pasta com farinha de espelta germinada [e molho pesto]

Tenho experimentado fazer massas cm farinhas diferentes. Comprei umas dessas farinhas orgânicas e fiz macarrão com a integral germinada—usando ovos de pata e de perua, que às vezes vem na minha dúzia de ovos semanais. Com a farinha integral foi super tranquilo, fiz a substituição 1X1 da farinha branca pela integral na receita da minha bisavó: 100 gr de farinha e 1 ovo por pessoa. Na de farinha de espelta não quis arriscar e peguei essa receita do Farm Fresh to You, daqui no Capay valley. O resultado ficou uma delícia, mas não foi fácil sovar e abrir essa massa. Minha Kitchen Aid não conseguiu, tive que pedir pro meu marido fazer a sova no muque. E ele suou! Passar na máquina também me deu uma ensuvacação, mas valeu a pena pelo resultado. Ficou uma pasta bem rústica e combinou muitíssimo bem com um molho pesto meio pedaçudo.

Para a massa:
2 xícaras de farinha de espelta [* usei essa germinada]
3 ovos caipiras em temperatura ambiente
1/4 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de azeite

Misture todos os ingredientes da massa, até formar uma bola. Sove bastante até a massa ficar bem lisa. Embrulhe numa folha de plástico ou pano de prato e leve à geladeira. Deixe a massa descansar e gelar por 20 minutos. Abra a massa como quiser, no rolo ou na máquina. Corte no formato da sua preferência. Cozinhe até ficar al dente numa panela com bastante água salgada. Tempere com o pesto, se precisar misture um pouco da água do cozimento. Sirva.

Para o pesto:
Bata no processador folhas de manjericão fresco, nozes, pedacinhos e queijo parmesão ou outro queijo duro, sal, pimenta do reino moída na hora e bastante azeite até dar um ponto. Pode por um dente de alho também, se quiser. Eu não coloquei.

Grace Higgens na cozinha de Charleston

Grace-Higgens

Assisti Life in Squares, uma série britânica sobre as irmãs do grupo Bloomsbury, Vanessa Bell e Virginia Woolf. Sempre achei a vida dessas duas artistas fascinante. Em especial a Vanessa Bell, que teve uma vida muito peculiar, fez as pinturas mais lindas e decorou com elas as casas onde viveu. Numa dessas pinturas ela retrata Grace, a empregada-governanta que trabalhou com ela por muitos anos.

Grace tinha 16 anos quando foi contratada em junho de 1920 para trabalhar como criada na Gordon Square, a casa de Vanessa Bell. Ela permaneceu com a família por mais de 50 anos como empregada doméstica, enfermeira, cozinheira e, finalmente, governanta em Charleston, a casa de campo isolada onde a família Bell passou os últimos anos da grande guerra. A propriedade não tinha eletricidade, apenas aquecedores de carvão, lâmpadas de óleo e velas, e a água era bombeada diariamente à mão. Grace era uma mulher alto astral, com um senso de humor robusto. Sem ter tido uma educação formal, tudo o que ela aprendeu foi lendo. Grace era bonita e muitas vezes posou para Vanessa Bell e seu companheiro Duncan Grant. Após a morte de Vanessa Bell, Grace permaneceu em Charleston, jardinando, limpando e cozinhando para Duncan Grant até 1971, quando se aposentou.

Grace foi imortalizada em 1943, no auge da juventude, neste quadro da Vanessa Bell. Na pintura ela está na cozinha com as mãos numa tigela; cenouras e maçãs no primeiro plano; alho e cebolas penduradas no teto. Grace Higgens morreu em 1983.

tagine de abóbora com grão de bico, conserva de limão & harissa

tagine

Sirocco —fabulous flavours from the Middle East da autora Sabrina Ghayour é outro dos muitos livros que tenho comprado na versão pra kindle por uma bagatela. Essa receita ficou super gostosa, adicionei também uma batata doce. Fica picante e cítrico, muito diferente. Servi com couscous.

1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1 colher de chá de cominho em pó
1/2 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de curcuma
1 butternut squash [abóbora de pescoço, ou outra abóbora] cortada em cubos
1 batata doce pequena cortada em cubos
1 colher de sopa de harissa
1 e 1/2 colher de sopa de mel
1 lata de tomate em lata [*usei uns 5 tomates frescos picados]
1 lata de grão de bico cozido
150 gr de damascos secos
2 limões conservados no sal [*usei o meu feito em casa, essa receita, mas feita com limões sicilianos]
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto
Salsinha fresca pra decorar

Numa panela grande coloque azeite suficiente para cobrir toda a superfície. Adicione a cebola e o alho e refogue por uns minutos. Adicione o cominho, a canela e a curcuma e misture bem, cozinhando as especiarias por alguns minutos. Adicione a abóbora e a batata doce se for usar, misture bem. Cozinhe por uns minutos mexendo sempre. Adicione a harissa e o mel, misturando sempre. Adicione os tomates. Se for usar os tomates em lata, adicione a água também. Se for usar o tomate fresco, adicione um pouquinho de água. Tempere com sal e pimenta do reino moída na hora. adicione os grãos de bico com a água, mexa bem e deixe cozinhar por 30 minutos, mexendo de vez em quando. Adicione então os damascos secos e os limões em conserva, misture e deixe cozinhar por mais 20 minutos. Decore com salsinha fresca picada e sirva com couscous.

salada de ovo

Nã gosto muito de ovo, mas adoro salada de ovo, que só faço quando tenho um surplus de ovos da fazenda. Não acontece sempre, mas neste verão aconteceu duas vezes. Faço uma receita bem simples e improvisada. Cozinho os ovos, pico, junto salsão picadinho, um tipo de picles qualquer [nesse usei o pepperoncini de vidro cortado em fatias], bastante salsinha fresca, tempera com sal, pimenta do reino, um pouco de mostarda, um pouco de iogurte ou sour cream, polvilha com páprica picante e serve. Eu uso também pra rechear sanduíches.

Green Gulch Farm Zen Center

Fomos fazer nosso picnic anual na praia e eu escolhi a Muir Beach, por ser a mais perto, menos tempo de carro. Nunca tínhamos ido à essa praia, que é bem pequena, fechada numa encosta. Na ida, bem perto já da praia, passamos por uma comunidade budista e eu falei—na volta, vamos parar. E assim fizemos. Descemos com o carro por uma estradinha apertada num barranco, tivemos que encostar quase despencando para dois carros que estavam subindo passarem. Chegamos no Green Gulch Farm e não sabíamos exatamente onde ir. Um casal que estava chegando também nos guiou. Ele era voluntário no local e nos fez um resumo, de que eles são parte do famoso San Francisco Zen Center, de como eles aceitam hóspedes, tem meditação, dharma talk nos domingos de manhã, e têm lugares pra retiro, o templo e a fazenda. Passamos por umas residências do pessoal que mora lá. O casal abriu um portão, nos deixou no jardim e seguiu em frente em direção à praia. Quando avistei o jardim, fiquei sem fôlego. Nunca tinha visto tantas cores juntas, tantas flores, as dálias eram predominante e eram absolutamente maravilhosas! Fiquei um tempão zanzando entre as flores e tirando fotos. São vários jardins para meditação e hortas uma atrás da outra. Fomos caminhando até o final, onde tinha mais um portão que dava para uma trilha em direção à praia. As hortas, todas com produção orgânica, eram uma pintura. As folhas verdes, que devem gostar muito do clima fresco do litoral, pareciam de plástico tal a perfeição. Ficamos muito tempo caminhando e olhando tudo, voltamos pra área dos jardins, das flores, do templo, até chegar no caminho rodeado de eucaliptos e voltar para o nosso carro estacionado. Fiquei tão extasiada com aquela visita, não parei de falar um minuto que queria voltar, que queria voluntariar, que queria trabalhar na cozinha deles, que queria morar lá! Até disse—nesse nosso passeio, acho que gostei mais desse lugar do que da praia. Não estava mentindo.

nhoque de batata azul
[com manteiga queimada & sálvia]

O meu supermercado oferece toda semana cartõezinhos com receitas de comida e bebida. Eles ficam numa caixinha na saída no caixa e eu sempre dou uma olhada neles, porque ás vezes tem coisas bem interessantes. Num dia eu avistei essa receita de nhoque e levei porque tinha certeza que tinha todos os ingredientes em casa e resolvi fazer pro almoço de domingo. No final as batatas da receita eram das doces roxas e as minhas eram comuns, porém da variedade azul. E eu também não tinha a ricota, que substituí receosamente por sour cream. Apesar das adaptações, os nhoques ficaram levinhos e muito saborosos. A massa ficou levemente azulada, mas depois que cozinhou ficou mais pro cinza. Faça com as batatas que tiver, doce ou não.

500 gr de batata azul [ou batata doce roxa]
1/3 xícara de ricota [*usei sour cream]
1/3 xícara de queijo parmesão ralado
1 gema de ovo caipira [*usei de ovo de pata]
1/8 de colher de chá de nos moscada ralada na hora
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de pimenta do reino moída na hora
de 1/2 a 1 xícara de farinha de trigo [*pra mim deu menos de 1 xícara]
4 colheres de sopa de manteiga
6 folhas de sálvia fresca

Asse as batatas em 400ºF/ 205ºC até elas ficarem macias. Ou cozinhe numa panela com água e escorra bem. Passe as batatas cozidas por um espremedor de batatas. Misture a ricota, o parmesão, a gema, a nos moscada e o sal e pimenta na batata espremida. Vá adicionando a farinha, 1/4 de xícara de cada vez, até dar o ponto de massa que possa enrolar. Forme uma bola e divida em 4 partes. Role cada parte numa superfície enfarinhada até obter uma massa bem comprida, então corte em pedacinhos com uma faca. Coloque numa forma polvilhada com farinha ou forrada com papel vegetal. Coloque uma panela com bastante água salgada no fogo e deixe ferver. Assim que ferver vá jogando os nhoques, em partes. Quando cozidos eles sobem para a superfície da panela. Remova com uma escumadeira e coloque numa travessa. Repita até cozinhar todos os nhoques.

Numa panela ou frigideira derreta a manteiga e deixe cozinha em fogo médio até ela começar a ficar dourada. Adicione as folhas de sálvia e cozinhe por 1 minuto. Jogue essa manteiga sobre os nhoques, polvilhe com parmesão ralado e sirva.