bananas flambadas ao rum

Minha inquilina passou o final de ano no Caribe e me trouxe de presente uma garrafa de rum e uma caixa de charutos feitos a mão na República Dominicana. Eu agradeci e pensei —o que vou fazer com isso? Os charutos eu ainda não sei, mas com o rum eu decidi fazer algumas comidinhas. A primeira delas veio rapidinho enquanto eu pesquisava receitas com a bebida.

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Bananas Flambadas ao rum
4 bananas maduras e firmes cortadas ao meio no sentido do comprimento
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
1/4 xícara de açúcar mascavo
1/2 xícara de rum escuro
Crème fraîche ou sour cream para acompanhar
Numa frigideira larga derreta a manteiga e o açúcar, mexendo bem. Adicione as bananas e frite dos dois lados. Vire com cuidado para elas não quebrarem.
Adicione a xícara de rum e flambe – muito cuidado nessa hora – até todo o álcool evaporar. Sirva imediatamente com uma colher de creme no topo.

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Leite Queimado

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Há dias de inverno em que até os ossos tremem. Sei lá por que, dá aquela friaca, um telecoteco físico, que só esquenta se você mergulhar o corpão num banho fervendo, ficar com os pés em cima do aquecedor ou tomar alguma coisa quente bem substanciosa. Meu reino por um sopão! Mas na hora do almoço não tinha sopão. Beber o que, então? Chá? Nãã… Chocolate? Nããã…

Lembrei do leite que minha mãe costumava fazer e que bebíamos nas noites geladas de inverno, quando anunciavam que ia ter geada e éramos obrigados a vestir o joguinho de camisola e calça de flanela, que minha mãe mandava fazer especialmente para essas noites—caso nos descobríssemos dos acolchoados de lã de carneiro ou de penas de ganso. Com a calça por baixo da camisola não corríamos o risco de pegar friagem nas pernas. Com as crianças, o seguro morria de velho!

Então nessas noites frias, minha mãe preparava o Leite Queimado, que nós bebíamos como se fosse um néctar. Ele servia também para abaixar febre, acalmar dores de garganta, tratava do frio e de qualquer eventual achaque piriritico de criança inventadora de moda. E como aquilo esquentava, mãe do céu! Eu, que sempre fui uma pessoa avessa aos apertamentos e confinamentos de qualquer espécie, já ficava toda incomodada com tanta roupa, puxava a calça de flanela com os pés e a deslizava para fora do acolchoado. Minha mãe enlouquecia com isso!

Hoje, me esquentei na hora do almoço com uma xícarazona do Leite Queimado, que sempre que acho que preciso, faço. E é a coisa mais simples e fácil.

Derreta duas [ou três, ou quatro—dependendo do tamanho da sua gana pelas cousas dolces] colheres de açúcar numa panela em fogo médio. Eu usei açúcar demerara, mas pode usar qualquer outro, branco, mascavo. Quando o açúcar estiver derretido, jogue uma xícara de leite e mexa bem, até todo o caramelo derreter novamente e se misturar no leite. Apague o fogo, transfira o Leite Queimado para uma xícara e beba imediatamente, sentindo o vapor do leite no rosto e queimando um pouco os beiços [faz parte!]. Depois me diga se não esquentou…

hot chocolate

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Quando li a Anna contando numa das passagen da sua viagem a Argentina, de como os argentinos colocam barras de chocolate no leite quente, fiquei passada! Como nunca pensei em fazer isso antes? Que idéia genial! Então arregacei as mangas e mandei bala. Sob os olhares desconfiados do Uriel, mergulhei no leite uns quadradinhos super finos de chocolate amargo da Lindt que tenho sempre guardados num vidro. Eles são pra aquele eventual “craving”, que raramente acontece. Gosto desses porque são fininhos e têm 70% de cacau. Pois coloquei três deles para cada xícara grande de leite bem quente. Não precisa colocar mais nada. Pro nosso gosto de açúcar ficou perfeito, já que não gostamos de nada doce demais. Mas pra quem é formiguinha, uma colher de mel faz o truque. Bom pra dias frios, ou não tão frios—qualquer dia!

amorous duo

Dando uma geral na minha cozinha outro dia, achei umas revistas Cooking Light, que eu não folheava há anos. Numa delas, de novembro de 1999, achei uma receitinha para uma sobemesa refrescante que fez a minha cabeça. É um sorvete, mas a receita é light. Pode ser adaptada para não ser, se esse for o gosto do freguês. É só trocar o low-fat frozen yogurt por um regular, ou um simples sorvete de baunilha.
3 colheres de sopa de xarope de romã
2 colheres de sopa de amaretto
1 xícara de low-fat frozen yogurt sabor baunilha
1/2 xícara de gelo picado – eu achei que isso deixou o sorvete muito líquido. fiz sem o gelo e achei que ficou melhor, mais consistente
Coloque todos os ingredientes no liquidificador e bata até ficar bem misturado. Serve duas porções. Também achei que bater no liquidificador foi uma tarefa árdua. Na segunda tentativa eliminei o gelo e somente misturei bem os ingredientes com um batedor, e ficou perfeito.

lei seca

Eu gosto de bebericar. Já fui exagerilda tomando porres inesquecíveis, caindo na sarjeta, perdendo a festa, abraçando a privada, chorando com a cara ramelenta, todo o currículo que muitos já viveram. Hoje eu sou bem cuidadosa, pois a última coisa que quero fazer na minha idade é dar bafão de bêbada no high society. Meu período mais seco foi durante os meus anos canadenses, e foi também quando tomei o maior porre da minha vida, daqueles inesquecíveis em todos os sentidos, tentando acompanhar uma alcólatra. Foram anos que eu usei pouquissima bebida na comida – coisa que eu ADORO e que sempre fiz. Nas terras canucks não se vende bebida no supermercado, na farmácia, na mercearia da esquina, como em todo lugar civilizado. Lá a bebida alcóolica é toda controlada pelo governo, que sobretaxa tudo e determina as licenças das liquor stores. Então você tem que comprar seu mézinho nas lojas do governo, onde tudo é super caro e super controlado. Comprando uma garrafa de brandy numa liquor store canadense você se sente um bandido. Mas isso não impede que todo mundo beba, caia de bêbado, morra de bêbado. Só que isso já é outra história….

A história de hoje, ou melhor, de ontem, é que nos perímetros da Universidade da Califórnia é proibido beber álcool. Nós que sempre levamos garrafas de vinho nos picnics no parque da cidade, tivemos que repensar o esquema. Nos parques teoricamente também não se pode beber, mas o povaréu leva vinho, taça de vidro, tudo chique e escancarado. Mas na UC Davis é diferente e eu cocei meu queixo. Mas como boa bebum meliante dei meu jeitinho. Invés de vinho levei uma garrafinha térmica com Pastis e gelo. Fomos nos servindo de Pastis e enchendo os copos com água, acho que ninguém percebeu a infração. Mas rolou aquela culpa, pois antes de começar eles agradeceram a nossa colaboração com a política de não-álcool da universidade. Contraventoras quase sem escrúpulos, nos continuamos sorvendo nosso Pastis. Assim o Jazz desceu muito mais suave.

a fada verde

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Um Absinto veio na mala de Paris até San Francisco. Adorei tanto que outro idêntico [e maior] foi comprado numa lojinha de bebidas aqui em Davis. Dia de folga, todos nós merecemos relaxar e se inspirar com a fadinha verde!
Ponha 1 dose de absinto no copo
Coloque um cubinho de açúcar na colher especial – com furos
Jogue 3 doses de água gelada através da colher e do açúcar
Mexa bem
Coloque uns cubinhos de gelo [meu gosto] e aproveite!
Tchintchin! Cheers! À La Votre

e pra beber, não vai nada?

Thai Milk Tea
Uma bebida muito na moda aqui é o Thai Tea. Pode-se até comprar pronto, em caixinha ou pozinho. Eu percebi o sabor especial dessa bebida logo no primeira gole – é a base de Chá Mate. Pois então, o fabuloso chá de erva mate não é nossa exclusividade. Como eu tenho uma caixa de Mate Leão, que trouxe do Brasil séculos atrás, resolvi fazer a bebidinha famosa em casa.
A receita:
3/4 de chá mate gelado [de preferência feito com a erva queimada e não com o pozinho artificial]
1/4 de leite integral [não usar leite desnatado que não fica tão bom]
açúcar
Bater no liquidificador até ficar cremoso, Servir num copão com gelo e canudinho.
Aqui eles colocam nesse drink uma porção de tapioca. É uma tapioca grande e de cor escura. Não sei se colocar tapioca normal dá no mesmo, mas essa tapioca dá um charme extra ao drink , que a gente bebe com um canudão largo.
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Ginger Ale
Eu adoro ginger ale. Essa bebida se tornou a substituta do Guaraná para mim. Outro dia eu tomei um ginger ale feito em casa, numa garrafinha tão charmosa, comprado numa lojinha natureba em Mendocino, que me lembrei que eu tinha uma receita que saiu numa revista Real Simple. Comprei gengibre e fiz.
A receita:
1 1/2 xícara de gengibre fresco em fatias [não precisa descascar]
1 1/2 xícara de açúcar
1/2 xícara de suco de limão fresco
1 1/2 garrafa [1 litro] de club soda ou seltzer gelada
Misture o gengibre, o açúcar e 1 1/2 xícaras de água numa panela de tamanho médio e leve ao fogo para ferver, mexendo para dissolver o açúcar. Abaixe o fogo e cozinha por uns 15 minutos ou até que ela fique com a consistencia de um xarope para panquecas [syrup]. Coe esse liquido e deixe esfriar em temperatura ambiente. Misture o suco de limão. Coloque duas colheres de sopa desse xarope num copo grande e encha com club soda. Misture gentilmente. Adicione gelo, mais club soda ou xarope, se necessário. Cheers!