pudim inglês
com castanha & chocolate

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Me senti um pouco insegura ao preparar esta receita para a sobremesa de Natal por causa dos passos de cozinhar na água com a forma tampada e eteceterá, mas no final percebi que não era um bicho de sete cabeças. E o pudim cozinha direitinho, fica delicioso. Eu tinha um punhado de castanhas portuguesas locais e fresquinhas que comprei no Farmers Market, por isso optei por testar esse pudim inglês. Foi uma escolha muito auspiciosa.
200 gr de manteiga amolecida
200 gr de açúcar
4 ovos batidos
[certifique-se que os ovos estejam em temperatura ambiente]
200 gr de farinha de trigo self-raising
[se não tiver, adicione 1 colher de sopa de fermento em pó na farinha]
150 gr de chocolate meio amargo picado
[*usei o Scharffen Berger com 90% cacau]
150 gr de castanhas portuguesa cozidas e descascadas
8 colheres de sopa de mel
Manteiga para untar a forma
Custard, creme de leite fresco batido ou crème fraîche para servir
Na batedeira, bata a manteiga e o açúcar até formar um creme fofo. Devagar adicione os ovos batidos. Adicione a farinha gentilmente, misture bem e com uma espátula misture o chocolate picado.
Unte uma forma grande [ou oito forminhas] com manteiga. Cloque as castanhas picadas no fundo da forma, adicione o mel por cima das castanhas. Então adicione a massa com chocolate.
Corte um círculo de papel vegetal do tamanho da forma e cubra bem a superficie do pudim com esse círculo. Cubra toda a forma com papel alumínio—se tiver o heavy duty, melhor. Amarre bem com um barbante em volta da forma. [*eu não fiz isso, porque usei o alumínio grosso e dobrei bem firme nas extremidades].
Coloque a forma [ou forminhas] numa panela grande com tampa e cubra até a metade da panela com água fervendo. Tampe a panela, abaixe o fogo e cozinhe por 1 hora para a forma grande ou 40 minutos para as forminhas pequenas. Se a água abaixar muito, adicione mais durante o processo.
Remova a forma da panela, retire o papel aluminio e o papel vegetal, deixe esfriar um pouco e vire com cuidado numa travessa. Sirva com um custard [que pode ser batizado com rum ou cognac], creme de leite fresco batido ou crème fraîche. Eu servi com o crème fraîche.

um ano novinho!

feliz 2011! feliz 2011!
feliz 2011! feliz 2011!
feliz 2011! feliz 2011!
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O Uriel ainda está rolando de rir e tirando uma onda da minha cara por causa do título do último post—foi tudo bem simples. Segundo ele, um jantar que levou dez horas pra ficar pronto não pode ser chamado de simples. Mas eu insisto que foi. E por ter cozinhado tanto no Natal, passei o Ano Novo sem nem chegar próxima de uma panela. Entrei em férias, fiz compras, viajamos prá lá e prá cá pelo sul da Bay Area, fiz uma limpeza revolução pela casa, doei caixas e caixas, sacolas e sacolas, muita coisa que não usava mais. Até pendurei uns quadros, que estavam no chão, apenas encostados na parede, há muito tempo. Passamos o Ano Novo em Monterey. Jantamos uma comida deliciosa num restaurante em Carmel, voltamos para o hotel onde passamos a meia-noite dançando rock ‘n roll numa festa. Dormimos muito e depois de conversar com a família saímos pela estrada. Meu irmão chegou no segundo dia do ano, que foi quando eu e o Uriel comemoramos 29 anos de casados. Conversamos, comemos, bebemos, fizemos muitos planos para este ano que promete ser muito bacana e diferente. Ah, e pela primeira vez na vida eu fiz luzes no cabelo. Estou realmente me abrindo para muitas mudanças!
✳✴ Feliz Ano Novo! ✴✳

foi tudo bem simples

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Eu cozinhei o dia inteiro, porque não tenho, não tive ajuda. Pela manhã o pessoal da limpeza chegou e me pegou descascando as castanhas portuguesas. A visita deles era imprescindível e foi muito aguardada. Casa limpa para mim é essencial. Mas na cozinha fiquei mesmo sozinha. E fui devagar fazendo as receitinhas—marinei uma costela de cabra num molho de vinho, alho, limão e ervas que depois foi assada coberta com papel alumínio por quatro horas, fiz um pudim inglês de castanhas portuguesas e chocolate e um bolo de gengibre*, depois preparei tâmaras recheadas com queijo de cabra e amêndoa [reprise de outros carnavais], fiz uma bandeja com queijinhos, torradinhas, azeitonas castelvetrano e chips de maça, assei beterrabas vermelhas e amarelas para fazer uma saladona temperada com óleo de nozes, cozinhei com ervas o flageolet, o feijão verde francês que combina muito bem com carnes fortes como a de carneiro ou cabra, preparei um pesto de cranberry e pistachos para fazer com a couve de bruxelas, também preparei cranberry sauce e uma saladona com alface romana, laranja, maça e raiz de salsão. Bebemos cava com os antepastos e um vinho chileno especial que ganhamos de presente de uma amiga com a refeição. Foi tudo bem simples, mas muito gostoso na nossa pequena ceia de natal, cujas sobras viraram almoço no dia seguinte. *receitas das sobremesas virão logo a seguir.

fa la la la la—la la la la

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E o ano voou, não voou? Já estamos à poucos dias do Natal, com todo aquele burburinho, o compra-compra enlouquecido, embrulhação de presentes, listagem infinita de possíveis receitas para a ceia, férias escolares, aeroportos congestionados, tempestades de neve no hemisfério norte, calorão e chuvarada de verão no hemisfério sul, realmente nada de novo no front. Nesta mesma época no ano passado eu estava enfrentando o frio miserável em Londres para passar o Natal com a parte da minha família que mora lá. Neste Natal não nos movimentaremos muito. Eu estou totalmente dominada por uma vibe de arrumação, mudança e limpeza. Acredito piamente que o acúmulo de coisas velhas e sem uso não faz muito bem para o fluxo natural das energias cósmicas. Então passei dias colocando ordem pelos armários, gavetas e cômodos da casa. Ainda estou surfando essa onda, pois prometi pra mim mesma que vou tentar ser mais organizada e que vou tentar ao máximo facilitar o meu trabalho dentro da cozinha. Começando por dar mais acessíbilidade aos pratos, copos, talheres, panelas, travessas e outros zilhões de utilitários que se empilhavam caoticamente na minha cozinha..
Tirei meu baú de enfeites de Natal do armário e neste ano decidi fazer a decoração um pouco diferente. Enchi as meias penduradas na lareira com gostosuras, coloquei um enfeite minimalista ali, outro acolá e pronto. A grande mudança foi que resolvi montar a árvore de Natal na cozinha. Nossa árvore é clássica, artificial, bem pequena e simples e está agora posicionada em frente da janela, iluminando a entrada e facilitando a chegada do espírito das festividades, que por aqui sempre demora um pouco pra aparecer. Gostei imensamente dessa alteração da perspectiva da árvore e de tê-la presente no ambiente onde gasto mais tempo, adornando o espaço da cozinha com suas luzes, os micro papai-noelzinhos, as bolas feitas de chocolate e a guirlanda de guisos.
Não costumo prometer ou me compremeter com resoluções e decisões de final de ano. Sou mais o tipo de tomar decisões inesperadamente, de último minuto e fazer tudo como me der na telha. Mas tudo indica que terei que me organizar um pouco mais para não ser atropelada por 2011, que será um ano que promete!
2010 foi um ano bem devagar por aqui, tanto na vida quanto no blog. Penso muito sobre o futuro deste meu espaço virtual que é tão especial pra mim. Não gostaria de ver o Chucrute com Salsicha acabar indexado apenas como mais um blog de receitas. Gostaria mesmo era poder sempre oferecer uma experiência bacana, divertida e até inesperada para todos os que passam diariamente ou vez em quando por aqui. Mais ou menos como a experiência de passar pela rua e ver pela janela daquela casinha toda pintada de azul clarinho, uma árvore de natal toda piscante e iluminada na cozinha.
✴✳ Feliz Natal! ✳✴

gelado de blueberry & maple

Numa tarde de domingo muito fria num inverno passado, entramos numa dessas notórias lojas de sorvete de iogurte onde você se serve com os sabores e toppings que gelado-blueb-maplequiser, pesa e paga. Sentadas ao lado da nossa mesa, estavam uma mãe com a filhinha, que devorava o iogurte com imensa sofreguidão. A menina era tão fofinha, que foi difícil não reparar nela. Ela fazia caras e bocas que denunciavam uma intensa alegria por estar ali, devorando aquela maravilha cremosa. Num certo ponto, entre uma colherada e outra do gelado, ela olhou pra mãe e afirmou com grande ênfase—lugares como este NUNCA vão fechar, porque isso é TÃO bom! A gurizinha falou a mais pura verdade. Sorvete, de qualquer jeito, é muito bom! No frio ou no calor, tanto faz, o que importa é a gostosura. E o povo aqui no hemisfério norte parece concordar, porque esses lugares nunca fecham, apenas abrem. Cada dia tem um novo, em algum canto da cidade.

E eu tenho tido muitas ganas de sorvete. Neste caso prefiro fazer o meu em casa. Depois que experimentei usar a fruta cozida para preparar um gelado, decidi que iria repetir a dose. Desta vez usei um pacote de blueberries selvagens e orgânicas que estavam congeladas.

300 gr de blueberries congeladas [*usei selvagens e orgânicas]
1/3 xícara de maple syrup puro
1 xícara de creme de leite fresco [*uso sempre o orgânico]

Cozinhe as blueberries com o maple syrup até a fruta ficar bem cozida e formar uma calda grossa. Deixe esfriar bem. Numa vasilha misture o doce de blueberries com o creme de leite e mexa bem com um batedor de arame. Eu preferi fazer assim para manter as frutinhas inteiras na massa do sorvete. Mas pode-se bater tudo no liquidificador para uma textura mais uniforme. Adicione uma colher de sopa de vodka ou outro licor [*usei o créme de cassis francês]. Coloque a mistura na sorveteira e deixe a máquina fazer o trabalho. Ou use o método do congelador-remove e bate-congelador-remove e bate, até obter uma massa cremosa.

um chucrute de meia-tigela

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Muita gente me pergunta se chucrute é uma comida da minha infância. Até o jornal Sacramento Bee, quando fez uma reportagem sobre os blogueiros locais anos atrás, teve a petulância de publicar que o chucrute era um prato especial que a minha mãe preparava. Minha mãe NUNCA fez chucrute. Essa é a graça da famosa receita que acabou virando uma história divertida de família e no final batizou este blog. Na verdade, foram raras as vezes que comi chucrute. E todas elas, que me lembro, foi sempre o chucrute feito à moda da Maria José—comprado pronto. E isso porque meu marido curte essa iguaria, pois se dependesse somente de mim chucrute nunca entraria de livre-arbítrio na minha lista de compras.
Fazer chucrute em casa então, era uma sugestão digna de ser retrucada com uma altíssima gargalhada. Mas ora bolas, quanto preconceito da minha parte. Fazer chucrute pode parecer uma tarefa para monges tibetanos, mas hoje vejo que nem é tanto assim. E existem muitos atalhos, muitas maneiras de driblar o processo de fermentação, a espera. E repolho, mes amis, é apenas repolho.
Com tantas imitações ostensíveis de chucrute manifestando-se por ali, aqui e acolá, o que realmente me prevenia de se jogar nessa aventura? Nada!
Comprei umas bistecas de porco defumadas de um fazendeiro no Farmers Market. Ele já me explicou como os porquinhos dele são criados, como são tratados e como são alimentados, o que me deu coragem pra comer carne de porco com um pouco mais de frequência. Fazia muitos anos que não comíamos essas bistecas. Elas são super saborosas e bem práticas, pois só precisam de uma passada na grelha ou uns minutos no forno. Essas fiz numa skillet grill, que só precisou de uma leve untada de azeite e a carne ficou com essas marquinhas fotogênicas. Pra acompanhar as bistecas cozinhei umas maçãs cortadas em quatro com um pouco de geléia de gengibre e um pingo de água, até as maçãs ficarem bem molinhas. E fiz também o arremedo de chucrute.
Achei a receita na aplicação para iPhone do Big Oven. Obviamente que tinha alguém no espaço para comentários chutando as latas e dizendo que aquilo não era chucrute coisa nenhuma, que chucrute precisa fermentar, eteceterá eteceterá, mas eu me fiz de tonta e fui em frente. E no final até o meu marido, apreciador do verdadeiro chucrute, comeu e gostou. E eu, nem vou mentir, também gostei.
1 repolho cortado em fatias finas
2 xícaras de vinagre de vinho tinto
1 xícara de água
1/4 xícara de azeite
1/4 xícara de açúcar
1 colher de chá de sementes de mostarda
1 colher de chá de juniper berry
Sal e pimenta do reino moída a gosto
Numa panela robusta misture o vinho, água, azeite, mostarda, juniper berries, açúcar e leve ao fogo. Quando ferver adicione o repolho cortado e misture bem. Deixe cozinhar em fogo baixo por bastante tempo, até todo o liquido quase secar. Tempere com sal e pimenta do reino moída e sirva.

torta de marmelo
[com maple & amêndoa]

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Comprei os marmelos da cunhada da Deborah Madison e ela, que já me conhece de outros carnavais, perguntou—o que você vai fazer com eles? Respondi que não sabia, mas na verdade eu já tinha essa receita de quince biscuit pie guardada e esperando a sua vez de aparecer e brilhar sob os holofotes.
Marmelos são simplesmente deliciosos. Troco dez goiabas por um marmelo. O único problema é que eles não são comestíveis crus e dão um trabalho razoável pra se descascar e remover o centro fibroso com as sementes. Mas felizmente eu tenho um ajudante com muito muque, daqueles acostumado a apertar e desapertar parafusão de maquinaria agrícola. Ponho uma faquinha afiada nas mãos dele e esmiuço as instruções verbalmente—remove todo o centro, corta em quatro, ou melhor, corta em oito. E voalá, em tempo recorde tenho meus marmelos prontos para irem pra panela.
Essa receita precisa ser um pouco planejada, porque além dos descascamentos, os marmelos precisam virar um doce antes de virar torta. Eu fiz em duas etapas, primeiro o doce e no dia seguinte a torta. Quanto mais cozinhar o marmelo, mais cor de rosa escuro ele vai ficar. A cor dessa fruta cozida é simplesmente linda!
para o recheio
5 xícaras de água
1 xícara de maple syrup puro
3/4 xícara de açúcar
5 marmelos descascados, sem sementes e cortados em 4
1 fava de baunilha cortada ao meio e as sementes raspadas com uma faca
2 colheres de chá de maizena
para a massa
1 e 3/4 xícara de farinha de trigo
1/3 xícara de cornmeal
1/3 xícara de açúcar
2 colheres de chá de fermento em pó
Pitada de sal
12 colheres [170 gr] de manteiga sem sal gelada cortada em cubos
1 xícara de creme de leite fresco
3 colheres de sopa de amêndoas em fatias
para o creme de maple [*eu não fiz]
1 xícara de creme de leite fresco gelado
1/4 xícara de maple syrup puro
Numa panela grande, coloque a água, maple syrup, açúcar, marmelos e a fava e as sementes da baunilha e leve ao fogo médio. Deixe ferver, abaixe o fogo, cubra com a tampa, deixando um espacinho aberto e deixe cozinhar por pelo menos 2 horas. Remova as favas de baunilha [e guarde, deixando secar e use para aromatizar açúcar].
Pré-aqueça o forno em 375° F/ 190ºC. Numa vasilha peneire a farinha, cornmeal, fermento e o sal. Passe essa mistura pela peneira mais uma vez. Junte os cubinhos gelados de manteiga e misture apertando com os dedos, até formar uma farofa grossa. Faça um buraco no centro e jogue o creme de leite. Misture bem.
Remova o marmelo cozido da panela usando uma escumadeira. Se sobrar liquido do cozimento, guarde para beber com iogurte. Misture a maizena nos marmelos cozidos e coloque tudo num refratário de 22 cm de diâmetro. Coloque colheradas da massa por cima, deixando um espaço no centro. Salpique com as fatias de amêndoa e leve ao forno por 50 minutos. Espere esfriar totalmente e sirva.
Para fazer o creme de maple, bata o creme de leite até formar picos médios. Junte o maple syrup, misture e sirva.