o pão das nossas vidas

Já estava escuro, mas ainda estávamos sentados na grama bebericando vinho e conversando. Foi quando ela chegou e me contou a história mais bonita, de como andava fazendo pães—um por dia, todos os dias. Ela descreveu o processo, de como começava com os primeiros passos logo pela manhã. Misturar os ingredientes, sovar, sovar, sovar, sovar, deixar crescer, assar, o perfume impregnando a casa e o final, com o melhor pão de todos, o mais simples. A receita: água, farinha, fermento e sal. Com gestos e sorrisos ela explicou como fazer pão traz satisfação, restaura as energias, complementa e dá prazer. Sempre que converso sobre a arte de fazer pão, me lembro da epifania que tive lendo Thoreau. Nunca mais me esqueci da sensação envolvente de calor e conforto que aqueles parágrafos de Walden me proporcionaram. Uma impressão que ficou para sempre e que volta e meia é despertada como um grande bafejo de inspiração.

9 comentários sobre “o pão das nossas vidas”

  1. Ah amiga, fazer pão está mt além do ato de cozinhar e de alimentar, tem um barato implícito que não dá pra explicar, só fazendo pra saber.
    Amo, simplesmente.
    Bjs

  2. Que texto lindo Fer! Nunca fiz pão mas espero experimentar um dia. Na terra da minha avó fui a uma casinha antiga onde o pão é assado no forno a lenha, que delicia. O pão dura vários dias fresco, sem ficar duro, é óptimo!
    bjs, tenha um bom fim de semana!!
    PS: obrigada pelo seu comentário, a mini-biografia foi inspirada na sua “dona de avental”. Foi muito bom “conhecê-la” para ver quem está por detrás deste magnífico blog!

  3. A primeira vez que fiz pão foi com a receita do famoso pão de ervas que rodou por vários blogs de culinária. Daí prá frente nunca mais parei. Faço com ervas, com queijos, com linhaça… e fica maravilhoso. Não tem a “poesia” do sovar, mas é bem prático: liquidificador e forno.
    Bjs
    Andréa

  4. Cheiro de pão assando é maravilhoso. Faço meus pães na máquina, sei que com isso perco toda a poesia mas servir um pão quentinho para a minha família chega a me emocionar. Adorei o texto. Um beijo.

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