yorkshire pudding
[e uma história antiga]

saidos do forno yorkshirepudding1.jpg

no forno yorkshirepudding2.jpg

e o galetinho cornishhen.jpg

Numa das nossas férias voltando a pé das nossas nadações em um dos rios da cidade, meu primo paulistano que passava todas as férias de verão e de inverno com a gente lá no interior viu uns pintinhos ciscando soltos pela beira da estrada. Nunca admitimos o fato de que os pintinhos deveriam ter donos e de que fizemos uma afanação ilegal, mas a verdade é que simplesmente decidimos levar os bichos pra casa. Na minha casa tinha um galinheiro, normalmente vazio, onde ficavam provisóriamente as galinhas compradas vivas para serem abatidas e virarem frango assado no domingo. Os pintinhos ficaram por ali e as férias nem tinham terminado e eles já tinham virado uns franguetes. Num belo domingo ensolarado fomos ao clube e voltamos animados e cheios de fome para um almoço de churrasco que tinha sido anunciado desde o sábado. Para o nosso mais completo horror, o prato principal do churrasco era galeto—feito com os nossos franguinhos. Lembro que as crianças sairam chocadas da mesa e não sei se os outros voltaram e comeram, mas eu não arredei o pé e passei um domingo esfomeada e magoada. Por essa e por outras que nunca tinha ousado comprar o cornish hen—o franguinho jovem. Outro dia fazendo compras no Co-op resolvi levar um, dos caipiras. No minuto em que peguei o bichinho já me deu um certo remorço. O Uriel recomendou que eu devolvesse o frango pra geladeira, mas eu insisti e levei Vá lá, vou tentar. Quando desempacotei o bicho o arrependimento bateu forte, porque ele é uma coisinha e veio com o pescoçinho, bem fininho e comprido. Quase chorei. Pra não estender a minha tortura, decidi fazer o galeto à maneira do Thomas Keller como fiz com o frango grande nesta receita incrível. Desta vez coloquei fatias de pão amanhecido por baixo do franguinho, sequei bem, temperei com sal e pimenta e fiz como da outra vez, só que desta sem fumacê. Na hora de servir deixei descansar, reguei com azeite e salpiquei com folhas frescas de tomilho. Ficou gostoso e serviu bem duas pessoas numa refeição. E agora que já fiz o galeto, sossegarei o facho e não vou precisar fazer novamente por muitos e muitos anos. Para acompanhar o galeto, fiz uma salada de folhas de alface e um purê de batata doce [das cor de laranja]. Cozinhei as rodelas descascadas em água até elas quase desmancharem, amassei com um garfo, adicionei sal, manteiga e um pouco de leite e voalá. E também fiz os yorkshire puddings, que são sempre um ótimo acompanhamento. Escolhi esta receita super fácil e os bolinhos ficaram lindíssimos e super leves. Acrescentei folhinhas de alecrim fresco na massa e adoramos o resultado, que ficou bem aromático.

1 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
2 ovos caipiras
3/4 xícara de água
1/2 xícara de leite
Folhinhas de alecrim fresco

Numa vasilha misture todos ingredientes com um batedor de arame até formar uma massa bem lisa, não muito grossa. Se tiver tempo deixe descansar na geladeira por 1 hora, senão prossiga. Unte 12 forminhas de muffins ou de popover [*usei de mini popover] com azeite, coloque 3 colheres de sopa da massa em cada forma e leve ao forno pré-aquecido em 425ºF/ 220ºC por 20 minutos. A massa vai crescer e sair pra fora das formas. Remova do forno e sirva imediatamente.

5 comentários sobre “yorkshire pudding
[e uma história antiga]”

  1. Menina, não acreditei ao ver seus popovers! Eu tentei fazer na forma de muffin uma vez, mas não deu certo. E me disseram que tem que ser na de popover porque o fundo é estreito e quando ela fica bem quente a massa sobe, meio que explodindo. Mas vou tentar de novo! Os seus estão lindos! beijo
    R: Carol, a moça do blog onde eu peguei a receita usa uma forma de muffin. só não fica altão, mas funciona. tenta de novo e depois me conta. beijo!

  2. Fiz os “seus” yorkshire puddings: ficarm Lindos!! (e saborosos).
    Foi a primeira vez que fiz e que comi – adorei e vou fazer mais vezes.
    De facto, é muito bom visitar o seu blog.
    Beijinhos Fer.
    R: adorei saber, Mia! um beijo 🙂

  3. Dou por mim muitas vezes a pensar na vidinha daquele animal que está no meu prato. Não posso pensar muito senão começo a não comer de nada 🙂 Os yorkshire puddings ficaram lindos!

  4. Ai Fer, fiquei com um nó na garganta só de imaginar vc preparando o franguete. 🙂
    Quando eu era pequena também encontrei um pintinho na estrada que virou uma galinha enorme e linda, um belo dia ela virou almoço de Domingo e eu me recusei a comer, me lembro da sensação até hj. Hoje em dia é raro comer bicho, quando como é assim como vc faz, compro carnes com good karma only 😉
    Beijocas e boa semana.

Deixe a sua pitada: