[ we picked ]

u-pick
u-pick
u-pick u-pick
u-pick
u-pick u-pick
u-pick u-pick
u-pick
u-pick u-pick

Chegou o dia em que fui finalmente vencida pelo cansaço. Passei o domingo super devagar, me sentindo sem energia. Tomamos um chazinho acompanhado de éclairs às 4 pm e eu já me entristecia com o encerramento do final de semana quando o Uriel sugeriu um passeio. Quero te mostrar a fazenda orgânica com u-pick de morangos que vi no final da highway 99—disse ele. O céu despencou num baita temporal. Assim que a chuva parou, nos agasalhamos, entramos no carro e fomos ver o tal lugar.

Se eu tivesse a minha bicicleta em Woodland, daria pra ir até a fazenda Pacific Star Gardens pedalando. De carro se chega lá numa piscada. Ela fica no inicio de uma estradinha que liga Woodland à Davis. Não é a estrada principal, nem a melhor estrada, por isso eu nem conhecia.

A região tem muitas fazendinhas com campos de tomates, girassóis e trigo. Numa parte do caminho tem muitas oliveiras enfileiradas. Paramos na fazenda e não tinha absolutamente ninguém por lá. Achamos que o u-pick estava fechado. Fomos investigar. Num pequeno barracão estavam os baldes e cestinhas, uma balança, uma caixinha pra gente colocar o dinheiro e uma placa com as explicações: o preço do pound das blackberries e de cada cestinha de morangos, pegue o balde, vá colher as frutas, pese e pague, obrigado! Ainda tem muita gente que usa esse tipo de honor system, onde a confiança é a alma do negócio.

Pegamos um baldinho e rumamos para o campo, que estava uma lama só por causa das tempestades que caíram durante todo o final de semana. Plaquinhas indicavam os arbustos de blackberries, marionberries e olallieberries. E o campo de strawberries. Fomos pegando as frutas, ainda molhadas da chuva, até encher o balde. No caminho vimos um campo enorme cheio de galinhas felizes. Fiquei animada em poder comprar ovos. Também vimos um pomar de damascos, campos com verduras e tomates. Fiquei num estado de alegria e excitamento sem fim.

Quando já estávamos indo pro campo de morangos, vi uma moça lá junto das galinhas e corri falar com ela. Queria saber dos ovos! Acenei lá de longe, ela acenou de volta, fui apressada encontrá-la. Ela era a dona da fazenda e me contou que os ovos já estão todos vendidos, mas que eles planejam aumentar a produção. Disse que logo terá u-pick de tomates e berinjelas e que se eu quiser eles vendem a galinha viva com recomendação de quem pode fazer o trabalho sujo pra mim. Dispensei. Mas fiquei interessadíssima nos tomates e afirmei que vou voltar para mais berries e tomates até o final da estação, vou virar freguesa. Ela disse que a fazenda tem 40 acres e que tem também um pomar de nozes e eles estão começando a criar patos e perus. Uma ótima opção para o Thanksgiving!

Conversei um tempão com a moça, que me contou da família dela e do Farmers Market de Woodland, que como eu pensava é o Real McCoy, com apenas fazendeiros locais vendendo por lá. Embora nem todos certificados orgânicos, como eu também já sabia.
Fomos pra casa com as botas sujas de lama, um balde cheio de frutas e um sorrisão estampado na cara. O passeio me revigorou e me reanimou. Fizemos nosso lanchinho, com as frutinhas deliciosamente frescas e doces [especialmente os morangos!] mais iogurte grego com mel, pão doce e nutella. Sentados à mesa, devorando as delicias, o Uriel comentou—estou me sentindo como um urso, pois colhi o meu próprio jantar de berries. [ hahahaha! ]

18 comentários sobre “[ we picked ]”

  1. Fer, so hoje vi esse post. Que maravilha, voces moram no paraiso. Fiquei curiosa com essas outras “berries” – parece que essa marionberry e a nossa amora, e isso mesmo? Na minha cidade (cof, cof, vila) tem arvores de amora por toda parte mas nao consigo ninguem para me dizer que fruta e aquela em ingles.
    Beijo,
    Raquel
    R: Raquel, eu li que a marionberry é um hibrido criado pelo USDA, entao nao pode ser a nossa amora, que deve ser uma fruta silvestre. sao muitas berries, é dificil ate discernir uma da outra. um beijo!

  2. Olá Fer,
    Faz tempo que não a visito.
    E, como sempre, de cada vez que aqui venho,fico deliciada com os seus posts – hoje foi mais uma dessas vezes.
    Adoraria poder colher morangos dessa maneira.
    Já agora digo-lhe que os meus sogros vivem numa aldeia pequena de Portugal onde ainda se pode dormir com a chave na porta (do lado de fora).
    Boa sorte na sua nova casa.
    Beijinhos.

  3. Fer,
    A vantagem dessa nossa Northern California é o acesso que temos a comida variada e de qualidade. Muita fartura nessa época do ano também. É um colírio pros olhos passear pelo country e ter a honra de colher seu próprio alimento. The bounty of nature! Só felicidade 🙂
    Temos amigos em Cambria e lá a fruitinha olalliberry é como se fosse um ‘cult’. Fazem tortas e conservas etc. Sempre qdo vão nos trazem alguma coisa feita de olalliberry. Delish!
    Abração
    H
    R: sei que meu comentário é totalmente biased, mas realmente adoro morar aqui! 🙂 abs!

  4. Cada relato seu me deixa boquiaberta de saber que existe lugares assim. Muito sonho isso. Sabe, quando vejo as bandeijinhas de morango no supermercado me dá uma tristeza. Mesmo q estejam aparentemente bonitos, não tem gosto de nada e estragam num piscar de olhos fora o preço que é absurdo.
    Quero programar minha viagem de 2012 pra California, quem sabe você não possa me passar umas dicas de lugares assim pra conhecer.
    Beijos!!

  5. Ai, que delícia ser urso! Parabens pelo seu jeito de viver a vida intensamente, aproveitando tudo e fazendo de cada momento uma ocasião especial. parabens pela mudança, e boa sorte na nova vida! Sua casinha nova é linda!

  6. História linda que me lembrou a visita feita a Nova Zelandia, como é maravilhosa a vida com confiança… Uma pena nosso país não ser assim…

  7. Faz mais ou menos 24 horas que descobri este blog. Não sou internauta, aliás, gasto pouco tempo navegando, por preguiça ou sei lá o quê. Neste momento, só lamento não ter conhecido este local antes, e meus olhos ardidos também o lamentam, pois desde então estou vidrada, lendo posts passados com uma ânsia semelhante à de quem, com o estômago urrando de fome, se senta à mesa repleta de delícias. Um post foi me levando a outro e outro e mais outro e me levou ao The Chatterbox e, no meio disso tudo, li em algum momento (provavelmente em um post de alguns anos passados e, portanto, talvez seja uma sentimento que nem subsista) algo sobre sua dúvida em relação aos gostos e interesses de quem a lê, se as pessoas se agradam ou não do que é postado – dos assuntos, das críticas, enfim, algo nesse sentido.
    Eu apenas senti a necessidade de, pela primeira vez na vida postando um comentário em um blog, registrar que a sensação que tenho é de que tudo o que escreve é interessante, não posso deixar de ler nada. Seja pelo assunto em si, pelas receitas interessantíssimas, ou, ainda, pelas narrativas de acontecimentos de sua vida particular que, a princípio, não seriam capazes de atrair minha curiosidade, mas que da maneira envolvente que são escritas, foram capazes de me deixar grudada aqui. Bom, a intenção era somente esta: dizer que, se por um acaso dos acasos aquela dúvida ainda persistir, a minha impressão é a de que os que aqui encontram um momento de lazer o fazem porque os textos são simplesmente entorpecedores….
    R: muito obrigada, Cris e fique à vontade.

  8. Nega, seus relatos são tão queridos e emocionantes! frequentemente me levam às lágrimas! Que delícia de tarde bucólica vocês tiveram, você e seu urso! Nega, como se chamam as blackberries em português, são framboesas? Beijos, Lu
    R: acho que são mais como as amoras. as framboesas são as raspberries. bjo, nega!

Deixe a sua pitada: