migalhas dormidas do teu pão

Tenho perfeito conhecimento da existência de pessoas meio etéreas, que possuem um talento quase mágico e para quem assar um bolão ou um pão fofinho, fazer umas dezenas de cookies ou uma suculenta torta, é a coisa mais simples e corriqueira deste mundo. E elas são capazes de fazer tudo isso sem receita, tricotando, se equilibrando em cima de patins, praticando truques de malabarista com bolas coloridas, dançando um frevo e podem até colocar uma venda nos olhos ou amarrar as mãs nas costas, o resultado será sempre divinomaravilhoso. Pois bem minha gentê, tenho um anúncio muito sério pra fazer: eu não sou uma dessas pessoas. Nem de perto. Nem de longe.

E ando me sentindo imensamente frustrada por não fazer parte dessa turma. Me arrasa não ter receitas e fotos de comidas lindas, perfeitas e deliciosas pra colocar aqui, porque ultimamente parece que tenho feito tudo com duas mãos esquerdas, dois olhos caolhos e uma cabeça nebulada. Minhas reclamações parecem ampliar e multiplicar os desastres, já começo tudo prevenida e fico esperando pelo pior. Me transformei numa velhota rasmungona e ranzinza, que bota fogo no pano de prato, espanta os gatos com o barulho das coisas caindo e quebrando, xinga palavrões e puxa os cabelos de raiva quando é forçada a jogar bons ingredientes na lata do lixo.

Outro dia mesmo conclui que ando acumulando mais histórias de desastre do que de sucesso e que já estou bem cheia disso. Não tem mais graça contar que deu tudo errado. Estou precisando contar vantagens, dizer que tudo ficou uma delícia, que os comensais lamberam os beiços, provocar uma salivação coletiva com fotos realmente hard core, mostrar que não estou aqui para brincadeiras, encontrar o antídoto para essa praga rogada pela minha fada madrinha má.

Mas enquanto não descubro a palavra mágica que vai me dar acesso à porta dos fundos para o clube das cozinheiras de sucesso, me restam duas alternativas: não escrever nada ou escrever as minhas desventuras.

Inventei de fazer um pão, porque estava folheando um livrão que tenho só com receitas com os citros e dei de cara com uma foto maravilhosas—pão com limão e macadâmia. O mundo parou pra mim naquele momento e a única coisa que pensei dalí em diante foi fazer o tal pão. Não vou aborrecê-los com detalhes chatos, de como me atrapalhei com o primeiro procedimento e usei um fermento morto, mas no primeiro dia o pão não deu certo. Joguei fora todos os ingredientes, entre eles cinco xícaras da melhor farinha que tem no mercado, a mais cara, além do ovo caipira, leite e manteiga orgânica e tals. No dia seguinte, me recuperei da derrota, sacudi a poeira e comecei tudo de novo. Agora estava mais preparada, tinha entendido o tal procedimento da esponja, tinha comprado fermento vivinho e novinho e tinha lido e relido meticulosamente por mil vezes as instruções. Mãos à massa.

Não dá pra explicar com palavras o meu estado de desânimo quando vi que a massa não ficou macia, muito menos elástica e não cresceu depois de uma hora e meia descansando num ambiente escuro e morno. O Uriel tentou me ajudar, analisando todas as instruções do livro milimétricamente, lendo, relendo, comparando as medidas, tentando em vão encontrar um erro que pudesse justificar meus dois fracassos seguidos. Enquanto isso eu arrastei ferros pela cozinha, lamentei, lamentei um pouco mais, me dei auto-chicotadas imaginárias, praguejei até não poder mais e até chorei. Finalmente respirei fundo, engoli o orgulho e decretei—esse pão sai de qualquer jeito! mesmo que não cresça e vire uma pedra. eu faço torradas!

Coloquei o pão já na forma forrada e untada no segundo processo de descanso, já com as macadâmias e as raspinhas de limão incluídas, coloquei no forno, cobri, dei uma bela banana pra tudo, virei minhas costas pro fogão e subi pra tomar banho.

Quando voltei, uma hora depois, o pão tinha duplicado de tamanho. Com ar blasé liguei o forno e coloquei o tal pra assar. Voltei pra desligar o forno e desenformar o pão e apesar dele ter ficado enorme e até meio bonito, não consegui celebrar a vitória. Estava com muita raiva do livro dos citros, da receita, de mim mesma e de todos os padeiros profissionais ou amadores que um dia assaram seus pães com facilidade e sucesso.

No outro dia, enquanto comíamos fatias grossas do pão com limão e macadâmia que ficou bem gostoso, o Uriel comentou animadamente:

no final o pão deu certo, hein?
é, [grawww] deu!

30 comentários sobre “migalhas dormidas do teu pão”

  1. Achei muito divertida sua postagem sobre o pão, e acredite que mesmo as melhores cozinheiras tem seu ponto fraco. Ninguém é bom em tudo.Eu nunca tive dificuldade com pães, adoro fazer e nunca deu errado.Em compensação a tal bala de coco,que tem que ser esticada até ficar branquinha…Nem sei mais quantos quilos de açucar e leite de coco já perdi na tentativa. Decidi não comprar mais leite de coco para não ter a tentação de fazer mais uma vez.(bala engorda) No momento estou achando melhor me especializar em outras coisas.Mas de repente, um dia desses, quem sabe?

  2. O que posso dizer é que adoro os textos do seu blog, a honestidade dos seus comentários, a forma poética como você acompanha a dança de cores e sabores das estações e o senso de humor mesmo quando tudo dá errado. Venho aqui todos os dias!
    Bjs
    Socorro Acioli

  3. oi fer, hoje fiz um brigadeiro de cenoura que ficou pessimo, com um gosto muito ruim de maizena, bem grudento. ainda bem que eu li este texto ontem. na hora da raiva, eu me lembrei das suas palavras e mantive o bom humor.
    ps: suas fotos de comidas sao AS MAIS lindas 🙂

  4. Fer
    Apesar de não ser nenhuma expert no assunto,tenho uma vaga ideia(sem base cientifica) que o limão atrasa a levedação.
    Não sei se conhece o nosso bolo rei tradicional,o unico que fiz com limão.A levedação chega a demorar uma noite inteira.Mesmo tendo em conta que é feito na época fria do Natal,é muita hora.
    Beijo
    R: provavelmente está aí a explicacão! beijaoo :-*

  5. Aee Fer! bem vinda ao clube e me dê a mão!hehe
    A primeira receita que postei no mamão, foi de pão…e realmente eu não consigo um pão lindo!! Todo são “comiveis”..hehe..mas aquele pao lindo e maravilhoso…afff….longe…e olha que o meu dedo é tão ruim, que nem na maquina dá certo..nunca cresce o quanto deve crescer, (ja troquei farinha, fermeneto..tudo…e nada)…
    como disse a Marcia, nao é facil quanto parece!
    É bom estar de volta pra ver suas aventuras!rs
    bjao
    Fe. 😉

  6. Fer, por mais que muitos blogs/livros/receitas tentam convencer, fazer pão não é fácil. Adoro pães e como onde moro não há muitas opções decentes, há muitos anos resolvi aprender a fazer meu próprio pão. Não foi fácil, os primeiros saíram azedos, outros duros, outros densos. Também joguei muita farinha no lixo, também me frustrei depois de muito trabalho árduo. Finalmente decidi aprender de verdade ao invés de simplesmente seguir receitas. Comprei o livro “The Bread Baker’s Apprentice” de Peter Reinhart. O livro é bastante detalhado, explicando desde o processo molecular que ocorre na produção do pão até a forma correta de manusear e assar. Aprendi que tudo, tudo influencia o resultado. Li e reli esse livro muitas vezes. Fiz mais pães, alguns deram errado, mas com a diferença de que agora eu entendia e sabia onde estava errando. Hoje adoro fazer sourdough, um pão que é feito desde os primórdios da humanidade, usando wild yeast.
    O fermento de pão é vivo e precisa somente de açúcar e calorzinho para acordar, sobreviver feliz e produzir gluten. Qualquer detalhe a mais altera esse delicado equilíbrio. Alguns fermentos demoram muitas horas para acordar e não respeitam horários escritos nas receitas. O que me preocupa na receita do seu pão é a presença do iogurte de limão, que certamente deve alterar o pH da massa e o processo de fermentação. Dá certo, claro, (como o seu deu) mas é um pão mais “arriscado” de se fazer.
    Outro detalhe é a questão de “socar até sair todo ar”. Reinhart prefere não socar e sim manuear com cuidado para manter a leveza do pão. Mas pela sua foto, o “crumb” está ótimo, então fica a critério do padeiro. 🙂
    Enfim, Fer, não se desanime, pão é um dos alimentos mais bacanas de preparar porque há milênios a humanidade faz. Não é fácil, há muito a se ler, pesquisar e aprender, que é o que mais fascina. Continue assando pães, Fer, é um conhecimento que vale a pena ter. Boa sorte nas próximas fornadas.
    Marcia

  7. . Essa coisa de receita dar errado é uó mesmo, mas atire a 1ª pedra blá, blá,bla… acho lindo quem faz pão, mas eu nem tento, vc tentou, parabéns!ficou lindo, aliás, amo suas fotos, são incríveis!É só um momento, como tudo na vida, vai passar, continue a nadar. Bjus.

  8. O único pão que eu consegui fazer foi o de Cristo, aquele que a isca é entregue para pessoas de confiança. Ficou perfeito. Depois disso, nunca mais. Inclusive atribuo a minha mais recente gastrite ao fato do fermento do pão ser estranho. Trauma total.
    Por enquanto, não quero me frustrar.
    Se der, vou tentar comprar um máquina de pão.
    Bjs.

  9. Outro dia coloquei praticamente todos os ingredientes de uma torta no lixo. Que frustração e dor pela perda dos ingredientes. Ainda bem que perdi pouco em dinheiro.
    Eu tenho feito direto, a cada 2 dias, os pães do “Artisan Bread in 5 Minutes a Day” e ficam muito bons.
    As vezes a massa não cresce muito mesmo, depende da temperatura. Com farinhas mais pesadas leva mais tempo para crescer. Outras vezes ainda o pão cresce mesmo é no forno.
    É só uma questão de vc pegar o jeitinho. Não desanima não, que todos nós passamos por muitos micos tb.
    Boa sorte!

  10. Fer,
    Imagino o sufoco, deve ter sido desesperante e agora estou imaginando que você não vai nunca mais tentar fazer pão, mas o meu conselho é que você tente o artisan bread in 5 minutes (Tem até video no Youtube), acredita que é infalível e tenho a certeza que vai dar certo.
    Um beijo
    Moira

  11. Fezokíssima!
    Eu quase desisti das aventuras culinárias depois de um longo tempo em mesmo meu singelo bolo de cenoura SEMPRE EMBATUMAVA (solava, não crescia etc etc). Até que um belo-dia-nublado-de-chuvas-paralelas simplesmente relaxei… e os protetores da cozinha resolveram dar o ar da graça!
    E como já te disse: teu pão de banana tem sido a redenção!
    Smile and take your time! The magic will come back soon! =)

  12. Fer,
    Como assim??? Todos os dias, eu tiro um tempinho pra te fazer uma visita, ler seus textos, e babar com as suas receitas!
    Mas fique sabendo, não dá pra ser 100% em tudo né? Porém, tenha certeza que vc consegue atingir tantas coisas boas, com suas receitas deliciosas, naturais…cada fruta, legume…dos Céus!!! Vc consegue me atingir lá no fundinho, com suas palavras, onde dia a dia eu sinto os seus aromas, seu tempero até! E por sinal é muito bom…
    Não ligue para os pães, bolos…e cia…apenas nos permita, viver um pouquinho dos seus sucessos gastrômicos ou não, a cada dia q dispensamos um pouquinho do nosso tempo, a tudo isto!
    Felicidades!
    Pri

  13. Fernanda,
    como assim?? Só vejo sucesso, fotos lindas, lugares maravilhosos, ingredientes perfeitos (quem me dera ter romãs e nozes frescas e lindas aqui pelo Brasil!)… e até essas derrotas fazem parte!! Como acha que me sinto quando meus pães ficam massudos e horríveis?? Lendo seu blog, me sinto acalentada, pois todos nós erramos!
    Sei que essas palavras não valem nada em momentos como esse, que tudo que queremos é sentir raiva e pronto!!
    Mas saiba que ainda sou sua fã culinária!
    Beijos!
    gabi

  14. Fer, eu tenho uma teoria!
    Não confio muito em livros de receitas “industrializados”. NUNCA tive uma experiência positiva.
    Tu já percebeu quantas receitas tu muda uma coisinha aqui, outra ali e dá certo?
    Acho que no final eh isso … a gente deve se permitir errar, até adaptar a receita aos nossos ingredientes. À nossa farinha, à nossa manteiga, ao tamanho dos nossos ovos. Enfim, lidar com o fracasso é dose. Mas acredite nos seus súditos leitores. Esperamos cada post seu ansiosos. Tuas fotos são lindissimas, e melhor de tudo. São de verdade! Não foi um super chef, não foi num estudio equipado, nao foi um fotógrafo profissional.
    Foi a Fer. E se a Fer conseguiu, oras … EU TBEM POSSO!! rsrsrsr
    Lots of warm hugs!

  15. Ana Elisa disse tudo – ate’ vou repetir exatamente, “Hoje em dia, com tantos blogs de gente semi-profissional por aí, fica difícil não se sentir inadequada.”
    e’ a pura verdade – me espantei de voce se sentir assim, porque para mim voce e’ fonte de inspiracao e “inveja” (inveja no sentido mais positivo possivel, sei la’ se na nossa lingua materna tem algum termo que encaixe sem aquela conotacao azeda do termo). Seu blog, de fotos a textos, suas receitas, seu “enfoque culinario”, sao fora de serie! Desde o primeiro dia que li quando cai aqui nem me lembro como…. viciei e nunca deixe de acompanhar seus relatos, sejam frequentes, infrequentes, pouco importa.
    Entao, meu veredito e’ “you are being too harsh on yourself”.
    E tenho dito! 🙂
    R: Sally, não sou eu, mas meu saturnão na casa um do asc em capricórnio que me faz assim. 🙂

  16. Fê,
    VOCÊ PODE NÃO SABER MUITO BEM FAZER PÃO, MAS SEUS TEXTOS SÃO MARAVILHOSOS, CRIATIVOS, INTELIGENTES E CÔMICOS.
    SEM FALAR NAS FOTOS INCRÍVEIS QUE PARECEM SAÍDAS DE REVISTAS CARAS DE CULINÁRIA.
    BJ

  17. Fer, obrigada por escrever esse post, por reclamar bastante, por desabafar o quanto vc não é perfeita e estraga pães; do contrário, leitoras como eu, sem um décimo do seu talento, ficariam ainda mais desesperadas…
    Ufa, se vc realmente não é um robô eu me sinto mais tranquila e posso ir para cozinha tentar fazer o seu frogurt de gengibre pq aqui em Sampa está MUITO calor. Já que estamos falando de desastres, eu sou muito perseverante com essa história de frozen iogurt pq meu marido sempre reclama do resultado… É isso ai, LEVANTA, SACODE AS MIGALHAS E DÁ A VOLTA POR CIMA! Bjs
    R: Sabrina, o frogurt de gengibre é muito simples, espero que dê certo e sem marido aprove! Adorei o sacode as migalhas — hahaha! beijao

  18. Fer, a falibilidade é benigna.
    Penso que estou muito mais longe que você do olimpo dos cozinheiros perfeitos (não acredito que existam, aliás) e me encanto toda vez que venho aqui ler seus textos deliciosos e perder o zóio nas tuas fotos belíssimas.
    E se você estiver mesmo ficando ranzinza, te digo que és a ranzinza mais adorável que conheço. ;***

  19. Oi Fer!!!
    Voce rezou antes?
    É isso, rezo antes de uma receita dificil e no fim dá certo. Canto tambem as vezes(ligo o rádio) e dá certo.Uma taçinha de vinho tambem antes(pra mim claro!) e a receita dá super certo!Sorrisos!!
    ( é o tempero mágico)
    O teu pão ficou lindo!!!

  20. Compreendo perfeitamente o teu drama e me revi nalgumas descrições tuas. Dá inveja aqueles pães gostosos e bonitos que nos empurram a correr para a cozinha e depois nos saiem os desastres que sabemos.Não dá para pão? Resta-nos o consolo que temos outras virtudes!
    Ah, adorei os fuchicos do teu avental, umas fotos abaixo!:)

  21. Fer,
    antigamente a gente só se comparava com nossas avós, a mãe de alguma amiga e o ocasional chef de televisão. Hoje em dia, com tantos blogs de gente semi-profissional por aí, fica difícil não se sentir inadequada. Eu vejo alguns blogs americanos, de mulheres montando sobremesas dignas de restaurantes 5 estrelas, com camadas, técnicas complexas e uma apresentação impecável, e me sinto uma ogra na cozinha, sem a menor delicadeza. Faz tempo eu desencanei de tentar dar uma de chef patissier. Se não ficou bonito, problema. O que importa é que ficou gostoso. E isso de nada dar certo é fase, com certeza. Ando meio destrambelhada ultimamente, e por isso só ando fazendo bolo do tipo “junta tudo numa tigela só e coloca no forno”. Estou fugindo de qualquer coisa mais complicada há meses, e meus pãos tbm andaram dando tão errado que me dei férias deles. Semana passada mesmo tentei assar um peixe de 1,8kg em crosta de sal. Errei o tempo de cozimento e tive de jogar TUDO no lixo. Quase sentei e chorei no meio da cozinha. Respira fundo que as coisas voltam ao normal em breve. 😉
    Beijos!

  22. Fer, nem parece que vc é assim..suas fotos são tão perfeitas e suas receitas parecem ser maravilhosas!!!Não desanime, pois sou sua fãnzona e não quero ver vc longe daqui!!!beijos

  23. Reparei nos teus lamentos com o fermento via twitter. Pois fica sabendo que ninguém é perfeito, nenhuma cozinheira faz tudo certinho sem errar. Isso são boatos e publicidade enganosa. Há muita gente, como eu, que daria tudo para ser metade do que tu és na cozinha!!!

  24. Fêêê……você é o máximo!!!!!!!!!!!
    Adooooooro os textos que você escreve…
    E ainda mais essas histórias sobre o que da certo e errado na cozinha. Me da um certo alívio, porque nem sempre acerto, as vezes até o ovo frito fica ruim..rsss…..
    Beijossss, e continue escrevendo por favor!!!

  25. Fer, me diverti lendo seu post porque consegui me ver! Acho que não existe cozinheiro perfeito, existe uma vontade enorme de acertar e agradar às pessoas que gostamos. Trabalho em uma padaria e me frusto às vezes, me frusto mesmo, mesmo, mesmo com algumas tentativas mal sucedidas. E meu chef sempre me fala com a maior paciência do mundo:
    – É assim mesmo, a gente ainda vai queimar muito pão…..
    Te confesso que isso, na maioria das vezes, não me serve de consolo….
    beijo grande

  26. Olá Fer,
    Uma palvra de parabéns de Portugal: pelo blog, pelas fotos, pelas histórias e, sobretudo, pela sinceridade.
    O pão ficou lindaço! Não desanime pois se a cozinha não tivesse “buracos negros” (é o que chamo aos meus desastres culinários porque quando algo não resulta é para lá que vai a minha disposição) não teria metade do interesse.
    Obrigada pelo seu lindo blog que já é uma das minhas leituras obrigatórias.
    Bjo
    Pat

  27. Oi!
    Eu entendo que a frustração é uma desgraça. E entendo que você tenha ficado triste com as desventuras desse pão.
    E entendo ainda mais que, quando a frustração se instala na “confecção” de alguma coisa, nem que ela fique mesmo gostosa, para nós, ela não ficará aquilo tudo.
    O que quero dizer é que. Pra mim (e talvez só pra mim) culinária é uma arte, e como arte que é, não há receitas. Há lembretes, idéias, sugestões.
    Receitas são para empresas que fazem as coisas todas iguais, numa linha de produção.
    Eu penso assim, quando Van Gogh ia pintar, ele não ficava pesando a quantidade de cada cor para analisar se o amarelo era o amarelo que ele havia usado. Ele só sentia o que tinha que fazer e fazia.
    É por isso que me irrito com receitas que pedem 104 gramas de manteiga. Eu não sei o que é isso.
    E ovo, pra mim, é ingrediente de quantidade inteira, não existe meio ovo! (eu até aceito separar clara de ovo, vá lá)
    Eu entendo que vc tenha ficado frustrada. E pão é um treco complexo mesmo, porque depende do fermento, e se o bichinho que você comprou no mercado era da cepa preguiçosa, não há o que você vá fazer!
    Mas, talvez, você tenha sido muito dura e rígida com você mesma.
    Cozinhar, tem que ser um prazer, e não um desgosto. (e eu tenho certeza que você também acha isso)
    Obrigada pela oportunidade de comentar aqui. Abraços!
    (a propósito, assino seu feeds e leio sempre que posso….)

  28. Fer Querida, O seu pão está lindo, vou faze-lo em breve mas com avelãs (por aqui não tem macadâmias)
    Eu não tenho o mínimo talento para pão, me desespero que com os passos, o levedar uma vez,o levedar duas vezes 🙁 Desde que comprei a máquina de fazer pão tudo isso fico resolvido, só tenho pães de um formato mas o que importa? 🙂
    Beijão,
    Carlota

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