doze!

doze anos

Doze meses multiplicado doze vezes, nem quero fazer as contas, mas já é bastante tempo. E é um tempo corrido, sem descansos, férias, sabáticos ou sumidas. Estou por aqui há 12 anos e isso é realmente notável. Até pra mim mesma isso é surpreendente! Nestes anos todos acho que já escrevi tudo o que poderia ter escrito sobre mim, minha cozinha, meus livros, meus métodos não ortodoxos, meu amadorismo culinário, meus fracassos, meu incessante levanta a poeira e dá a volta por cima, meus ingredientes, a fonte desses ingredientes, minha vida bucólica na minha pequena cidade norte-californiana, meus gatos, minha discreta família, meu apetite insaciável, minha política, meu liberalismo, meu trabalho que não é no blog e que eu adoro, minha vida social, meus amigos, minha história, minha herança, meu italianismo, meu portuguesismo, meu americanismo, as incertezas, as mudanças, as estações do ano e o que vem com elas, os aspargos da primavera, os tomates e figos do verão, as abóboras do outono, os cítricos do inverno, a louça vintage, as danças sozinha ou acompanhada na cozinha, o vinho, os brindes, as pequenas viagens, a paisagem da roça, os campos agrícolas, as colheitas, as folhas caindo, a falta que a chuva faz, o calor intenso, o frio cinzento, as caminhadas matinais, os cachorros agregados, todos os animais que eu amo e pelos quais eu sofro, um pêssego, um morango, uma cereja, uma maçã, o que eu fotografo, o que eu vejo, o que eu penso, o que eu sinto. Bem-vindos ao Chucrute com Salsicha, puxem uma cadeira, fiquem à vontade, vou servir um café, ou chá, ou uma taça de vinho, o que você prefere?

dei um pulo [no hemisfério sul]

Saímos de uma onda de calor fenomenal e embarcamos rumo ao inverno no hemisfério sul para ver toda a família e participar do casamento da nossa sobrinha. Foi uma viagem rápida e a agenda ficou lotada, com muitos eventos com as duas famílias e alguns reencontros de amigos. Não fiz muito, além de comer e conversar. Minha mãe achou muitos desenhos e rascunhos de pinturas do meu pai e eu trouxe alguns comigo. Me apego à coisas que me lembram da presença dele. Ele tinha muitas câmeras fotográficas e de filmagem, equipamento de imagem, muitas fotos, slides, filmes, CDS, K7s, livros, discos, um mundo de coisas, tudo muito bem organizadas. Trouxe comigo uma das maletas de fotógrafo dele, com câmera, lentes, flash, geringonça de fazer fotos com timer. Tudo muito bem arranjado dentro da maletinha de couro. Revi minha amiga de infância, que não via há 20 anos. Revi outra amiga de longa data. E o resto foi só família e comilança. Me esbaldei e comi tudo o que vi pela frente. Ganhei três quilos, mas valeu a pena! Comi maracujá, atemoia, muita banana, goiaba, carambolas docinhas, uva Niágara [fora de época, mas mesmo assim boa!], bala de coco, bananinha, beliscão, biscoito de polvilho, sequilhos, pipoca doce, bolo de fubá, pamonha, bolinho de bacalhau, mandioca frita, coxinha feita em casa, pudim, manjar, picanha, bacalhau, tutu de feijão, pão de queijo, palmito, empadinha, esfirra, nhoque de mandioca, macarronada e feijoada! Cheguei cansada e detonada por uma gripe. De volta para o verão tórrido, pros pêssegos e tomates, vamos retomar de onde parei.

CIA at Copia

Visitamos o antigo Copia— The American Center for Wine, Food & The Arts algumas vezes de 2002 à 2008, quando o local foi fechado por causa da crise econômica. Fiquei super triste e algumas vezes visitando o Ox Bowl Market em Napa, paramos no prédio do Copia para olhar como tudo estava. Por anos o prédio ficou fechado, com tudo intacto lá dentro. Até o mês passado, quando foi reaberto, agora incorporado pela CIA, o Culinary Institute of America.

O CIA at Copia vai ser um pouco diferente, pois vai oferecer aulas de culinária em cozinhas auditórios, mais ou menos no esquema da escola de culinária e usando os seus próprios recursos. No final de semana da abertura pudemos assistir a uma das classes e vimos que mais duas cozinhas estão sendo construídas. As aulas começam no final do verão. Fiquei extremamente feliz em ver esse espaço reaberto. O jardim que eles tinham, com uma horta e um pomar que abasteciam o restaurante Julia’s Kitchen, já não é tão prolífico. O restaurante mudou, o jardim também, mas o Copia está de volta e é isso o que mais importa.

thanksgiving dinner

Esse foi um thanksgiving onde eu tive muito o que agradecer. Um agradecimento ultra especial pela saúde de todos na minha família. Não foi um jantar super planejado, porque ando muito atolada de trabalho. Felizmente abri a edição da revista Bon Appétit no iPad a tempo e foi lá que encontrei todas as receitas que fiz para esse jantar. Fui ao supermercado antes de escolher as receitas e acabei tendo que voltar mais uma vez. O supermercado onde sou freguesa fecha no dia de Thanksgiving [coisa rara por aqui], então tive que pensar em todas as possibilidades com antecedência. No final tudo deu certo, fiz a sobremesa e um chutney de cranberries na quarta à noite e o resto na quinta. Troquei o peru pelo frango caipira, porque fomos apenas três comensais no jantar. Três humanos, dois gatos e uma cachorra. Comemos muito, estava tudo delicioso, as receitas virão em seguida.

o n z e !

Onze anos, hein? Quem diria. Passei o marco da década e comemorarei o décimo primeiro ano do Chucrute já de cara nova, o que eu sempre achei que nunca iria acontecer. Mas é necessário mudar. E como teve mudança nestes últimos onze anos. Como eu mudei desde este primeiro post onde quase tudo que eu dizia já não é mais tão real. Hoje gasto muito mais tempo cozinhando do que precisaria, mas gosto tanto de cozinhar e de ficar praticando minha meditação preparando, descascando e picando ingredientes, que até aboli outros hobbies. Nestes onze anos posso dizer que evoluí e que fiz muito mais comidas gostosas do que gororobas. Mudou cidade, mudou casa, mudou gato na cozinha, mudou panelas, mudou louça, mudou objetivos, mudou rotina, mudou tanta coisa, mudou, evoluiu e melhorou, não concorda? Então, acho que onze é um excelente número pra se comemorar!