geléia de limão rosa

Uma coisa é você crescer vendo todo mundo ao seu redor fazer algo na cozinha. Outra coisa é você tentar fazer algo sem nunca ter visto ninguém fazer. Minha amiga, uma budista nascida e criada numa fazenda no Idaho, me deu um vidro de geléia de limão feita por ela. Quando eu pedi a receita, ela disse, ah é muito fácil! É só cortar os limões, remover as sementes, deixar tudo misturado na geladeira de um dia pro outro, depois cozinhar até o termómetro chegar em 220ºF e tchan dan! Ela me mandou o link para uma receita similar, depois me trouxe o livro de onde ela tirou a receita que fez. Eu comprei uma versão pra mim, e como tinha uma sacola cheia de limões rosa doados por um colega, decidi que faria a marmalade. Não foi tão simples assim. Primeiro fiquei mais de 1 hora em pé na cozinha cortando os limões, separando as membranas e as sementes. Depois rodei  cidade debaixo de chuva pra achar um termômetro. Comprei um que não era o ideal. Daí inventei de fazer a geléia enquanto fazia o almoço de domingo. Cozinhar pode ser estressante se você não tiver certeza do que está fazendo. Como a minha amiga do Idaho, que cresceu vendo a mãe, a avó, as tias, as vizinhas fazendo geléia, eu cresci vendo a minha mãe fazer macarrão. Na massa de macarrão sou craque, porque sei todos os passos e como tudo deve se comportar.  Mas geléia, só mesmo aquelas improvisadas de cozinhar a banana ou o morango com qualquer quantidade de açúcar ou inventar moda. Nunca fiz nada do jeito certo, nunca fiz o processo de esterilizar e  vedar os vidros. Sei que tem uma técnica, só não sei qual é.  No domingo fiz malabarismos com várias tarefas, preparei o almoço, fiz macarrão. E fiz a geléia, que cozinhou, cozinhou e,  naquele minuto em que me distraí, passou do ponto. Achei que tinha dado tudo errado, chorei pitangas me achando um fracasso, reclamei muito, me dei chicotadas morais, mas quando fui olhar, tinha ficado mais ou menos como deveria ficar. A geléia ficou um pouco escura, queimou um pouco no fundo, cozinhou uns minutos além da conta, mas solidificou e até que ficou gostosa. Farei de novo? Sim. Mas desta vez, com a experiência de quem aprendeu algumas lições com os erros. A licão mais importante é que não se deve fazer geléia ao mesmo tempo em que prepara o frango, faz o molho de tomate, faz a massa pro macarrão, faz a salada, assobia e chupa cana.

Adaptado da receita de Meyer Lemon Marmalade do livro Food in Jars da Marisa McClellan. Essa receita é bacana porque usa a pectina natural do limão, contida nas membranas e sementes, para engrossar a geléia. E ela fica bem firme, parece até que se usou gelatina. E só tem realmente limão! Como toda marmalade, o resultado fica um pouquinho amarguinho. O limão rosa é muito mais acido que o meyer, mas eu mantive a mesma quantidade de açúcar. Achei que ficou perfeito.

1 e 1/2 quilos de limões orgânicos [*usei o limão rosa]
860 gr de açúcar

Lave bem os limões e seque. Com uma faca afiada corte as extremidades de cada limão. Corte ao meio e em gomos, remova a medula interna e as sementes e reserve numa tigela. Corte cada gomo de limão em fatias finas. Eu segui o conselho da minha amiga Amanda e coloquei os gomos com a lâmina de fatiar do processador de alimentos. Se quiser fatias maiores, faça a mão com a faca. Em uma tigela grande combine as fatias de limão e 400 gr de açúcar. Mexa bem. Faça um “pacote de pectina” usando um pedaço de gaze ou cheese cloth. Coloque no centro as membranas brancas, partes cortadas das pontas e as sementes que foram removidas dos limões. Amarre as pontas para fazer um saquinho. Adicione este pacote de pectina na tigela com as fatias de limão e o açúcar. Leve à geladeira por um período mínimo de 6 horas ou até 48 horas.

Remova a tigela da geladeira e coloque em uma panela grande, juntamente com o pacote de pectina. Adicione os 460 gr de açúcar restante e junte  1 litro de água.  Leve para ferver em fogo alto, mexendo sempre com uma espátula antiaderente. Deixe ferver por 30 a 50 minutos e use um termômetro para verificar quando a geléia atingir 220ºF/105ºC. Quando a geléia chegar a essa temperatura e se mantiver assim por um minuto, mesmo se for mexida, desligue o fogo. Coloque a geléia nos vidros, fazendo a esterilização de acordo. Eu não fiz. Usei algumas jarras Weck, que são boas pra manter conservas na geladeira, e congelei outros dois vidros. Da próxima vez vou tentar aprender a vedar os vidros da maneira certa. Será minha meta pra 2017!

Lisboa é um sonho

Não estava nos meus planos ir à Portugal, mas o que eu realmente tinha planejado não deu certo e acabei embarcando nos planos de outros. O convite do meu irmão para que eu me juntasse à viagem dele foi totalmente auspicioso. Foi delicioso rever a romântica Lisboa, com suas ladeiras de pedras e os prédios coloniais que me lembram tanto o Brasil. Fiquei apenas dois dias lá, o que realmente não deu pra muitas aventuras, mas deu para matar as saudades. Ficamos hospedados num flat muito bonitinho no Chiado. Caminhamos bastante, subindo e descendo ladeiras. Bebemos uns bons vinhos, comemos uns bons bacalhaus e eu pude rever queridas amigas de longa data, que se prontificaram a nos encontrar no sábado e passear com a brasileirada por toda a tarde. Ficamos sem palavras para agradecer toda a atenção e a gentileza das três queridas—Isabel, Suzana e Manuela, que nos levaram pra almoçar no Palácio do Chiado, nos mostraram outras partes de Lisboa, nos levaram para comer pasteis de nata na Manteigaria e depois de muito sobe e desce, uma paradinha para visitar o Convento dos Cardaes e depois tomar um café na linda praça Principe Real, que eu não conhecia. Partimos de Lisboa para Madrid no dia seguinte. Regressamos por uma noite no final da viagem, para pegarmos nossos aviões de volta pra casa, mas conseguimos fazer um belíssimo jantar no As Salgadeiras, um restaurante muito aconchegante no boêmio Bairro Alto. Foi uma pena o tempo ser tão curto para passear em Lisboa. Ficou a vontade de voltar!

as melhores festas

Nós nos conhecemos nesta festa e fizemos uma conexão imediata. Desde então as vizinhas que vivem a duas casas da nossa, na Elm Street, se tornaram nossas grandes amigas. Elas são um casal da nossa idade, uma americana e a outra espanhola, e são altamente simpáticas, calorosas e gregárias. Convidamos as duas para uma noite da pizza na nossa casa e um tempo depois elas nos convidaram para uma open house na casa delas, um pequeno chalé construído na década de 20. Achei que iria ser uma coisa mais intima, mas elas convidaram TODA a vizinhança. Fomos os primeiros a chegar e os últimos a sair. Nós adoramos vocês, elas nos diziam o tempo todo. Da minha cozinha posso ver as árvores de laranja delas, num quintal super fofo onde ficamos sentados papeando ou jogando ping-pong. Uma delas é enóloga e trabalha meio-periodo numa vinícola que faz vinhos muito bons aqui na nossa região. Obviamente que na festa delas tinha muito vinho gostosos e MUITA comida boa, tudo preparado por elas, Como o guacamole feito no pilão de pedra, a tortilla de batata e até fatias finíssimas de jamon iberico—bom, mas nada comparado com o fatiado na hora, esclareceu-nos a anfitriã. Comemos muito, conversamos muito, até em catalão, que eu consegui entender razoávelmente bem, rimos muito, foi um encontro extremamente auspicioso. Eu levei um bolo de aniversário, porque era o dia do Uriel. E outras vizinhas levaram sorvete de pêssego e creme feito em casa, com frutas locais. Gosto muito de todos os meus vizinhos, mas adoro essas vizinhas particularmente.

primeiro dia

No primeiro dia nós acordamos tarde e eu fiz café, tostei pão de queijo asiago e pimenta na frigideira. Estava frio, o Uriel lavou a louça e começamos a fazer o almoço. O Scott chegou ao meio dia com um carro esporte cor de laranja, eu coloquei o almoço na mesa e eles foram conversar com a vizinha. Nós almoçamos conversando em inglês e português, o vinho excepcionalmente não era californiano, porque achei um neozelandês com toques de grapefruit que combinou muito bem com o presunto assado. Acendemos a lareira, minha mãe tirou uma soneca na companhia do Roux, eu fiz coisas no laptop e tirei fotos. Fomos caminhar, estava muito frio, voltamos e fomos beber café mas eu escolhi tomar uma ginger beer. Compramos pão fresquinho, fizemos sanduíches com as sobras do presunto, todos quiseram uma xícara de chocolate quente, lavamos e guardamos a louça, abrimos o facetime e estamos na sala neste momento esperando para falar com o Gabriel, que está em Portland. Pretendemos dormir cedo.

[setembro] passou tão rápido

setembro no Brasil
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De repente me toco que este blog está quase virando um arquivo morto, um balaio de gato com coisas velhas, visitado apenas por paraquedistas dos mecanismos de buscas. Foi apenas um hiato ou é pra valer? Quero explicar que foi apenas um intervalo, causado por toneladas de trabalho e uma viagem ao Brasil. Fui, voltei e nem tive tempo de respirar pois mais trabalho me aguardava na volta. Minha visita foi, com sempre, rápida e intensa. Fui ver meus pais e passar um pouquinho de tempo com eles. Não fiz muitas coisas por lá, mas encontrei amigos e família, comi coisas gostosas e até vi televisão [pra matar o tempo durante a semana]. No meu último final de semana por lá fui pra São Paulo levando a minha mãe para assistir a palestra da Neide Rigo no evento do Paladar Cozinha do Brasil. Até pra ir lá foi tudo na correria, chegamos no local, batemos um rango rápido no mercado, entramos na palestra e tivemos que sair antes do término porque minha mãe precisava pegar o ônibus de volta pra Campinas. Mas foi muito legal poder participar de um evento grande, ver a Neide em ação e aprender um monte de coisas legais. E ainda tive a oportunidade de conhecer a simpaticíssima e fofa Maria Capai, autora do blog Diga Maria. Que pena que foi tudo tão rápido e não tive tempo pra bater mais papo e conhecer mais gente. Mas aproveitei muito meu último dia no Brasil na companhia das queridas amigas Roberta F, Maria Rê & Lilian T. Muito obrigada pela amizade, hospedagem, risadas e pelas comidas gostosas que dividimos. Até breve! Agora acho que finalmente regressei, né? E vamos em frente!

bolo de festa
[com vinho & azeite]

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Somente uma pessoa audaciosa [sem noção] e destemida [maluca] como eu poderia se aventurar a usar uma receita nova para fazer um bolo para servir num evento com montes de convidados. Minha amiga me pediu para fazer um bolo para uma festinha de despedida de uma outra amiga no trabalho. Eu aceitei e até tinha umas receitas em mente, mas desisti de todas assim que vi essa—um bolo com vinho, minha gentê! Tive muita confiança de que iria dar certo, pois receita publicada no Food 52 com certeza foi muito bem testada. Não vou negar que fiquei um pouco tensa, mas quando cortaram o bolo, as fatias foram desaparecendo como num filme acelerado e as pessoas começaram a vir falar comigo usando todos os superlativos para descrever aquela delicia de bolo, dei um suspiro de alivio. O bolo sumiu com tanta rapidez que fiquei até sem graça de me servir de uma fatia, porque achei que não ia dar pra todo mundo. Se deu ou não, eu não sei, mas provei uma garfada só para me certificar de que os elogios eram todos verdade. Eram. Que bolo gostoso! A massa fica bem úmida e a ideia de rechear com uma fruta delicada como a framboesa é muito auspiciosa. A autora diz que usa geléia pronta, mas eu fiz a minha com frutas frescas. Não ficou muito doce e achei perfeito. Pra cobertura resolvi trocar por essa com cream cheese, porque eu queria que o bolo fosse colorido. Usei um gel para colorir comida da cor vermelha, sem sabor. Usei um pingo e o tom ficou um rosa-coral. Minha intenção era decorar com framboesas frescas, mas minha amiga foi compra-las de última hora e só achou blueberries. No final achei que ficou um contraste mais bonito com as frutas azuis. Quero fazer esse bolo novamente, quando tiver outra oportunidade e então vou devorar uma fatia BEM GRANDE!

faça o bolo:
2 e 1/2 xícaras de farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
2 e 1/4 colheres de chá de fermento em pó
2 xícaras de açúcar
4 ovos caipiras
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 xícara de vinho branco
1 xícara de azeite de oliva

Preaqueça o forno a 350ºF/ 176ºC. Unte duas formas redondas com manteiga e polvilhe com farinha de trigo. Numa vasilha peneire a farinha, o sal e o fermento em pó. Reserve. Na batedeira coloque o açúcar e os ovos e bata por uns minutos até formar um creme. Lentamente, adicione a baunilha, o vinho e o azeite. Misture delicadamente os ingredientes secos e bata até ficar tudo bem incorporado. Despeje a massa nas formas preparadas, leve ao forno e asse por 25-30 minutos até que o bolo esteja totalmente cozido. Desenforme e deixe esfriar completamente sobre uma grade.

faça o recheio:
Numa panela robusta coloque 2 caixinhas de framboesas frescas lavadas e meia xícara de açúcar. Deixe cozinhar em fogo baixo até o açúcar dissolver e a fruta se despedaçar, virar um doce não muito firme. Não deixe muito aguado, nem muito seco. Desligue o fogo, deixe esfriar completamente e reserve.

faça a cobertura:
1 tablete de cream cheese [8oz/225g] em temperature ambiente
8 coheres de sopa de manteiga sem sal em temperature ambiente
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1 colher de chá de extrato puro de baunilha

Numa vasilha coloque o cream cheese e amass gem com uma espátula. Adicione a manteiga em pedacinhos e continue amassando. Adicione o açúcar e mexa bem até formar um creme bem liso. Adicione a baunilha e se quiser colorir como eu fiz, adicione com cuidado uma gota de tinta própria para comida da cor vermelha. Misture bem e use.

monte o bolo:
Cubra um prato com papel vegetal. Coloque um bolo sobre o papel e espalhe o recheio de framboesa. Coloque o outro bolo por cima. Espalhe a cobertura por cima e nos lados do bolo e alise usando uma espátula de metal. Guarde na geladeira. Na hora de servir transfira o bolo para um outro prato ou cake stand levantando pelo papel. Com uma tesoura corte o papel em volta. Decore com framboesas frescas, ou blueberries, ou outras frutas. Sirva.