conserva de figo em vinho do Porto

Inacreditável que esqueci completamente de publicar essa receita que a Manuela Cruz do Tertúlia de Sabores me passou no verão, quando tive a posse de uma árvore carregada de figos por três semanas. Foram dias horrivelmente quentes e fiquei com medo de que o doce descansando na panela por três dias fosse azedar, mas deu tudo certo. O bom é que os figos não ficam cozinhando por um período muito longo, então fazer esse doce não esquenta a cozinha. Fiz a receita como a Manuela ditou, com um quilo de figos e deu dois vidros e meio de compota. Uma eu dei de presente pra moça que me deu todos os figos, os outros comemos nós. Servi os figos para amigos que nos visitaram e o Uriel se encumbiu de devorar o que sobrou. A Manuela contou que comeu essa compota em Trás-os-Montes, terra da família do meu pai. Os figos dulcíssimos devem ser servidos com queijo.

1 quilo de figos inteiros com casca e cabinhos
1/2 quilo de açúcar
1/3 de xícara de vinho do Porto

Coloque os figos, o açúcar e o vinho do Porto numa panela grande. Leve ao fogo médio e quando levantar fervura conte dez minutos e desligue o fogo. Repita a mesma operação por 3 dias, de manhã e à noite. Deixe ferver, conte 10 minutos, desligue. Na noite do terceiro dia coloque os figos e a calda em vidros esterilizados com tampa. Eu mantive os meus na geladeira, mas foi embora tão rápido que não vou poder predizer quanto tempo essa conserva dura.

comida & vinho [com amigos]

Nossos amigos Heg & Steven [e Penélope] vieram de San Francisco para passar o final de semana aqui na nossa região. No sábado fizemos pizza & vinho em casa e no domingo passeamos na pequena cidade de Winters, onde bebemos vinho das vinícolas locais Berryessa Gap e Turkovich. Depois almoçamos no restaurante Preserve e dirigimos pela região de pomares de amêndoas. nozes e castanhas. Bebemos muito vinho gostoso e tagarelamos demais. A Califórnia tem tantas regiões vinícolas fora do circuitão Napa/Sonoma, a gente só precisa olhar para os lados e experimentar.

doze!

doze anos

Doze meses multiplicado doze vezes, nem quero fazer as contas, mas já é bastante tempo. E é um tempo corrido, sem descansos, férias, sabáticos ou sumidas. Estou por aqui há 12 anos e isso é realmente notável. Até pra mim mesma isso é surpreendente! Nestes anos todos acho que já escrevi tudo o que poderia ter escrito sobre mim, minha cozinha, meus livros, meus métodos não ortodoxos, meu amadorismo culinário, meus fracassos, meu incessante levanta a poeira e dá a volta por cima, meus ingredientes, a fonte desses ingredientes, minha vida bucólica na minha pequena cidade norte-californiana, meus gatos, minha discreta família, meu apetite insaciável, minha política, meu liberalismo, meu trabalho que não é no blog e que eu adoro, minha vida social, meus amigos, minha história, minha herança, meu italianismo, meu portuguesismo, meu americanismo, as incertezas, as mudanças, as estações do ano e o que vem com elas, os aspargos da primavera, os tomates e figos do verão, as abóboras do outono, os cítricos do inverno, a louça vintage, as danças sozinha ou acompanhada na cozinha, o vinho, os brindes, as pequenas viagens, a paisagem da roça, os campos agrícolas, as colheitas, as folhas caindo, a falta que a chuva faz, o calor intenso, o frio cinzento, as caminhadas matinais, os cachorros agregados, todos os animais que eu amo e pelos quais eu sofro, um pêssego, um morango, uma cereja, uma maçã, o que eu fotografo, o que eu vejo, o que eu penso, o que eu sinto. Bem-vindos ao Chucrute com Salsicha, puxem uma cadeira, fiquem à vontade, vou servir um café, ou chá, ou uma taça de vinho, o que você prefere?

bolo de banana [com painço]

Imagino que todos saibam que os americanos chamam esses bolos feitos na forma de pão de “pão”. Não sei o motivo, nunca fui pesquisar. Mas eu chamo de bolo. Fomos fazer uma trilha no domingo e levamos bananas na mochila. Camelamos por quase 2 horas no sol e quando chegamos em casa as bananas estavam explodindo de maduras. Foi a oportunidade perfeita pra testar essa receita. O painço pode ser opcional, mas eu recomendo que ele seja usado. Deixa o bolo com uma textura muito diferente. Como a receita faz dois bolos, comemos um e o outro levei pro meu trabalho pra dividir com meus colegas e foi um tremendo sucesso.

faz 2 bolos
170 gr manteiga sem sal
1/2 copo de açúcar branco
3/4 copo açúcar mascavo
2 ovos caipiras
1 colher de chá de extrato da baunilha
1/2 colher de chá de sal
115 gr de cream cheese amolecido
115 gr de iogurte grego
4 bananas médias amassadas com um garfo
3 xícaras de farinha de trigo
1 e 1/2 colheres de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de canela em pó
1/2 xícara de painço não cozido

Pré-aqueça o forno a 350ºF /176ºC. Unte duas formas de pão. Derreta a manteiga em uma tigela grande. Adicione os açúcares e bata bem para combinar. Adicione os ovos um de cada um de cada vez e em seguida, a baunilha e o sal. Adicione o cream cheese amolecido e o iogurte grego. Bata até obter uma massa lisa. Adicione as bananas amassadas e misture bem. Adicione a farinha, o bicarbonato de sódio e canela em pó. Misture bem. Adicione o painço cru. Divida a massa uniformemente entre as duas formas e asse por cerca de 1 hora, ou até que o centro dos bolos estejam cozidos. Retire do forno e deixe esfriar antes de desenformar.