Marius, Fanny e César

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Quando fiquei sabendo da obsessão de Alice Waters pela trilogia do francês Marcel Pagnol—Marius, Fanny e César, tive que correr atrás e ver por mim mesma o que esses filmes tinham de tão sensacional. Alice ficou tão impressionada que passou a se vestir com modelitos da década de trinta—incluindo boinas e chapéus que viraram a sua marca registrada, batizou seu restaurante com o nome de um dos personagens e até o empreendimento, que incluia os sócios da empreitada, recebeu o título de Pagnol et Cie. Anos depois, quando teve uma filha, batizou a menina de Fanny e casou-se com um vestido similar ao que a personagem Fanny usou no seu casamento no filme. Alice decorou o café do Chez Panisse, que fica no andar superior da casa que abriga o restaurante, com posters dos três filmes de Marcel Pagnol. Só isso basta pra nos deixar curiosos?
A trilogia, que é composta dos filmes Marius de 1931, Fanny de 1932 e César de 1936 é realmente uma jóia rara. Pagnol tinha escrito as histórias originalmente para o teatro. A transposição para filme foi feita com os mesmos diálogos e atores. A trama dos três filmes é centrada no no dia-a-dia dos habitantes da região do porto de Marseille, em especial os frequentores do bar de César e o romance entre Marius e Fanny. Nos três filmes acompanhamos a trajetória dos personagens principais através dos anos, com porções de romance, comédia e melodrama. São filmes pra se divertir e emocionar. Duas coisas bem notáveis são o formato de teatro dos filmes, com diálogos longos e cheio de detalhes, que não era muito comum no cinema mais popular da época—o norte-americano. Pra mim, que estou acostumada com a superficialidade dos filmes dos anos 30 de Hollywood, essa trilogia muitas vezes incomodava pelo exagero de falação dos personagens. Mas é justamente isso que nos envolve na história e dá uma sensação de grande familiaridade com os personagens. Outro ponto interessante é a visão da França a partir da perspectiva dos provençais. Há muitas piadas dos marsellenses com relação aos lyoneses e principalmente com os parisienses. Li que a cidade que aparece no filme foi destruída durante a segunda grande guerra e depois reconstruída, mas que o charme ainda é o mesmo.
Depois de ver os três filmes e o documentário sobre Marcel Pagnol, entendi um pouco melhor a obsessão de Alice Waters. Sendo eu também uma alma desvairada e obstinada, não é difícil perceber como certos trabalhos de arte provocam tanta comoção e reação, e de uma idéia brotam mil outras, dando continuidade ao processo de criação e inspirando grandes mudanças.

7 comentários sobre “Marius, Fanny e César”

  1. Boa noite gente!
    I que tenho a dizer é:
    Breve vocês poderão ver essa trilogia em DVD aqui no Brasil.
    Aguardem, Setembro/2013 sairá o 1° filme.
    Abraços a todos

  2. que dica incrivel, fer, vou procurar na locadora esses filmes. eu adoro o jean de florette e manon des sources, ate comprei em vhs na epoca. adoro essa ambientacao que ele sempre faz da frança rural, é uma delicia de imaginar a vida das pessoas ali. e agora fiquei doida pra ver esse trio aí!

  3. O teu site estimula o sonho. Dá para sonhar no Brasil?
    Imaginar um futuro seguro e saudável no Brasil para nossos filhos e netos exige algum otimismo. Muitos brasileiros já não tem mais nada em que acreditar. Dia desses li em um jornal a história das estudantes que tinham economizado durante 12 meses para umas férias merecidas após a conclusão da faculdade. Elas não puderam viajar pois a companhia aérea havia suspendido temporariamente todos os vôos. As estudantes ficaram a ver navios. Priscila Antunes, uma delas, disse: “Sonhamos tanto com essa viagem, mas, pelo jeito, no Brasil é proibido sonhar.”
    Em muitas situações, a gente tem que concordar com a Priscila. É demais. É muita corrupção, muito embuste e muita inércia. O ar está fétido. É órgão público, é assembléia, é leite, é congresso, é judiciário, é quadrilha em Brasília, é companhia aérea, é sacanagem no futebol, em licitações, é doping no esporte, é apagão e é muita impunidade. Onde se fuça um pouco é bem provável que surja alguma malandragem. Pulhas por todos os lados. Nesse ambiente os sonhos são cancelados ou transferidos para outros lugares. Quase nada fica incólume.
    Mas é exatamente esse “quase” que ainda me segura, me anima e faz sonhar com algo bom para o Brasil. Esse “quase” é composto por poucos políticos, alguns empresários e algumas dezenas de instituições que insistem e lutam por um País melhor. Esse grupo está carregando um peso enorme e precisa do apoio de pessoas como a Priscila e de tantos outros estudantes e gente como eu e o prezado leitor. Estamos indignados com tudo que acontece em nosso entorno mas a impressão é que estamos amortecidos. Vamos sonhar que podemos nos unir e protestar contra essas trapaças.
    Dá para sonhar no Brasil.

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