pasta de berinjela [assada]

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Fiz essa pasta de berinjela inúmeras vezes. Fica uma delícia, pra comer com pão árabe torradinho, chips naturebas, torradas, bolachinhas, o que você quiser. Já fiz grelhando as berinjelas na churrasqueira e no forno. Das duas maneiras dá certo e fica ótimo. Acho que na churrasqueira o processo é mais rápido e deixa a polpa da berinjela com um sabor mais intenso, mais defumado, Mas fazendo no forno também dá certo.
Normalmente uso de 2 a 3 berinjelas. Mas pode-se fazer mais, pois essa pasta se conserva muito bem e por muitos dias na geladeira. Você pode variar as ervinhas e adicionar ou não as frutinhas secas.

2 ou 3 berinjelas médias
1 colher de sopa de tahine [pasta de gergelim]
Suco e raspas de meio limão
Azeite a gosto
Sal a gosto
Uma pitada de pimenta vermelha
Ervinhas frescas picadas a gosto
[*já fiz com salsinha, ciboulettes e até coentro]
Um punhadinho de berberis secas [zereshk]

Coloque as berinjelas lavadas e inteiras no forno [ou na churrasqueira] pré-aquecido em 400ºF/ 205ºC e asse, virando as berinjelas durante o processo, até que a casca fique bem tostada e escura. Remova do forno, deixe esfriar e remova toda a casca das berinjelas. Você pode fazer isso com bastante antecedência, até dias antes, e guardar a polpa assada numa vasilha com tampa na geladeira.

Para preparar a pasta, amasse bem a polpa da berinjela assada com um garfo, tempere com o limão, tahine, azeite, sal e pimenta. Junte as frutinhas secas e as ervinhas picadas. Guarde na geladeira até a hora de servir. Se quiser, pode decorar com sementes frescas de romã.

é sempre bom agradecer

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Em exatamente uma semana teremos as celebrações do Thanksgiving por aqui. Esse é, sem a menor dúvida, o meu feriado favorito no ano. Troco dez Natais por um Thanksgiving. E vou dizer porque. É que me sinto uma privilegiada por tudo o que tenho, nem preciso listar aqui, mas garanto que é muito. E por isso acho super importante esse negócio de agradecer. Nem precisa ser nada formal, um pensamento apenas basta—putzgrila, muito obrigada por tudo!

Neste ano não vai ter nada de especial. Nem mesmo o infalível peru. Decidi que não quero lidar com sobras, portanto vou assar um frango caipira, que abocanhei outro dia no Co-op e que guardei no congelador para esperar uma ocasião especial. Nosso esquema de Thanksgiving mudou um pouco, depois de quase dez anos de celebrações realizadas na casa da ex-sogra do Gabriel. Com ela aprendi muitas maneiras de apreciar essa festividade.

O Thanksgiving pra mim tem a cara do outono, que aqui é demorado, lindo e está no seu ápice no final de novembro. Nessa época estamos inundados pelas mais lindas cores de amarelo, vermelho e dourado. E apesar de já estar frio, ainda não está aquele cinza úmido miserável do inverno. É um momento realmente especial e muito auspicioso, que junta uma tradição culinária, com uma reunião de família. Comidas gostosas, calor humano. O dia de dizer obrigado está chegando e apesar de ainda não ter muitos planos esquematizados, eu já estou entrando no clima de antecipação e animação.

gelatina de maracujá

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De repente deu vontade de comer uma sobremesa refrescante e cremosa, então coloquei o agar-agar em ação. Adoro esse ingrediente, porque ele transforma qualquer suquinho/leitinho/liquidozinho numa gostosura comestível em menos de trinta minutos. Para fazer essa gelatina, medi mais ou menos 2/3 de xícara de suco concentrado de maracujá e completei com néctar de agave até chegar a 1 xícara exata. Coloquei essa mistura de suco e agave numa panela, misturei bem com um batedor de arame e juntei um envelope de agar-agar [4g ou 1 colher de sopa]. Levei ao fogo médio até ferver. Desliguei o fogo e juntei à mistura, 1 xícara de kefir. Mexi bem com o batedor de arame, coloquei num refratário molhado com água e levei à geladeira. Depois foi só cortar em quadradinhos com uma faca e servir em tacinhas. Pra comer com garfo! »o agave pode ser substituído por mel e o kefir por iogurte natural.

[ se Maomé não vai até
a montanha… ]

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Desde 2007, toda quarta-feira durante primavera e outono, uma feira acontece no centro do campus da Universidade da Califórnia em Davis. É uma versão em tamanho reduzido do Farmers Market da cidade, com objetivo de servir a população de estudantes, acadêmicos e funcionários. Em especial aos estudantes, que tendem muito mais para o lado da dieta recheada de porcarias. O restaurante da universidade já mantém há muitas décadas um menu simples e nutritivo, todo feito do zero e usando produtos orgânicos vindos da fazenda do campus. Mas só isso não bastava. O East Quad Farmers Market educa e facilita o acesso aos ingredientes frescos, sazonais e orgânicos. E o pessoal compra. Toda quarta feira eu vejo gente carregando saquinhos com frutas. O mercado é bem pequeno, mas oferece uma ótima variedade de produtos. No último dei um pulo lá com meu chefe. Ele comprou uvas e eu um tanto de tomates heirloom, que viraram salada.

cooking with Zelda

Quando a editora Harper & Brothers pediu para a escritora Zelda Fitzgerald contribuir com uma receita para o Favorite Recipes of Famous Women, ela escreveu—”Veja se há bacon e se houver, pergunte à cozinheira qual a melhor panela para fritá-lo. Então pergunte se há alguns ovos, e se houver tente persuadi-la a cozinhar dois deles poché. É melhor não tentar fazer torradas, pois elas queimam facilmente. Também, no caso do bacon, não coloque o fogo muito alto, ou você terá que sair da casa por uma semana. Sirva, preferivelmente, em pratos de porcelana, embora pratos de ouro ou madeira possam ser usados, se estiverem à mão.”

America in color

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Este link de um blog de fotos do jornal Denver Post está sendo repassado alucinadamente pelo twitter desde a semana passada. Quando cliquei nele pela primeira vez, fiquei de boca aberta com o que vi—uma seleção de fotos coloridas tiradas por fotografos contratados pelo governo norte-americano para registrar as áreas rurais e pequenas cidades do país durante a depressão, entre 1939 e 1943. Num país da dimensão dos EUA e numa época em que a comunicação não era tão fácil, a população em muitas áreas de pobreza lutava e definhava sem o menor conhecimento do governo. O trabalho desses fotógrafos foi mostrar um pouco desse imenso interior isolado do país. As fotos são maravilhosas, expondo com uma clareza e honestidade cruel a pobreza e o cotidiano de uma grande parcela dos norte-americanos. O blog do jornal fez uma compilação muito bonita com um punhado dessas fotos, que hoje fazem parte do acervo da Biblioteca do Congresso.

salada de beterraba & iogurte

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Quando li a auto-biografia da Judith Jones—The Tenth Muse, marquei o nome da autora de culinária Claudia Roden, que Jones comenta com bastante entusiasmo. Claudia foi uma das muitas revelações com que Judith nos presenteou, quando publicou seu primeiro livro de receitas do Oriente Médio. Nascida e criada em Cairo, no Egito, Claudia Roden completou sua educação formal em Paris e depois mudou-se para Londres para estudar Artes. Seu primeiro livro foi recebido com muito entusiasmo quando publicado na América do Norte na década de 60 através de Judith Jones e da editora Knopf. Quero mostrar os livros da Claudia aqui, que são absolutamente lindos. Esta receita de salada de beterraba saiu do Arabesque—A Taste of Marocco, Turkey, & Lebanon. É uma receita da Turquia, muito simples e deliciosa.

Pancar Salatasi—Beets with Yogurt
Serve de 6 a 8 pessoas
1 quilo de beterraba
2 dentes de alho amassados [*opcional – não usei]
2 xícaras de iogurte grego drenado
2 colheres de sopa de suco de limão
6 colheres de sopa de azeite de oliva extra-virgem
Sal a gosto
Um punhado de hortelã fresco ou salsinha picados [*usei hortelã]

Cozinhe as beterrabas na água ou assando no forno ou churrasqueira—eu gosto mais de assar e fiz essa na churrasqueira, embrulhadas em papel alumínio em temperatura alta por uns 30 minutos.

Deixe as beterrabas cozidas ou assadas esfriar, remova a casca e corte em rodelas. Se for usar o alho, misture com o iogurte. Coloque o iogurte espalhado numa travessa e arrume as rodelas de beterraba por cima. Junte o limão, azeite e sal e bata bem com um batedor de arame. Despeje essa mistura sobre as beterrabas e salpique com as folhas de hortelã [ou salsinha] picadas por cima. Sirva.

*para fazer uma variaçao desta salada no estilo libanês, substitua o alho por 1 1/2 colher de sopa de tahini misturado ao iogurte.