o impecável Chez Panisse

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Seguimos por um caminho diferente, um pouco mais longo e tortuoso, mas a estrada estava tranquila e chegamos em Berkeley com tanto tempo sobrando que conseguimos estacionar com calma e ainda passar no The Cheeseboard e comprar uns brioches. Entramos no primeiro piso do prédio onde fica o Chez Panisse e a primeira coisa que se vê é o movimento na cozinha do restaurante, onde os chefs e auxiliares preparavam o jantar que seria servido à noite. Nosso almoço era no café, então prosseguimos pela estreita escada que leva até o andar superior. Estava um dia tipico de inverno, frio, nublado e chuvisquento—basicamente desconfortável. E já estávamos com fome, o que só adicionava mais desconforto ao desconforto. Mas pisar no espaço mistico do Chez Panisse muda tudo. O restaurante tem uma atmosfera tão deliciosa, que é impossível não se sentir a vontade e feliz lá dentro.
Mesmo tendo chegado um pouco adiantados, já fomos levados até a nossa mesa—um booth extremamente confortável localizado bem em frente da cozinha aberta e do forno de pizza. Foi tão bom sentar ali, num ambiente super quentinho, aconchegante e convidativo. Pedimos vinho, um Zin do Alexander Valley, água com gás e azeitonas, que já fomos devorando junto com o pão com manteiga. Depois pedimos nossas entradas, eu uma brandade de bacalhau numa fatia de pão tostada no forno a lenha e acompanhada de uma saladinha de rabanete, erva-doce e chervil. Meu irmão Carlos e o meu filho Gabriel comeram carpaccio que até eu, a chatoronga que não come nenhuma carne crua, experimentei. Depois eu e o Carlos comemos uns pacotinhos de linguiça envolta em repolho, acompanhados de lentilha com chaterelle e fitas finérrimas de batata frita. O Gabriel comeu frango com radicchio e purê de abóbora. Nossa sobremesa foi sherbet de grapefuit e bolo de chocolate. Esses eram alguns dos pratos do dia, daquela terça-feira, onze de janeiro. Tudo preparado com produtos locais e sazonais de excelente qualidade, a marca registrada do Chez Panisse. Tudo absolutamente simples e incrivelmente saboroso. Durante todo o almoço nossas caras demonstravam uma imensa alegria e satisfação. Não sei quantos hmmms pronunciamos, neste almoço memorável que fizemos em família, para celebrar as possibilidades de um ano realmente promissor.

Lá da Venda

Lá da Venda
Lá da Venda
Lá da Venda Lá da Venda
Lá da Venda Lá da Venda
Lá da Venda
Lá da Venda Lá da Venda
Lá da Venda
Lá da Venda Lá da Venda
Lá da Venda
Lá da Venda Lá da Venda
Lá da Venda
Lá da Venda

Ainda queria escrever sobre dois lugares bacanas que conheci quando estive no Brasil em outubro e um deles é o Lá da Venda da chefe Heloisa Bacellar. Já tinha lido tanto sobre esse lugar e me senti realmente feliz por ter conseguido dar um pulinho lá e provar a comidinha super deliciosa e brejeira que é servida no restaurante. O espaço tenta reproduzir a atmosfera de uma vendinha antiga, cheia de badulaques para vender. Me falaram que o pão de queijo deles é o melhor que existe—feito com queijo da Serra da Canastra. Mas infelizmente não provei. Comi os pasteizinhos caipiras feitos com massa de milho e bebi a nostalgica Tubaína. Também provei a picanha com purê de banana da terra, simplesmente deliciosa e depois duas bolotas de sorvete de pintanga. Tudo estava uma delícia e o ambiente é acolhedor, mas o mais gostoso mesmo foi ter dividido a minha mesa com duas queridas—minhas amigas Roberta Fabbri e Maria Rê. E ainda de lambuja conheci a Heloisa Bacellar, cuja simpatia foi capaz de desarmar minha horrível timidez e me fazer pedir pra sair numa foto com ela. [olha lá—XIS—click!]

Miss Lulu Bett

Miss Lulu Bett
Miss Lulu Bett
Miss Lulu Bett Miss Lulu Bett
Miss Lulu Bett
Miss Lulu Bett Miss Lulu Bett
Miss Lulu Bett
Miss Lulu Bett Miss Lulu Bett
Miss Lulu Bett
Miss Lulu Bett Miss Lulu Bett
Miss Lulu Bett
Miss Lulu Bett Miss Lulu Bett

Eu não me considero uma cinéfila, porque não sou uma pessoa por dentro de todos os filmes lançados, não sei detalhes sobre quem dirigiu, cenografou, fotografou ou roteirizou. Sou apenas uma aficcionada por filmes antigos. Minha preferência é a década de trinta, mas vejo absolutamente tudo que caí nas minhas mãos ou aparece na programação do meu canal de tevê favorito—o TCM. Este filme mudo de 1921 eu peguei em DVD, durante a minha fase obsessiva em que busquei ver todos os filmes protagonizados pela diva Gloria Swanson. Miss Lulu Bett, dirigido por William C. de Mille [irmão do Cecil B. de Mille] veio extra, no lado B e foi pura diversão.
Lulu Bett é uma solteirona vivendo de favor na casa da irmã, onde é feita de servente, cozinhando, limpando e cuidando de tudo. Ela não consegue casar porque não tem um dote e por isso tem que aturar a tirania do cunhado e ser escravizada dentro da cozinha. No meio do filme ela casa com o irmão do cunhado e vai ter sua própria casa, até descobrir que o casamento era uma fraude e ser obrigada a voltar para a casa da irmã e para a labuta da cozinha, que ficou abandonada com pilhas e pilhas de louça suja acumulada. Mas a partir dalí tudo vai ser diferente, não vou contar os detalhes, mas o final será feliz!
O filme inteiro gira em torno de Lulu na cozinha, servindo a mesa, fazendo comidinhas para uma festa e até indo a um restaurante, com a irmã, cunhado e o pretendente canastrão. Pra mim o mais legal é poder observar os detalhes da cozinha, da sala de jantar, de como preparar uma refeição era um negócio extremamente trabalhoso. O filme mostra com primor todos os detalhes do fogão, da mesa, louça, talheres. Fez a minha alegria numa noite de domingo. Sem falar que a história é realmente interessante e divertida. Se você curtir filmes antigos como eu, assista!

[arroz doce]

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Essa foi a última invencionice que pratiquei no auspicioso ano de 2010. Enquanto fazia aquela arrumação-revolução que já contei que fiz, preparei uma panela de arroz doce. Os ingredientes que usei sairam um pouco do padrão dos usados nas receitas mais comuns dessa iguaria. Mas o resultado agradou muito.
Numa panela robusta coloque:
1 litro de leite de cabra
1 xícara de arroz sweet/mochi
1 fava de baunilha cortada no comprimento e as sementes raspadas com a ponta de uma faca—coloque tudo na panela
1/2 xícara de maple syrup [ou mais se quiser mais doce]
Leve a panela com os ingredientes ao fogo médio e deixe ferver. Abaixe o fogo para o mínimo, tampe a panela, deixando um espacinho aberto, e cozinhe até secar quase todo o liquido e formar um creme. Deixe esfriar e sirva morno ou frio.

bolo de gengibre
[cristalizado]

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A outra sobremesa que fiz no Natal entrou na lista por causa de um pacote de gengibre cristalizado que eu queria usar. E também pelo fato do gengibre ser simplesmente a nossa paixão. Receitas de bolos de gengibre abundam e eu mesma já publiquei esta e esta. No entanto essa nova versão me inspirou, pois além de usar o gengibre cristalizado na massa e na decoração, usava também o gengibre fresco, numa cobertura à base de cream cheese. Ficou outstanding!
bolo de gengibre
1 tablete [113 gr ou 1/2 xícara] de manteiga sem sal
2 colheres de sopa de açúcar mascavo escuro
1 ovo grande
1 xícara de melado
1 xícara de cerveja escura
2 1/4 xícara de farinha de trigo
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 1/2 tcolher de chá de cravo em pó
1 colher de chá de canela em pó
1 pitada de sal
1/2 xícara de gengibre cristalizado cortado em pedacinhos
Pré-aqueça o forno em 350ºF / 176ºC com a grade no centro. Unte uma forma com manteiga ou óleo vegetal.
Numa batedeira em velocidade média bata a manteiga até ela ficar cremosa, adicione o açúcar mascavo e continue batendo. Adicione o ovo, o melado e a cerveja. Bata bem por uns 2 minutos.
Numa vasilha separada misture a farinha, bicarbonato, cravo e canela em pó e sal. Adicione essa mistura seca à mistura de manteiga aos poucos, vá batendo a cada adição. Usando uma espátula adicione o gengibre cristalizado
Coloque a massa na forma untada e leve ao forno por 40 ou 50 minutos. Remova do forno, deixe esfriar e coloque o bolo numa travessa. Cubra com a cobertura de cream cheese e gengibre.
cobertura de cream cheese e gengibre
85 gr [3 ounces] de cream cheese em temperatura ambiente
1/4 xícara de manteiga sem sal e em temperatura ambiente
1 colher de chá de extrato puro de baunilha
2 xícaras de açúcar de confeiteiro
1/2 colher de chá de gengibre fresco ralado
[*coloquei um pouco mais porque gostamos mais picante]
Na batedeira bata o cream cheese, a manteiga e a baunilha em velocidade média. Adicione gradualmente o açúcar de confeiteiro, depois o gengibre e bata até obter um creme bem liso. Cubra o bolo com esse creme e decore com pedacinhos de gengibre cristalizado.

pudim inglês
com castanha & chocolate

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Me senti um pouco insegura ao preparar esta receita para a sobremesa de Natal por causa dos passos de cozinhar na água com a forma tampada e eteceterá, mas no final percebi que não era um bicho de sete cabeças. E o pudim cozinha direitinho, fica delicioso. Eu tinha um punhado de castanhas portuguesas locais e fresquinhas que comprei no Farmers Market, por isso optei por testar esse pudim inglês. Foi uma escolha muito auspiciosa.
200 gr de manteiga amolecida
200 gr de açúcar
4 ovos batidos
[certifique-se que os ovos estejam em temperatura ambiente]
200 gr de farinha de trigo self-raising
[se não tiver, adicione 1 colher de sopa de fermento em pó na farinha]
150 gr de chocolate meio amargo picado
[*usei o Scharffen Berger com 90% cacau]
150 gr de castanhas portuguesa cozidas e descascadas
8 colheres de sopa de mel
Manteiga para untar a forma
Custard, creme de leite fresco batido ou crème fraîche para servir
Na batedeira, bata a manteiga e o açúcar até formar um creme fofo. Devagar adicione os ovos batidos. Adicione a farinha gentilmente, misture bem e com uma espátula misture o chocolate picado.
Unte uma forma grande [ou oito forminhas] com manteiga. Cloque as castanhas picadas no fundo da forma, adicione o mel por cima das castanhas. Então adicione a massa com chocolate.
Corte um círculo de papel vegetal do tamanho da forma e cubra bem a superficie do pudim com esse círculo. Cubra toda a forma com papel alumínio—se tiver o heavy duty, melhor. Amarre bem com um barbante em volta da forma. [*eu não fiz isso, porque usei o alumínio grosso e dobrei bem firme nas extremidades].
Coloque a forma [ou forminhas] numa panela grande com tampa e cubra até a metade da panela com água fervendo. Tampe a panela, abaixe o fogo e cozinhe por 1 hora para a forma grande ou 40 minutos para as forminhas pequenas. Se a água abaixar muito, adicione mais durante o processo.
Remova a forma da panela, retire o papel aluminio e o papel vegetal, deixe esfriar um pouco e vire com cuidado numa travessa. Sirva com um custard [que pode ser batizado com rum ou cognac], creme de leite fresco batido ou crème fraîche. Eu servi com o crème fraîche.