving [coisa rara por aqui], então tive que pensar em todas as possibilidades com antecedência. No final tudo deu certo, fiz a sobremesa e um chutney de cranberries na quarta à noite e o resto na quinta. Troquei o peru pelo frango caipira, porque fomos apenas três comensais no jantar. Três humanos, dois gatos e uma cachorra. Comemos muito, estava tudo delicioso, as receitas virão em seguida.

frango da Tia Neci

frango-neci

Eu e minha mãe conversamos sobre comida. Ela tem um arquivo imenso de receitas de família, que já foram refeitas inúmeras vezes durante o passar dos anos. Algumas das autoras das receitas já nem estão mais entre nós, mas o legado que elas deixaram continua bem vivo. A tia Neci era casada com irmão da minha avó, o tio da minha mãe. Ela era uma fofura de pessoa e cozinhava muito bem. Era também bastante frugal. A receita pede para lavar o frango com água e vinagre para tirar “a catinga”. Não consegui interpretar isso muito bem, se ela cozinhava com algum tipo de frango caipira ou se o frango vendido na época não era cem por cento fresco. Eliminei essa parte de lavar o frango na receita, mas mantive o vinagre. Então a receita é bem simples. Use sobrecoxas desossadas, tempere com sal, pimenta do reino moída na hora, um pouco de vinagre de vinho tinto, cebola ralada e bastante cheiro verde picadinho. Deixe marinar por algumas horas ou de um dia para o outro, na geladeira. Pré-aqueça o forno em 365ºF/185ºC. Forre uma assadeira com papel vegetal ou alumínio. Passe os pedaços de frango na farinha de rosca [*eu usei Panko] dos dois lados e coloque sobre a assadeira. Leve ao forno e asse, virando os pedaços na metade do tempo, até eles ficarem dourado dos dois lados. Minha mãe serviu esse frango com batata assada, eu servi com batata doce assada. Apenas tempere os cubinhos de batata com sal, flocos de pimenta vermelha e azeite. Coloque no forno junto com o frango, numa assadeira separada.

Mallorca — uma estrela no Mediterrâneo

Assim que saímos do aeroporto eu vi as figueiras carregadas de frutas e pensei—meudeuso, cheguei no paraíso! Daí eu vi o mar azul esverdeado e as oliveiras, e os sycamores, e os ginkgos, e as magnólias, e todos os arbustos, flores e árvores que vejo todos os dias aqui no meu pequeno rincão no norte da Califórnia. Do outro lado do mundo tem um lugar muito parecido, muito quente no verão, muito lindo no outono, muito popular com os turistas, com diferença que Mallorca é uma ilha medieval cheia de influencias árabes. Nós ficamos num resort em Alcúdia e visitamos Sóller [e Port de Sóller], Pollença [e Port de Pollença] e a Serra de Tramuntana, que é parte do patrimônio mundial. Aproveitamos muito as praias por perto e visitamos com nossos primos que moram em Pollença. Lá também tivemos a chance de fazer compras num mercado aberto, no centro da pracinha medieval. Foram dias deliciosos, com muita comida e vinho, um sol gostoso, uma água de mar tão agradável, onde podíamos ficar por horas boiando, nadando e conversando. Aproveitamos bastante o resort também, que tinha um spa sensacional onde batíamos ponto todo final de tarde. A ilha é muito grande, não deu pra conhecer muito, por isso um dia vou querer voltar.

Lisboa é um sonho

Não estava nos meus planos ir à Portugal, mas o que eu realmente tinha planejado não deu certo e acabei embarcando nos planos de outros. O convite do meu irmão para que eu me juntasse à viagem dele foi totalmente auspicioso. Foi delicioso rever a romântica Lisboa, com suas ladeiras de pedras e os prédios coloniais que me lembram tanto o Brasil. Fiquei apenas dois dias lá, o que realmente não deu pra muitas aventuras, mas deu para matar as saudades. Ficamos hospedados num flat muito bonitinho no Chiado. Caminhamos bastante, subindo e descendo ladeiras. Bebemos uns bons vinhos, comemos uns bons bacalhaus e eu pude rever queridas amigas de longa data, que se prontificaram a nos encontrar no sábado e passear com a brasileirada por toda a tarde. Ficamos sem palavras para agradecer toda a atenção e a gentileza das três queridas—Isabel, Suzana e Manuela, que nos levaram pra almoçar no Palácio do Chiado, nos mostraram outras partes de Lisboa, nos levaram para comer pasteis de nata na Manteigaria e depois de muito sobe e desce, uma paradinha para visitar o Convento dos Cardaes e depois tomar um café na linda praça Principe Real, que eu não conhecia. Partimos de Lisboa para Madrid no dia seguinte. Regressamos por uma noite no final da viagem, para pegarmos nossos aviões de volta pra casa, mas conseguimos fazer um belíssimo jantar no As Salgadeiras, um restaurante muito aconchegante no boêmio Bairro Alto. Foi uma pena o tempo ser tão curto para passear em Lisboa. Ficou a vontade de voltar!

saí de férias [muito bem merecidas]

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gazpacho, lagostim, gambas, almejas & verdejo wine

Fazia um tempinho que eu não saia de férias que não fossem pra visitar a família no Brasil. Desta vez a família saiu do Brasil e fomos todos juntos de férias para a Espanha, com uma paradinha em Portugal. Eu saí de San Francisco, minha mãe de Campinas e meu irmão e minha cunhada de Brasília, nos encontramos em Lisboa, depois fomos para Madrid e finalmente para Mallorca. Foram férias muito bem merecidas, quando pude ter a companhia da minha família por duas semanas. Comemos e bebemos muito e muito bem, revi minhas queridas amigas portuguesas, conheci a belíssima Madrid e caí de amores pela ilha Mallorca. Tenho centenas de fotos, algumas histórias, que vou tentar organizar aos poucos, assim que superar esse maledeto jet lag. Voltei!

[mais um] bolo de aniversário

bolo de aniversário

Pro aniversário do meu marido eu fiz este bolo. Foi um final de semana agitado, porque o parceiro do meu amigo também fez aniversário, um dia antes, e fui convocada para fazer um bolo para a festa. Dois bolos num final de semana. Dois bolos de festa. Os dois bolos iriam ser servidos pra pessoas que eu não conhecia muito bem, pois lembrem-se que eu levei o bolo pro Uriel na festa das vizinhas. Pensei bem e decidi fazer a receita deste bolo de festa que eu tinha certeza que daria certo. Aprendi minha lição de não inventar moda nessas ocasiões. Pro meu amigo recheei com as framboesas cozidas, como está na receita, e fiz a cobertura cor de salmão e decorei com confeitos verdes e rosas. Ficou mais bonito do que saiu na foto e fez muito sucesso com os convidados [ufaaaa!]. Pro bolo do Uriel caprichei um pouco mais e fiz um recheio mais elaborado, com uma camada de compota de morango feita com casa [cozinhei morangos frecos com açúcar de coco], outra camada de chantilly [adicionei um pingo de mel e outro de água de rosas] e outra camada de morangos frescos cortados em fatias finíssimas. Fiz uma pataquada absurda batendo o creme de leite em chantilly. Com a batedeira portátil ligada na tomada, fui ajustar os batedores, encostei no botão, o negócio ligou na velocidade máxima com um dos meus dedos enroscado num batedor. Levei um susto enorme, consegui desligar tudo e achei que meu dedo tinha quebrado, mas felizmente não quebrou, tive muita sorte. Assim aprendi outra lição––SEMPRE DESLIGUE todos os utensílios elétricos da tomada quando estiver mexendo nas partes! Depois dessa, com o dedo inchado e dolorido, terminei de fazer o bolo, com a cobertura na cor natural e confeitos multi-coloridos. Ficou absolutamente delicioso!