a culpa foi do Misty

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o desastre

A ironia disso tudo é que eu tenho publicada uma excelente receita de pão de queijo, uma das receitas mais requisitadas aqui neste blog. É verdade que eu nunca fiz o pão de queijo Pat, nem pão de queijo algum. Sou uma brasileira que nunca fez pão de queijo! Bem, eu fiz daqueles horrorríveis de liquidificador que foi moda total nos anos oitenta, mas esses nem contam como pão de queijo. Outro dia me deparei com uma receita de um pão de queijo colombiano numa edição antiga da revista Gourmet. Me meti a fazer, porque eu tenho mesmo esse espírito de porco que incarna vez ou outra.

A receita é super simples, como quase toda receita de pão de queijo. Mas eu resolvi fazer com metade das medidas, pois não tinha polvilho suficiente pra receita inteira. Quando a gente vai mudar alguma coisa numa receita—principalmente medida, tem que se colocar num modo de concentração extremo. Essa parte já não é o meu forte, especialmente porque eu tenho inúmeras distrações na cozinha. E a pior delas é o meu gato Misty. Só quem tem animal de estimação em casa vai entender o que é fazer tudo com uma criatura peluda aos seus pés. No caso do meu gato Misty, ele está constantemente ao meu lado. Se eu não fechar a porta do banheiro na cara dele, ele me acompanha e fica na minha frente, me encarando, enquanto eu estou sentada na privada. Na cozinha ele é uma presença constante. E fica nos lugares estratégicos—em frente da pia e do fogão, ou no meio entre a pia e o fogão, que é o território por onde me movimento quando estou cozinhando. Pois enquanto eu fazia a receita do pão de queijo da revista, o gato gordo se postou insistentemente aos meus pés, com o rabão esticado, me deixando nervosa, me atrapalhando e me distraindo. O resultado é que eu errei as medidas de açúcar, sal e fermento. Os pãezinhos cresceram na largura e achataram. Ficaram massudos, adocicados e borrachudos. Tenho uma penca deles agora e não acredito que eu possa fazer um reaproveitamento, como torrar ou grelhar. Com certeza vão todos pro lixo, que tristeza. Meus primeiros pão de queijo, um fracasso total!

* a receita, pra quem quiser tentar. retire antes os gatos e cachorros da cozinha!

Pan de Bono
receita dos chefs Jose Luis Flores e Douglas Rodriguez.
revista Gourmet novembro de 2004

3 xícaras de polvilho – tapioca flour
2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de sopa de açúcar
1 1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de fermento em pó
3/4 lb – 3 xícaras de mozzarella fresca ralada grosseiramente
1 xícara de leite integral
2 ovos
1/2 tablete [1/4 xic] de manteiga derretida e esfriada
2 colheres de sopa de óleo

Aqueça o forno em 375ºF/200ºC. Forre duas formas com parchment paper. Misture os ingredientes secos numa vasilha e bata com o batedor de arame. Junte o queijo. Incorpore bem. Numa outra vasilha bata os ingredientes liquidos. Misture o liquido ao seco, misture bem com uma colher de pau, faça bolinhas, coloque na forma com espaço entra cada uma e asse por 30 minutos. Deixe esfriar numa grade.

17 thoughts on “a culpa foi do Misty”

  1. feeeeeeeeeeeeeer, minha linda, aqui em casa é exatamente a mesma coisa, mas multiplicada por quatro, hehe, só que eu abro a porta e deixo entrar! fico com dó! hahahahaha
    beijos

  2. Hohoho, a Ninoca tem exatamente essa mania, com o agravante de só tomar água da torneira, então além de ficar entre o fogão e a pia, às vezes também fica sobre a pia :o) eu ainda não sei como ela ainda tem rabo, porque todo dia é um pisão e um tufo de pelos a menos. Ninoca deve ter algum gene lagartixa, eis a explicação para o rabo regenerativo :o) E os pães de queijo ficaram ao menos bonitos por fora. Sugiro levar ao trabalho e deixar em uma mesa, como quem não quer nada e não contar quem deixou. O pessoal dá conta de acabar com os pães. Pelo menos aqui funciona. :o)

  3. Fezoca, os pães pelo menos por fora ficaram bonitos…e o Misty é bem parecido com a minha Viky, é demais…segue-me para todo lado, incluindo a casa de banho e se não a deixo entrar fica deitada colada à porta esperando que eu saia, quando estou a cozinhar anda ali circundando que por vezes até tropeço nela e acaba pisada e eu quase caindo também, ou então fica por ali sentada feita estátua esperando que algo caia da bancada para comer(e não é que cai sempre qualquer coisa!!!) ou então dá pinotes com alguns ganidos para não me esquecer que ela existe!!! é demais mas é uma companhia muito boa.
    Beijos grandes

  4. Que blog maravilhoso! Cheguei aqui pela Raquel (La cuisine de Marie Amèlie), li alguns posts e fiquei fã. Você escreve super bem, dá dicas legais e, de sobra, é divertida. Essa receita dá certo, com ou sem o Misty. 🙂
    Beijos,
    Cris

  5. você não é a única brasileira que nunca fez pão de queijo…encontrou uma aliada…tenho um meia cura na geladeria, mas agora me bateu um medinho de desandar meu pao de queijo…vou tentar e depois conto…bjos

  6. ih, já te falei que eu adoro dar palpite na receita alheia, né? pois é, acho que nao tem que levar farinha, nao. Só polvilho, e pode ser do doce, que não precisa escaldar como o azedo. um queijo meia cura, que pode ser um mild cheddar, ovos, leite e pronto. se quiser, pode colocar alho picadinho, salame, salsa, fica delicioso quando assa, aquele perfume pela casa…

  7. Fer, essa sou eu! E o meu Misty é a Frida, a dóga que tem personalidade de gata, essa safada! Já experimentei tirá-la da cozinha e tudo, na esperança de que poderia acertar uma meia receita… nem sou ruim de Matemática, mas também tenho minhas distrações internas e sou bem capaz de dobrar o ingrediente em vez de cortá-lo pelo meio… um horror, enfim!

  8. Poxa, que peninha!
    Quando estou naquela semaninha do mês, já viu, sai tudo uma meleca… e eu nem tenho gato! =)
    Por outro lado, tenho uma ajudante, minha filhota de três anos que apronta muito enquanto eu tento cozinhar.
    Você alguma vez já comeu chipinha ou chipa? Minha vó querida fazia uma receita divina e alguns anos antes de falecer conseguiu fazer para congelar… saudades.
    Abraços,

  9. Menina, esse post é a minha cara. Acho que é por causa da minha Belinha. Será que todos os gatos vão no banheiro enquanto a gente está lá? Coitado do meu pai..nem ele tem sossego o pior é que ele nunca tranca a porta…rs
    Gato? Na cozinha? imagine….. a minha Belinha gosta de ficar no tapetinho que fica em frente à pia. Lugar super apropriado, claro. Imagine lavar a louça com ela nos pés….se não levar um pisão ela sai no lucro…rs
    Beijos

  10. Fê , realmente cozinhar com gato por perto é um problema , minha Trilly fica bem no meio da cozinha , bem na minha passagem entre o fogão e a pia e aí você pode imaginar , e se brigamos com ela , ela faz cara de paisagem , isto é quando ela não leva um pisão ….. Mas mesmo assim adoro minha bichina querida , que me faz muita companhia

  11. Fico só imaginando o Misty te encarando no banheiro….rsrsrs…fala sério!!! Realmente eles são bem carentes, como filhos pequenos… o meu não pode me ver na pia ou no fogão que logo pede colo… e nem sempre dá para parar o que se está preparando e dar colo para filho…
    Eu amo pão de queijo, um dia experimento este!!!
    Beijos e ótimo final de semana!
    http://www.mangiachetefabene.wordpress.com

  12. Fer, adoro gatos, também tenho um, o Mingau. Mas ele gosta de ficar no meu pé quando ouve o barulho da tábua de carne!
    Dá um beijo no Misty por mim (aproveita e coça o cangote dele também!)
    Bj

  13. Não consigo parar de rir com essa do “espirito de porco” unido ao “gato gordo”…
    Agora, sem brincadeira, falando sério, sei que vç deve estar usando o polvilho vindo com sua irmã, mas será que saberia, se há algum substituto por aqui?

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