litros, litros e mais litros

Acho que nunca bebi tanta água na minha vida, nem nos meus tempos de nadadora assídua. Com esse calor seco, reidratar é imprescindível e eu acordo e durmo bebendo água. Durante minhas horas de labuta isso irrita um pouco, pois provoca mais idas ao wanderley. Hoje, além dos quarenta e um graus celsius, está um fumacê horrível provocado pelos incêndios que, como todos já devem ter visto nos noticiários, estão castigando o norte da Califórnia. Nós estamos sentindo a calamidade pela névoa amarela e ardida que envolveu o nosso céu. É um cheiro tão forte de madeira queimada, que me faz ter vontade de chorar.

Ontem, jantando sozinha na mesa da sala, olhei para o quintal e vi através da porta de vidro a criaturinha delicada ali perto dos arbustos de lavanda. As perninhas finas, como as do Pernalonga, as orelhonas pontudas esticadas, os olhinhos meigos e o focinho mexendo pra lá e pra cá. O gato Roux já começou a bufar com a visão da lebrezinha, que permaneceu impávida, sem perceber que uma humana e um felino a observavam com diferentes intenções. O Roux mudou até de posição, depois de janela, para poder ver melhor. Eu parei de comer, parei de ler a revista que estava me acompanhando na saladinha de pepino com queijo feta e fiquei olhando com uma cara de parva sorridente apatetada até a lebrezinha dar um pulinho e desaparecer da minha vista tão rapidamente que nem vi pra onde.

Com esse calor miserável, senti muita pena da lebre pernalonga e orelhuda lá fora. Parei tudo que estava fazendo e fui até o quintal onde arrumei uma vasilha bem no meio do piso de tijolinhos e enchi de água fresca. O bichinho vai desidratar, ele precisa de água!

Mais tarde, contando o episódio pro Uriel, ele me disse que esses animais se viram muito bem e que chupam a água dos matinhos e plantinhas. De sede eles não morrem. Especialmente naquela selva que é o meu quintal.

9 comentários sobre “litros, litros e mais litros”

  1. Fer:
    Temos visto sim sobre os incêndios.
    Não se preocupe com a lebrinha, pois normalmente as grandes orelhas nos animais servem também para refrigerá-los. Caso da lebre e também do elefante.
    beijos.

  2. Vocês com os incêndios e nós com a inversão térmica de São Paulo!
    Acho que mesmo no inverno bebo dos mesmos 2000ml de água/dia. Só as outras bebidas que mudam, saem os sucos e infusões gelados e entram os quentinhos!
    bjo

  3. Aqui o Verão tem estado ameno, uns dias quentes e logo uma chuvinha para não criarmos ilusões. Isso é este ano, nos outros, os incèndios começam em Maio e vão até Setembro. Num país tão pequeno admiro-me sempre como ainda há árvores para arderem. Por isso compreendo bem o que se passa aí, até porque, aí, é tudo em grande!

  4. Ano passado tbem passei por um incenio no centro da ilha muito feio,eu moro na beira da praia e por isso tenho a sorte de ter esta humidade que ajuda um pouco nestes casos de ar seco.MAs me lembro que era tao grande a queimada que o ceu era amarelento e o ar pesado,exatamente como tu diz!!Espero que logo acabe estes incendios pque aparte da nossa saude,é muito triste o que o fogo pode destruir em tao pouco tempo!!;)Coloca uma toalha molhada no quarto para dormir,ou ate mesmo uma bacia,ajuda um pouco !!bjos

  5. Os incêndios são a maior praga do Verão. Por aqui também são a calamidade anual. Espero que este ano seja mais meigo porque senão daqui a pouco tempo não resta nada para arder.
    Mas numa nota mais bem disposta, adoro as suas histórias da lebrezinha. Se eu tivesse um quintal também ia adorar ter lebres, esquilos e pássaros morando lá.
    Beijo *

  6. Fer,
    Tenho visto na tv os incendios na California, e’ uma coisa assustadora. Por aqui os incendios sao no sul e muitas vezes os turistas que estao por la’ devem escapar. Meu lado aqui tem uma humidade inacreditavel, verao e inverno. Digo que moro na regia Lombalgia, nao preciso explicar porque. Quando faz calor voce nao respira de tanto mormaco. Ufa! Hoje achei no Corriere os enderecos dos farmers market na Italia, muito legal. Basta novidades, beijos, Maria

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