Davis, 3 de agosto de 2007

Querido diário,
Ontem foi um dia estranho. Aliás anteontem também foi um dia estranho, ou melhor, muito mais estranho. Estive muito ocupada no trabalho e no meio da tarde uma dor de cabeça que estava me rondando me pegou de jeito. Tive que sair mais cedo e ir pra casa descansar no quarto escuro. Depois fui cortar e pintar o cabelo, pois eu já estava com aquela cara de mulher louca do saco e era preciso tomar providências urgentes. Minha beleleira é um amoreco. Ela é dois anos mais nova que eu e já é avó, foi padeira, masca chicrete, tem um corte de cabelo super funky, me chama de “honey” e me dá abraços na hora de ir embora. Além do que ela sempre faz o que eu peço—e somente o que eu peço. Me fez massagem na cabeça e usou aqueles produtos aromaterápicos da Aveda. Até melhorei um pouco da dor de cachola. Depois fui buscar o Uriel no trabalho e enquanto ele me contava as novidades do dia e o desenvolvimento das notícias que tivemos nesta semana, eu dirigi como barata tonta por downtown, passando várias vezes pelo mesmo lugar e perguntando—onde você quer comer? Detesto quando ele faz o empurra-empurra respondendo—você que escolhe. Eu não tenho estrutura astrologica pra escolher nada! Parei por acaso em frente a um restaurante tailandês. Davis tem uma abundância de restaurantes asiáticos. Só de tailandeses tem uns seis. Então esse tipo de comida não é especial, nem excitante pra mim. Já passei de fase de achar bacana, agora só acho normal. Carne-de-vaca, como eu diria pro Moa poder rolar de tanto rir. Pedimos uns wontons fritos, que vieram com uma salada de pepino com um molho vermelho cheio de alho cru—todos aqui já sabem da minha ojeriza por alho cru. Resolvi pedir um especial do dia, que era um curry de abóbora com camarão. Eu raramente peço curry no tailandês, mas dessa vez resolvi arriscar e não me arrependi. O curry era vermelho, com leite de coco, camarões, pedaços de abóbora que foram incorporados no molho, abobrinha, cenoura e manjericão. Acompanhou um arroz jasmine. Nós sempre comentamos esse detalhe rindo, pois o arroz vem numa sopeira prateada cheia de rococós com a colher também prateada combinando, e olhando de longe dá aquela impressão de coisa linda e fina. Mas quando a sopeira chega na sua mesa, a decepção é aparente na cara de todos—ela é feita de plástico! O Uriel pediu camarão com gengibre e deve ter gostado, pois comeu tudo. Sobrou metade do meu curry, que o garçon empacotou e vou comer hoje no almoço. Não pedimos sobremesa. Eu não consegui beber todo o meu thai iced tea. Fomos pra casa, onde os gatos nos esperavam na cozinha. O Uriel voltou pro trabalho, como ele sempre faz. Eu tomei mais 800 mg de ibuprofen, um banho e fui pra cama. Um filme antigo, dança, sapateado, vestidos esvoaçantes, dou risada das piadas, viro de lado de costa pra tevê, fecho os olhos…“beautiful music…dangerous rhythm, you kiss while you’re dancing, it’s continental, ooh, it’s continental, you sing while you’re dancing, your voice is gentle and so sentimental..” ZzZZzzzzz.

17 thoughts on “Davis, 3 de agosto de 2007”

  1. Ai Fer, essa dor só poderia ter esse nome feio, né näo, e n x a q u e c a!!!!!!!! enlouqueço as vezes com ela sabia? adoro ler seus textos, perfeitos!!! bjnho Fah

  2. A melhor parte foi a “mulher do saco”. Sortuda você com as suas cabelereiras…aqui elas sempre querem fazer inovaçoes e eu deixo, agora estou deixando meu cabelo “natu” (soh com um pouco de tinta pra esconder uns brancos). Aqui em Québec deve ter uns dez tailandesas mais uns vinte vietnamitas…daqueles que você pode levar o seu vinho ha ha ha. Fer, pra ti deve ser dificil ir no restaurante nos EUA…a sua comida deve sempre dar de dez a zero no restô.
    Comprei uns linguados 🙂
    Beijocas e bom finde.

  3. Acho a comida tailandesa exótica demais for my taste. Mas, de vez em quando, cai super bem. Espero que a dor de cabeça tenha passado.
    Menina, me diga o que é esse bolo de ameixas frescas e amêndoas do post abaixo? Você aceita encomendas via Fedex? 😉

  4. Tb detesto esse jogo do empurra que o meu marido me faz sempre que vamos jantar fora e previamente não pensamos em nenhum restaurante! E tal como o seu marido, ele, na maior parte das vezes, acaba o jantar, ainda volta trabalhar! Já me habituei e já não me queixo 🙂
    beijocas
    Goretti

  5. Tb detesto esse jogo do empurra que o meu marido me faz sempre quando vamos jantar fora e previamente não pensamos em nenhum restaurante! E tal como o seu marido, ele, na maior parte das vezes, acaba o jantar, ainda volta trabalhar! Já me habituei e já não me queixo 🙂
    beijocas
    Goretti

  6. O mais legal é tentar imaginar todas essas cenas. Adorei o texto.
    Ah, mas eu nunca faço esse jogo do empurra com a minha namorada. Ultimamente com o blog, sempre escolho o lugar. Hhehehe. Sempre um lugar diferente!
    Beijos

  7. Engraçado que só fui notar esses vasilhames prateados aqui na Califórnia. Nos restaurantes tailandeses que freqüentávamos em Chicago, o arroa era servido em cumbuquinhas pequenininhas de louça, uma gracinha.

  8. Fer, adoro ler o que vc escreve… Me vejo em cena, e posso até sentir o aroma do restaurante Thai.
    O meu marido, Luis, vive fazendo comigo o que o Uriel fez com vc… Esse joguinho de empurra-empurra (vc escolhe… não vc é que escolhe,…).
    Espero que sua dor de cabeça tenha melhorado.
    Bjs e bom final de semana!!

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