o último suspiro [do atum]

Ando cansada de dizer que ando cansada, mas realmente o que eu tenho sentido não é bem um cansaço, mas uma exaustão. E tem dias que ela ataca forte, me deixando mal humorada e sem muita destreza física e mental. Depois das festas, meu maior objetivo é conseguir limpar e esvaziar a geladeira de ingredientes que sobraram das grandes comilanças. Como tive visitas durante e depois das comemorações, precisei dobrar a quantidade de ingredientes e sempre sobra um pouco aqui, outro ali.

Durante um desses meus ataques de exaustão, resolvi fazer aquela mais do que batida e super flexível e variável salada niçoice. Usei floretes de brócolis cozidos no vapor e palitinhos de cenouras coloridas, que fez os olhinhos da minha sobrinha brilharem. Cobri tudo com aquela maionese de alho que faço com gema cozida, e dessa vez usei as raspas e suco do limão cravo, que é o meu favorito e que colho na árvore de ninguém. Cozinhei uns ovos e abri duas latas de um atum italiano conservado no azeite, que temperei com salsinha picada e reguei com o mais fabuloso azeite prensado com limas da Pérsia. Esse foi o nosso jantar, acompanhado de pão de azeitonas, amêndoas frescas, vinho tinto e água com gás.

Revelou-se que duas latas de atum para quatro pessoas foi um exagero. Guardei as sobras na geladeira, esperando pela primeira oportunidade para poder gasta-la. E ela apareceu numa outra noite, em que atacada novamente pela exaustão, abri e fechei as portas da geladeira e da despensa 8754 vezes sem conseguir pensar em absolutamente nada fazível ou comível para aquele jantar. Resolvi finalmente por um macarrão, que cozinhei num potão de água com sal. Piquei um punhado de tomates secos, outro punhado de azeitonas pretas, três talos de cebolinha e separei a sobra do atum. Quando o macarrão ficou cozido al dente, escorri, voltei tudo pra panela e acrescentei os outros ingredientes, regando tudo com uma boa quantidade de azeite extra virgem. Daí foi só ralar um bocado de queijo em cima e devorar, com um ânimo que só a fome consegue dar à uma criatura tão cansada como eu tenho estado.

3 comentários sobre “o último suspiro [do atum]”

  1. Meninas…
    Mimha mãe sempre dizia:
    _ Para isto não tem jeito!O brabo é começar!!!!
    Experimentem!
    Eu preciso fazer isto, por isto estou tentando convencer a mim mesma.Mas dá certo, começando a gente vai adiante, a gente se motiva com o próprio resultado conseguido e faz mais do que pensava fazer!
    Não adianta abrir a janela.O serviço não vai embora!Nem a brisa e nem a esperança nos ajudarão!
    Mãos a obra!
    Liane

  2. Fer, acho que estamos “parelhas”… eu também devo estar sofrendo dessa “exaustão”. de falta de fome não sofro – que pena! mas sofro “da falta de vontade”… se tu estivesses aqui prá ver a minha pia… louça hoje, só amanhã!
    é uma espécie de preguiça, misturada com falta de vontade, acrescida de uma dorzinha que não dói, por assim dizer? pois é assim que eu estou… no meu caso eu acho que é a idade, ou pode ser a água, ou quem sabe está no ar???… af!
    nhé! totalmente de acordo contigo! nessas horas minha mãe dizia assim… “que vida insípida!” e eu aprendi uma nova outro dia… “que vida exteeeeeeeeensa!”… kkk… o jeito, prá passar essa “coisa”? só rindo!
    bjus, Fer, prá ti e pros Mimis!

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