I’m thankful for everything

thanksgivingmorning1.JPG
thanksgivingmorning2.JPG
de onde eu chucruto…

Hoje que eu poderia dormir muito, o quanto quisesse, sem horários, estou acordada e alerta desde às 7am. Levantei, fazer o quê? É o hábito. Estou pensando no ranguinho de Thanksgiving, na viagem do meu filho, na minha viagem. Eu não gosto de viajar e não viajo bem, então tudo relativo ao trajeto vira um estresse. Mas hoje é dia de agradecer, e eu certamente tenho MUITO pra dizer obrigada! Estou com uma leve dor de cabeça causada pelos inúmeros copos de vinho – delicioso Zinfandel, que bebi na festa da minha amiga. O Roux corre atrás do Misty, depois chora quando é enjeitado, o Uriel ainda dorme, o céu está azulzinho, está 6ºC lá fora, estou de roupão de fleece quentinho, pantufas, descabelada, chucrutando da mesa da cozinha, de onde eu sempre chucruto, e vocês podem ver nas fotos.
—o que você vê: comprei o novo Joy of Cooking depois de ler a review da Elise. eu tenho a edição de 1975, que é bem mais magrinha que essa. o californiano Ghirardelli faz um excelente chocolate, da mesma qualidade dos suiços e franceses. minha bolacha favorita que eu como pela manhã, toasts de anisete. mais uma geléia, essa austríaca de wild lingonberry achei no World Market. revistas com as receitas que vou tentar fazer hoje. os limões meyer, meus favoritos. o meu gato Misty. o iBook de onde eu olho para o mundo.

um thanksgiving sem peru

comidatksgvNov04.jpg mesatksgv04.JPG

[Thanksgiving 2004—em destaque no buffet, a minha famosa torta de tomate]

Nós costumamos passar o Thanksgiving com a Reidun, a sogra do meu filho. Ela nos convida todo ano, e faz o almoço/jantar com todos os elementos da clássica comemoração americana. Eu curto muito essa celebração, porque é uma festa de família e comida, sem aquela neuras de presentes que é o Natal. Dizem que o Thanksgiving é o feriado mais importante para o americano, deixando até o Natal para trás. Eu entendo o por que disso, e acho fabuloso uma festa para agradecer! Então todo ano vamos para o Marin county no final de novembro e comemos o peru assado—sempre preparado pela minha nora, que passa o dia em função do bicho, temperando e untando de hora em hora com manteiga. Para acompanhar sempre tem batatas em forma de purê ou apenas cozidas—ítem que não pode faltar na casa de uma norueguesa—além de gravy, cranberry sauce, batata-doce, vagens, ervilhas, cenouras, brussels sprouts, stuffing que recheia o peru e é geralmente servido separado, saladas e pães. Sobremesas de torta de maçãs e de abóbora. Tem sempre um toque diferente aqui ou ali, como a adição de uma salada de palmito ou uma torta de tomate trazidas por mim. Mas no geral o cardápio básico é sempre o mesmo.

Neste ano vamos ter um Thanksgiving diferente aqui em casa. Uma grande amiga da Reidun ficou viúva e ela decidiu passar esse dia na companhia dela. E também o Gabriel e a Marianne embarcam para o Brasil no dia seguinte, então ninguém vai estar com cabeça para assar peru. Eu também não estou, por isso resolvi que vou fazer uma bacalhoada, tudo simples e rápido, pois estou um pouco apavorada com a falta de tempo que vou enfrentar nessas festas de final de ano. Vou chegar do Brasil no dia 16 e vou ter exatamente seis dias para preparar o Natal que vai ser outra vez aqui em casa, com o meu irmão, cunhada e sobrinhas, mais a família da Marianne. Acho que vai ser um potluck Christmas, tudo diferente, como esse Thanksgiving com bacalhau!

celebrate, yeah!

Recebi um e-mail do meu host pela manhã, avisando da renovação do domínio chucrutecomsalsicha.com. Como eu escolhi não colocar datas nos meus posts neste blog, não estava nem lembrando que há exatamente um ano me deu um faniquito, comprei o dominio e passei o dia montando o meu mais novo blog – finalmente, um espaço para eu escrever só sobre culinária. Os primeiros textos no Chucrute com Salsicha foram publicados no dia primeiro de novembro e até hoje eu não entendo como demorei tanto para abrir essa cozinha ao público.
Escrevi muito sobre todos os assuntos no blog mãe, até que em 2002 eu passei os assuntos de cinema e tevê para o Cinefilia, o blog que eu divido com o meu querido amigo Moa. Mas continuei escrevendo sobre comida e publicando minhas fotos food porn no The Chatterbox. Foi somente em novembro de 2005 que finalmente vi a luz, e separei os assuntos culinários definitivamente. Foi a melhor coisa que eu fiz! Adoro esse espaço e as novas possibilidades, assuntos e relacionamentos que ele me proporcionou. Viva!

bolodogabe2005.jpg

Esse bolo eu fiz pro aniversário do Gabriel em 2005. Ele pode exemplificar perfeitamente o meu estilo Chucrute com Salsicha, que se empenha com determinação, mas nem sempre alcança os melhores resultados e o visual mais charmoso. Um bolo tortinho, uma torrada queimada, os legumes cortados desiguais, uma salada sem azeite, uma sopa muito salgada, um tropeço aqui, outro lá, mas eu nunca desisto. E vamos sempre em frente!

trick-or-treating

Quando nos mudamos para o Canadá em 1992, meu filho tinha dez anos e estava entusiasmadíssimo com cada novidade que o novo país lhe oferecia. Nos nossos anos no Brasil não havia ainda o aculturamento do Halloween, então o Gabriel nunca tinha feito o trick-or-treating. Final de outubro chegou e ele estava realmente animado—ganhar balas dos vizinhos, quantas ele quisesse, era para o guri natureba um ticket só de ida para o paraíso. Então no 31 de outubro ele estava todo preparado. Até se fantasiou, o pobre, e tentamos planejar como ele iria fazer o tar do trick-or-treating. Vendo a nossa inexperiência canuca, uns vizinhos se apiedaram e convidaram o Gabriel pra acompanhá-los no Halloween dos filhos deles. Não tínhamos sacado o detalhe mais importante da noite das bruxas naquele país— já estava um frio dos demônios com possibilidade de nevasca. Os vizinhos sabiam das coisas e como iria nevar—e realmente nevou—eles levaram os meninos pra pedir balas de carro. Fantasia? Forget about it! Todas as crianças vestiam casacão, luvas, mittens, touca e cachecol por cima dos super-heróis, astronautas, princesas, bailarinas. Ninguém via nada. E saiam do carro, faziam o blinblon trick or treat na porta das casas decoradas com abóboras e corriam de volta para o carro. Foi assim o primeiro Halloween do meu filho.

Nos anos seguintes ele já estava mais experiente e tinha uma turma de amigos que fazia absolutamente tudo juntos. Mesmo se o tempo não ajudasse, eles saiam trick-or-treating à pé, usando a técnica da fronha de travesseiro. Eles levavam uma fronha, que enchiam de doces e faziam pit stops em casa para esvaziar e voltar para as ruas para pedir mais. O Gabriel acumulava uma verdadeira montanha de doces todo ano, que durava quase que até a primavera! Eu me resignava, apenas lembrando dos bons tempos, quando açúcar não fazia parte da dieta do meu filho. Ele e os amigos nem se preocupavam em se fantasiar, voltavam pra casa com as caras vermelhas, as pestanas cheias de gelo e um excitamento que só uma tonelada de açúcar pode provocar. Quando viemos pra Califórnia, onde o clima permite que as crianças se fantasiem e saiam pelas ruas pedindo doces sem perigo de congelar os ossos, o Gabriel já tinha perdido o interesse por essa maratona. Eu continuo firme, todo ano decoro a minha porta e dou docinhos pros visitantes. Não tenho pena mais das crianças, que aqui não ficam congeladas, mas ainda penso nos pobres canadensezinhos – será que vai nevar esta noite em Saskatoon?

um bolinho de chocolate para adoçar o dia

umbolinhodechocolate1.JPG
umbolinhodechocolate2.JPG

Muito obrigada à todos que deixaram recadinhos por aqui! Abri e li cada um com a alegria de quem abre um pequeno presente especial! Fiquei muito feliz!

Hoje, de idade nova, me sinto uma mulher cada vez mais realizada. Meu marido sempre vem com aquela pergunta de quem não sabe comprar presente—o que você quer de aniversário? E eu sempre respondo que não sei, porque eu tenho tudo o que eu quero. Não tenho wish list. Ele tem que se rebolar pra fazer coisas criativas. Neste ano acho que vou ganhar uma massagem/banho de lama em Calistoga. Não riam, eu até que achei legal a idéia dele.

Nossas comemorações de aniversários sempre envolvem um almoço ou um jantar num restaurante da preferência do aniversariante, e um bolo pós-rango. Minha escolha pra ontem seria uma bodega espanhola, mas eles não servem almoço no domingo, então fomos à um desses de cozinha californiana. Comemos muito bem, eu pedi uma salada niçoise de salmão e um flat bread com queijo, acompanhado de vinho branco. O pão nunca pode faltar!

Viemos pra casa, onde um bolinho que eu encomendei no Ciocolat nos aguardava. Bebemos chá, pois o tempo mudou radicalmente ontem, e entramos definitivamente no outono. Depois recebi visitas, que lembraram do meu dia e vieram tomar um vinho comigo. Falei com todos da minha família no Brasil, foi um aniversário típico. Eu pensei por muitos meses que deveria fazer uma festona, muita gente, muita comida, mas isso realmente não é o meu estilo. Eu não cozinho no meu aniversário, não lavo nem um copo, não faço nada, só aproveito o meu dia!

véspera da véspera

Porque eu sou uma desorganizada, tenho que me organizar o triplo. Mas não é só por isso, é também porque vou receber onze convivas e tenho que fazer tudo sozinha, das compras, às arrumações e preparaçãoes. Só depois da festa é que eu tenho ajuda na limpeza do meu super ocupado marido, que hoje está trabalhando e com certeza vai trabalhar amanhã até quando puder. Então estou me preparando para essa véspera de Natal há uma semana. Hoje estou fazendo algumas coisas que posso adiantar, como pastinhas e coisinhas para se comer enquanto se espera a ceia. Vou ter convidados brasileiros, americanos e noruegueses. Como no menu não vai ter batata – base de tudo para os noruegueses – desencalhei um arenque e uma truta defumada da despensa, que vou servir com pão de centeio alemão. Fiz a pastinha de aliche com salsinha que é um must nos meus natais italianos. Também temperei azeitonas e vou fazer uma invencionice com queijo cremoso mascarpone e nozes pecan. Cozinhei e descasquei as castanhas portuguesas, lavei tomilho que vai no recheio do peru [decidi pôr tomilho que ainda tenho fresco na minha horta]. Fiz também o cranberry sauce, que é um ítem do menu americano que eu adoro. Vou passar a tarde na cozinha, ouvindo jazz, dando risada com os gatos. Curto tanto os preparativos quanto a festa em si.